E viveram felizes para sempre

1 And they lived happily ever after


Notas iniciais
Espero que gostem!

Desde sempre leio livros Muggles. Fascinam-me. Adoro-os. Na verdade, adoro todo o tipo de livros. Herdei esse gosto da minha mãe. Aprendi a ler muito cedo. Aos 4 anos. E a partir desse dia nunca mais parei. Ação, aventura, romance, mistério, leio de tudo, livros Muggles ou de feiticeiros, para mim são todos fantásticos. Só há uma coisa que sempre me incomodou nos livros. É tudo tão previsível. Desde o início do livro que se sabe o final. Isso não é real. Sempre achei que a vida dava muitas voltas, que nunca ninguém ia ter uma história de Romeu e Julieta. Era óbvio que se os Capuleto e Montecchios se odiavam, os seus filhos estariam apaixonados. Apesar de adorar Shakespeare eu bem sabia que esse tipo de histórias nunca aconteceriam na vida real. É o tipo de coisas que só acontece nos livros. Obviamente enganei-me. E como é com os erros que se aprende, assim o fiz. Agora sei que o destino é o destino. Não vale a pena tentar contraria-lo, se estamos destinados a uma certa coisa, isso não irá mudar. Por muito que tentemos. E eu tentei.

Tudo começou no meu primeiro dia em Hogwarts. Quando estávamos ainda na estação o meu pai mostrou-me um rapaz. Scorpius Malfoy. Disse-me para não ficar demasiado amiga dele. Para mim, as palavras do meu pai são lei. A minha mãe é como uma melhor amiga, adoro-a. Confio muito nela. Mas o meu pai é um dos melhores Aurors de todos os tempos. E eu respeito-o muito. A partir desse dia comecei a odiar Scorpius Malfoy. E, obviamente, o sentimento foi mútuo. No primeiro ano foi apenas desprezo. No segundo passámos aos insultos. E assim nos mantivemos por mais dois anos. No quinto ano já lançávamos feitiços um ao outro. Nada de grave, claro. Mas levámos uns castigos nesse ano. E o sexto ano foi… Bem, nem sei descrever o sexto ano. Acontece que Malfoy sempre tivera a mania de namorar com muitas raparigas. Mas no final do sexto ano namorou com uma das minhas melhores amigas, Charlotte. No início fiquei furiosa. Julgava que ele não a merecia. Mas ela fez-me entender que Scorpius Malfoy era a pessoa mais idiota do mundo apenas comigo. Eu fui obrigada a concordar. A verdade é que com as outras pessoas ele era bastante simpático. O namoro deles começou em Junho. Charlotte estava feliz. Mas no fundo ela não o amava. Eu sabia disso. Começou o sétimo ano. Fui escolhida para Delegada dos Alunos. Malfoy também. Ainda namorava com Charlotte. Em Outubro desse ano, acabaram. Quando Charlotte me contou não parecia de rastos. Dissera-me apenas que tinham decidido não namorarem. Porque o que sentiam não era amor. E segundo Charlotte, Scorpius apenas soube disso naquele ano, quando percebeu o que era o amor. Estava apaixonado por outra rapariga. Charlotte não teve tempo de me dizer mais nada. Fiz questão de o encontrar para lhe dizer que foi um idiota em acabar com ela. Quando finalmente o encontrei, Malfoy disse-me que tinha sido uma decisão mútua. E que não tinha culpa do que sentia. Perguntei-lhe como se atrevia a amar outra rapariga enquanto tinha uma namorada. Ele respondeu que seria muito mais fácil gostar de Charlotte do que da rapariga de que realmente gostava. Mas que não podia escolher os seus sentimentos.

Isso gerou mais uma das muitas discussões. As nossas discussões eram muito comuns. Mas não deixou de ser o momento mais confuso da minha vida. Não foi a discussão, claro. Foi o que aconteceu a seguir. O Malfoy beijou-me. E o pior é que isso não foi o mais estranho. O mais estranho é que eu não o afastei no início. Aconteceu-me uma coisa que nunca me tivera acontecido. A minha mente ficou vazia. Completamente vazia. Não sei bem porquê. Talvez por ter sido apanhada completamente de surpresa. Ficámos ali durante uns 20 segundos. Mas, eventualmente, o meu cérebro iria começar a processar novamente informação. E assim o fez, felizmente. Afastei-o com toda a força que tinha e fui-me embora a gritar com ele. Com ele e comigo própria. Porque eu não sabia com quem estava mais chateada. Se com ele, pela atitude que tivera, ou se comigo, por simplesmente não ter feito nada. Durante meses guardei esse momento para mim. E fora como se não tivesse acontecido. Malfoy fizera a mesma coisa. Até que numa noite quente de sexta-feira, depois dos exames, fui fazer a ronda pelo castelo, ver se estava tudo bem em todo o lado. Como era a Delegada dos Alunos, quem fazia a ronda comigo era o outro Delegado dos Alunos. Malfoy.

Era a minha última semana em Hogwarts. Sentei-me no chão algures no meio do terceiro andar.

—O que foi, Weasley? – Perguntou Malfoy, sentando-se a meu lado.

—Vou sentir falta disto. – Disse, encolhendo os ombros.

—Eu também. De tudo. Acho que até das nossas discussões vou sentir falta. – Confessou.

—Vamos ver-nos no ministério, Malfoy. Isso já promete discussões. – Afirmei, com repugnância.

—Não vai ser a mesma coisa. Sem os castigos, as rondas e os jogos de Quidditch em que estou sempre a ganhar-te não vai ser a mesma coisa.

—Falando assim parece que passámos bons tempos juntos. – Ironizei, revirando os olhos.

—Até eram divertidas. As discussões. – Malfoy sorriu e encolheu os ombros.

—Até daquela vez em que te mandei para a enfermaria? – Olhei-o estupefacta.

—Valeu a pena. — Malfoy pareceu hesitar durante os momentos. Respirou fundo e depois continuou. — Eu até gosto de discutir contigo.

Voltei a olhá-lo, ainda mais confusa.

—O quê? Porquê?

—Não faço ideia.

Ficámos calados durante uns minutos.

—Acho que... Acho que as discussões foram a maneira que arranjei para ficar perto de ti. – Disse Scorpius, quebrando o silêncio.

Demorei a assimilar as suas palavras. Pela segunda vez a minha mente ficou vazia e não consegui pensar em nada. Mas foi aí que Malfoy me beijou. Mas quando o fez voltei a conseguir pensar. Sempre achei os livros previsíveis. Sempre achei que aquelas histórias nunca poderiam ser reais. Mas Scorpius Malfoy fez-me mudar de opinião. E finalmente percebi o significado da frase: “E viveram felizes para sempre.”

Notas finais
Passaram-se 4 anos desde que escrevi isto. Não vou apagar apenas pelas memórias que me traz, apesar de ser quase doloroso ler isto novamente porque a minha escrita era bastante péssima. Se alguém estiver a ler isto neste momento, peço desde já desculpa em nome da Sofia de 13 anos. Ela não sabia bem o que estava a fazer. ahahahah
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!