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2 Capítulo 2 - Versão Tasha


Notas iniciais
Pensando em manter meus leitores distraídos em casa nessa quarentena, divulgo aqui esse capítulo extra dessa história com uma versão da Tasha. Espero que gostem e #FiquemEmCasa

Havia algo em Roman que me intrigava.

Inicialmente, pensei que fosse apenas a minha implicância por ter que trabalhar ao lado dele depois de tudo. Porém, com o passar do tempo, percebi que não. Percebi que ele era uma pessoa mudada e, no fundo, parecia comigo. Éramos teimosos, fortes e leais. Talvez pensasse isso porque isso mexia comigo.

Não era fácil odiar uma pessoa e depois perceber que odiava porque éramos parecidos, mas agradeci mentalmente por ele não ter absorvido isso da mesma maneira que eu. Ao invés de explodir, ele só silenciou e me respeitou. E nesse respeito nasceu uma grande cumplicidade entre nós em campo.

Éramos uma ótima dupla pois tínhamos conexão e nos compreendíamos bem, muitas vezes somente com um olhar. Fora, trocávamos poucas palavras sobre football, mas eu sabia que isso era em resposta às minhas atitudes logo que ele entrou no FBI e não o julguei por isso.

Um dia, porém, tudo mudou.

Estávamos tão felizes por um caso bem sucedido que decidimos terminar a noite em um bar com a equipe. Ele seguia observador, mas a bebida fez com que conversássemos mais e também fez com que escancarasse dentro de mim uma atração que eu não sabia que sentia por ele. Ele era bonito e todo mundo já havia comentado isso comigo, mas eu não sabia que isso mexia com meus hormônios. Até aquela noite.

Bêbados, fomos a pé para casa, mas ele acabou ficando no meio do caminho da sua. Ao nos despedirmos na porta da minha, eu o beijei e o convidei para entrar. Não lembro como ele aceitou, mas lembro exatamente de todos os momentos daquela noite desde que o joguei em cima da cama.

Como mulher, eu conhecia meu corpo, minhas vontades e desejos, mas não havia conhecido nenhum homem ainda que me conhecesse tão bem daquela maneira até aquela noite. A maneira com o qual ele me conduzia ao prazer até me fazia duvidar: aquilo era efeito da bebida, ou ele também me completava tão bem fora do trabalho assim? Dormi com essa dúvida, mas dormi bem.

Acordei confusa se não havia sonhado tudo aquilo, mas ao acordar, sentir seu corpo firme perto de mim, eu sabia que não era culpa do álcool.

— O que devo fazer a partir daqui? — Perguntei para mim mesma enquanto me observava no espelho depois de um banho.

Eu poderia fingir que era apenas uma noite. Era craque nisso, modéstia a parte. Porém, eu adentrar no quarto e sentir novamente um arrepio na minha alma ao vê-lo sob a minha cama, decidi tomar outra postura.

— Vai ajudar na sua dor de cabeça. — E lancei a ele uma toalha e um comprimido para ajudar na ressaca, rezando que sua ressaca fosse só física e não moral.

Diante de sua postura, percebi que ele sabia que não havia sido culpa do álcool e que, a partir dali, passaríamos a viver algo novo. Continuávamos em silêncio no trabalho e fora dele também não falávamos muito, mas agíamos bastante.

Ficamos assim por alguns meses, entre minha casa e a casa dele. Trilhávamos um caminho que só nos dois conhecíamos e que era confortável para mim, pelo menos até ele adoecer.

Era uma noite de quinta-feira e sempre assistíamos jogos juntos, mas quando liguei para saber se poderia ir na sua casa, seu celular estava desligado. Me pegou de surpresa uma preocupação enorme e, quando me vi, já estava na porta de seu apartamento.

Ele abriu a porta e o olhar em confusão.

— Você ta bem? — Questionei sem entrar, pois ao chegar pensei que ele pudesse estar com outra mulher.

— Estou doente. — Ele disse e deu espaço para que eu entrasse. — Foi mal não ter desmarcado nosso futebol com você. — Ele completou virando-se para mim.

Sem me importar com isso, percebi que me importava muito com ele. Passei a noite cuidando dele após ir a farmácia. Era uma hora da manhã no relógio quando ele me pareceu um pouco melhor, mas me olhou em confusão.

— Acho que estou te atrapalhando. Ta tarde e amanhã tem trabalho.

Tentei suavizar o ambiente com minhas cortadas que sempre fazia ele rir.

— E eu tô cuidando de você porque senão amanhã tem mais trabalho para mim. — Falei com humor.

Ele entendeu que eu não sairia dali e respeitou.

Silenciosamente, deixamos claro que não era para passar disso, e que a palavra paixão estaria fora de nossos vocabulários. Ou, pelo menos, eu acordei isso comigo mesma. No começo, era fácil enxergá-lo assim, afinal, ele era meu companheiro de trabalho e cumpria bem a risca esse nosso acordo. Porém, com um tempo, os minutos que passávamos juntos como amantes se transformaram em horas e as horas em dias e isso foi fortalecendo entre nós um elo que eu jamais pensei que seríamos capaz de laçar.

Eu poderia dormir no sofá, mas naquela noite, com esses pensamentos me rondando, eu deitei do lado dele na cama. Fiquei assustada com o medo que me consumia, de abraçá-lo e ele me afastar e dizer que eu estava confundindo as coisas.O que estava acontecendo comigo?

Para não me entregar, deitei de costas para o centro da cama após ele deitar e, depois que ele passou o braço por baixo da minha cabeça eu sussurrei para ele.

— Se você quiser deitar de conchinha hoje… Acho que te daria esse agrado.

Ele riu e logo se aconchegou. Quando fechei os olhos, tinha a plena consciência que eu quem precisava daquilo, mais do que ele.

Eu precisava dele e nosso dia a dia só me provava cada vez mais isso. Com o tempo, percebi que nosso silencioso acordo de pouco falar estava nos sufocando. E não porque não queríamos mais falar nada, mas porque tínhamos muito a falar naquele momento. Eu entendia que ele tinha medo da minha reação, afinal, quando ele chegou de mansinho no meu trabalho eu gritei, então eu quem tinha que chegar e falar.

Quando apertei sua campainha e ele atendeu. As palavras sumiram, mas eu havia ido lá mostrar algo a ele e lá estava eu, pela enésima vez tirando minha roupa dentro de seu quarto para mostrar o que eu sentia para ele. Dessa vez, coloquei mais intensidade, esperando que o fogo que colocássemos naquela cama fosse combustível para minha coragem disso.

Ao chegarmos ao ápice, geralmente eu colocava uma distância entre nós, mas decidi manter e me lembrar do que havia sentido quando ele adoeceu e dormimos abraçados. Foram longos segundos até eu conseguir abrir minha boca.

— Precisamos conversar. — Disse sem rodeios e levantei minha cabeça. Eu precisava fazer isso olhando no fundo daqueles olhos azúis.

— Ok. — Ele respondeu com um olhar intenso, mas atento.

Estaria com medo do que eu diria? Ou eu estaria com medo do que ele diria a segui? Antes que o medo me tomasse, porém, falei em um tom de voz firme.

— Eu gosto de você. — Acompanhado de um sorriso envergonhado. — Eu sei disso já faz uns dias, mas não sabia como te dizer. Aliás, eu ainda não sei se disse da maneira certa. Essa coisa de gostar é muito nova pra mim. Espero que te dizendo fique mais fácil de lidar com isso, independente da sua reação.
Ele riu.

Não sabia ler se era de alívio, desespero, ou se ele não havia levado muito a sério aquelas palavras, mas mantive meus olhos centrados nele. ‘Eu me coloquei nisso. Se ele não me quiser, saberei como sair’, pensei.

— Sabe… — Ele começou enquanto apertava suas mãos em minha cintura, aproximando mais o nosso corpo. — Quando nos beijamos a primeira vez e você me chamou para sua casa? O que eu senti naquele dia,não senti com mais ninguém. Qual você acha que seria minha reação?

Eu titubeei. Me surpreendi mais uma vez com ele.

— Eu não sei, Roman. Eu não sabia que aquele dia tinha sido tão bom pra você como foi pra mim. Não sei como você se sente, embora você demonstre. Eu sequer sabia como eu me sentia até eu consegui falar.

— Durante todos esses meses, eu decidi ficar com você e te fazer feliz. Mesmo não sabendo o que você sentia. Eu também gosto de você. Muito.

Não tinha como não abrir um gigante sorriso escutando isso e tirando da minha cabeça um peso enorme que eu carregava de medo.

— Seu sorriso é lindo. — Ele continuou e roubou um beijo dos meus lábios. — E que bom que é porque eu gosto de você e porque você gosta de mim.

— E se não fosse por causa disso? — Questionei em tom de brincadeira.

— Eu estou feliz porque você está feliz, Tasha. Independente do motivo da sua felicidade.

— Que bom que o motivo é você então. — Finalizei e o beijei de maneira agressiva, o que acabou prolongando nosso momento na cama.

Se ele só tinha amor para me dar, era só amor que eu tinha a dar para ele. E fiquei feliz ao perceber que nosso amor também causava o melhor dos sentimentos em nossos amigos. Fiquei feliz porque foi fácil amar o Roman e mais fácil ainda perceber que só isso bastava para me fazer plenamente feliz.

Notas finais
Gostaram? Me distraiam nessa quarentena e mandem comentários para que eu responda ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!