Earning your heart
1 Primeiros olhares
Notas iniciais
—Sammy? Sammy, meu amor... -Tiro os fones, pauso a música e olho pra minha tia ao meu lado. -Ansiosa? Ansiosa para a nova cidade, escola?
—Mais ou menos. -Respondo e recoloco meus fones com um pouco de raiva por ela ter me chamado do apelido mais fofo e idiota do mundo todo.
Estava ouvindo "Miss you love" de Silverchair. É, eu viciei nele desde que ouvi no Ipod do Kevin -meu meio irmão, filho do meu padrasto. Minha mãe casou com um cara rico, italiano e bonito -aquele tipo de cara desejado por todas as mulheres-, Miguel Bissoli , com 16 empresas de Lingerie espalhadas pelo mundo. Acho que foi assim que ela conheceu ele, comprando lingerie para seu atual namorado na época. Não sei o que aconteceu depois direito, mas lembro que quando ela chegou em casa, brigou muito feio com o namorado dela -ele até saiu de casa chorando e implorando pra ela não abandoná-lo.
Depois de alguns dias, ela chegou em casa com o tal Miguel. Fiquei boquiaberta, sem nem o que dizer. Até então eu pensava que ela estava sofrendo, já que passava o dia inteiro enfiada no quarto, usando o notebook.
Nunca tivemos uma relação muito familiar, e nem amigável. Ela sempre fora um tanto exagerada, daquele tipo que não se contenta com nenhum de seus namorados nem com nada que sua filha faça. Achava que isso não era boa coisa para eu crescer vendo, já que todo mês ela entrava em casa com um novo namorado. Pelo menos eu tinha uma boa cabeça quando se tratava disso.
Falando em maes, nao sei o que a minha tinha na cabeça quando me mandou de volta para Miami. Eu nao suporto essa cidade. Não estava preparada pra encarar rostos novos, sentir novos desgostos. Mas inicialmente a culpa fora de tia Suzana que ligara pra minha mae alegando ser o melhor. acho que minha mae queria mesmo era ficar sozinha com Miguel.
—É ótimo, Neninha -apelido que tia Suzana dera pra minha mãe, já que quando ela tinha 2 anos, chamava tudo que não sabia o nome de "Neninha". -Tem ótimas escolas, ótimos alunos. Nunca ouvi dizer que algum aluno que terminou os estudos lá não entrou numa boa faculdade, é tudo muito fascinante por aqui. A cidade é bem grande, melhor pra ela se desenvolver. E se pensar bem, você vai ter tempo suficiente com seu marido para aproveitar. -Suzana fala sussurrando ao final, pude sentir seu sorriso malicioso -O final de ano já está chegando, eles vão adorar. Além do mais, a melhor amiga da Sam foi para a Espanha. Ela deve estar se sentindo sozinha. Quer dizer... nem tanto, por causa de Jack, mas você nem gosta dele.
—Eu não estou me sentindo sozinha. –Digo. Kevin já havia concordado em ir. –Eu não quero ir. Que ele vá sozinho.
—Eu ainda preferia que ela estivesse sozinha que mal acompanhada -Jack faz uma careta em resposta. -É, realmente é uma boa ideia. O que acha, amor? –Pam olha para Miguel.
—Eu sou muito ocupado, acho que seria bom para o Kevin descobrir novos ares e conhecer novas pessoas, além disso, sei que Suzana é bastante responsavel e amorosa. -Reviro os olhos. –Você vao.
—Lá tem o And e a Flow, filha... E é bom que você para de andar com esses bad boys. –Minha mãe olha de relance para o Jack, ela colocara na mente que o Jack era um bad boy. Jack (apenas pelo fato de só vestir preto), mas eu não sentia nada por ele, nunca sentira, sempre o tivera como apenas meu melhor amigo. Ele realmente era só o meu eu masculino.
—EU NÃO VOU! EU NÃO VOU, TWE! -Grito, me dirigindo à minha mãe.
—Não me chame de Twe, eu sou sua mãe e quem decide isso aqui sou eu. -Vou para o quarto, com fogo brotando pelos olhos, bato a porta com bastante força para que eles ouçam. Eu podia matar qualquer um que chegasse naquele momento.
—Sam... Vamos conversar? -Diz alguém do lado de fora da porta. A voz é de Jack.
—Tá aberta... –Digo. Estava agarrada ao meu travesseiro. Meu quarto estava uma bagunça e eu estava descabelada. Ele entra.
—AAAH ! –Dá um gritinho quando vê meu estado. Rio e logo em seguido volto com minha feição anterior. –Eu vou sentir sua falta. –Ele diz, bastante triste.
—Eu também. Vou sentir falta de tudo na verdade. Podemos manter contato pelas redes sociais, Skype, Facebook, Email, sei lá... –Ele tira uma caixinha cheia de bolo gordo dentro. –Ai meu deus! Eu te amo, cara. Vou sentir sua falta mesmo. –Ele ri e eu pego a caixinha e tiro um. Ele pega outro.
—Ôlha ô quê eu trouxe. –Ele diz de boca cheia. E me mostra um dvd com uma temporada inteirinha de "Grey's anatomy".
—EU NÃO ACREDITO! Você vai dormir aqui né? –Pergunto ansiosa.
—Claro, Sammy. Depois de ter uma longa conversa estranha com sua mãe -Faz uma pausa, dou risada, -Ela me deixou ficar pra me despedir.
(...)
—Samantha? Tira esses fones. Já chegamos! -Kevin me desperta dos meus devaneios.
penas diminuo um pouco o volume e vou na direção da porta do avião, Kevin tem um rosto bastante angelical com seus cabelos lisinhos e castanhos claro, seus olhos mel incandescentes e, diferente de mim, tão meigo e carinhoso.
Quando chegamos ao aeroporto, a primeira coisa que faço é olhar ao redor pra ver se acho Andrew e Flower. E é quem eu acho, pois eles estavam pulando e acenando como loucos. Ao lado deles tinham três garotos que pareciam ter a minha idade dos quais não reparei muito. Quem seriam eles?
—FLOW! -Grito. -AND! -Os abraço.
—Sammy... -Eles dizem em uníssono e eu faço careta.
—Quem são eles? -Pergunto, apontando com o rosto.
—Esses são... Ed –Ela aponta para o ruivinho e penso em Cat (minha melhor amiga desde o jardim de infância), eles combinariam. -Jeffey... -Aponta para um moreno bem bonitinho de olhos brilhantes. -...e Wyatt. -Por fim um moreno muito bonito. Cabelos louros e lisos com mechas caindo sobre os olhos. Encaro-o por alguns segundos sem perceber.
—Olá.. –Eles dizem em uníssono e eu assinto cumprimentando-os, as pessoas daqui só falam em uníssono?
—Oi Flower e... Andrew? –Eles assentem e abraçam-no. –Prazer em conhecê-los, sou o meio-irmão da Sam. Filho do marido da Twe. –E sorri. Eles sorriem de volta.
—Tia! –Grito quando vejo tia Suzana se aproximando. –Que saudades de você. No momento eu te odeio mas n posso deixar de te abraçar. —Digo.
—Faremos uma longa caminhada até a saída do aeroporto, daqui pra la´o ódio passa, querida. — Retribui, sorrindo.
só que logo quando vejo uma barraquinha vendendo coxinha e outras coisas, meu estômago ronca. Tiro os fones e aviso a Annie.
—Tia? Eu tô morrendo de fome... Vou naquela barraquinha comprar coxinha pra mim. –Digo. Saindo sem ao menos ouvir sua resposta.
—Ei mocinha... –Escuto uma voz sexy ao meu ouvido. Não parecia ser proposital. –Deixa eu te ajudar. –Viro-me e vejo Freddie caminhando ao meu lado. –Sem querer ser oferecido nem nada disso. –E corrige.
—Por favor... Não me chame de mocinha. Não posso ser considerada uma mocinha. Minha amiga é uma mocinha. Então por favor... Eu ODEIO esta palavra.
—M-me desculpe... –Diz sem graça e tenta pegar minha mala, puxo-a de volta.
—Eu não preciso de sua ajuda! –Minto, mesmo que eu esteja precisando bastante. –Por que está vindo comigo? O carro fica pra lá. –Digo, apontando para o outro lado, sem ao menos parar de caminhar até a barraca.
—Sua tia pediu para eu ir contigo. –Ele diz e cora. Nossa, como ele fica lindo envergonhado. Eu não acredito que estou dizendo isso, mas ele é mesmo muito lindo.
—Não precisava. Sei ir até uma barraquinha de salgados sozinha. Não preciso de guarda-costa. –E ele cora novamente. Chego no local e peço uma coxinha. A moça que me atende é jovem e gentil, o que me faz ser gentil com ela também. Ela me dá uma dúzia de mini coxinhas numa caixinha e eu vou até o caixa, me atrapalhando bastante por causa das malas.
—Tem certeza que não quer ajuda? –Ele pergunta gentilmente. E eu nego novamente. –Tudo bem. –Ele abaixa a cabeça e revira os olhos. Tento deixar as duas malas no chão, mas estava imundo. Acabo cedendo.
—Quer saber? Segura aqui vai! –Entrego as duas malas para ele e ele sorri.
—Acho que eu ganhei essa. –Ele diz e continua sorrindo.
—Só por dois segundos... –Termino de pagar e tento pegá-las de volta. Em vez de me entregar, ele corre com as malas na mão e eu corro atrás dele, me esbarrando em várias pessoas. Ele para e olha pra trás duas vezes pra fazer careta de deboche até a chegar ao carro.
—Eu já descobri que não gosto de você. –Digo, sem saber se era realmente verdade aquilo.
—Obrigado! –Ele sorri, convencido. Faço careta.
Colocamos minhas malas no fundo do carro e entramos no carro. Ficamos completamente apertados. Flow, Ed, Jeff e Freddor -sim, eu já estava dando apelidinhos à eles- e eu. Nós cinco atrás no maior aperto. And se livrou já que ficou no banco do carona.
O caminho novamente foi longo. Parecia que todos os caminhos eram longos, quando se estava com uma caixa de coxinha na mão sem poder comer. MINHAS COXINHAS! EU ESQUECI DELAS. Abro a caixinha e começo a comer. Ouço And pedir um, mas ignoro. Estava muito atraída por aquela obra de arte gordurosa e deliciosa.
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