E se Fosse Você?

7 O tempo passou e a gente sorriu


Notas iniciais
[Jimi – Cidadão Quem]

Agüentar Sophie e Deep se comunicando por respostas prontas, curtas e grossas acabava sendo engraçado. Quando saíram da casa ela estava vazia. Acharam estranho, mas por outro lado era ótimo não ter que sair escondido.


Ao entardecer voltaram para a casa. Lá encontravam comida, roupa e banho quente. Nenhum dos funcionários na casa.


Fellip e Marina foram tomar banho na piscina enquanto Sophie e Deep discutiam no corredor dos quartos.


- Quem você acha que é garota? – Gritou Deep.


Deep gostava de ver o ódio naqueles olhos. Sorria ao perceber como ela desviava o olhar todas as vezes que ele a encarava. Gostava de vê-la mexendo no cabelo quando estava nervosa. Gostava do brilho do olhar daqueles olhos verdes. O sorriso irônico que ela tinha quando o queria irritar. Sua voz aumentando quando queria se impor. Estava gostando demais de todos os detalhes daquela garota.


- Sophie Cardoso Nascimento! Respeito por favor.


Ela nunca gostou de garotos tão atirados. Sentia-se sufocada quando ele se aproximava. Ficava nervosa quando ele se aproximava. Ela o odiava, ou pelos menos, acreditava que o odiava.


- Quem? – Se aproximou mais ainda.


- Sophie. – Sussurrou ao sentir que a boca de Deep estava praticamente colada a sua.


- Repete. – Sabia que qualquer movimento que fizesse aproximaria ainda mais seus. Achava sexy a forma como ela tentava resistir, poucas fariam isso.


-Ai me solta — Disse enquanto sua mão agia contraria ao que dizia e apalpava as nádegas dele.


- Finja ser legal, ou serei mau. – Sua frase sempre repetida quando iria transar com uma garota, bêbado. Trouxe para mais perto de si. Riu por sentir as mãos dela e fez o mesmo com as nádegas dela.

- Mas. – Calada por ele.


- Assim. – Desceu um pouco flexionando os joelhos e a ergueu segurando com as duas mãos suas coxas.


- Ah Deep. – Suas pernas ficaram firmes enlaçando o garoto

Caminhou até o quarto com ela entre os braços.


- Sophie. – Sorriu consigo mesmo. Aproveitou que não precisava mais segura-la e tirou uma das mãos para ir aos peitos da garota.


- Acho que. – Fechou os olhos. Era a primeira vez que estava sendo tocada daquele jeito.


- Cuidado. – Enquanto descia o corpo dela sobre a cama. Sentou por cima da barriga dela.


- Camisinha? – Poderia terminar com tudo assim. Sua consciência pedia para que parassem enquanto seu corpo dizia que não.


Estava assustada. Olhou ele tirando um pacotinho do bolso, sua tentativa dera errado.


- Trouxe. – Piscou e sorriu de um jeito que transmitia a sensação de que ele sabia muito bem o que estava fazendo.


Delicadamente ergueu os braços dela. Seus lábios beijavam o pescoço perfumado enquanto seus braços tiravam aquela blusa cheia de detalhes que ela usava. Tirou a sua própria camiseta e voltou a beijá-la.


- Calma. – Pediu ao sentir se sufocar com os beijos.


Com lentidão ele mordia os lábios dela. Suada, enquanto ele abria o zíper de sua calça ela passou a língua no lóbulo da orelha dele. Ele sorriu pra ela e foi até seu pescoço e lhe mordeu fortemente até ela sentir dor.


- Ai! – Franziu o cenho.


- Deixa que eu faça. – Se levantou para abrir seu zíper.


- Vamos parar. – Fechou os olhos. Arrastou-se pela cama como uma cobra para se afastar dele.


- O que foi? – Se zangou. Quando estava conseguindo o que queria ela não devia parar.


- Eu não sei se quero. – Quase como um choro de criança. Abraçava suas próprias pernas com força e forçava seu queixo contra o joelho.


- Você nunca? – Tudo. Mas a arrogante Sophie Cardoso Nascimento virgem.

- Não. – Escondeu seu rosto, mas voltou seu olhar pra ele.


- Quem diria. – Olhou para baixo e começou a rir.


- Se você contar pra alguém eu te mato.


- Que medo. – Mexeu a cabeça fazendo com que o cabelo se arrumasse. – Só se...


- Se o quê? – Já não bastava ela se sentir inferiorizada na sua frente teria de fazer favores.


- Se você não falar. – Olhou o corpo dela parcialmente nu e respirou fundo. – Porra tu vai me deixar de pau duro?


- Se quiser eu não conto isso pra ninguém. – Puxou a calça e a vestiu. Ajuntou a blusa caída no chão a vestiu e saiu correndo do quarto.


Deep foi para o banho. No palavreado mais chulo poderia descrever como “bater punheta”, mas é preferível usar que ele foi pra um banho relaxante.

Desesperada saiu correndo pela casa. Estava humilhada pela pessoa que mais odiava! No corredor acabou esbarrando com

August, o qual carregava algumas toalhas de banho limpas para os quartos. Não o ajudou a recolher as toalhas que caíram apenas o olhou por um instante e voltou a correr para o quarto.


Pronta para abrir a porta e ficar em algum canto chorando, lamentando. Poe trás da porta encontrou Marina e Fellip se beijando sobre a cama. Não soube o que dizer, apenas saiu dali e procurou um lugar longe, que ninguém a pudesse encontrar.


Após sair da casa foi até a praia que ficava logo em frente. Sentou sobre a areia deixando seus pés serem banhados pelas ondas que lhe refrescavam e logo a abandonavam. Chorou baixinho, para que nem o silêncio que as ondas insistiam em quebrar ouvisse.


Sentiu-se frágil por estar com o rosto cheio de lágrimas. Não era uma garota qualquer, indefesa. Precisava mostrar pra Deep como era melhor que ele. O sol estava se pondo e a vontade de calar a boca daquele garoto a deixava extremamente alucinada.


Riu ao lembrar-se da frase ridícula em que ele disse que seria mau. Aquilo era tão bonde do tigrão pra um paulista metido como ele. Bagunçou um pouco a areia com as mãos. Fitou o céu e viu um avião. Seu peito estava se comprimindo e sua boca ficou seca.

Precisava de alguém, de um abraço, como o que Deep lhe deu quando mais precisou. De seu cheiro, sua pele. Talvez Marina e Fellip estivessem aproveitando aquelas férias melhor que ela.


Precisava tomar uma atitude, ser sincera com Deep. Aquele ser não podia ser tão desprezível, quando ela estava mal foi ele quem a ajudou. Decidiu tentar se aproximar dele e mostrar que não era tão bom quanto imagina. Deitou-se sobre a areia e fechou os olhos. Estava pronta para tentar ser sua amiga.

Já estava ficando tarde e ela parecia não se importar. Algo gelado repousou sobre sua barriga. Assustada abriu seus olhos rapidamente e se deparou com uma garrafa de whisky acompanhada pela mão de Deep, o qual guardava algo malicioso entre os lábios.


- O sol está quente. – Com os olhos quase fechados comentou.


- Normalmente está. – Sophie voltava a ser ríspida.


- Er. – Pensou em lhe dizer algo, mas achou não responder a altura. – Queria de pedir desculpas. – Seu nariz se torceu junto ao seu movimento franzino na testa.


- E por que eu aceitaria? – Precisava ser a pessoa mais idiota, mas não iria ferir seu orgulho.


- Por que eu to pedindo.


- Quando se trata uma garota como um cachorro ela mija em você.


- Andou ouvindo Courtney Love ou a Britney começou a arrumar compositores melhores?


- Engraçado você. – O encarou com vontade de rir, mas se controlou.


- Por que você me odeia? — Cinismo podia ser considerado um dos pontos fortes de Deep.

- Quando te disse que te odiava?

- Vejo nos seus olhos. — Estava tão sério que até o mais cético acreditaria em suas palavras.

- Mas tu é bobo mesmo.

- Vejo ódio, e isso é sério.

- Ta e dai?

- Isso tudo por causa de horas atrás?

- Er. — Pensou em fingir que não se lembrava de nada, e fingiu. — Do quê?

- Se é pra fingir. – Talvez adivinhasse pensamentos. Pegou a garrafa e tomou um grande gole. — Quer?

- Quero. — Bebeu com vontade, até demais. — Éca. — Cuspir sobre a areia.

- O que foi?

Não disse que era forte demais pra ela e que estava horrivelmente quente. Os dois ficaram por um tempo sem trocar uma só palavra.

Um pequeno cachorro se aproximou de Sophie, a qual o colocou no colo. Sendo que as pulgas davam para ser vistas de longe.

- Tira esse sarnento do teu colo!

- Tadiinho.

- Tadinho naaada.

- Vou levá-lo.

- Levar para que lugar?

- Para casa ué.

Os dois estavam em pé. Deep olhava inconformado para os dois ali juntos. Tirou o maço de cigarros do bolso e tragou um.

- Tire essa merda da boca.

- Vai beijá-la? — Sorriu.

- Nãaao. — Abraçou com mais força o cachorro.

- Você fica com ele e eu fico com meu cigarro.

- Pára. Vamos ser amigos?

- Como assim?

- Cansei dessa merda toda.

- Se você diz.

Ao caminharem em direção a casa ele não suportou o silêncio.

- Só por que você me acha pobre coitado não é?

- O quê?

- Só não quer ficar comigo porque não tenho tanto dinheiro como você. Eu sei, não precisa mentir. Todas são assim.

- Todas? Se eu precisasse de dinheiro começaria a acreditar em Allah.

- O que tem Allah?

- Que teria um marido rico pra me sustentar.

- Ah.

-Bahh, vamos ser amigos.

- Que merda. – Tugiu.

- O que foi?

- Repete o “bahh”?

- Ahn?

- É bonitinho.

-Não vou repetir.

- Ah, só um bahh.

- Bahh.

- Que linda.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!