ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS
17 Capítulo 17 – Manhã de Ressaca, Consequência e TPM
A luz suave da manhã entrava pelas frestas da cortina, aquecendo o quarto de Alex com um tom dourado.
Clary se mexeu lentamente na cama.
Muito lentamente.
— Ai... — gemeu baixinho, tentando se virar.
Todo o corpo doía — ombros, costas, coxas. Até os dedos dos pés pareciam ter participado da noite anterior.
Ela piscou devagar, reconhecendo o teto, o lençol escuro... e o calor do corpo ao lado.
Alex estava deitado, de bruços, com um dos braços por cima dela como uma âncora. O cabelo bagunçado, a respiração lenta.
Clary sorriu.
E depois gemeu de novo.
— Isso foi... um exagero. — murmurou para si mesma.
— Exagero? — a voz dele soou rouca, arrastada, com um toque de riso.
Ela virou o rosto, e ele estava acordado, observando-a com um olhar que era metade carinho… metade puro pecado.
— Não me olha assim.
— Assim como? — perguntou, se esticando preguiçosamente como um felino satisfeito.
— Como se soubesse exatamente o que fez comigo.
Ele riu baixinho, puxando-a pela cintura, colando o corpo dela ao dele.
— Eu sei exatamente o que fiz. Você pediu. Repetiu. Gritou. Implorou.
Ela bateu de leve no peito dele.
— Alex!
— Tá me dando ordens de novo, hacker? Porque... a última vez que fez isso, acabou amarrada.
Clary ficou vermelha até a raiz dos cabelos.
— Aquilo foi um momento de fraqueza.
— Não. Aquilo foi o momento em que você descobriu o que significa estar nas mãos de um homem que te deseja tanto… que é capaz de parar o mundo por você.
Ela engoliu em seco.
— E agora? Vai me castigar?
Ele se sentou devagar, ainda nu, com um brilho divertido nos olhos.
— Agora você vai tomar um banho, tentar andar normalmente — disse, com um olhar sugestivo para as pernas dela — e depois vai preparar o café.
— Você tá me mandando?
— Não. Tô te provocando.
Ela se levantou, enrolando o lençol no corpo, e antes de sair do quarto, virou-se e lançou:
— Você sabe que começou uma guerra, né?
Alex sorriu, vitorioso.
— Ótimo. Eu adoro ganhar.
Mais tarde, Clary estava na cozinha, sentada em uma banqueta, ainda com as pernas doloridas e usando uma camisa enorme de Alex.
Ele passou por trás dela, beijou seu pescoço e sussurrou:
— A próxima noite vai ser pior... ou melhor. Depende do seu ponto de vista.
Ela riu, mordendo o lábio.
— Avisa os músculos das minhas pernas antes, por favor.
—
E assim, enquanto o mundo lá fora seguia em perigo...
A hacker e o ex-assassino construíam um laço onde amor, fogo e parceria se entrelaçavam de um jeito que ninguém jamais quebraria.
Alguns dias depois
Alex acordou com um travesseiro voando contra seu rosto.
— QUE DROGA, ALEX!
Ele se sentou, assustado, com os olhos arregalados.
— O que aconteceu?! Tá tudo bem?
Clary estava de pé, com o cabelo bagunçado, vestindo apenas a camiseta dele e encarando o guarda-roupa com fúria.
— Não! NADA TÁ BEM! Eu não tenho NADA pra vestir, todas as minhas roupas são RIDÍCULAS, minhas calças me apertam e essa camiseta que eu AMO está me dando calor e frio ao mesmo tempo!
Alex piscou devagar.
Sim. Era aquele período.
— Você... quer chá? — tentou, cauteloso.
— EU QUERO UM BROWNIE COM SORVETE DE CHOCOLATE, UM MILK-SHAKE DE MORANGO, CINCO BARRAS DE CHOCOLATE, E QUE ESSE MUNDO EXPLODA! — ela berrou, jogando a almofada no chão.
Alex a observou como se estivesse diante de uma granada sem pino.
— Ok. Vou providenciar isso.
Mais tarde, na base…
Clary estava na sala de operações. E quem entrasse, saia de fininho.
Billy tentou.
— Ei, hacker. Olha o que eu trouxe — ele levantou uma barra de chocolate como bandeira branca.
Ela o encarou com um olhar mortal.
— Se não tiver recheio de caramelo… pode enfiar no bolso da sua calça justa e sair da minha frente.
Billy congelou.
— Tá. Era só uma tentativa.
Arthur cochichou pra Nate:
— Ela tá... pior do que na última missão contra traficantes armados com granadas.
— Eu preferia encarar uma granada agora. Pelo menos é mais previsível.
Alex, de volta com uma sacola cheia de doces, entrou no centro de comando com um cuidado quase tático.
— Amor…
— EU NÃO SOU SEU AMOR AGORA. — ela gritou, deitada no chão com um cobertor, encarando o teto. — EU SOU UMA VÍTIMA DO SISTEMA BIOLÓGICO.
Ele se aproximou e mostrou a sacola.
— Milk-shake, brownie e cinco barras. Uma de caramelo.
Clary sentou como se tivesse ouvido a voz de Deus.
— Você… é quase perdoado.
— Quase?
— Você respirou perto de mim hoje cedo.
Alex se sentou ao lado dela e entregou tudo, observando-a devorar como uma máquina em modo berserker.
Depois de alguns minutos de silêncio, ela encostou a cabeça no ombro dele e murmurou:
— Desculpa. Eu sei que tô insuportável.
— Não. Você tá… hormonalmente letal.
Ela riu, com a boca cheia de chocolate.
— Você ainda me ama?
— Sim. E também tô com medo. Mas principalmente amor.
Horas depois, o esquadrão inteiro se reuniu na sala de descanso.
Olhos vermelhos. Ombros baixos. Expressões exaustas.
Arthur resumiu:
— Eu prefiro enfrentar o Hale Vorkin de cueca e sem colete do que passar por outro dia de TPM da Clary.
Billy assentiu.
— Acho que vou fazer um altar com barras de chocolate. Só por precaução.
Nate riu.
— E Alex? Sobreviveu?
Do canto da sala, Alex respondeu com um suspiro:
— Mal. Mas ela sorriu quando eu trouxe o brownie. Acho que ainda tenho salvação.
E todos concordaram:
TPM da hacker é mais perigosa do que qualquer missão da polícia especial.
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