...E um hamister chamado...
14 E minhas garras
Notas iniciais
Marinette estava em pânico com a reação exaltada de Adrien.
E nem mesmo conseguia perceber a existência do Kwami negro que há observava o tempo todo acompanhando a conversa desde o inicio, e agora parecia analisar sua reação de uma forma estranhamente fria enquanto ela tentava inutilmente compreender o motivo de tal reação tão exaltada.
― {Ele se odeia? Ele não quer ser ele? Por que ele não gostou de eu gostar dele?} ― Sua mente rodava em tentar entender o que havia feito de errado.
Sua vontade era de ir ate lá, e simplesmente o perguntar. Mas não podia.
Deixou então mais de vinte mensagens em seu comunicador para ele a encontrar no dia seguinte antes da aula achando que o irmão havia o devolvido os brincos, mas esse não a respondeu.
Sabia que ele não conseguiria ir a tal encontro, mas precisava que ele ao menos a respondesse.
Pelo menos para conseguir se desculpar.
Tentar entender algo.
O pior era quem não podia conversar com ninguém.
Tikki, Plagg ou Alya.
Ou talvez pudesse falar com Alya?
Afinal ela conseguia saber a identidade do namorado sem causar nenhum problema.
Como não pensou nisso antes?
De fato a amiga conseguia saber quem ele era e ele saber dela sem fazer nada errado durante todo este tempo. Podiam muito bem a ajudar a “lidar” com o segredo dele, e todas essas questões; como mestres quem sabe. Afinal a morena vivia a tentar a ensinar como um relacionamento funcionava, como fazer para dar certo e que tudo não era perfeito e cor de rosa como ela imaginava; lidar constantemente com outro ser humano era algo complicado, e mesmo que Marinette já soubesse disso, sentia na pele somente naquele momento.
E ela sabia que explodiria se ficasse ali pensando nisso.
E por pura emoção evocou Plagg contra vontade e vestiu o manto indo ate a casa de sua amiga, onde não a encontrou. Parou então na janela de Nino onde achou a amiga aos beijos com o namorado, e novamente por emoção e muito egoísmo a chamou.
― Oi. Desculpa atrapalhar os dois. Prometo tentar resolver isso o mais rápido que puder, para não atrapalhar muito. ― Diz tentando se fazer de seria, mas ainda estava muito aflita para conseguir. Afinal ela havia causado algo? Não conseguia entender.
― Ladybug? O que faz aqui? ― Os dois acabam falando juntos e no mesmo tom espantado e envergonhado. Muito preocupados com a postura extremamente alterada da heroína, justamente por a conhecerem muito bem já tentavam adivinhar o que poderia estar acontecendo.
― Eu preciso contar uma coisa para vocês. Já que ele esta aqui pode ajudar. ― Diz ao se fundir a Sass e ganhar a habilidade de voltar momentaneamente no tempo.
Seu plano era simples.
Iria simplesmente conversar abertamente com eles para conseguir dicas ou simplesmente se acalmar e voltar no tempo antes de ter contado o segredo.
― Eu sei que o Chat Noir esta com problemas... ― Pontua seria ao se sentar junto deles na cama de solteiro do quarto de Nino. ― O Plagg me contou. Mas não contou direito, eu não sei se ele não entende para falar ou se ele não pode. Então isso só me deixou ainda mais preocupada com tudo. ― Conclui o raciocínio tentando pensar como revelar a pior parte, não tendo muita cabeça para isso e soltando do jeito que conseguia falar. ― Eu vi ele morrer e voltei no tempo pra impedir e por isso descobri quem ele é. Foi durante um combate... isso é o que menos importa agora. A data foi a mesma do acidente então creio que agora tudo esta bem mas... ― Ela diz essas palavras sentido o corpo voltar a tremer e as lagrimas querendo voltar a rolar. O medo daquilo voltar a se repetir ainda estava impregnado nela, afinal ter voltado no tempo não impede o ocorrido de acontecer só por saber como ele acontecia. Ela ainda teria de fazer algo, mas não sabia o que. E isso a desesperava mais a cada dia. ― Eu descobri que o meu parceiro bobo que vive dando em cima de mim e eu negando... Que ele é justamente o cara que eu gosto! Então… resolvi fingir que dava uma chance pra ele, e quando ele me perguntou quem era o outro cara que eu gostava, contei quem era achando que ele ficaria feliz em saber que era dele, mas ele simplesmente surtou. Me bloqueou e fez uma cena. ― Completa ao olhar para os dois extremamente confusa. ― O que ouve? Por que ele ficou puto de eu gostar dele?
Mas eles não conseguem a responder de imediato.
Era muita informação jogada de uma só vez.
E nem de longe ela focou no que mais interessou a eles.
― Nossa. Tudo bem... não vamos lembrar desse papo certo? ― Alya diz ao reconhecer o traje. ― Como foi que você contou a ele? Foi algo cara a cara? ― Completa deduzindo pelos fragmentos de informações perdidos que a miga dizia, já estando acostumada a seus surtos e como sua mente ficava bagunçada quando o assunto era o louro dos olhos verdes.
― Espera! Vocês estão saindo? O filho da puta não me contou! Ele não ta me contado mais nada! ― Nino diz puto da vida, e logo as duas olham pra ele surpresas por ele deixar claro que sabia quem era, e não ter descoberto agora por dedução. Então todos ali já sabiam de tudo. ― O que foi? Ela vai voltar no tempo e nós vamos esquecer. Me deixa xingar enquanto ainda me lembro! Ela já sabe de mim e de você. E agora sabe dele. Ela já sabe tudo. Só eu ainda não sei quem ela é por que metade da frança ama ele. E a outra tem uma tara doentia no Chat Noir. ― Bufa ao se recostar sobre o armário deixando as duas na cama estando bem revoltado com as atitudes do melhor amigo.
― Ok. Venceu com fatos. Contra fatos não há argumentos. ― Alya diz não conseguindo deixar de ver um gracejo adorável na raiva meiga do namorado. ― Você fica muito louca quando se trata dele né. ― Diz olhando em seus olhos, imaginando o tamanho do desespero que ela deveria “ainda” estar sentindo por descobrir tal segredo de uma forma tão...
― Fico. Me dei conta disso na pior forma possível... Eu sou uma louca! Pervertida. Um monstro! ― Comenta sem nem se dar conta de que aquele momento que estava tendo era outro de seus surtos por conta dele.
― Calma. Você não é um…
― Eu usei os poderes do Plagg pra espiar o Adrien pelado. Na outra realidade. O mundo voltou, mas eu me lembro muito bem do que eu fiz! Eu… Não devia ter esse poder! Eu perco a linha! ― Ela gritava com a intenção de ser punida por tal ato, parecia que todo peso da realidade que havia desfeito ainda estava sobre si.
Alya inicialmente não sabe como reagir a tal afirmação.
Nino apenas segura o riso, levando uma encarada da namorada; que em seguida tenta acalentar a amiga que nem havia percebido a reação do moreno.
― Mas você só surta quando o “olhos verdes” esta na conta, normalmente você é uma ótima heroína e extremamente responsável com tudo. ― Comenta convicta de que a amiga sempre foi muito responsável, e uma boa pessoa. Fazendo muito bem seu papel como heroína.
Mas isso não é o suficiente para a acalmar.
― Como? Ele é o meu parceiro! ― Grita tendo plena noção agora do motivo da proibição ser apenas com os dois. ― Como eu posso me manter concentrada? Se ele é meu ponto fraco eu...
― Por isso você não podiam saber. ― Nino diz a adentrar a conversa. ― Acha que ele também não é surtado por você? Você definitivamente é a única coisa que faz ele perder a linha. Tipo um imã com uma bussola. ― Diz ao brincar olhando para a namorada que entende muito bem a referencia.
― Serio? ― Ambas dizem em uníssono.
― Orra. Vocês não imaginam. ― Ele logo pontua direcionando ao assunto para o que queria e não para o que Marinette queria ouvir; mantendo o tom serio a voltar a se sentar olhando para Marinette com certa raiva no olhar, como se defendesse o amigo. ― Mas sobre o que ouve hoje. Eu tenho uma idéia. Eu não sei como você não entendeu. Você simplesmente disse pra ele que esse tempo todo você não queria ficar com ele por que gostava dele. Olha que coisa doida. Como você pode amar ele e não querer ficar com ele? Só pode ser por que você é uma dessas tietes que ele odeia. Sim! Ele odeia. E muito.
― Mas isso não é verdade! Eu nem sabia quem ele era antes de ele vir pra nossa escola. Eu gosto dele por que o conheço. ― Ela pontua indignada com a lógica falha de Nino, afinal ele conhecia sua historia com ele muito bem.
― Então? Como explica não gostar dele andando com ele praticamente todos os dias? ― Ele pontua firme com tom de julgamento.
― Mas isso é injusto! Ele também não gosta de mim! ― Ela grita ao tentar se defender, mas isso não diminui o tom e olhar de julgamento de Nino. ― E você já viu como ele muda de personalidade? Postura? Tudo!
― Ele gosta de você. Da você que se mostra perto dele e permite que ele conheça, afinal sem o manto você nunca deixa ele te conhecer Marinette. Esqueceu como você age perto dele? ― Alya diz bem seria interrompendo a conversa se pondo do lado de Nino do debate, mas tentando usar de um tom mais amoroso.
― Justamente por isso ele ficou puto. Você repudia o verdadeiro dele pra ficar atrás... ― Ele para de falar, mesmo que ele esquecesse da conversa ela não iria. Isso era injusto. Então não podia simplesmente trair a confiança do amido assim.
― Atrás? De que? ― Mas ela insiste visivelmente agoniada com o assunto.
― De algo que ele não quer ser. De algo criado pelo pai dele. De algo que ele é obrigado a ser. ― Diz sem ter coragem de olhar nos olhos dela. ― Você não deve imaginar como isso dói. Ele não tem como saber que você o conhece na escola tem? Ou melhor. Você consegue explicar por que gosta do Adrien, mas não do Chat Noir se eles são a mesma pessoa?
Mas ela não tem como o responder, ficando calada.
Tinha repassado esse assunto inúmeras vezes em sua mente e ainda não tinha a resposta.
― Bem. Acho que você não gosta do Adrien afinal. ― Alya completa, seria e apesar de tênar soar amorosa sua fala não tinha como ser amaciada.
E não gostando nada dos olhares e tons dos amigos Marinette volta no tempo no mesmo segundo.
― Xaw gente. Valeu a ajuda! ― Diz ao sair deixando os dois muito confusos com o por que ela teria batido na janela e saído logo em seguida.
Tendo como única pista seu uniforme alterado pelos poderes temporais da serpente; que Alya jurava possuir um mestre estranhando muito estar com ela.
Parou então sobre a Torre Eiffel e ali ficou ate o sol nascer.
As palavras dos dois só não doíam mais que seus olhares e excreções.
Como podiam a julgar e condenar assim?
Seu amor era puro e real. E também não compreendia sua reação a cada faceta de seu amado/ parceiro. Não era justo a tratarem como a culpada de tudo assim.
― Desculpa. ― Disse ao dar o que comer aos dois Kwamis e se desculpou pela fusão forçada que fez.
― Esta tudo bem. Ele já fez isso também. Vocês têm emoções explosivas. ― O Kwami gato diz com a boquinha cheia de queijo apenas a observar seus atos sem se intrometer. Vendo que o Kwami serpente se abstém de tudo a sua volta. ― {Será que eu conto o meu plano pra ela? E se ela contar pra Tiki? Não posso deixar que ela estrague tudo... Vou ter de deixar tudo seguir o rumo natural ate terminarmos nossas avaliações e eu saber como agir.}
― Eu magoei muito ele... Como arrumo isso Plagg? ― Diz com os olhos marejados ao olhar o horizonte; mas ele chega a prender a respiração para não a responder naquele momento e estragar todos os seus planos.
Ela se remoia e se culpava.
Não apenas por aquela conversa, mas por todas antes dela.
Aquela parecia ter sido apenas sua ultima martelada em alguém que já estava bem ferido por apanhar por tanto tempo.
Não conseguia deixar de se culpar, ao mesmo tempo que culpava todos a sua volta por ter criado tal situação para si.
Tudo isso era muito su real.
Podia imaginar mais de mil formas de ter evitado tudo, se soubesse antes.
Parecia a coisa mais simples do mundo, voltar no tempo e resolver tudo assim. De fato era um poder tentador de mais...
― Por favor não fique assim. ― Mas ao perceber o fraquejamento da jovem em meio a tamanho sofrimento ele não consegue mais se segurar. ― Pelo que percebi estes dias você esta repelindo o Chat Noir por instinto, você deve sentir mas não lembrar o por que esta fazendo isso. A verdade é que isso é um destino inevitável e...
― Ei! Ladybag! ― Mas antes que ele pudesse terminar de falar ela ouve a sua voz. Ou pelo menos pensa ser ele.
Se virando assustada e vendo ele parar a seu lado.
Por um segundo ela se ilude, abrindo a boca esperançosa querendo conversar com ele sobre sua ultima conversa.
Mas logo se da conta de que não era ele...
― Temos que ir! ― Não era pelo fato de ele estar ali a seu lado sendo que sabia que Adrien ainda estava muito ferido, mas outra coisa estava errada nele. Apesar de ser idêntico algo ali deixava explicito que não era o verdadeiro, ela só não sabia dizer o que era. ― Foi um Akumatizado. Esta destruindo tudo e começou pelo hospital! Aquilo esta horrível!!
― Hospital? ― Se levantou no mesmo segundo olhando para a direção apontada e ele não espera por ela.
― Anda! Chama todos logo! ― Grita ao partir sem ela.
Não podia ser ele.
Então quem era?
O irmão dele?
Só podia ser. Mas teria que fingir que era ele?
Definitivamente não estava com cabeça para isso.
― Alya! Ataque no hospital. Se transforma e me encontra lá agora! Traz a Chloe e o Nino! Precisamos de todas as forças. ― Ela grita durante a ligação não sabendo como agir.
Ele estava em perigo.
Em grande perigo.
Mas todo medo que sentia não a preparou para o que testemunhou ao chegar.
O hospital estava inteiro, mas as pessoas não.
Correntes prendiam seus braços e pernas as obrigando a dançar enquanto linhas os forçavam a sorrir de um modo estridente que feria seus rostos.
― Isso... é um pesadelo. ― Diz ao olhar em volta. ― Onde esta o akumatizado? ― Tenta se manter concentrada. Mas seu corpo todo tremia.
Aquilo estava muito familiar.
Assustadoramente familiar.
― Ele esta no fim das correntes. Dãâ? Onde mais estaria? ― Ele diz ao ver que outros se aproximavam. ― Que bom. Você chamou a cavalaria. Mas tem algum plano?
― Por enquanto não. Mas logo vou ter. ― Diz convicta.
― Seria bom não demorar muito. ― Nino diz ao olhar em volta. ― E vocês dois? Não vão destrocar não?
― Não! ― Ela diz ao saltar em direção ao perigo.
Queria fazer tudo o mais diferente possível.
Se esse a seu lado era Felix. O akumatizado só poderia ser ele.
E o pior....
Sabia que o motivo para isso tinha sido ela.
O sentimento ruim que fez o herói Chat Noir cair nas mãos de Hawk Moth, tinha sido causado por ela, e isso não podia negar.
Tentava pensar alguma maneira de remediar aquilo, não somente de tirar o akuma de seu amado, mas finalmente conseguir se declarar parar ele, o deixar saber como ela o amava. Mas tudo em sua mente soava como uma desculpa muito esfarrapada para que ele se acalmasse, nada parecia a agradar.
Tentava se manter focada.
E entender como Hawk Moth tinha coragem de akumatizar seu próprio filho.
Mas logo se lembra que na versão alternativa ele tinha feito o mesmo, só que com o outro filho.
Imaginou por um segundo se não tinha trazido Felix para sua casa e deixado tudo em uma situação estressante justamente para ele explodir, e ele poder conseguir ter seu akuma perfeito e finalmente os derrotar com aquela coisa tão... Indescritível.
Afinal como pai ele tinha de conhecer a mente do filho não?
Mas também não conseguia esquecer que lhe foi avisado que Chat Noir poderia estar em uma situação psicológica alterada; e mesmo que desta vez tivesse tentado o ajudar sabia que não tinha feito a menor diferença.
Não tinha como ela ajudar em algo sem saber o problema.
Pode apenas idealizar. O que era inútil. Assim como alguém doente não pode ser medicado sem um diagnostico correto, ela não conseguia fazer nada.
Então desta vês tentou pensar em como ajudar Adrien como uma amiga, mas não teve a menor idéia do que fazer ou dizer; se dando conta de como o rapaz era fechado ao ponto de ninguém nem ao mesmo perceber que havia algo errado; já prevendo que ele não conversaria sobre nada sem o traje e com o este não poderia.
Mas a verdade era essa.
O que ela podia fazer alem de conversar com ele?
Mas agora não podia simplesmente se perder no: “não saber como agir”; tinha uma grande obrigação como líder dos super heróis que se juntavam ali como da ultima vez; sabendo que não poderia cometer os mesmos erros.
Então tinha que descobrir como resolver aquilo.
E também cumprir a promessa feita a seu parceiro e a seu coração.
Iria o salvar custe o que custasse!
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