E se eu te encontro...?
1 Prólogo - As Primeiras Oportunidades.
Notas iniciais
P.O.V. Duda
Chegando na UFRJ, recebi uma ligação. O ID dizia: “Luca”. Mas o que ele queria agora? Faltavam duas pessoas na minha frente para a inscrição para receber as chaves do apartamento onde eu iria ficar, e ele me liga? Ah, agora ele aguente uma Maria Eduarda de TPM.
– O que é?
– Eita, gatinha, calma! – a voz e a atitude, com certeza, não eram de Luca. Eu sabia bem quem falava. Os pelos da minha nuca eriçaram-se numa reação involuntária, e corei um pouco. – Olha pra trás e vai saber o que foi.
– Antônio, não tenho tempo pra brincadeiras e... – fui virando devagar, revirando os olhos porque, provavelmente, ele diria “Te peguei!” no telefone. Justamente, quando me virei, ele falou exatamente isso. Mas tinha um porém: ele e Luca estavam a poucos metros de mim, encostados numa árvore e rindo da minha cara de idiota.
Desliguei o telefone e chamei-os até mim. Luca estava com o cabelo longo, diferente de seis semanas atrás. Os cachos loiros e bem definidos pendiam em sua testa e ele insistia em afastá-los, apesar de ficar lindo daquele jeito. Ele usava uma camisa da Calvin Klein azul marinho parcialmente colada e uma calça jeans normal, com um par de tênis brancos. Antônio, com sua pele morena, vestia uma camisa xadrez despojada com uma calça branca meio colada, com tênis da mesma cor.
– Pra quê tanto suspense, meninos? Falta de...
– Ei, ei, parou. Viemos te contar uma novidade! Sem ofensas, ok? Viemos em paz! – Luca fez um sinal do...Guerra nas Estrelas? Nerds. – Então, nossos colegas de quarto, Fabrício e Marcelo, terminaram a facul deles e foram embora há pouco tempo. Como não queremos pagar um valor tão alto de aluguel por causa do pouco salário que recebemos nos trampos que temos, pensamos em te chamar pra ficar com a gente. O aluguel é duzentos reais por mês, nós pagamos cento e quarenta e você paga sessenta, por enquanto que não achamos outro parceiro, ok?
– Fechado.
***
Depois de deixar minhas coisas no apartamento dos meninos, fui dar um passeio pelo campus. Chegando perto da fila da inscrição para o aluguel de apartamentos, vi um alvoroço acontecendo. Uma menina, mais ou menos da minha idade, estava quase chorando para aquela moça das inscrições, quando cheguei mais perto ouvi um trecho:
– Minha senhora, por favor, não há nem uma cabana que me abrigue aqui?
– Menina, já falei, está tudo lotado! Qual o seu nome, quero ver se consta nos apartamentos classe econômica?
– Alexia.
– Não...Só tenho um na classe média, pode ser?
– Moça, só posso pagar um apartamento de cinquenta reais...Por favor, tente achar uma vaga!
Então, eu vi ali minha oportunidade de:
1 – Ajudar uma pessoa;
2 – Pagar só cinquenta reais naquele apartamento de luxo.
É, Alexia, parece que seremos boas amigas...
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