Notas iniciais
Se alguém ainda lembra dessa história, e teve paciência de ler este capitulo, obrigado :P.

“O mundo inteiro é um palco, / e todos os homens e todas as mulheres são apenas atores [...]” – William Shakespeare.

Fecho o livro de capa verde, o qual eu estava lendo numa tranquila tarde de Domingo. Repouso-o sobre a mesa, ao lado de uma grande pilha de documentos. Pego o controle, e ligo o grande televisor, coincidentemente cai num Telejornal.

“A Economia da França vem crescendo sem parar! Nos últimos 3 anos, o PIB do país triplicou, e diferente dos outros países da União Europeia, o país arrumou um jeito de driblar a crise que perdura.”

“A Presidente, junto a outros líderes, fizeram uma reunião fechada com a ONU. O que foi discutido foi mantido em segredo, mas pelo que se vazou, parece que algo grande está por vir, Além do que...” – Desligo o Aparelho, colocando o controle junto aos papéis.

Viro e ponho-me de pé diante da grande janela do Palais de l'Élysée*.

Muita coisa tinha mudado nos últimos anos, aquilo que acontecera no passado já nem me vinha mais na memória, desde que eu encontrei Daimon tudo tinha mudado, pra bem melhor. Ele foi como um pontapé para o meu sucesso, e até hoje é minha fonte de glória.

– O mundo pode até pode ser um palco, e pode até estar cheio de atores, mas pode ter certeza de uma coisa Daimon... Eu sou a protagonista desta grande peça! – Ri, abrindo os braços diante da janela.

–Pode ter certeza disso, Satoko. – Comia uma uva, o fedelho branquelo continuava igual.

– Afinal de contas, eu sou a presidente da França! Não é mesmo?!

(...)

**** Flash Back – 2018, logo após os acontecimentos do cap. 3. ****

Lentamente fui abrindo os meus olhos, aquele luz batia de tal forma no meu rosto que parecia que logo iria me cegar.

– Onde eu estou? – Perguntei-me, olhando para os lados tentando reconhecer o ambiente.

Era um quarto de hospital, branco, com poucas coisas. Haviam uma mesa, parecida com uma escrivaninha com alguns papéis nela. Havia no quarto um cardiógrafo , usado para medir batimentos cardíacos. Este estava conectado à mim. Além disso, tudo havia uma pequena TV e um vaso de flores.

– O quê... – Estava meio tonta, sem noção do que havia ocorrido.

Meu corpo estava todo esfolado, parecia que eu acabara de cair de um precipício.

– Acordou! — Exclamou Daimon aparecendo do nada, me dando um susto. Meus batimentos subiram no cardiógrafo.

– O que aconteceu afinal? – Passei a mão no rosto. Tirei os fios conectados a mim sem dó. – Por que estou aqui?

A porta se abriu, uma enfermeira entrou.

– Oh! Você finalmente acordou?! – Disse surpresa.

– Sim... Por que eu estou aqui...? — Perguntei à moça, a minha voz estava meio distorcida, eu ainda não estava totalmente sã.

– Espere um minuto meu bem! – Ela largou a bandeja que carregava. – Vou chamar o Doutor Alphonse!

A enfermeira saiu do quarto.

– Daimon! – Me sentei. – O que você fez, seu maldito...? Estou toda ferrada!

– Háháhá! No pain, no gain! – Ele gargalhou euforicamente. Parecia estar gostando da minha situação debilitada.

A enfermeira então voltou para o quarto, acompanhada de um homem vestido de branco que provavelmente era o médico.

– Veja Dr. Alphonse, ela acordou! — A Enfermeira apontou para mim, parecia estar orgulhosa.

– Nossa... então temos mais uma sobrevivente do desastre! – Exclamou com grande alegria.

Estranhei a frase desastre, aquilo não era bom...

O Homem veio até mim, colocou a mão em minha cabeça:

– Seu nome é Satoko, não é?

– Sim... Satoko Kurokawa*... e o senhor é? – Perguntei meio receosa.

– Bem, sou o Doutor Alphonse Chevalier, ao seu dispor. – O médico deu um sorriso.

Daimon observava tudo como se fosse um espetáculo, o sorriso dele me incomodava.

– Você deve estar confusa, não é? – O Doutor puxava uma cadeira para se sentar. A enfermeira observava tudo em pé.

– Sim... Não entendo o que aconteceu... – Falei só a verdade, não sabia que m#rda o fedelho do Daimon aprontara.

– Bem... – O Doutor pegou o controle da TV, q estava na escrivaninha, e ligou o aparelho.

Ele começou a passar de canal em canal, até chegar ao canal de número 5.

– Veja por si mesma, o que aconteceu... – Ele largou o controle, levou a mão no rosto, parecia meio impaciente.

Comecei a prestar atenção no que era dito na TV, era um noticiário.

“...como você pode ver Sophie, o rastro de destruição ainda está por aqui!” – A repórter mostrava um local totalmente destruído, em ruínas. Olhando bem aquele local me parecia familiar...

“Até agora os dados que nós temos são de 13 pessoas mortas, 16 feridas e a polícia e os bombeiros ainda procuram por mais 9 pessoas que estão desaparecidas! A esperança é de encontrar elas ainda com vida, porém é algo bem difícil!” – Eu estava começando a entender... Aquele local...

“Os peritos suspeitam que toda essa destruição tenha sido causada pelo encanamento velho de gás do Bairro, que explodiu, e com sua explosão as construções vieram abaixo. Mas ainda há coisas a serem investigadas. As buscam não param!” – Sim! Aquele local me era familiar porque era onde eu morava! O meu bairro, o meu quarteirão... e tudo aquilo era culpa dele...

Olhei para lado, Daimon ria, acho que ele iria atrofiar os músculos do rosto senão fosse um ser sobrenatural. Fora ele que causara todo esse caos. Eu estava deveras chocada com o que houve.

– Só eliminei as evidências! Posso lhe garantir que algum dos corpos nunca serão encontrados! – Ele me encarou com um sorriso maléfico, um tão grande que me deu mal-estar.

O Doutor Alphonse abaixara o volume da TV até deixá-la no mudo.

– Vejo que você está bem abalada... Satoko... – O Doutor me olhou, ele estava certo. Meu estado não era dos melhores.

– Pense no que vai falar Satoko, não faça o meu trabalho ter sido em vão! – Encarou, com seus olhos escarlates.

Ele estava certo, agora eu não podia mais voltar atrás... Não queria que aquilo tivesse acontecido, mas agora já era tarde de mais... A Culpa me consumia, mas eu tinha que seguir e frente e por em prática as minhas aulas de Teatro.

– Satoko... – O médico pôs a mão em meu ombro. – Você está bem?

– Eu... – Meus olhos estavam arregalados, pus pra fora o sentimento de desespero que realmente habitava em mim, porém sem revelar a verdade.

– Enfermeira Charl, busque uma água para ela. – Ordenou a sua subalterna.

– M-Mas... Doutor... – Olhei para os olhos dele. – O que aconteceu com meu pai? – Meus olhos estavam quase lacrimejando.

– Desculpe... Eu não sei ao certo sobre seu pai... Mas não o encontraram, creio eu... – Respirou fundo.

– Tomara que ele esteja vivo ainda... – Olhei para baixo, era difícil mentir descaradamente daquele modo.

– Acalme-se... Tudo logo voltará a seus eixos... Paciência... – A Enfermeira se aproximou com o copo de água. – Beba a água, e fique tranquila!

– Vou tentar fazer isso Doutor... – Bebi a água.

– E o prêmio de melhor Atriz de Novela mexicana vai para... Satoko Fernandes!!! – Daimon abriu os braços e riu. Parecia caçoar de tudo. Acho que era uma das habilidades dele.

– Bem, vou deixá-la descansar Satoko! Se precisar de qualquer coisa, pode chamar a enfermeira! – O Doutor se levantou da cadeira. – Tomara que você se recupere logo! – O velho homem sorriu.

– Deus te ouça Doutor! – Me sentia mal por enganar o homem, mas fazer o que né...

– Deus não ouviu, mas o demônio sim! – Pulou o branquelo, estava se tornando alguém insuportável já.

– Com licença! – Ele saiu do quarto.

Pelo menos tudo tinha ocorrido “bem”, eu estava aliviada...

– Senhorita Satoko, eu posso trocar seus curativos? – Perguntou a enfermeira já pegando a Bandeja.

– Ah sim! Claro! Vá em frente... – Dei um fraco sorriso.

Eu não sabia como minha vida iria continuar a partir de agora... Afinal, eu havia perdido tudo... Não tinha mais casa, família, dinheiro, se brincar nem documentos. Porém, eu tinha algo que com certeza me faria subir.

Olhei para Daimon. Olhando bem ele era até que um garoto fofo, Assassino, Demoníaco e Macabro, todavia fofo.

– Não se preocupe Satoko! Eu vou te ajudar em tudo! – Ele deu um belo sorriso, aparentava ser inocente, só aparentava mesmo.

Enquanto Daimon estivesse ao meu lado, eu sabia que minha vitória era certa.

Notas finais
Palais de l'Élysée* = Palácio do Elisei, residência oficial do presidente da França. Kurokawa - Rio negro. Não vou dizer que vou postar um outro capitulo logo, pois sempre digo e nunca faço =P. Sinto muito por ser tão preguiçoso. Já que você teve o trabalho de ler isso, deixe um review para eu saber que alguém ainda lê isso =P.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.