Easy Way Out

1 Capítulo 1


– Você tem que ver, Mandy, ela esta muito ridícula, uma cópia mal feita de você.- YooJin, uma das minhas amigas, se posso assim chamar, estava fazendo o que sabia fazer de melhor: alfinetar as pessoas. Não vou mentir que gostava de fazer isso de vez em quando, mas ela dominava melhor essa parte.

– Deve ter mexido na minha roupa suja. — Falei com desdém, olhando para minha cópia mal feita, mais conhecida como SunNie.

– Você fica mais bonita. — YooJin, como sempre, puxou meu saco. Às vezes isso enche a paciência, ela já tinha passado da fase: 'Me bajule para ser parte da minha lista de amigos'. Não precisava falar o que eu via todo dia no espelho. Não, eu não sou convencida, sou realista.

– Eu sei. — Olhei mais uma vez para o meu clone loiro-oxigenado.

– Não vai fazer nada? — Eu sabia que o YooJin mais queria era uma briga.

– Fazer o que? Ela mesma se humilhou, eu usei primeiro. — Me levantei, não querendo mais ouvir a tagarelice desnecessária e irritante de YooJin. — Não me siga. — Falei impedindo o ato que ela estava prestes a fazer, ela sentou-se amuada. Agradeci por ter esse poder sobre as pessoas.

– Onde você vai? — Antes que pudesse me afastar da mesa, dois braços se prenderam em minha cintura, não precisei olhar pra saber quem era.

– Beber alguma coisa. — Dei de ombros tentando me esquivar dos braços que me prendiam.

– Não está cedo, sua bêbada? — Ele me soltou e eu virei para encará-lo. Era Se7en. Se tivesse uma revista de popularidade na escola, ele estaria sempre na capa. Todos querem ser ele, todos querem estar com ele e festa só é festa se ele estiver lá. Convencido, egoísta e egocêntrico. Não presta, mas é meu amigo e namora com a GaHee, a única pessoa que eu posso realmente chamar de amiga, a única pessoa em quem eu realmente confio.

– Não preciso de pai agora. — Falei me desvencilhando dos braços dele. — Na verdade, nunca precisei de um. — Me arrependi logo depois de ter falado. Tive medo que aquela frase revelasse mais de mim do que deveria. Não precisava e nem queria ninguém se preocupando comigo. Para a minha sorte o Se7en só percebe o que quer; ele não gosta de se preocupar com ninguém e eu não gosto que ninguém se preocupe comigo. Vai ver que é por isso que nos damos tão bem.

– Ta ácida hoje, não que não esteja sempre, mas...ok, calei. — Ele levantou as mãos com se estivesse se rendendo, assim que viu me olhar, e deu um sorriso torto e cínico que nunca saia dos seus lábios. — Cara feia pra mim é fome, Amanda. —

– Então você deve estar sempre com fome, certo? — Dei um sorriso vitorioso e ele mostrou o dedo do meio, devolvi o gesto. Sim, nós nos damos muito bem. Depois de toda a demonstração de carinho e afeto, continuei o meu caminho.

Estava indo em direção ao meu local favorito do colégio, meu espaço secreto. Subi as escadas de incêndio, antes que algum inspetor me visse, e empurrei as pesadas portas metálicas que davam passagem para o ultimo piso do colégio. O sol machucou meus olhos por alguns segundos, passei o olhar pelo local em busca do baú do tesouro, ou seja, a caixa de papelão que guardava cigarros e bebidas, por sorte estava onde sempre a deixávamos. Abri e peguei a garrafa de Whisky que estava escondida dentro, estava cheia para a minha felicidade. Não que eu seja muito fã de whysky, prefiro cerveja e às vezes soju, mas como só tem isso, será isso mesmo. Como eu disse não sou uma pessoa de que possam se orgulhar.

Sentei no chão e encostei-me no muro pequeno que separava o piso de cimento, da queda livre para o gramado do colégio e fiquei observando a poeira dançar sob os raios de sol, uma coisa muito interessante e tediosa de fazer, mas como ainda não tínhamos televisão ali.

Assim que dei o primeiro gole, um gole bem generoso, senti o líquido arder enquanto passava por minha garganta, fiquei tonta na mesma hora. Whisky era forte demais pra mim, eu sabia disso desde sempre e pouco me importava com tal fato, quanto mais forte melhor.

Escutei o sinal tocar anunciando o primeiro horário de aula, não me importei. Já estava ferrada na metade das matérias e isso não me preocupava; todo ano era assim e no final, meu pai ‘super poderoso’ sempre dava um jeito para que eu passasse de ano. Sabe como é, dinheiro compra tudo, até inteligência. Da para ver isso pelo meu boletim de notas ‘A’, mas na verdade eu nunca tirei mais que um ‘C’. Não que eu não seja inteligente, eu sou, mas não faço questão de mostrar isso no colégio e nem para meus pais. Já que é tão fácil ele pagar para eu passar de ano, eu não preciso me esforçar para ser uma boa aluna, certo? Certo.

Acho que por isso que eu não dou muito valor às coisas que tenho, são dadas há mim muito fácil. Eu sou ciente disso. Mas em parte a culpa é deles, dos meus pais, que não querem mostrar para os amigos a verdadeira filha que tem, então usam de artimanhas para criar a filha perfeita que eles acham que tem e eu finjo ser. É mais fácil para ambos os lados.

Meus pais sempre estão viajando. Nesse momento eles devem está na Índia, eu acho, pelo menos foi o que eu vi na televisão noite passada. Eles não tiveram a decência de ligar para a filha e avisar isso, mas já estava acostumada, nunca convivi muito com eles, na verdade, nem os conheço direito; sempre foram ausentes, desde que eu era criança, dava para contar nos dedos quantas vezes eu os vi. Viviam viajando ou resolvendo coisas bem mais importantes do que tomar conta de mim; fui criada por empregados.

Minha mãe se preocupava mais se ela quebrasse uma unha do que se eu sofresse um acidente e meu pai estava ocupado demais roubando o Estado, ele é governador, para dar atenção a apenas uma filha.

E sinceramente, eu não me importo, já me importei agora não mais; estou acostumada a viver sem eles, às vezes até agradeço por isso. Os considero pais por eles estarem na minha certidão de nascimento, fora isso eles são apenas pessoas que me mandam dinheiro quando eu preciso. Isso é suficiente.

Um barulho fino, vindo da porta de metal sendo aberta, me tirou dos meus devaneios familiares, olhei para o lado e Se7en apareceu, com o característico olhar de descaso. Ele provavelmente nem fazia mais de propósito, era automático. Acho que ele é meio surdo, não falei que queria ficar sozinha? Semi-cerrei os olhos enquanto ele se aproximava o bastante para me ouvir reclamar:

– Que merda, eu falei pra não me seguirem. –

– Não vou deixar você acabar com o meu whysky e nem ficar emo sozinha. – Se7en andou em minha direção ignorando a minha expressão irritada. Ele não estava preocupado comigo, só estava arrumando um motivo para não assistir aula, não que precisasse de motivos. Bufei estressada com a intromissão e tomei mais um gole do whisky, que mais uma vez desceu ardendo. Estranhamente a garrafa estava mais leve. Examinei o liquido cor de âmbar, ele balançava feliz na metade da garrafa. Tinha bebido tudo isso enquanto pensava nos meus maravilhosos pais? Deve ter sido, ou então a garrafa de vidro estava furada. O que não fazia muito sentindo.

– Obrigada pelo ombro amigo. – Eu disse irônica e levantei a garrafa para ele que a pegou tomando o gole. Sua expressão não mudou, o whysky não fazia efeito qualquer nele, na verdade, nada fazia efeito no Se7en. Isso me dava raiva.

– Não se acostume. — Se7en sentou no chão, ao meu lado, e encostou a cabeça no muro acinzentado. — Vai para a festa na casa do SeungHyun, hoje? – Perguntou, o sorriso debochado no rosto e os olhos um pouco fechados, devido da claridade do sol.

– Sim, quando é que eu não vou? — Dei de ombros.

Festas sempre tem kit-sobrevivência, ou seja, álcool, música e caras gostosos e um bônus; você pode fazer coisas que não se lembrará no outro dia e colocar a culpa na bebida, por mais que ela não tenha culpa alguma. Existe melhor caminho de fazer sua droga de vida passar mais rápido?! Não!

– Tive esperanças de escutar um não de sua boca. — Ele riu, me entregando a garrafa.

– Quer se livrar de mim, Se7en? — O encarei, ele rolou os olhos.

– Nem se eu quisesse, sou seu cachorrinho particular. — Ele me encarou aumentando o sorriso do canto da boca.

Eu bebi mais um gole do whysky e fiz careta. Ele riu da minha cara,e pegou a garrafa da minha mão.

– Que bom que já sabe. — Me levantei rindo e tombei pro lado. Droga, o álcool já estava começando a fazer efeito. Eu nem tinha bebido tanto.

– Calma. — Se7en riu se levantando logo em seguida.

– Vou pra aula. — Ajeitei minhas roupas, não que estivessem bagunçadas, apenas um costume.

– Bêbada? – Disse com um sorriso presunçoso em seus lábios.

– Eu não estou bêbada. — E não estava mesmo.

– Hamrãm. — Ele voltou a sentar-se e eu saí sem dizer nenhuma palavra mais.

Queria ficar sozinha, e falar para Se7en me deixar sozinha não ia adiantar muito, já que ele só faz o que quer. A sala de aula era a única opção, pelo menos lá ninguém iria me importunar com tagarelice.

Enquanto descia as escadas acabei tropeçando no último degrau, salto e álcool não são uma boa combinação, tenho que lembrar-me disso. Whisky é uma bebida forte demais pra mim, eu também tenho que aprender isso.

Acabei batendo em alguém, ou algo que não identifiquei e caí sentada no chão.

– Mas que merda, não olha por onde anda? Droga de Whysky. — Xinguei quem quer que fosse que tivesse entrado no meu caminho, ou talvez eu no dela.

– Desculpe. — Uma voz masculina e muito sexy saiu de uma boca avermelhada, sim, eu tenho fetiche por voz, e sim eu amo bocas vermelhas. Tirei o cabelo que tinha voado para o meu rosto com o impacto.

– Você é cego? – Perguntei com raiva, minha bunda estava doendo.

– Não, não sou. Você é? – Ele perguntou, me olhando no chão enquanto se levantava com um sorriso presunçoso no rosto. Semi-cerrei os olhos para ele. — Quer ajuda? — Estendeu a mão para mim. Ignorei sua ajuda e me pus de pé com um pouco de esforço e rápido demais. Vi tudo rodar e devo ter quase rodado junto, já que ele deu um riso baixo. O encarei, ou pelo menos tentei já que ele saia um pouco de foco, o impacto me deixou mais tonta do que eu estava, mas a tontura não me impediu de examiná-lo de cima a baixo. Tênis, calça jeans preta desbotada, blusa branca com estampas coloridas, um moletom azul por cima. Cabelo na altura dos olhos. Bonito e desconhecido.

– Quem é você? — Perguntei, minha voz saiu autoritária ,como era de costume, mas isso ficava pior quando eu bebia. Cruzei os braços na frente do corpo. Nunca o tinha visto na escola, ou talvez tivesse visto e não dado atenção. Não! Eu teria dado atenção a ele sim, ele é bonito, bem bonito por sinal, mas é um desastrado. Espera, tem dois dele? São gêmeos! Não, é só um. Droga de álcool. Devia ser proibido vender essas coisas, ou melhor, devia ser proibida a fabricação dessas coisas. Não, não devia não. Eu estou bêbada e pensando besteira.

– Ninguém importante. — Ele falou e passou pelo meu lado caminhando na direção contraria a que eu estava. Eu encarei suas costas, que alternavam entre ser duas costas e uma, enquanto ele se afastava. Tinha costas bonitas.

– Que bom que sabe. – Falei por cima do meu ombro e voltei a caminhar, agora com mais cuidado, eu poderia está um pouco tonta, mas não bêbada.

O sinal fino e irritante tocou mais uma vez, levei as mãos ao ouvido, poderiam inventar uma coisa que fizesse menos barulho. Minha cabeça doía, um lado do meu rosto estava dormente e eu sentia as marcas da espiral do caderno nele. Havia dormido a aula toda.

Meus olhos estavam embaçados quando tentei ver que professor havia entrado na sala de aula, não consegui ver com clareza, talvez fosse aula de História, não me importava eu iria dormir do mesmo jeito. Fechei meus olhos, virando minha cabeça para o lado da janela, não percebi quando peguei no sono novamente.

– Mandy, levanta. — Escutei uma voz, mas não distingui bem de quem tinha sido, murmurei alguma coisa que nem eu mesma entendi. — Anda, já acabaram as aulas e o colégio já está quase fechando. — A pessoa impertinente me balançava, levantei a cabeça e me arrependi, tudo girou. Colégio? Eu estava no colégio? Olhei para o lado, com os olhos semi-cerrados e meio groge.

– O que? – Uma garota de óculos, cabelo preto, que parecia uma mancha de óleo, preso em um rabo de cavalo e franjinha cobrindo a testa, estava do meu lado. Era JungAh. Nós éramos amigas na quinta série, mas por algum motivo que eu não lembro acabamos nos separando, eu mal falava com ela desde então, seguimos caminhos totalmente opostos. Eu: a rebelde sem causa, e má companhia. Ela: A certinha, cdf, orgulho dos pais.

– Acorda, já é de tarde. -

Levantei mais a cabeça olhando ao meu redor. A sala estava vazia.

– Merda. — Praguejei tentando me lembrar o que tinha acontecido.

– Eu estava saindo do colégio, mas esqueci que havia deixado o livro de História aqui. Acabei te encontrando. — Ela ajeitou os óculos.

– Hm, tchau. — A deixei falando sozinha enquanto andava um pouco tonta em direção a saída do colégio. A única coisa que eu queria agora era a minha cama confortável. Não era uma boa idéia dirigir no estado caótico que eu estava, mas dane-se, a pé é que eu não ia, e não sabia onde tinha deixado a merda da minha bolsa que estava com o dinheiro, por sorte a chave do carro estava no meu bolso.

• • •

"Trinnn, trinnn..."

O barulho do telefone ficava cada vez mais insuportável, e a cada toque eu xingava mentalmente o ser que estava me incomodando e fazendo minha cabeça latejar ainda mais.

Por um milagre tinha chegado em casa viva, depois de ter quase atropelado um ciclista, ultrapassado o sinal vermelho e quase batido em um caminhão, nada de muito sério, mas o ser que se denomina meu pai iria dar aquele sermão já ensaiado, por telefone quando a multa chegasse, que eu finjo que escuto e ele finge que se importa. Quer dizer, ele se importa sim, se a filhinha dele for irresponsável no trânsito isso o deixa em maus lençóis com os amiguinhos do partido político e os eleitores. Se ele não consegue colocar rédeas na filha como vai conseguir dominar um Estado? Ele se importa só por causa disso, a filha morrer era o de menos, sem exagero. Talvez fosse até a solução, um problema a menos, a carreira era a coisa mais importante da vida dele, o resto ficava em segundo plano, no meu caso, em ultimo plano. Ok, parei com isso, ficar pensando nisso só faz minha cabeça doer mais e o barulho do telefone já está fazendo isso. Tentei ignorar o toque e deixar a pessoa mofando do outro lado, mas decidi atender antes que minha cabeça explodisse. Estendi a mão e apertei o botão do viva-voz.

– Que? – Falei, entre os travesseiros.

– Você não vem, porra? — Um barulho ensurdecedor invadiu meus ouvidos, eu gemi. Para ser tão carinhoso desse jeito só podia ser o Se7en.

– Ir para onde? – Virei a cabeça para o lado, para que a minha voz saísse menos abafada.

– Festa, SeungHyun, te lembra alguma coisa? – Berrou do outro lado. Filho da mãe.

– Não grita, idiota. – Berrei e me arrependi de imediato. — Quando? – Gemi quando minha cabeça reclamou com uma dor fina. Eu precisava de analgésicos.

– Porra! Tá chapada? – Ele gritou mais uma vez e na minha cabeça ficou se repetindo o eco. Tive vontade de mandar ele pro inferno ou de jogar uma bomba via telefone.

– Me deixa dormir, Se7en. — Falei e antes que pudesse escutar qualquer resposta eu estendi a mão desligando o telefone. Depois peguei no sono rapidamente.

Quem inventou a coisa chamada despertador, devia morrer, simples e eu levar uns bons murros por comprar um.

Que dor de cabeça desgraçada, parecia que eu estava equilibrando um piano em cima dela. Estendi a mão e derrubei a coisa que berrava no chão. Quando levantei a cabeça uma vertigem de tontura me atingiu, conhecia bem essa sensação: ressaca..

Sentei na cama esperando a tontura amenizar, antes de levantar, para que eu não caísse e me esborrachasse no chão, como era de costume. Minha casa como sempre estava silenciosa, essa é a parte boa de morar sozinha. Silêncio quando estou de ressaca.

– Mandy, levanta menina. — Três batidas na porta. Três pontadas na minha cabeça. Ok, nem tão silenciosa assim. Esqueci que a Senhora Kim, a governanta, estava em casa. Fiz careta.

– Já acordei. — Levei as mãos as minhas têmporas, massageando-as enquanto ouvia os passos dela se afastando da porta do meu quarto.

Depois de ficar uns minutos sentada levantei devagar, mas ainda senti o quarto todo rodar. Fui em direção ao banheiro. Mais um dia para dormir na sala de aula.

A única coisa que meu pai me obrigava era que eu fosse a escola e permanecesse no prédio até o fim das aulas, mas isso não implica em assistir as aulas.

Estacionei o carro na vaga, ao lado do Porshe preto e brilhoso do Se7en, e fui em direção a árvore onde ele estava encostado conversando com SunNie. Coloquei os óculos escuros para esconder os olheiras que estavam terríveis e que não tive paciência nenhuma de esconder com maquiagem.

"...a gente pode repetir o que fez ontem, é só você querer." Quase vomitei com o perfume da garota quando estava a cinco passos deles e depois de escutar isso... Argh. Fiz cara de nojo. Se7en estava soltando todo o seu charme para ela, como se precisasse. Ele não precisava nem olhar para as garotas para todos os seres que usam saia caírem aos pés dele, era automático todas ficarem apaixonadas. O charme dele só não funcionava comigo, pois eu o conhecia muito bem.

– Não mexeu na minha roupa suja hoje, SunNie? — A olhei dos pés a cabeça e quase tapei o nariz por causa do perfume. Ok, vamos usar perfume doce, mas não tomar banho com açúcar e adoçante.

– Vai se ferrar, Amanda, a gente se vê Se7en – Ela piscou para Se7en. Impedi o impulso de vomitar. Virou-se e se afastou de nós rebolando mostrando para a escola toda a vadia que era.

– Cuidado para não ser atacada por um enxame de abelhas. – Falei alto e rindo.

– Tão simpática você. — Se7en olhou pra mim, também rindo.

– Só sou simpática com quem merece a minha simpatia, e não são muitos. – Falei ainda olhando para a bunda rebolante de SunNie, como aquela saia tinha entrado nela? Não tinha mais que um palmo e mais parecia uma segunda pele. Desviei o olhar dela e encarei Se7en. — Não acredito que você ficou com isso. — Apontei para a direção de SunNie com descaso.

– Ela é gostosa. — Ele deu de ombros. Eu fiz uma cara de nojo.

– Como você agüenta esse cheiro? Quase vomitei, argh! – Tremi os ombros e espantei o ar fingindo afastar o cheiro.

Ela não era feia, longe disso, era bonita. Loira, oxigenada, mas loira, cabelo ondulado, olhos azuis, mas claro que eram lentes porque os olhos dela eram negros. Era magra, mas tinha um corpo bonito, o único defeito era que eu não gostava dela. Simples. E isso para mim já era suficiente. Talvez deva contar também que ela sempre ficava com os garotos que eu gostava, desde criança, e sempre fez o possível e o impossível para ser melhor que eu quando éramos amigas, isso ano passado. Sim, eu sou cheia de ex-amigas. Em uma dessas tentativas dela de ‘ser melhor que eu’, ela ficou com o meu ex-namorado, em quanto ainda éramos amigas. O primeiro homem que eu realmente achei que amava. O namorado da minha primeira vez. Eu realmente gostava dele e ele me trocou por ela. Os vi juntos em um quarto, em uma das festas da casa de SeungHyun.

Na mesma noite, dei um jeito para que todos pensassem que eu havia terminado o namoro, e que eu havia o traído antes dele me trair, ou seja, fiquei com o SeungHyun na festa no mesmo dia, mas na frente de todos.

Não quis passar pelo papel de garota traída e deprimida, não combinava comigo. Eu podia está deprimida por dentro, mas por fora eu era a Amanda, forte e insensível, como todos me conheciam e como eu gostava de ser conhecida. Por mais que na grande maioria das vezes fosse uma grande mentira. Ninguém precisa saber disso.

Deixei a SunNie pensar que tinha ficado com restos e que eu pouco me importava com o que eles tinham feito. Fiz questão de espalhar aos quatro ventos que aquele homem nunca importou para mim e que não passou de um brinquedo em minhas mãos. Isso na frente dele, enquanto estava com as mãos em volta do pescoço de SeungHyun. Por fora uma garota insensível, por dentro uma garota machucada, mas vingada.

Eu sou bem insensível as vezes, sem precisar fingir, é o meu jeito, mas isso não quer dizer que eu não tenha sentimentos, por mais que eu tente esconde-los.

Na minha vida aprendi que as pessoas se aproveitam das pessoas que demonstram o que sentem, que são fracas. Ninguém iria se aproveitar mais de mim, ninguém iria me enganar de novo. Eu nunca mais ia ser a garota do coração machucado. Nunca. Mas naquela noite, em minha casa, deitada em minha cama, eu chorei. Chorei até ficar sem forças, mas depois que chorei tudo que eu tinha que chorar prometi a mim mesma que não iria me importar com homem nenhum, que não iria me entregar a homem nenhum, como tinha me entregado a ele. Que não iria mais amar homem nenhum. Que não iria mais amar ninguém, nem me preocupar com ninguém, como também queria que não se preocupassem comigo. Por mais que as vezes, isso seja inevitável. Eu não queria ser humana, mas eu era.

– Argh. — Joguei a mochila no chão irritada para onde meus pensamentos tinham me levado. Sentei-me no gramado verde e bem cuidado, aproveitando a sombra que a arvore me proporcionava e sem ao menos perceber verbalizei o que não devia. — Por que você faz isso, Se7en? — A pergunta que já havia sido perguntada tantas outras vezes.

– Isso o que? — Como sempre se fazia de desentendido.

– Trair a GaHee. – Falei sem rodeios. O Se7en devia ser uma das pessoas que eu devia manter distância, devido ao seu histórico e sua personalidade idêntica a do meu ex-namorado. Ele conseguia ser pior. A única qualidade que o Se7en tinha era não fazer nada escondido. Não sei se isso é uma qualidade, mas era o que me fazia gostar dele. Ele não mentia. Traia todas as namoradas e fazia tudo errado, na frente de todos. Podia ser insensível e não se preocupar com nada, nem com os sentimentos da minha amiga, mas ele não escondia isso. Todos sabiam quem o Se7en era. Ele era transparente, se fazia as coisas, fazia na cara, doa quem doer. Quem queria se aproximar dele já tinha o aviso de com quem estava lidando.

Eu odeio mentiras e ele não mente. Deve ser por isso que eu me dou tão bem, do nosso jeito, com ele, mesmo sabendo todos os seus defeitos, mesmo sabendo que ele não vale o chão que pisa.

Se7en ficou em silêncio e não me olhou. Como sempre não iria responder. Eu duvidava que ele soubesse a resposta para isso, ele apenas fazia. Era o jeito Se7en de ser.

– Esquece, não é da minha conta. — Falei em seguida e ele deu um sorriso de gratidão que não combinava com ele.

– O que deu em você ontem? Perdeu uma das melhores festas. — Ele se jogou ao meu lado, usando o jeito mais fácil de sair de uma conversa tensa, falando de festas.

– Se eu não estava lá não foi boa. – Falei sorrindo, convencida. — E você, não me deixe beber whisky nunca mais, ok? — Disse acompanhado de uma careta, ele balançou a cabeça rindo. Minha cabeça latejou um pouco a simples menção da palavra whysky. Até o nome estava me causando efeitos.

– Adoro sua humildade. Como se fosse fácil impedir você de fazer qualquer coisa. — Ele rolou os olhos, eu ri enquanto fitava a copa da árvore.

– Cara, não sei nem como cheguei em casa ontem. Meu pai vai me dar um sermão daqueles quando a multa chegar. —

– Como se você se importasse. — Ele riu. Ele me conhecia bem, bem demais.

– Onde está a YooJin? — Olhei pros lados, era estranho ela não está na minha sombra, era a primeira a me encontrar no colégio.

– Acho que não veio hoje, o estado que ela ficou ontem não foi dos melhores. — Ele riu, talvez lembrando de alguma coisa, um riso que as vezes me dava medo.

– O que você deu a ela, Se7en? — Eu ri nervosa.

– Nada que mate, eu acho. — Ele gargalhou. Eu esperava muito que ela estivesse viva, mas não contava que estivesse passando bem.

Nós não éramos drogados, nem nada, mas de vez em quando gostávamos de nos aventurar, tínhamos consciência, pelo menos para isso, e sabíamos parar.

O sinal tocou fazendo aquele barulho irritante. Se7en e eu fizemos uma careta.

– Tenho que ir pra aula, o boletim semestral chegou lá em casa ontem, meu pai só faltou me comer vivo, ameaçou me tirar o carro e tudo mais. Tenho que melhorar minhas notas até o final desse semestre. — Ele se levantava enquanto falava, o que o Se7en não fazia pelo carro.

– Se ferrou. — Ri e ele me mandou o dedo do meio com a mesma simpatia de sempre.

– Você vai ficar aí mesmo? — Me olhou de cima.

– Não tenho planos de sair daqui. – Sorri.

– Então, nos encontramos depois. – Ele acenou e se afastou colocando a mochila nas costas.

Aos poucos todos as pessoas que estavam no gramado da escola foram saindo e indo para as suas respectivas salas. Poucos ainda se mantinham com os seus grupinhos. Encostei minha cabeça no tronco duro da árvore, não era o lugar mais confortável do mundo, mas bem melhor que as cadeiras que tinham na sala de aula. Coloquei o fone de ouvido e ocupei meus ouvidos e minha mente com as músicas que eu mais gostava. Minha paz e sossego não durou muito, já que a impertinente da minha amiga chegou com sua voz esganiçada e puxou os fones do meu ouvido. Olhei para o lado e dei de cara com um rosto sorridente e brilhante.

– Oi, mendiga. — GaHee falou tirando um dos fones do meu ouvido.

– Por que não está na aula? — Perguntei para minha amiga estereotipo de beleza. Não tinha um homem no colégio que não fosse apaixonado por ela. Até os professores casados, barrigudos e pedófilos. Ela era linda, linda demais até. Tinhas os cabelos negros até os ombros, um rosto de boneca, sem manchas, a boca rosada e as bochechas também e um corpo perfeito. Era a mulher-pacote-completo, uma espécie de utopia real para os homens. Se é que isso existe.

E dentre todas as minhas amigas era a única que valia alguma coisa, não tentava me bajular como as outras, afinal, não precisava, era tão ou mais popular do que eu. Era a única que eu ainda tinha alguma confiança, a única que me conhecia de verdade.

– Por que, você não está? — Riu sentando do meu lado e colocando a mochila ao seu lado. A olhei com cara óbvia de "desde quando eu estou?" — Por que não foi para a festa ontem? — Ela falou com um olhar curioso.

– Whisky. – Sorri encarando o céu claro acima de nós. Aquela palavra explicava tudo. GaHee soltou uma risada fina.

– Whisky é forte demais para você, Amanda. – Disse. Isso eu sei.

– Tenho que me lembrar disso. — Sorri a olhando.

– Então... — Ela mudou o tom de repente, sua voz ficou excitada, eu sabia o que isso significava. Ela continuou. — Como você não apareceu na festa, não sabe das novidades. – Ela deu uma pausa, esperei que continuasse. O que logo ela fez. — Os garotos vão correr hoje. — Deu um sorriso de lado. Uma das coisas que eu mais amava em GaHee, ela era tão irresponsável quanto eu.

– Onde? – Perguntei animada.

– Estavam marcando no prédio atrás da usina hidroelétrica. — Ela sussurrava, talvez com medo de que alguém pudesse nos ouvir, por reflexo olhei para os lados, havia algumas pessoas distantes incapazes de ouvir o que estávamos falando, principalmente pelo tom baixo que ela usava.

– Quem vai correr? — Tirei o outro fone de ouvido.

Os rachas me interessavam. A adrenalina, desafiar a morte, fazer algo perigoso que fugisse da rotina, quebrar todas as regras. Eu não corria, era um pouco medrosa para isso. Assumo. Mas amava ver as pessoas correndo, não eram muitas as vezes que podíamos participar de algum, já que esse ‘esporte’ é completamente proibido. Os meninos do colégio gostam de se enfrentar de vez em quando, mas tomamos muito cuidado para não sermos pegos. Sabe como é, ninguém quer ser preso.

– Teve uma briga ontem na festa, o JunHyung, Alex e GD, como sempre. — Ela rolou os olhos ao dizer isso, sempre havia briga, era normal. Ela continuou. – Eles resolveram decidir hoje, na pista. — Ela se arrumou sentando em cima da perna. — A maior galera combinou de ir, e eu sei que você não ia querer perder essa. — Um brilho passou por seus olhos.

– Estou dentro. — Falei entusiasmada.

– Vai ser de meia noite, passo na sua casa, ok? -

– Vamos só nós duas? —

– Sim, os garotos já vão está lá. — Explicou.

– Quem serão os corredores principais? -

– GD e JunHyung. Vai ser de moto, provavelmente vão ter mais pessoas. — GaHee só faltava pular de animação. Ela era completamente apaixonada por rachas, e de vez em quando se arriscava em correr. Na maioria das vezes ela corria ao lado de Se7en, seu namorado. Eu não entendia como ela conseguia gostar de um cachorro como ele, que já tinha dormido com metade das garotas do colégio e não fazia questão nenhuma de esconder isso. Mas GaHee estava apaixonada demais para se importar. O amor é bom, o amor é paciente o amor te deixa demente.

– Você viu o Se7en? – Ela perguntou como se tivesse lendo meus pensamentos.

– Sim, foi para sala. – Respondi e ela deu um suspiro alto. O assunto Se7en entraria em pauta. Suspiro.

– O que o Se7en fez dessa vez? – Perguntei, cansada. Lembrei da cena que tinha presenciado dele com a SunNie, achei melhor não comentar nada, como sempre não iria adiantar.

GaHee sorriu fraco.

– Eu o vi conversando com a Barbie oxigenada ontem. — Ela encarava a grama verde bem cuidada.

– Por que você continua com ele? — Disse de uma vez. Ela me encarou, claramente perturbada pela pergunta. Eu continuei. — Tudo que eu vou falar aqui, eu já te disse, mas... – Comecei, pronta para repetir meu discurso desgastado e em vão de que ‘Se7en não presta’, por mais que fosse meu amigo. Ela sabia disso. Eu sabia disso. Todo mundo sabia disso. O Se7en mais do que ninguém gostava de saber que todos sabiam disso.

Eu já tinha cansado de perguntar isso e sempre receber a mesma resposta dela. Resposta que veio em seguida junto com um suspiro fraco e meu olhar de descaso que aprendi com o Se7en.

– Eu sei que ele não presta. – Ela apertava as mãos. – Desde antes de começar a namorar ele, eu sabia que ele era assim. Considerei que o fato de ter conseguido que ele me pedisse em namoro e se comprometesse, por mais que não cumprisse, a ficar só comigo, já era uma vitória. E eu não sou cega nem surda e eu sei o que acontece, mas eu o amo tanto que eu prefiro ignorar essas coisas e ter ele por perto do que afastar o Se7en para sempre. – Os olhos dela já estavam lacrimejando. A GaHee é muito sensível quando o assunto é Se7en. Me segurei para não dar um resposta insensível e costumeira que sempre dava.

Sabia que o que ela sentia pelo cachorro-filhode-uma-mãe do Se7en, era algo forte. Só sendo assim para agüentar tudo que ele aprontava. Tá que ela o amava, mas eu não aceito esse nível de dependência e comprometimento. Não é saudável.

– Queria não gostar tanto dele assim. Queria não me importar, como você não se importa. – Ela me olhou nos olhos.

– Larga ele, você merece coisa melhor, se é que existe isso, acho que ‘coisa melhor’ não se encaixa na mesma frase que tenha a palavra ‘homem’, enfim, larga ele. — Dei de ombros, não era a melhor pessoa para dar conselhos amorosos, a minha própria vida, nesse aspecto, já era um desastre.

– Eu gosto dele. — Falou e foi a minha vez de suspirar. Quando o assunto era Se7en sempre chegávamos a mesma conclusão: nenhuma. — Eu sei que sou uma burra, ok? — Ela riu fraco. Rolei os olhos. É, ela era burra.

– Ele não te merece. — Fui franca. — Você devia se envolver com outros, devia dar uma chance a outros garotos. Esse colégio está cheio de garotos que basta você estalar os dedos e eles caem ao seus pés e virariam seus escravos. — Falei e ela riu com vontade.

– Talvez por isso que eu não queira os outros, com o Se7en o estalar de dedos não funciona. – Ela deu de ombros, eu concordei. O Se7en que estalava os dedos. — Mesmo que ele apronte, e tudo mais. Só de está com ele, e por ele ter me escolhido como namorada, está bom. — Eu tive vontade de dá uns tapas na cara dela para ver se ela acordava, mas me contive, apenas a olhei com descaso mais uma vez, a convivência com o Se7en está me afetando. Respirei fundo, era melhor não insistir naquele assunto, não era da minha conta. Se nem a chifrada em pessoa se importa, por que eu devo me importar?

– Isso chega a ser maléfico. — Balancei os ombros como se algo estivesse preso neles. O sinal tocou anunciando o fim do primeiro horário e o inicio do segundo.

– Vou pra aula agora. — GaHee levantou-se e vi ela passar a mão pela borda do olho. Lágrimas desperdiçadas em vão. — Aula de Biologia, se não for levo bomba. — Mordeu o lábio de leve e pegou sua mochila.

– Te vejo mais tarde. – Falei, ela sorriu e saiu apressadamente em direção ao prédio cinza. Os velhos fones voltaram a repousar em meus ouvidos, continuando a música que havia parado na metade.

• • •

– ANDA!! — GaHee gritava loucamente e buzinava. Olhei-me mais uma vez no espelho e fiz sinal da janela para que ela parasse com o escândalo. Em plena meia noite, ela estava fazendo algazarra na frente da casa do governador da cidade, mais conhecido como meu pai. Tinha certeza que os vizinhos xeretas já tinham ligado para a policia.

Descia as escadas rapidamente, antes que a Senhora Kim acordasse e me enchesse de perguntas. Entrei no carro conversível e amarelo de GaHee. Decidimos ir no carro dela.

– Você bem que podia ser um pouco mais discreta. – Briguei, colocando o cinto.

– E você, um pouco mais rápida. — Ela falou e enfiou o pé no acelerador, fazendo o carro dar um ronco alto.

– Anda logo, sua maluca. — Bati nos ombros delas, rindo. Ela acelerou e em poucos segundos estávamos virando a primeira esquina.

Demorou um pouco até chegarmos a uma estrada já quase fora de Seoul, mesmo com GaHee desrespeitando todas as regras de trânsito existentes no planeta, conseguimos chegar vivas e em tempo de acompanhar a brincadeira. GaHee estacionou ao lado de um carro vermelho, rebaixado. Era o carro do Alex, o bad-boy, perigoso, perturbado, muito bonito, mas gente boa. Ele estava sentado em cima do capô com algumas pessoas em volta dele. Nos encarou quando saímos do carro, nos cumprimentado com os olhos.

Latas de lixo estavam no meio da pista, com grandes brasas de fogo saindo de dentro, barulhos de roncos de motores de motos e carros preenchiam todo local, acompanhada de uma música alta. Faróis de carros piscavam me deixando meio tonta. Garotas exibindo seu corpo com shorts minúsculos e tops quase inexistentes. Olha só quem estava quase nua também, a SunNie. Ela estava conversando com alguns garotos, ou melhor, se exibindo para alguns garotos.

Estava cheio demais. Alguns homens faziam acrobacias com suas motos em pura exibição.

– Achei os garotos. — GaHee pegou em meu braço e saiu me puxando, demorei um pouco para ver onde estávamos indo.

Se7en, Junhyung e Seungho estavam sentados no capô de dois carros, conversando animados, discutindo qualquer coisa super importante, como em qual casa eles se reuniriam para ficarem bêbados até a morte no próximo final de semana. Era o único assunto que sabiam.

– Oi, meninos. — GaHee anunciou nossa chegada eles viraram a cabeça para nos olhar.

– Vai um whisky aí, Mandy? — Seungho levantou o copo pra mim, eu encarei Se7en. Os outros dois riram.

– Não, obrigada, quero ficar sóbria hoje. — Falei, e sentei no capô do carro preto de Junhyung.

– Sóbria?! Ta bom. — O dono do carro falou e eu mandei o dedo do meio pra ele.

– Não está muito cedo pra beber? – Perguntei, todos eles estavam com um copo em mãos.

– Desde quando tem horário?! — Se7en já estava se agarrando com GaHee. Ele gostava de se exibir, mas quem não gostava?

– Para quem vai correr, sim. — Dei de ombros. — Mas se quiserem morrer, o problema é de vocês mesmo. – Fui indiferente.

– Só quem vai correr é o Junhyung. — Se7en sinalizou com a cabeça.

– Com essa lata velha aqui? — Bati forte no capô do carro dele.

– Uma lata velha que não perdeu nenhuma corrida. – Ele disse afetado. Homens e carros. Talvez só isso que eles saibam amar.

– O GD é muito bom, se eu fosse você não ficava se achando tanto. E ele é bom em todos os sentidos. — Sorri com a minha frase duplo sentido.

– Eu sou melhor e em todos os sentidos. — Ele pulou no capô e sentou-se ao meu lado.

– Duvido. — O encarei, o desafiando.

– Quer fazer uma aposta? -

– Claro, o que? – Perguntei, me divertindo. Os outros acompanhavam a discussão interessados.

– Se eu ganhar, quero um beijo seu. — Ele se aproximou mais do meu rosto. Eu ri alto.

– E se perder? — Eu me aproximei dele, diminuindo mais a distância entre nossos rostos.

– Você escolhe. – Ele disse virando um pouco a cabeça.

– Você vai ter que correr pelado pela rua, de novo, só que agora na luz do sol. – Falei colocando o dedo na boca dele e afastando o rosto dele do meu.

Se7en deu uma gargalhada.

– Está com tanta vontade assim de me ver sem roupa de novo, Mandy? — Ele colocou o braço sob os meus ombros. — Não precisa usar apostas, é só pedir. — Deu um sorriso sacana.

Me aproximei o bastante para que ele fechasse os olhos e falei:

– Vai sonhando. — Ri enquanto tomava uma certa distância do tarado. — Aceita ou não? – Perguntei rindo. Não tinha duvidas de que ele aceitaria.

– Claro! Mas, não será hoje que você me verá pelado. — Piscou e eu rolei os olhos. Adorava conviver com pessoas humildes.

Todos rimos e fechamos a aposta. Logo entramos em assuntos diversos, como o Guiness Book e qual bebida teria o maior teor de álcool.

– Quem vai correr primeiro? — Perguntei ,durante uma pausa, em que o Guiness Book e o álcool foram deixados de lado, pelo menos na conversa.

– O Jay e o Lee. — Se7en olhou para o lado. Talvez procurando por um dos citados, talvez olhando para uma garota.

– Acho que não. — Junhyung que ainda estava do meu lado falou.- O Jay bateu o carro na última vez. — Ele fez uma careta .

– Verdade, eu não vi ele por aqui ainda, disseram que foi feia a batida. — Seungho disse interessado.

– Então, quem vai abrir a corrida? — Se7en se serviu de mais whisky.

– Estavam falando do Kim, quando eu cheguei. – Junhyung falou e Seungho e Se7en se olharam.

– Não sabia que ele estava de volta. — Foi Seungho que falou.

– Sério? — Um estranho brilho passou pelos olhos de Se7en. Eu encarei GaHee sem entender nada, ela deu de ombros.

– Estavam dizendo que era ele. — JunHyung pulou do capô do carro, reafirmando. — Pelo que parece está morando por aqui, de novo. -

– Essa eu tenho que ver. — Se7en estava estranhamente animado. Ele tinha uma característica própria que eu achava o máximo: ele falava com os olhos. Eu não precisei olhá-lo duas vezes para entender que esse tal de Kim, seria bem vindo.

– Vamos lá, se ele for correr, provavelmente já está por lá. — Junhyung apontou para um grupo de homens a dez metros de nós, um pequeno aglomerado de pessoas estava começando a se formar na pista. – Tenho que falar com o banqueiro, afinal não vim aqui só para olhar. — Junhyung andava um pouco mais na frente, e nós o seguimos. Se7en sempre com a mão na cintura de GaHee. Ele podia não ligar a mínima em trair ela, mas gostava de mostrar que ela era dele.

Ainda faltavam alguns metros para chegarmos ao nosso destino, então Se7en parou do nada e fez com que todos nós parássemos atrás dele.

Notas finais
Espero que gostem! Qualquer critica será bem vinda. ♥ Dependendo da reposta de vocês posto o segundo capitulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.