E se tudo fosse diferente?
4 Skagos
Notas iniciais
Sam por um momento pareceu não entender o que Jon dizia. Olhou para ele e Ygritte novamente e só então disse:
–Você está desertando?
Jon ficou meio sem jeito e olhou para o chão. As palavras de Sam pesaram e as dúvidas de antes voltaram a povoar sua mente.
– Creio que não seja necessário responder. — falou Ygritte impaciente – Ele se cansou de ser um ajoelhado.
–Você ainda po-pode voltar... Com a gente acho... Eles vão entender.- falou Sam com uma voz nervosa, quase implorando para Jon voltar com eles para a Muralha.
–Não vão, Sam. Já fiz minha escolha e você tem que fazer a sua. – Jon olhou para Ygritte como se buscasse aprovação e continuou- Vocês podem vim com a gente.
– Pa- para onde estão indo?
Aquela pergunta fez Jon ficar pensando. Em todo esse tempo Ygritte não havia dito para onde eles estavam indo. Mas ele a conhecia e tinha certeza que ela tinha algum plano. Em uma tentativa para descobrir esse plano ele nada disse e esperou ela responder:
– Vamos para Skagos. Tenho tudo preparado.
Um estranho silêncio tomou conta do local. Até Fantasma se agitou. Jon sabia a reputação que essa ilha tinha e Sam pelo jeito também conhecia, pois ficou com medo e disse:
– M-mas essa ilha tem canibais e quem vai n-não volta... Dizem...
– São apenas histórias e lendas. Você corvos não sabem de nada mesmo.
Após isso ficou um silêncio incomodo que foi quebrado pelo choro do bebê.
–Devíamos nos esquentar um pouco. O bebê chora por causa do vento frio.- falou Goiva- Temos uma fogueira acessa aqui perto, para afastar os Outros.
Jon concordou com a cabeça e todos foram para o abrigo onde Goiva, Sam e o bebê estavam antes. Um cavalo estava amarrado lá perto.
Sam ficou um bom tempo falando de como ele e Goiva conseguiram fugir e do porquê dos dois terem deixado o abrigo para irem ver a origem do barulho que se mostrou ser o Jon. Depois disso começou a falar dos Outros e de como eles estavam por perto.
Jon reparou que Sam falava demais, talvez ele fizesse isso porque temia ouvir novamente falar da assustadora ilha de Skagos. Mas se esse era objetivo dele todo falatório se mostrou inútil, pois logo que ele acabou de falar Ygritte disse:
– Amanhã com ou sem cavalo vamos seguir caminho para Skagos. Vocês vem com a gente?
– N-não. – Sam gaguejou, como sempre fazia quando estava com medo. – Vamos para a Muralha.
Jon queria que eles fossem junto, pois temia o que eles encontrariam quando voltassem para a Muralha. Sentia que lá não seria um lugar seguro para o bebê. Ainda mais que existia possibilidade da guerra contra os selvagens ainda está ocorrendo. Jon tentou argumentar em cima disso, mas não teve jeito. Sam estava convencido a voltar para a Muralha.
Se sentindo frustrado por não ter convencido Sam a ir com eles, ele se recolheu para perto de Ygritte e esperou amanhecer.
Na manhã seguinte, Sam, Goiva e o bebê seguiram para a Muralha em cima de um cavalo. Por insistência de Jon, Sam concordou que se achasse algum lugar seguro iria esperar um tempo, afim de dá tempo da guerra acabar.
– Não se esqueça de mim.- Falou Jon abraçando Sam bem forte. Iria sentir falta do amigo. No momento da despedida não sabia o que doía mais, sua perna ou seu coração – Não deixe as palavras dos outros irmãos fazerem você me odiar.
– Nunca irei lhe esquecer, adeus. Sempre irei me lembrar de como foi um bom amigo.
Depois deles irem embora, um vento frio e a voz de Ygritte trouxeram Jon de volta a realidade:
– Vamos.
– O que e como vamos fazer para chegar na tal ilha? Não temos mais cavalo e...
–Eu disse e é verdade, tenho tudo planejado. Não se preocupe. — falou Ygritte sem o deixar terminar a frase, sorrindo. Através daquele sorriso Jon se permitiu acreditar de que tudo daria certo.
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