ENTRE CICATRIZES E RECOMEÇOS
2 CAPÍTULO 2 — O PESO DOS SEGREDOS
Às vezes, o maior perigo não está naquilo que desconhecemos, mas na certeza de que conhecemos as pessoas ao nosso redor.
Nova York — Sexta-feira, 7h15
Edward Cullen estava acostumado a lidar com situações difíceis.
Como advogado e diretor jurídico da Black Automotivos, aprendera que a melhor maneira de enfrentar uma crise era analisar os fatos, identificar os riscos e estabelecer uma estratégia. Sua capacidade de manter a calma diante dos problemas era uma das características que Jacob Black mais admirava nele.
Entretanto, naquela manhã, Edward descobria que havia uma diferença considerável entre enfrentar uma crise empresarial e observar a própria cunhada sentada à mesa de sua cozinha, tentando esconder o tremor das mãos enquanto segurava uma xícara de café.
Sarah Swan estava acordada havia quase duas horas.
Vestia uma camiseta emprestada de Bella e uma calça confortável. Os cabelos negros estavam presos num coque desajeitado, deixando à mostra a marca arroxeada próxima à maçã do rosto. O pequeno ferimento no lábio começava a cicatrizar, mas Edward suspeitava que os machucados mais profundos fossem aqueles que ninguém conseguia enxergar.
Bella estava sentada ao lado da irmã, observando atentamente o marido.
Sobre a mesa, o celular de Sarah permanecia desligado.
— Quero que você compreenda uma coisa antes de começarmos — disse Edward, apoiando os antebraços sobre a mesa. — Não estou conversando com você apenas como advogado. Sou seu cunhado, Sarah. Conheço você desde que tinha dezenove anos, acompanhei sua formação profissional e vi a maneira como sempre defendeu as pessoas que amava. Não vou fingir que consigo olhar para esses machucados e tratar tudo como um caso qualquer. Mas também não quero que minha indignação interfira nas decisões que são suas.
Sarah baixou os olhos.
— Você está com raiva de mim?
Edward franziu a testa.
— Por que eu estaria?
— Porque vocês tentaram me avisar sobre Alec. Você nunca gostou dele. Bella dizia que ele era controlador, Emmett reclamava da maneira como ele falava comigo... E eu sempre encontrava alguma explicação para defendê-lo.
Edward permaneceu alguns segundos em silêncio.
— Sarah, vou lhe contar uma coisa que talvez você não saiba. Há aproximadamente um ano, Alec me procurou depois de um jantar na casa de Emmett. Disse que estava preocupado com sua carreira porque você trabalhava demais, que não sabia administrar o próprio dinheiro e que talvez fosse melhor transferir parte dos seus contratos para uma empresa administrada por ele.
Sarah ergueu a cabeça imediatamente.
— O quê?
Bella também pareceu surpresa.
— Edward, você nunca me contou isso!
— Porque ele apresentou a conversa como uma hipótese e, quando deixei claro que qualquer decisão dependeria exclusivamente de Sarah, recuou. Na época, achei que estivesse tentando se aproveitar da experiência profissional dela. Não imaginei que houvesse algo tão grave acontecendo dentro da casa dos dois.
Sarah ficou pálida.
— Ele insistiu durante meses para que eu assinasse uma procuração. Dizia que seria mais prático se pudesse resolver meus assuntos bancários enquanto eu estivesse trabalhando. Quando recusei, passou quase uma semana sem falar comigo.
Edward trocou um olhar com Bella.
— Você chegou a assinar algum documento?
— Não uma procuração. Pelo menos, não que eu saiba. Mas assinei contratos relacionados a um projeto gastronômico que ele estava financiando. Na época, achei que fossem apenas documentos comerciais.
— Você tem cópias?
Sarah hesitou.
— Acho que sim. Algumas estão no meu e-mail profissional. Outras ficaram no apartamento.
Edward assentiu.
— Então precisamos examiná-las. Não porque eu esteja afirmando que houve alguma irregularidade, mas porque é importante saber exatamente quais compromissos você assumiu. E, Sarah, há outra coisa: as mensagens que recebeu ontem à noite não são uma simples tentativa de reconciliação. Há uma ameaça direcionada a Bella. Precisamos preservar tudo e avaliar as medidas legais cabíveis.
Sarah olhou para a irmã.
— É justamente isso que me assusta. Eu consegui sair de lá, mas agora ele está envolvendo vocês. Alec tem dinheiro, conhece pessoas influentes e é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer.
Bella segurou sua mão.
— Sarah, escute bem. Você não colocou ninguém em perigo por procurar ajuda. Quem está fazendo ameaças é Alec, e a responsabilidade pelas atitudes dele pertence exclusivamente a ele. Eu não quero que você comece a pensar que deveria voltar para protegê-los. É exatamente esse tipo de medo que ele pode tentar usar contra você.
Sarah respirou profundamente.
— Eu sei. Pelo menos racionalmente, sei. Mas passei tanto tempo tentando impedir que ele ficasse irritado que agora sinto como se qualquer decisão minha pudesse provocar alguma tragédia.
Edward inclinou-se ligeiramente.
— Por isso vamos agir com cautela. Quero que você seja examinada por um médico, que registre os fatos enquanto ainda estão recentes e que converse com uma profissional especializada em violência doméstica. Podemos buscar uma ordem de proteção e avaliar as providências criminais e patrimoniais necessárias. Não precisamos resolver tudo nesta manhã, mas precisamos começar.
Sarah permaneceu olhando para ele.
— E se eu não conseguir?
Edward suavizou a expressão.
— Então faremos uma coisa de cada vez. Você não precisa demonstrar coragem o tempo inteiro, Sarah. Precisa apenas ter a oportunidade de decidir o que deseja fazer sem alguém ameaçá-la por isso.
Pela primeira vez desde que se sentara à mesa, Sarah pareceu relaxar um pouco os ombros.
— Certo — respondeu, depois de alguns segundos. — Quero fazer isso. Quero registrar o que aconteceu. E quero descobrir se Alec realmente colocou meu nome em alguma coisa que eu desconheço.
Bella sorriu discretamente.
— Essa é a minha irmã.
Sarah lançou-lhe um olhar cansado.
— Não comece a comemorar. Ainda estou tentando descobrir como vou sobreviver a um dia inteiro sem entrar em pânico.
— Nesse caso — Bella respondeu, levantando-se —, proponho começarmos com algo extremamente importante.
Edward ergueu as sobrancelhas.
— O quê?
— Café da manhã. Um café de verdade, preparado por alguém que sabe cozinhar.
Sarah olhou para a irmã.
— Você está insinuando que meu cunhado não sabe preparar café?
Bella fez uma careta.
— Estou dizendo que ontem ele conseguiu queimar torradas congeladas.
Edward ergueu as mãos.
— Em minha defesa, o fabricante não deixou suficientemente claro que elas deveriam ser retiradas da embalagem plástica antes de serem colocadas no forno.
Sarah soltou uma gargalhada.
Foi uma risada inesperada, espontânea, que pareceu surpreendê-la tanto quanto aos outros dois.
Bella observou a irmã com os olhos marejados.
Havia muito tempo que não ouvia aquele som.
E decidiu, silenciosamente, que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para ouvi-lo novamente.
8h40 — Residência Black
Jacob Black estava atrasado.
Não apenas alguns minutos.
Estava atrasado o suficiente para que sua irmã Rachel tivesse ligado três vezes, Paul enviado duas mensagens ofensivas e Seth anunciado que provavelmente precisariam mudar de país para evitar a vergonha.
A origem do problema encontrava-se sentada no chão do quarto infantil, usando apenas uma meia e segurando um pequeno dinossauro verde.
— Seth, precisamos sair de casa em dez minutos. A escola começa às nove, e seu pai tem uma reunião importante. Por favor, explique por que você ainda não colocou os sapatos.
O menino ergueu o rosto com expressão absolutamente séria.
— Porque o Rex está doente.
Jacob fechou os olhos.
— O Rex é um dinossauro de plástico.
— Isso não significa que ele não possa ficar doente.
— Seth, meu amor, nós já conversamos sobre a diferença entre brinquedos e seres vivos. O Rex não precisa de médico, remédios ou repouso. Ele precisa que você o coloque na mochila para podermos sair.
Seth apertou o brinquedo contra o peito.
— A professora disse que precisamos cuidar de quem amamos. Eu amo o Rex. Então preciso cuidar dele.
Jacob ficou imóvel.
Era difícil discutir com um menino que utilizava ensinamentos escolares para justificar atrasos.
— Muito bem — respondeu, agachando-se diante do filho. — Vamos fazer um acordo. Você coloca os sapatos, eu levo o Rex para a escola e, quando chegarmos, conversamos com sua professora sobre a possibilidade de ele ficar na enfermaria.
Seth refletiu.
— Com cobertor?
— Se houver um disponível.
— E suco?
— Seth...
— Tudo bem, papai. Mas ele não gosta de suco de laranja.
Jacob soltou uma gargalhada.
— Vou avisar à equipe médica.
O menino finalmente começou a colocar os sapatos.
Jacob observou-o com um sorriso cansado.
Havia momentos em que a paternidade lhe parecia uma sucessão interminável de negociações diplomáticas com um pequeno ditador de cabelos negros.
E, apesar de tudo, eram seus momentos favoritos.
O telefone tocou.
Rachel.
Jacob atendeu.
— Antes que você comece, gostaria de informar que estamos vivos, alimentados e praticamente vestidos. Considerando as circunstâncias, acredito que seja uma vitória significativa.
A irmã soltou um suspiro.
— Jacob, eu não estou ligando para fiscalizar sua rotina matinal. Embora, pelo horário, esteja começando a achar que deveria contratar alguém para fazer isso.
— Seth está organizando uma emergência veterinária envolvendo um dinossauro de plástico. Se quiser assumir a situação, ficarei eternamente agradecido.
Rachel riu.
— Meu sobrinho é um gênio. Mas liguei para lembrar do jantar de amanhã. Convidei Angela, e ela confirmou presença.
Jacob pegou as chaves do carro.
— Tudo bem. Faz tempo que não a vejo.
— Ela perguntou por você e por Seth. Disse que está com saudade.
— Angela sempre foi muito atenciosa com ele.
Rachel hesitou por um instante.
— Jake, posso fazer uma pergunta?
Ele reconheceu imediatamente aquele tom.
— Depende. Se envolver minha vida amorosa, minha alimentação ou a quantidade de horas que trabalho, prefiro exercer meu direito ao silêncio.
— Você sabe que não pode fugir dessa conversa para sempre.
Jacob suspirou.
— Rachel, por favor. Estou tentando levar meu filho à escola. Não quero discutir minha vida pessoal antes das nove da manhã.
— Não estou tentando obrigá-lo a conhecer ninguém. Só fico preocupada quando percebo que você passa todos os dias trabalhando, cuidando de Seth e voltando para uma casa onde raramente recebe amigos. Você tem vinte e seis anos, Jacob. Ainda existe uma vida inteira esperando por você.
O sorriso dele desapareceu.
— Eu tenho uma vida, Rachel. Tenho meu filho, uma empresa para administrar e pessoas que amo. Sei que você fala porque se preocupa comigo, mas preciso que compreenda que não estou procurando alguém para ocupar o lugar de Leah.
A irmã ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu sei. E jamais pediria isso. Só quero que você não se sinta culpado caso um dia volte a amar alguém.
Jacob olhou para Seth, que tentava convencer o dinossauro a entrar na mochila.
— Não sei se isso vai acontecer.
— Talvez não aconteça tão cedo. Talvez aconteça quando você menos esperar. Só não feche todas as portas antes de descobrir o que existe do outro lado.
Ele respirou profundamente.
— Você anda lendo livros de autoajuda?
Rachel gargalhou.
— Não. Sou casada com Paul. Preciso encontrar sabedoria em algum lugar, porque definitivamente não será dentro da minha casa.
Jacob riu.
— Nesse ponto, concordamos plenamente.
Desligou alguns minutos depois.
Mas as palavras da irmã permaneceram em sua mente durante todo o trajeto até a escola.
Não se sentia pronto para amar novamente.
Talvez nunca estivesse.
E, naquele momento, acreditava sinceramente que não havia problema algum nisso.
10h15 — Black Automotivos
— Quero deixar registrado que estou sendo perseguido profissionalmente.
Paul Lahote fez a declaração enquanto entrava na sala de reuniões carregando uma pasta e um copo de café.
Emmett, sentado ao lado de Edward, ergueu os olhos.
— Você está sendo perseguido porque passou quarenta minutos tentando convencer a secretária de que precisava de uma cadeira especial para executivos emocionalmente sobrecarregados.
— Exatamente. Finalmente alguém compreendeu a gravidade da situação.
Jacob, sentado à cabeceira da mesa, fechou o notebook.
— Senhores, será que podemos começar a reunião antes que eu envelheça mais dez anos?
Emmett apontou para ele.
— Está vendo? Esse é o problema. Nosso presidente perdeu completamente o senso de humor.
— Meu senso de humor está perfeitamente preservado. O que está desaparecendo é minha paciência.
Edward sorriu discretamente.
— Podemos discutir os contratos antes de começarem a trocar ofensas? Tenho alguns assuntos pessoais para resolver esta tarde e gostaria de terminar no horário.
A menção aos problemas pessoais fez Emmett ficar sério.
Jacob percebeu.
— Como está Sarah?
Edward apoiou a caneta sobre a mesa.
— Um pouco melhor. Bella está com ela. Conseguimos marcar atendimento médico e estamos organizando a documentação necessária para que receba orientação e proteção.
Paul franziu a testa.
— Esse sujeito continua procurando por ela?
Edward hesitou.
— Recebeu mensagens ameaçadoras durante a noite. Não quero entrar em detalhes sem autorização de Sarah, mas estamos tratando a situação com a seriedade necessária.
Emmett cruzou os braços.
— Continuo achando que deveríamos conversar pessoalmente com Alec Volturi.
— E eu continuo achando — Edward respondeu, olhando diretamente para o irmão — que você precisa compreender a diferença entre proteger alguém e criar um problema ainda maior. Sarah está tentando recuperar o controle da própria vida. A última coisa de que precisa é descobrir que seus amigos foram presos por agredir o ex-noivo.
Paul ergueu a mão.
— Apenas para esclarecer, eu não participei de nenhuma proposta de agressão. Sou um homem pacífico, dedicado à família e profundamente comprometido com a legalidade.
Jacob soltou uma gargalhada.
— Paul, na semana passada você ameaçou jogar o computador pela janela porque perdeu uma planilha.
— Aquilo foi um conflito tecnológico, completamente diferente.
Emmett riu, mas logo voltou a ficar sério.
— Edward, você sabe que não estou tentando piorar as coisas. É que conheço Sarah desde que era praticamente uma adolescente. Aquela garota vivia aparecendo na nossa casa, roubava minha comida, discutia comigo por qualquer bobagem e tinha uma capacidade impressionante de transformar um jantar tranquilo numa competição gastronômica. Ver o que aconteceu com ela...
Ele interrompeu a frase.
Edward observou o irmão.
— Eu sei, Emmett. Também estou preocupado. Mas Sarah precisa de estabilidade. Se quisermos ajudá-la, temos de respeitar o tempo dela.
Jacob permaneceu pensativo.
— Ela continua trabalhando?
— Está afastada temporariamente de alguns compromissos. Pelo que Bella me contou, Sarah tem uma carreira bastante sólida, mas existem contratos que precisam ser examinados.
— Se precisar de alguma oportunidade profissional enquanto reorganiza a vida, podemos verificar se há algum projeto compatível com a experiência dela — Jacob comentou. — Não quero que interpretem isso como caridade. Apenas sei que nossa empresa está estudando novos serviços para eventos corporativos, e uma profissional qualificada poderia ser útil.
Edward assentiu.
— Vou guardar essa possibilidade. Mas prefiro não levar nenhuma proposta agora. Sarah precisa resolver algumas questões antes de pensar em novos compromissos.
— Concordo — respondeu Jacob.
Emmett observou os dois.
— Vocês conseguem transformar qualquer conversa numa reunião administrativa. É um talento assustador.
Paul apontou para Jacob.
— Especialmente esse aqui. Aposto que, se um dia se apaixonar novamente, vai elaborar uma planilha de riscos antes de convidar a mulher para jantar.
Jacob ergueu uma sobrancelha.
— Se algum dia isso acontecer, prometo não pedir sua opinião.
— Excelente. Porque minha opinião seria muito simples: compre flores, tome banho e tente não falar sobre balanços financeiros durante o encontro.
Emmett começou a rir.
Edward balançou a cabeça.
Jacob apenas suspirou.
Não imaginava que, em pouco tempo, aquelas brincadeiras deixariam de parecer tão absurdas.
13h20 — Apartamento dos Cullen
Sarah estava na cozinha quando Bella a encontrou.
Não havia sido convidada a preparar o almoço.
Na verdade, Bella insistira para que descansasse.
Mas Sarah acordara naquela manhã com uma necessidade quase desesperada de fazer alguma coisa que lhe devolvesse a sensação de normalidade.
E, para ela, normalidade sempre significara cozinhar.
Sobre a bancada havia tomates, manjericão, alho, azeite, queijo parmesão e uma massa fresca que Edward comprara no mercado.
Sarah trabalhava cuidadosamente, concentrada no movimento da faca.
Bella permaneceu alguns segundos observando-a.
— Devo interpretar isso como uma tentativa de assumir definitivamente o controle da minha cozinha?
Sarah sorriu sem levantar os olhos.
— Estou tentando impedir que você continue cometendo crimes contra a gastronomia. Encontrei três potes de molho industrializado na geladeira, Bella. Três. E um deles estava aberto havia tanto tempo que considerei chamar um especialista em doenças infecciosas.
Bella levou a mão ao peito.
— Você chega à minha casa, ocupa meu quarto de hóspedes e ainda insulta meus hábitos alimentares? Estou começando a achar que cometi um erro terrível ao permitir sua entrada.
Sarah riu.
— Você sentiu minha falta.
— Infelizmente, muita.
Bella aproximou-se da bancada.
— Está se sentindo bem para fazer tudo isso?
Sarah interrompeu o movimento da faca.
— Estou. Na verdade, acho que precisava. Quando estou cozinhando, consigo pensar em outra coisa. Consigo lembrar que existe uma parte de mim que Alec nunca conseguiu destruir.
Bella observou os ingredientes.
— Então me diga o que posso fazer para ajudar.
Sarah ergueu as sobrancelhas.
— Você quer mesmo ajudar?
— Claro.
— Nesse caso, lave o manjericão e tente não destruir a cozinha.
Bella fez uma careta.
— Você continua insuportável.
— E você continua sem saber diferenciar manjericão de hortelã.
As duas começaram a rir.
Durante quase uma hora, conversaram sobre receitas, lembranças da adolescência e episódios engraçados envolvendo Emmett.
Sarah contou que, certa vez, ele tentara impressionar Rosalie preparando um jantar romântico e acabara acionando o alarme de incêndio do apartamento.
Bella lembrou que Edward precisara abrir todas as janelas enquanto Emmett insistia que a fumaça fazia parte de uma técnica culinária francesa.
A conversa fluía com uma naturalidade que Sarah acreditara perdida.
Até que seu celular vibrou.
O aparelho estava sobre a bancada.
A tela exibiu o nome de Alec.
Sarah ficou imóvel.
Bella percebeu imediatamente.
— Você não precisa atender.
Sarah respirou fundo.
— Eu sei.
O telefone continuou tocando.
Quando a chamada terminou, uma mensagem apareceu.
Sarah, precisamos conversar. Não vou continuar aceitando que sua irmã interfira no nosso relacionamento. Você está cometendo um erro e sabe disso.
Sarah leu duas vezes.
Depois colocou o aparelho sobre a bancada.
Bella observou-a atentamente.
— O que você quer fazer?
A pergunta pareceu surpreendê-la.
Durante muito tempo, ninguém lhe perguntara o que desejava fazer.
Alec costumava apresentar decisões como fatos consumados.
Sarah respirou profundamente.
— Quero guardar a mensagem. Edward disse que é importante preservar tudo. E depois quero terminar esse almoço, porque não vou permitir que Alec continue decidindo como serão todos os minutos do meu dia.
Bella sorriu.
— Parece um excelente plano.
Sarah voltou a pegar a faca.
Suas mãos ainda tremiam um pouco.
Mas continuou trabalhando.
E, pela primeira vez, aquele pequeno gesto lhe pareceu uma vitória.
17h45 — Residência de Rachel e Paul Lahote
— Paul, eu juro que, se encontrar mais uma peça de carro dentro da minha sala, vou colocar todas as suas ferramentas na calçada.
Rachel estava parada diante do sofá, segurando uma pequena peça metálica entre dois dedos.
O marido, confortavelmente instalado numa poltrona, ergueu os olhos da televisão.
— Amor, antes de tomar qualquer decisão precipitada, gostaria de esclarecer que isso não é uma peça qualquer. Trata-se de um componente extremamente importante de um sistema mecânico sofisticado.
Rachel cruzou os braços.
— E por que esse componente extremamente importante estava dentro da fruteira?
Paul pareceu refletir.
— Porque provavelmente estava aguardando uma oportunidade de ser instalado.
— Paul!
Ele começou a rir.
— Está bem, está bem. Eu esqueci. Mas, em minha defesa, Jacob apareceu aqui ontem e começamos a discutir um problema com um dos protótipos. Quando percebi, já estávamos desmontando metade do mecanismo.
Rachel colocou a peça sobre a mesa.
— Vocês dois são inacreditáveis. Administram uma empresa milionária, mas não conseguem manter uma casa organizada durante vinte e quatro horas.
Paul abriu os braços.
— É por isso que casei com você. Precisava de alguém capaz de administrar minha genialidade.
Rachel lançou-lhe uma almofada.
Ele a pegou no ar, gargalhando.
A campainha tocou.
— Deve ser Angela — Rachel comentou. — Ela disse que passaria para me ajudar a organizar algumas coisas para amanhã.
Paul ergueu as sobrancelhas.
— Você convidou Angela para jantar?
— Convidei. Por quê?
— Por nada. Só estou começando a achar que você pretende transformar nosso jantar familiar numa operação matrimonial.
Rachel suspirou.
— Paul, por favor. Angela é nossa amiga. Conhece Jacob há anos, adora Seth e sempre foi muito querida com nossa família. Não posso convidá-la para jantar sem que você imagine alguma conspiração?
Paul inclinou a cabeça.
— Posso responder sinceramente?
— Prefiro que não.
A campainha tocou novamente.
Rachel foi atender.
Angela Web apareceu na porta carregando uma pequena caixa de doces.
— Espero não estar atrapalhando. Passei naquela confeitaria que você adora e trouxe alguns macarons. Lembrei que, da última vez, Paul comeu praticamente todos antes que você conseguisse experimentar.
Rachel sorriu e abraçou a amiga.
— Você é um anjo! Entre. Estou tentando convencer meu marido de que ferramentas não são objetos decorativos.
Angela riu.
— Pelo menos ele não colocou um motor inteiro na sala desta vez.
Paul apareceu atrás da esposa.
— Estou cercado de mulheres que não compreendem a beleza da engenharia automotiva.
Angela cumprimentou-o com um beijo no rosto.
— Como está, Paul? Rachel comentou que vocês estão trabalhando muito. Espero que Jacob esteja conseguindo descansar um pouco.
Paul trocou um olhar divertido com a esposa.
— Jacob? Descansar? Minha querida, você conhece aquele homem. Se pudesse, instalaria uma cama dentro da sala da presidência e transformaria o escritório numa segunda residência.
Angela sorriu.
— Sempre foi assim. Mesmo quando éramos adolescentes, ele assumia responsabilidades que ninguém tinha pedido. Lembro que, quando Billy precisou se afastar da empresa por alguns dias, Jacob passou o fim de semana inteiro ajudando a organizar documentos, embora mal tivesse idade para compreender metade do que estava fazendo.
Rachel assentiu.
— Meu irmão sempre foi assim. Às vezes acho que esquece que também tem direito a descansar.
Angela baixou ligeiramente os olhos.
— Imagino que não tenha sido fácil para ele nos últimos anos.
A expressão de Rachel suavizou-se.
— Não foi. Mas está melhor. Seth ajuda muito. Aquele menino consegue fazer Jacob sorrir até nos dias mais difíceis.
— Seth é maravilhoso — Angela respondeu com sinceridade. — Ele tem o mesmo sorriso do pai.
Paul observou-a por um instante.
Havia algo na maneira como Angela falava de Jacob que sempre lhe despertara certa curiosidade.
Não era exatamente um segredo que ela nutria uma admiração especial pelo amigo.
Entretanto, Paul jamais levara aquilo muito a sério.
Angela era discreta, gentil e nunca demonstrara qualquer intenção de pressionar Jacob.
E, depois da morte de Leah, todos haviam aprendido a respeitar o silêncio do viúvo.
Rachel convidou a amiga para entrar na cozinha.
Enquanto as duas conversavam sobre o jantar, Paul pegou o celular e enviou uma mensagem a Jacob.
Sua irmã está organizando uma operação de alimentação coletiva amanhã. Recomendo que venha preparado. Angela trouxe doces e Rachel está planejando um cardápio que poderia alimentar um pequeno exército.
A resposta chegou alguns minutos depois.
Desde que você não cozinhe, estaremos seguros.
Paul gargalhou.
Ingrato. Eu estava pensando em preparar minha especialidade.
Você não tem especialidade culinária.
Tenho sim. Sanduíche.
Paul, colocar queijo entre duas fatias de pão não é cozinhar.
Paul olhou para a tela, indignado.
— Rachel! Seu irmão está insultando minhas habilidades gastronômicas!
Da cozinha, a esposa respondeu:
— Então ele finalmente começou a dizer a verdade!
Angela riu junto com os dois.
Era fácil sentir-se parte daquela família.
E, para ela, estar próxima dos Black sempre fora uma das coisas mais importantes de sua vida.
20h10 — Apartamento dos Cullen
Emmett estava sentado à mesa de jantar quando Sarah colocou diante dele um prato de massa fresca.
O homem observou a comida com reverência.
— Senhoras e senhores, gostaria de registrar que este é o momento mais emocionante da minha semana.
Bella revirou os olhos.
— Emmett, você disse exatamente a mesma coisa quando Rosalie comprou aquela televisão enorme para a sala.
— São emoções diferentes, Bella. Aquela televisão representa a evolução tecnológica da humanidade. Esta massa representa a existência de um ser superior capaz de transformar farinha e ovos em felicidade.
Sarah começou a rir.
— Você continua exagerado.
Emmett levou a primeira garfada à boca.
Fechou os olhos.
Permaneceu imóvel por alguns segundos.
Edward observou o irmão com desconfiança.
— Emmett, se você começar a fazer algum discurso dramático sobre macarrão, juro que vou expulsá-lo da minha casa.
Emmett abriu os olhos.
— Edward, você não compreende. Passei meses sendo obrigado a comer a comida preparada por pessoas que não possuem metade do talento dessa mulher. E agora Sarah reaparece e, em menos de vinte e quatro horas, consegue me lembrar por que a civilização humana vale a pena.
Sarah gargalhou.
— Você é completamente impossível.
— E você é uma artista. Deveria abrir seu próprio restaurante. Um lugar sofisticado, elegante, com uma cozinha enorme e uma mesa reservada permanentemente para mim.
Bella apontou o garfo para ele.
— Você está sugerindo que minha irmã abra um restaurante apenas para garantir refeições gratuitas?
Emmett pareceu ofendido.
— Estou sugerindo que ela invista num empreendimento promissor, com excelente potencial de crescimento. Minha presença seria apenas uma contribuição estratégica.
Edward sorriu.
— Uma contribuição estratégica que consumiria metade dos lucros.
— Vocês são muito negativos.
Sarah observou os três.
Bella discutindo com Emmett.
Edward tentando manter alguma ordem.
A mesa cheia de comida.
As vozes se sobrepondo, as brincadeiras, as risadas.
Durante muito tempo, aquela fora sua família.
E, por alguns instantes, sentiu uma felicidade tão inesperada que precisou baixar os olhos para esconder as lágrimas.
Emmett percebeu.
Seu sorriso desapareceu lentamente.
— Ei, pequena...
Sarah ergueu o rosto.
— Estou bem — respondeu, antes que ele perguntasse. — É só que... senti falta disso. Senti falta de estar sentada à mesa com vocês, ouvindo Emmett dizer absurdos e Edward fingir que não acha graça. Senti falta de poder rir sem me preocupar com o que alguém vai pensar quando eu chegar em casa.
Bella segurou sua mão.
Emmett permaneceu alguns segundos em silêncio.
Então se inclinou sobre a mesa.
— Sarah, vou fazer uma promessa. Não posso mudar o que aconteceu, e sei que nenhuma brincadeira minha vai apagar os últimos meses. Mas posso garantir que você nunca mais precisará marcar horário para fazer parte desta família. Se quiser aparecer às três da manhã, apareça. Se quiser conversar, vamos conversar. Se quiser ficar em silêncio, também está tudo bem. E, se quiser preparar essa massa maravilhosa todos os dias, prometo fazer o sacrifício de comê-la.
Sarah soltou uma gargalhada emocionada.
— Você conseguiu estragar um discurso lindo.
— É um dom natural.
Edward ergueu a taça.
— À Sarah.
Bella sorriu.
— À minha irmã.
Emmett levantou o copo.
— E à melhor cozinheira de Nova York.
Sarah observou os três.
Depois ergueu sua taça.
— À família — respondeu suavemente. — Àquela que continua esperando por nós, mesmo quando demoramos a encontrar o caminho de volta.
22h38 — Residência Black
Seth estava sentado no sofá, enrolado num cobertor, enquanto Jacob procurava um antigo vídeo no computador.
— Papai, a mamãe vai aparecer agora?
— Daqui a pouquinho, campeão. Estou tentando encontrar aquele vídeo em que ela fez o bolo.
Seth se aproximou.
— Ela vai falar comigo?
Jacob sentiu uma pontada no peito.
— Não exatamente, meu amor. É uma gravação de quando você era pequeno. Mas vamos poder ouvir a voz dela e lembrar de como ela era.
O menino assentiu.
Jacob finalmente encontrou o arquivo.
A imagem surgiu na tela.
Leah Clearwater apareceu na cozinha da antiga casa da família, usando um avental vermelho e segurando uma colher de madeira.
— Jacob Black, se você continuar filmando em vez de me ajudar, juro que vou colocar você para lavar toda a louça!
A voz dela preencheu a sala.
Jacob ficou imóvel.
Mesmo depois de dois anos, ouvi-la ainda provocava uma emoção difícil de descrever.
Na gravação, ele próprio começou a rir.
— Estou apenas documentando um momento histórico. Minha esposa decidiu cozinhar. As futuras gerações precisam saber que isso aconteceu.
Leah lançou um olhar indignado para a câmera.
— Continue fazendo piadas e você vai jantar cereal.
Seth gargalhou.
— Papai! Você estava provocando a mamãe!
Jacob sorriu, emocionado.
— Eu fazia isso às vezes.
— Às vezes? — A voz de Leah surgiu novamente na gravação. — Você me provoca desde o dia em que nos conhecemos!
O vídeo continuou.
Leah pegou Seth, então com pouco mais de dois anos, e o colocou sobre uma cadeira infantil.
O menino pequeno apareceu coberto de farinha.
Seth apontou para a tela.
— Sou eu!
— É você, campeão. E, como pode perceber, já gostava de fazer bagunça.
Na gravação, Leah beijou a bochecha do filho.
— Meu menino lindo. Quando crescer, espero que seja mais organizado que seu pai.
Jacob riu baixinho.
Seth observava a tela com atenção.
Quando o vídeo terminou, permaneceu alguns segundos em silêncio.
— Papai?
— Sim, filho?
— Eu gostei de ouvir a mamãe.
Jacob passou o braço ao redor dele.
— Eu também.
Seth encostou a cabeça em seu peito.
— A gente pode assistir de novo outro dia?
— Quantas vezes você quiser.
O menino ficou pensativo.
— Papai, você acha que a mamãe gostaria de saber que eu já consigo escrever meu nome?
Jacob sentiu os olhos arderem.
— Tenho certeza de que ela ficaria muito orgulhosa. Sua mãe adorava comemorar cada coisa nova que você aprendia. Se estivesse aqui, provavelmente teria tirado umas cinquenta fotografias do seu caderno.
Seth sorriu.
— Então amanhã vou escrever bem bonito.
Jacob beijou seus cabelos.
— Tenho certeza de que vai.
Pouco depois, Seth adormeceu nos braços do pai.
Jacob permaneceu sentado, observando a tela escura do computador.
Leah estava morta havia dois anos.
E ele ainda não sabia exatamente como deveria seguir em frente.
Mas, naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, a lembrança dela não lhe trouxera apenas sofrimento.
Também lhe trouxera um sorriso.
23h46 — Um apartamento em Manhattan
Alec Volturi estava sentado diante do computador quando recebeu uma notificação.
Era um e-mail automático enviado por uma plataforma de gerenciamento empresarial.
Ele abriu a mensagem.
Leu o conteúdo.
Depois voltou a ler, mais lentamente.
Tratava-se de uma atualização relacionada a um dos contratos gastronômicos de Sarah.
Alec recostou-se na cadeira.
Havia passado o dia tentando falar com a noiva, sem sucesso. Sarah não atendia às chamadas, não respondia às mensagens e, aparentemente, continuava hospedada na casa dos Cullen.
Aquilo era inaceitável.
Ele abriu uma pasta digital contendo documentos relacionados aos negócios da jovem.
Durante meses, incentivara Sarah a expandir sua atuação profissional, oferecendo apoio financeiro e apresentando investidores.
Ela sempre demonstrara gratidão.
Pelo menos até começar a questionar algumas cláusulas contratuais.
Alec observou os arquivos.
Depois abriu uma nova mensagem.
O destinatário era um advogado de sua confiança.
Preciso de uma análise urgente sobre os contratos vinculados aos empreendimentos de Sarah Swan. Quero saber quais medidas podem ser adotadas caso ela decida encerrar nossa relação pessoal e comercial.
Leu o texto.
Acrescentou uma última frase.
Trate o assunto com absoluta discrição.
Enviou.
Então se levantou e caminhou até a janela.
Não estava disposto a aceitar que Sarah simplesmente abandonasse tudo o que haviam construído.
Se ela acreditava que poderia deixá-lo sem consequências, estava profundamente enganada.
Sábado — 8h12
Sarah acordou antes de Bella.
Pela primeira vez desde que chegara ao apartamento, havia conseguido dormir algumas horas sem despertar assustada.
Levantou-se, vestiu um robe e caminhou até a cozinha.
Preparou café.
Cortou algumas frutas.
Depois começou a separar ingredientes para panquecas.
Enquanto trabalhava, percebeu que estava cantarolando uma música.
Parou imediatamente.
Fazia meses que não cantava enquanto cozinhava.
A constatação provocou um sorriso tímido.
Talvez Bella estivesse certa.
Talvez fosse possível recuperar pequenas partes de si mesma.
Seu celular vibrou sobre a bancada.
Sarah olhou para a tela.
Não era Alec.
Era uma mensagem de Emmett.
Bom dia, chef! Espero que esteja preparando alguma coisa maravilhosa. Aliás, tenho uma proposta: que tal você sair um pouco hoje? Nada de restaurantes sofisticados ou compromissos sociais. Só um encontro tranquilo com amigos. Prometo não fazer nenhuma piada constrangedora.
Sarah sorriu.
Uma segunda mensagem apareceu.
Retiro a última promessa. Seria impossível cumpri-la.
Ela começou a rir.
Digitou uma resposta.
Depende. Quem estará presente?
Emmett respondeu quase imediatamente.
Eu, Edward, Bella, Rosalie, Paul, Rachel e provavelmente Jacob com o pequeno Seth. Rachel está organizando um jantar hoje. É uma turma tranquila, apesar de Paul.
Sarah observou os nomes.
Conhecia quase todos.
Paul e Rachel eram amigos de Edward e Emmett, embora não os encontrasse havia bastante tempo.
Jacob Black, entretanto, era praticamente um desconhecido.
Sabia apenas que era o presidente da Black Automotivos, viúvo e pai de um menino pequeno.
Havia ouvido Edward falar dele algumas vezes.
Sarah hesitou.
A ideia de sair do apartamento ainda lhe provocava ansiedade.
Mas permanecer escondida também não parecia uma solução.
Antes que pudesse responder, Bella apareceu na cozinha.
— Bom dia! Você está fazendo panquecas?
Sarah ergueu o rosto.
— Estou. E Emmett acabou de me convidar para um jantar na casa de Rachel e Paul.
Bella sorriu.
— Ele me comentou ontem. Mas disse que só faria o convite se você estivesse confortável. Não precisamos ir se não quiser.
Sarah olhou novamente para o celular.
Pensou em Alec.
Pensou nas ameaças.
Pensou nos últimos meses, durante os quais permitira que o medo determinasse praticamente todas as suas escolhas.
Depois respirou profundamente.
— Acho que quero ir.
Bella pareceu surpresa.
— Tem certeza?
Sarah assentiu.
— Não completamente. Estou nervosa, e provavelmente vou passar o dia imaginando tudo o que pode dar errado. Mas quero tentar. Quero voltar a encontrar pessoas, conversar, rir... Quero descobrir se ainda consigo me sentir parte do mundo.
Bella aproximou-se e abraçou a irmã.
— Então vamos. E, se em algum momento quiser voltar para casa, basta me dizer.
Sarah sorriu.
— Combinado.
Pegou o celular.
Digitou a resposta para Emmett.
Aceito o convite. Mas tenho uma condição.
A resposta chegou imediatamente.
Qualquer coisa, pequena. Estou ouvindo.
Sarah sorriu com uma expressão que Bella não via havia muito tempo.
Você está proibido de contar histórias constrangedoras sobre minha adolescência.
Do outro lado da cidade, Emmett Cullen começou a gargalhar.
Respondeu:
Sarah, minha querida, você acabou de eliminar noventa por cento do meu repertório.
Naquela manhã, Jacob Black também recebeu uma mensagem.
Era de Rachel.
Jake, o jantar continua marcado para as sete. Edward e Bella virão, e talvez tragam Sarah, a irmã dela. Espero que não se importe. Quero que ela se sinta bem-vinda.
Jacob leu enquanto Seth terminava seu cereal.
Respondeu:
Claro que não me importo. Se ela é importante para Edward e Bella, será bem-vinda. Seth e eu chegaremos no horário.
Guardou o telefone.
Seth ergueu a cabeça.
— Papai, vamos jantar na casa da tia Rachel?
— Vamos, campeão.
— O tio Emmett vai estar lá?
— Provavelmente.
O menino sorriu.
— Então vai ser divertido.
Jacob concordou.
Não imaginava que aquele jantar, aparentemente comum, seria lembrado por ele durante muitos anos.
Porque, naquela noite, conheceria uma mulher de olhos verdes que carregava feridas que ele não conseguia enxergar.
E Sarah Swan conheceria um homem que aprendera a esconder a própria tristeza atrás de responsabilidades, trabalho e um amor incondicional pelo filho.
Nenhum dos dois procurava um novo amor.
Talvez por isso não estivessem preparados para o que começaria a acontecer.
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