ENTRE CICATRIZES E RECOMEÇOS
6 CAPÍTULO 6 — UM DOMINGO DIFERENTE
Às vezes, a felicidade não chega como uma grande promessa. Ela aparece numa tarde de domingo, entre gargalhadas, pequenas mãos sujas de chocolate e a inesperada sensação de pertencer a algum lugar.
Domingo — 13h08Residência de Rachel e Paul Lahote — Nova York
— Quero deixar registrado que estou profundamente ofendido.
Paul Lahote fez a declaração enquanto observava Sarah Swan colocar a caixa de sobremesas sobre a bancada da cozinha.
Rachel, que terminava de organizar os pratos, sequer ergueu os olhos.
— Paul, meu amor, você está ofendido desde que acordou. Poderia especificar o motivo desta vez?
— Minha própria esposa convidou uma chef profissional para almoçar em nossa casa e não me permitiu participar da elaboração do cardápio. Isso representa uma afronta direta à minha criatividade culinária.
Sarah, que começava a retirar as pequenas tortinhas de chocolate da embalagem, ergueu as sobrancelhas.
— Paul, considerando o que aconteceu com seu molho barbecue no último jantar, acredito que Rachel esteja apenas tentando preservar a integridade física dos convidados.
Emmett, que entrava na cozinha naquele instante, soltou uma gargalhada tão alta que Rosalie apareceu na porta para descobrir o motivo.
— Eu amo essa mulher! — declarou o grandalhão, apontando para Sarah. — Ela consegue destruir um homem com uma frase e continuar parecendo absolutamente inocente!
Paul levou a mão ao peito.
— Isso é perseguição. Estou sendo humilhado dentro da minha própria residência.
— Se continuar reclamando, vai ser humilhado na garagem — Rachel respondeu tranquilamente. — E, se colocar a mão nessas tortinhas antes da sobremesa, vai passar a próxima semana dormindo lá.
Emmett interrompeu o movimento da mão, que já se aproximava perigosamente de uma das tortas.
Sarah observou-o.
— Emmett Cullen, nem pense nisso.
Ele assumiu uma expressão ofendida.
— Sarah, pequena, estou apenas verificando a qualidade do produto.
— Com os dedos?
— É um método científico.
Rosalie cruzou os braços.
— Emmett, você já comeu antes de sairmos de casa.
— Aquilo foi o café da manhã, amor. Estamos falando de uma refeição completamente diferente.
— Você comeu seis sanduíches!
— Cinco. O sexto era pequeno demais para ser considerado uma unidade completa.
Sarah começou a rir.
Rachel balançou a cabeça, resignada.
— Agora vocês entendem por que nunca sobra comida quando esses dois aparecem?
Paul apontou para Emmett.
— Não me inclua nessa acusação. Eu sou um homem de hábitos moderados.
— Paul — Rachel respondeu, virando-se lentamente —, ontem você comeu uma pizza inteira enquanto esperava o jantar ficar pronto.
— Era uma pizza pequena.
— Era tamanho família.
— Uma família pode ter apenas uma pessoa.
A cozinha explodiu em gargalhadas.
Sarah apoiou as mãos na bancada, tentando recuperar o fôlego.
Havia alguma coisa profundamente reconfortante naquela confusão.
Ninguém estava preocupado em manter uma aparência impecável. As pessoas se interrompiam, faziam brincadeiras, discutiam por bobagens e voltavam a rir poucos segundos depois.
Era uma família.
Barulhenta, exagerada e completamente desorganizada.
Mas uma família.
E, pela primeira vez em muito tempo, Sarah não sentia que precisava tomar cuidado para não estragar a felicidade dos outros.
13h26 — A missão do dinossauro— Sarah!
A voz de Seth surgiu antes que o menino aparecesse na cozinha.
Ele entrou correndo, segurando um pequeno dinossauro verde e uma folha de papel.
Jacob vinha logo atrás.
— Seth, campeão, o que combinamos sobre correr dentro da casa da tia Rachel?
O menino parou imediatamente.
— Que não pode.
— E o que você acabou de fazer?
Seth olhou para o pai.
Depois para Sarah.
— Andei muito rápido.
Paul começou a gargalhar.
— Esse menino é um gênio!
Jacob lançou-lhe um olhar.
— Não incentive.
Seth aproximou-se de Sarah.
— Você pode vir comigo? Preciso mostrar uma coisa importante.
Ela se agachou.
— Claro. O que aconteceu?
O menino ergueu o dinossauro.
— O Rex vai abrir um restaurante.
Sarah piscou.
— Um restaurante?
— É. Mas ele precisa de uma cozinheira.
Emmett levou a mão ao peito.
— Finalmente! Uma oportunidade profissional à altura do talento da Sarah!
Jacob começou a rir.
— Seth passou a manhã inteira planejando esse restaurante. Já decidiu que será especializado em comida para dinossauros.
Sarah fingiu refletir.
— Entendo. Mas preciso fazer algumas perguntas antes de aceitar o emprego. O restaurante terá uma cozinha adequada? Funcionários treinados? Equipamentos profissionais?
Seth franziu a testa.
— Vai ter uma mesa.
— Excelente começo.
— E pratos.
— Muito importante.
— E chocolate.
Sarah sorriu.
— Chocolate é sempre uma boa ideia, mas precisamos descobrir se o proprietário do restaurante aceita sugestões da chef.
Seth ergueu o dinossauro diante dela.
— Ele aceita.
Sarah inclinou a cabeça.
— Nesse caso, acho que podemos conversar.
O menino abriu um sorriso enorme.
— PAPAI! A SARAH VAI TRABALHAR NO RESTAURANTE DO REX!
Jacob fechou os olhos, divertido.
— Maravilhoso. Meu filho acabou de contratar uma chef profissional sem discutir salário, horário ou benefícios.
Edward apareceu na entrada da cozinha.
— Como advogado, gostaria de informar que esse contrato apresenta algumas irregularidades.
Seth virou-se imediatamente.
— Tio Edward, você pode fazer o contrato?
Edward sorriu.
— Posso tentar. Mas primeiro precisamos saber como o Rex pretende pagar sua funcionária.
O menino pensou por alguns segundos.
Depois ergueu o brinquedo.
— Com abraços.
Sarah levou a mão ao peito, fingindo emoção.
— Nossa, essa é uma proposta muito difícil de recusar.
Jacob observou o filho com ternura.
— Seth, acho que você acabou de encontrar uma maneira de negociar que nenhum executivo da minha empresa conseguiu descobrir.
Paul apontou para o menino.
— Eu disse que ele era um gênio!
Rachel surgiu na porta.
— Seth, querido, por que não mostra seu restaurante para Sarah na sala? Estamos terminando de organizar o almoço.
O menino segurou a mão dela.
— Vem! Você precisa conhecer os funcionários.
Sarah olhou para Jacob.
— Posso?
Ele sorriu.
— Claro. Mas aviso que a equipe é um pouco difícil. Ontem tivemos uma discussão porque um velociraptor se recusou a dividir a mesa com um tricerátopo.
Sarah arregalou os olhos.
— Problemas de relacionamento no ambiente de trabalho? Acho que vou precisar conversar com o departamento de recursos humanos.
Jacob começou a rir.
— Boa sorte. O diretor de recursos humanos é um tiranossauro.
Seth gargalhou.
E puxou Sarah em direção à sala.
14h02 — À mesaO almoço foi servido pouco depois das duas.
Rachel havia preparado uma refeição generosa, com diferentes acompanhamentos e pratos que agradavam tanto aos adultos quanto a Seth.
Sarah estava sentada entre Bella e Rosalie, enquanto Jacob ocupava a cadeira à sua frente, com o filho ao lado.
Angela Web também participava do encontro.
Chegara pouco antes do almoço, trazendo uma cesta de pães artesanais e uma pequena lembrança para Rachel.
— Esses pães são maravilhosos — Sarah comentou depois de experimentar um pedaço. — Você comprou naquela padaria perto do Central Park?
Angela sorriu.
— Comprei. É uma das minhas favoritas. Você conhece?
— Conheço. Eles trabalham com fermentação natural e têm um pão de nozes excelente.
— Exatamente! Foi o que trouxe.
Rachel observou as duas.
— Vocês precisam combinar um passeio gastronômico. Sarah conhece metade dos restaurantes de Nova York, e Angela está sempre descobrindo lugares novos.
Sarah sorriu.
— Seria divertido.
Angela assentiu.
— Eu adoraria. Talvez possamos tomar um café qualquer dia.
A conversa foi interrompida quando Seth colocou uma colher cheia de purê no prato de Jacob.
— Papai, você precisa comer mais.
Jacob olhou para o filho.
— Preciso?
— Precisa. A tia Rachel disse que você trabalha demais e não come direito.
Rachel começou a rir.
— Eu disse isso mesmo.
Jacob ergueu as sobrancelhas.
— Estou começando a achar que existe uma conspiração familiar para controlar minha alimentação.
Emmett apontou o garfo para ele.
— Jacob, você precisa aceitar que as pessoas se preocupam com você. Principalmente porque um homem que não sabe fazer panquecas provavelmente não está se alimentando adequadamente.
Sarah começou a rir.
Jacob olhou para ela.
— Não me diga que você também vai participar dessa campanha.
Ela fingiu analisar a situação.
— Como profissional da área, acredito que uma alimentação equilibrada seja fundamental. Mas, antes de emitir qualquer parecer, precisaria examinar seus hábitos alimentares.
Paul abriu um sorriso enorme.
— Excelente! Podemos marcar uma consulta!
Jacob passou a mão pelo rosto.
— Paul, por favor...
— Estou falando sério! Sarah poderia avaliar sua alimentação, preparar um plano nutricional...
— Paul — Sarah interrompeu, rindo —, eu sou chef de cozinha, não nutricionista.
— Detalhes técnicos.
Edward gargalhou.
— Detalhes bastante importantes, na verdade.
Seth ergueu a mão.
— Eu sei o que o papai come!
Todos olharam para ele.
Jacob fechou os olhos.
— Meu Deus.
O menino começou a enumerar nos dedos:
— Café. Sanduíche. Macarrão. Às vezes pizza. E cereal quando ele está cansado.
Emmett levou a mão ao peito.
— Jacob Black, isso é uma tragédia!
— Emmett, você acabou de comer três porções de batata!
— Mas eu também comi salada. Isso demonstra equilíbrio.
Sarah ria tanto que precisou colocar o guardanapo sobre a boca.
Jacob observou-a.
Era difícil não sorrir quando ela ria daquela maneira.
Havia algo contagiante em sua alegria.
E, embora a conhecesse havia pouco mais de uma semana, começava a perceber que Sarah possuía um senso de humor surpreendentemente afiado.
Não era apenas uma mulher bonita e talentosa.
Era inteligente, espontânea e perfeitamente capaz de enfrentar as provocações de Paul e Emmett sem perder a elegância.
— Muito bem — Jacob declarou, erguendo as mãos. — Já que todos parecem tão preocupados com minha alimentação, proponho uma solução. A partir de amanhã, Paul ficará responsável por preparar meu jantar.
O silêncio durou um segundo.
Então Rachel começou a gargalhar.
— Nem pense nisso!
Emmett apontou para Jacob.
— Você está tentando se matar?
Sarah inclinou a cabeça.
— Considerando o histórico do molho barbecue, eu recomendaria prudência.
Paul levou a mão ao peito.
— Estou cercado de traidores.
Seth abraçou o braço do pai.
— Não deixa o tio Paul cozinhar, papai.
Jacob beijou os cabelos do menino.
— Pode deixar, campeão. Não pretendo correr esse risco.
15h17 — Uma conversa na varandaDepois do almoço, os convidados se espalharam pela casa.
Emmett e Paul decidiram disputar uma partida de videogame, enquanto Edward tentava convencê-los de que Seth deveria participar sem precisar ouvir uma quantidade absurda de provocações.
Bella e Rosalie conversavam com Rachel na cozinha.
Angela havia se juntado a elas para ajudar a organizar a sobremesa.
Sarah saiu para a varanda carregando uma xícara de café.
Precisava de alguns minutos de tranquilidade.
Não estava assustada como no jantar anterior.
Apenas cansada.
A convivência com tantas pessoas ainda exigia um esforço que, antes de Alec, jamais teria imaginado necessário.
Apoiou-se no corrimão e observou o jardim.
Alguns minutos depois, ouviu passos.
— Espero não estar interrompendo.
Sarah virou-se.
Jacob estava parado próximo à porta, segurando uma xícara.
Ela sorriu.
— Não está. Acho que todos precisamos de alguns minutos de descanso depois de passar tanto tempo perto de Emmett e Paul.
Jacob riu.
— Principalmente quando os dois estão competindo para descobrir quem consegue fazer mais barulho.
Aproximou-se do corrimão, mantendo uma distância confortável.
Durante alguns instantes, permaneceram em silêncio.
Foi Jacob quem falou primeiro.
— Queria agradecer pelo carinho que você tem demonstrado com Seth.
Sarah olhou para ele.
— Não precisa agradecer. Seu filho é maravilhoso.
— Eu sei que sou suspeito para falar, mas concordo.
Ela sorriu.
Jacob tomou um gole de café.
— Ele ficou muito feliz quando você disse que colocaria o desenho numa moldura. Passou o caminho inteiro até aqui explicando que agora era um artista profissional.
Sarah riu.
— Então preciso providenciar uma exposição.
— Por favor, não incentive. Ontem ele perguntou se poderia vender desenhos para comprar um dinossauro maior.
Sarah gargalhou.
— É um pequeno empreendedor.
Jacob sorriu.
— Infelizmente, está aprendendo rápido demais com Paul.
Ela observou o jardim por alguns segundos.
Depois perguntou:
— Posso fazer uma pergunta um pouco pessoal?
Jacob virou-se para ela.
— Claro.
Sarah hesitou.
— Como você consegue conciliar a empresa com a criação de Seth? Edward vive dizendo que você trabalha demais, mas, quando vejo vocês juntos, parece que consegue estar inteiramente presente.
Jacob ficou pensativo.
— Nem sempre consigo. Existem dias em que chego em casa exausto, preocupado com problemas que ainda não resolvi. E existem momentos em que sinto que não estou fazendo o suficiente, nem como pai nem como empresário.
Sarah observou-o.
— Imagino que seja difícil.
— É. Principalmente porque, depois que Leah morreu, tive medo de não conseguir dar a Seth tudo de que ele precisava. Eu sabia cuidar dele, naturalmente. Já era pai havia três anos. Mas, de repente, todas as decisões passaram a depender de mim. As consultas médicas, a escola, as roupas, as perguntas sobre a mãe... Às vezes parecia que eu estava tentando aprender a respirar novamente enquanto precisava ensinar meu filho a viver.
Sarah sentiu uma emoção profunda.
Não o interrompeu.
Jacob continuou:
— Meu pai sempre dizia que responsabilidade não significa fazer tudo sozinho. Demorei bastante para compreender isso. Rachel e Paul ajudaram muito. Edward e Emmett também. E Seth... bem, Seth tem uma capacidade impressionante de me lembrar do que realmente importa.
Sarah sorriu suavemente.
— Ele parece ter herdado essa capacidade de você.
Jacob ergueu as sobrancelhas.
— De mim?
— Sim. Você presta atenção nele. Quando Seth fala, você escuta. Não importa se está contando alguma coisa sobre a escola ou inventando uma emergência envolvendo um dinossauro. Para você, aquilo é importante porque é importante para ele.
Jacob permaneceu alguns segundos em silêncio.
— Obrigado, Sarah. Acho que nunca tinha pensado dessa maneira.
Ela sorriu.
— É apenas o que percebi.
Houve uma pausa.
Então Jacob perguntou:
— E você? Sempre quis trabalhar com gastronomia?
O rosto de Sarah se iluminou.
— Desde pequena. Minha mãe dizia que eu era a única criança que preferia assistir a programas de culinária em vez de desenhos animados. Aos dez anos, tentei preparar um jantar completo para minha família e quase destruí a cozinha.
Jacob começou a rir.
— Finalmente! Uma história que demonstra que até profissionais talentosos já enfrentaram dificuldades culinárias.
Sarah ergueu as sobrancelhas.
— Não se anime. Eu tinha dez anos. Você tem vinte e seis.
Jacob levou a mão ao peito.
— Isso foi desnecessariamente cruel.
Ela gargalhou.
— Desculpe. Não consegui resistir.
Jacob sorriu.
— Estou começando a perceber que você tem um lado bastante perigoso.
— Só quando alguém ameaça minhas habilidades profissionais.
Os dois riram.
Sarah continuou:
— Mas, falando sério, sempre gostei de cozinhar. Quando estou criando alguma coisa, parece que tudo faz sentido. Posso passar horas experimentando combinações, ajustando temperos, procurando a textura perfeita. É um trabalho exigente, mas adoro cada parte dele.
Jacob observou a expressão dela.
Era diferente daquela que apresentara no primeiro jantar.
Mais confiante.
Mais viva.
— Edward comentou que você está preparando uma proposta para a empresa.
Sarah assentiu.
— Estou. Na verdade, terminei a primeira versão na sexta-feira. Quero revisar alguns detalhes antes de enviar.
Jacob sorriu.
— Fico feliz que tenha se interessado pelo projeto.
— Achei a ideia excelente. Mas quero deixar uma coisa clara, Jacob.
Ele ergueu as sobrancelhas.
— Claro.
Sarah endireitou ligeiramente a postura.
— Não quero nenhum tratamento especial por ser irmã da Bella ou amiga do Emmett. Se minha proposta não atender às necessidades da empresa, prefiro que seja recusada.
Jacob observou-a por um instante.
Depois sorriu.
— Era exatamente o que eu esperava ouvir. Sarah, não pretendo contratá-la por amizade. Se sua proposta for a melhor, terá a oportunidade de desenvolver o projeto. Se não for, receberá uma avaliação profissional como qualquer outro participante.
Ela pareceu satisfeita.
— Perfeito.
Jacob inclinou a cabeça.
— Mas posso fazer uma observação?
— Claro.
— Pelo entusiasmo com que você fala sobre gastronomia, tenho a impressão de que sua proposta será bastante interessante.
Sarah sorriu.
— Isso foi um elogio ou uma tentativa de me deixar nervosa?
— Apenas uma observação.
Ela riu.
— Nesse caso, obrigada.
Por alguns instantes, os dois permaneceram em silêncio.
Não era um silêncio constrangedor.
Era confortável.
E Sarah percebeu que gostava daquela sensação.
Jacob não parecia interessado em impressioná-la.
Não fazia perguntas invasivas.
Não tentava conduzir a conversa para assuntos que ela não desejava abordar.
Simplesmente conversava.
Como se sua companhia fosse suficiente.
15h49 — O incidente das tortinhas— SARAH!
A voz de Emmett ecoou pela casa.
Ela fechou os olhos.
Jacob começou a rir.
— Acho que temos uma emergência.
Sarah suspirou dramaticamente.
— Conhecendo Emmett, provavelmente envolve comida.
Os dois voltaram para a sala.
Encontraram uma cena absolutamente caótica.
Paul estava parado ao lado da mesa de sobremesas, segurando um prato vazio.
Emmett tinha chocolate no canto da boca.
Rachel observava os dois com uma expressão perigosa.
Rosalie cruzara os braços.
Edward tentava conter o riso.
E Seth estava sentado no sofá, assistindo a tudo com evidente satisfação.
— Alguém pode me explicar o que aconteceu? — Sarah perguntou.
Rachel apontou para a caixa de tortinhas.
— Esses dois decidiram experimentar as sobremesas antes que eu terminasse de servir. Quando percebi, metade já havia desaparecido!
Emmett ergueu as mãos.
— Isso é uma acusação extremamente grave. Gostaria de esclarecer que apenas realizei uma degustação preventiva.
Paul assentiu.
— Exatamente. Estávamos verificando se o produto apresentava condições adequadas para consumo.
Rosalie ergueu uma sobrancelha.
— Emmett, você comeu quatro tortinhas.
— Três e meia.
— A quarta estava na sua mão quando entrei.
— Mas ainda não tinha sido consumida integralmente.
Sarah começou a gargalhar.
Jacob encostou-se ao batente da porta, rindo.
Rachel apontou para os dois homens.
— Vocês são inacreditáveis!
Paul olhou para Sarah.
— Precisamos de uma opinião profissional.
Ela cruzou os braços.
— Minha opinião profissional é que vocês deveriam ser proibidos de entrar numa cozinha sem supervisão.
Emmett levou a mão ao peito.
— Pequena, você está destruindo nossa amizade.
— Nossa amizade sobreviveu a coisas muito piores.
Seth levantou a mão.
— Eu sei quem comeu mais!
Todos olharam para ele.
Jacob sorriu.
— Campeão, acho que você deveria pensar cuidadosamente antes de responder.
O menino apontou para Emmett.
— Foi ele!
Paul levantou os braços.
— JUSTIÇA!
Emmett olhou para Seth, indignado.
— Traidor! Eu ensinei você a jogar videogame!
Seth começou a gargalhar.
— Mas você comeu mais!
Sarah ria tanto que precisou se apoiar na mesa.
Jacob aproximou-se para pegar uma das tortinhas que haviam restado.
Antes que conseguisse, Emmett apontou para ele.
— Ah, não! Agora o senhor presidente também quer participar do crime?
Jacob ergueu as sobrancelhas.
— Estou apenas tentando experimentar a sobremesa antes que vocês terminem de destruir todas as provas.
Sarah sorriu.
— Essa é uma justificativa bastante convincente.
Jacob pegou uma tortinha.
Experimentou.
Sua expressão mudou imediatamente.
— Sarah, isso está extraordinário.
Ela sorriu, satisfeita.
— Obrigada.
Jacob examinou a sobremesa.
— O chocolate é intenso, mas não excessivamente doce. E a fruta equilibra muito bem o sabor.
Sarah ergueu as sobrancelhas.
— Ora, parece que temos um crítico gastronômico escondido dentro do presidente da Black Automotivos.
Jacob sorriu.
— Posso não saber preparar panquecas, mas sei reconhecer uma comida excelente.
Emmett apontou para ele.
— Finalmente! Uma qualidade culinária!
Paul começou a rir.
Sarah observou Jacob.
O elogio havia sido simples.
Sem exageros.
Sem tentativas de impressioná-la.
E, talvez por isso, pareceu ainda mais sincero.
16h32 — Uma conversa entre amigasAngela estava ajudando Rachel a recolher alguns pratos quando observou Seth sentado no tapete da sala.
O menino mostrava seus dinossauros a Sarah, enquanto Jacob conversava com Edward e Paul perto da janela.
— Seth parece estar se divertindo bastante hoje — Angela comentou.
Rachel sorriu.
— Está mesmo. Desde o jantar da semana passada, não para de falar sobre Sarah.
Angela observou o menino.
— Ela tem muito jeito com crianças.
— Tem. E acho que ele gosta especialmente porque Sarah realmente presta atenção nas histórias dele. Você sabe como Seth fica quando alguém demonstra interesse pelos dinossauros.
Angela riu.
— Sei muito bem. Na última vez que fiquei com ele, passei quase duas horas aprendendo nomes que não consigo pronunciar.
Rachel gargalhou.
— Bem-vinda ao clube.
Angela colocou os pratos sobre a bancada.
— E Jacob? Como está?
Rachel observou o irmão do outro lado da sala.
— Acho que melhor. Ainda trabalha demais, mas está tentando encontrar algum equilíbrio.
Angela sorriu suavemente.
— Fico feliz. Ele merece ser feliz.
Rachel assentiu.
— Merece mesmo.
Angela permaneceu alguns segundos observando Jacob.
Depois voltou a ajudar a amiga.
Não havia nada de incomum naquela tarde.
Apenas um encontro entre pessoas que se conheciam havia anos e algumas amizades novas começando a surgir.
17h18 — A promessa das panquecasSarah estava se despedindo quando Seth apareceu carregando o dinossauro verde.
— Sarah!
Ela se agachou.
— Oi, campeão.
O menino olhou para ela com uma expressão extremamente séria.
— Você esqueceu.
Sarah franziu a testa.
— Esqueci o quê?
— As panquecas.
Ela sorriu.
— Ah, claro. As famosas panquecas.
Seth assentiu.
— Você prometeu.
Jacob aproximou-se imediatamente.
— Seth, nós já conversamos sobre isso. Sarah disse que poderíamos combinar algum dia. Não precisamos cobrar uma promessa toda vez que a encontramos.
O menino pareceu decepcionado.
Sarah observou os dois.
Depois sorriu.
— Na verdade, Jacob, acho que podemos resolver essa questão de maneira bastante simples.
Ele ergueu as sobrancelhas.
— Como?
— Se você concordar, podemos marcar uma tarde para preparar panquecas com Seth. Não precisa ser nada complicado. Eu levo os ingredientes, ele me ajuda e você fica responsável por uma tarefa extremamente importante.
Jacob inclinou a cabeça.
— Qual?
Sarah sorriu.
— Manter o extintor de incêndio por perto.
Paul, que ouvira a conversa, começou a gargalhar.
Emmett levou a mão ao peito.
— Essa mulher é maravilhosa!
Jacob fechou os olhos.
— Estou começando a achar que minha reputação culinária jamais será recuperada.
Sarah riu.
— Considere uma oportunidade de aprendizado.
Seth segurou a mão do pai.
— Papai, por favor!
Jacob olhou para o filho.
Depois para Sarah.
— Se você realmente não se importar, podemos combinar. Mas faço questão de ajudar. Não quero que pense que estou simplesmente transferindo a responsabilidade de alimentar meu filho para você.
Sarah sorriu.
— Combinado. Mas aviso que sou uma professora exigente.
Jacob ergueu uma sobrancelha.
— Devo me preocupar?
— Apenas se continuar confundindo fogo médio com fogo alto.
Edward começou a gargalhar.
— Jacob, acho que você encontrou alguém capaz de finalmente ensinar alguma coisa sobre culinária.
Paul apontou para o amigo.
— E eu quero participar!
Rachel respondeu imediatamente:
— Você não vai chegar perto do fogão!
Todos começaram a rir.
Seth levantou os braços.
— VAMOS FAZER PANQUECAS!
Jacob observou o entusiasmo do filho.
Depois olhou para Sarah.
— Obrigado — disse discretamente.
Ela sorriu.
— Vai ser divertido.
E, naquele instante, nenhum dos dois imaginava que aquela simples promessa acabaria se transformando numa lembrança muito mais importante do que poderiam prever.
19h41 — Apartamento dos CullenSarah estava sentada na cama quando Bella apareceu à porta.
— Posso entrar?
— Claro.
A irmã sentou-se ao seu lado.
— Gostou do almoço?
Sarah sorriu.
— Muito. Acho que fazia anos que não ria tanto em dois encontros seguidos.
Bella observou-a.
— Você parece mais leve.
Sarah assentiu.
— Estou me sentindo um pouco melhor. Ainda tenho medo, Bella. Às vezes basta ouvir uma notificação no celular para sentir o coração disparar. Mas hoje consegui passar várias horas sem pensar em Alec.
Bella segurou sua mão.
— Isso é importante.
Sarah sorriu.
— Também gostei de conversar com Jacob. Ele é diferente do que imaginei.
Bella ergueu as sobrancelhas.
— Diferente como?
Sarah refletiu.
— Quando Edward falava dele, eu imaginava um empresário extremamente sério, daqueles que vivem preocupados com reuniões e contratos. Mas ele é muito divertido quando está à vontade. E tem um jeito especial com Seth.
Bella sorriu.
— Jacob sempre foi um pai dedicado.
Sarah assentiu.
— É bonito observar os dois. Seth parece completamente seguro perto dele.
Houve uma pausa.
Então Bella perguntou:
— E vocês combinaram mesmo de fazer panquecas?
Sarah começou a rir.
— Combinamos. Seth praticamente negociou um contrato verbal diante de oito testemunhas.
Bella gargalhou.
— Edward vai adorar essa definição.
Sarah sorriu.
— Acho que vai ser divertido. Só espero que Jacob consiga sobreviver às minhas aulas.
Bella observou a irmã.
Não fez comentários sobre romance.
Não insinuou que havia alguma coisa especial acontecendo.
Sabia que Sarah precisava de tempo.
Precisava recuperar a própria confiança antes de pensar em qualquer relacionamento.
E, naquele momento, parecia feliz simplesmente por ter encontrado pessoas com quem podia conversar sem medo.
Isso já era suficiente.
Segunda-feira — 8h56Black Automotivos
Jacob estava terminando de examinar alguns documentos quando sua secretária anunciou a chegada de Edward.
— Pode entrar.
O advogado apareceu carregando uma pasta.
— Bom dia. Tenho uma informação que provavelmente vai interessar ao setor de eventos.
Jacob ergueu os olhos.
— O quê?
Edward colocou o documento sobre a mesa.
— Sarah enviou a proposta profissional.
Jacob sorriu discretamente.
— Já?
— Enviou ontem à noite, dentro do prazo estabelecido. O departamento responsável recebeu o material e vai encaminhá-lo para avaliação junto com as demais propostas.
Jacob abriu a pasta.
Na primeira página, estava o nome da empresa de Sarah.
SWAN GASTRONOMY CONSULTING
Logo abaixo, um título elegante:
Experiências gastronômicas corporativas — conceito, identidade e excelência.
Jacob começou a examinar o documento.
À medida que avançava pelas páginas, sua expressão se tornava mais interessada.
Havia propostas de menus, conceitos visuais, sugestões de serviço, planejamento operacional e estimativas financeiras.
Tudo apresentado de maneira organizada e profissional.
Edward observou o amigo.
— E então?
Jacob fechou a pasta.
— Ainda precisamos da avaliação técnica e comercial completa, mas a proposta está muito bem estruturada. Ela compreendeu exatamente o que estamos tentando desenvolver.
Edward sorriu.
— Eu disse que Sarah era talentosa.
Jacob assentiu.
— Você disse. Mas acho que não explicou o suficiente.
O advogado começou a rir.
Jacob voltou a examinar a capa.
Por alguns segundos, lembrou-se da mulher de olhos verdes que conversara com ele na varanda.
Da maneira como falava sobre gastronomia.
Da segurança que demonstrava quando o assunto era seu trabalho.
Agora compreendia melhor aquele entusiasmo.
Sarah Swan não era apenas uma mulher tentando reconstruir a vida.
Era uma profissional extremamente competente, que parecia ter passado muito tempo sem receber o reconhecimento que merecia.
Jacob colocou a pasta sobre a mesa.
— Encaminhe para a avaliação regular. Quero que o processo seja conduzido com os mesmos critérios para todos os candidatos.
Edward assentiu.
— Já está sendo feito.
Jacob sorriu.
— Ótimo.
Segunda-feira — 11h24Apartamento de Alec Volturi
Alec estava diante do computador quando recebeu uma atualização relacionada a uma das empresas vinculadas aos projetos gastronômicos de Sarah.
O documento indicava que ela havia solicitado informações financeiras e cópias de instrumentos contratuais.
Alec leu a mensagem lentamente.
Depois abriu outro arquivo.
Havia informações que Sarah ainda desconhecia.
E ele não pretendia facilitar o acesso a elas.
Pegou o telefone.
Discou um número.
Quando a chamada foi atendida, falou num tom controlado:
— Precisamos conversar sobre os documentos da Swan Gastronomy Consulting. Sarah começou a fazer perguntas, e quero saber exatamente quais informações estão disponíveis para consulta.
Ouviu a resposta.
Sua expressão endureceu.
— Não. Não estou pedindo que ninguém faça nada irregular. Quero apenas compreender a situação antes que ela tome alguma decisão precipitada.
Desligou.
Permaneceu alguns segundos olhando para a tela.
A mulher que antes aceitava suas explicações sem questionar começava a procurar respostas.
E Alec compreendia que, quanto mais Sarah descobrisse, menor seria sua capacidade de influenciar as decisões dela.
Naquela segunda-feira, Sarah Swan trabalhava em seu quarto improvisado na casa dos Cullen, revisando novas ideias para seu futuro profissional.
Jacob Black examinava relatórios empresariais, enquanto tentava descobrir como encontraria tempo para uma aula de culinária que seu filho já considerava o acontecimento mais importante do mês.
Seth desenhava novos dinossauros, convencido de que Sarah seria a melhor professora de panquecas do mundo.
E, sem perceber, todos começavam a construir uma amizade que nascia de maneira simples, sem promessas grandiosas ou expectativas impossíveis.
Apenas pequenos gestos.
Conversas agradáveis.
Gargalhadas compartilhadas.
E a descoberta de que, mesmo depois das perdas mais dolorosas, a vida ainda podia oferecer motivos para sorrir.
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