E se Eu não Tivesse Me Atrasado pra Formatura?

28 O verdadeiro pai de Matthew é...


"Amanda, por favor, por favor, eu estou te implorando, diz que você mentiu para que eu não conseguisse a guarda dele. Diz que não é verdade." pediu Pierre quase em lágrimas

"Sinto muito, Pierre, sinto mesmo, mas essa é a verdade. Ele fez um teste de DNA no momento em que nasceu e outro algumas semanas atrás sem saber que era esse o exame que eu o levei para fazer no hospital. Ele realmente não é seu."

"Então... quem é o pai dele?"

"Chuck."

"O quê?! Chuck, como você pôde fazer isso?! Como?! Como foi que você teve coragem de fugir e jogar as suas responsabilidades em cima de mim? Como foi que você teve coragem de me fazer acreditar que o seu filho era meu e, depois de me fazer aprender a amá-lo, tirá-lo de mim? Como é que você pôde fazer isso?"

"É a vida, Pierre. Tem seus altos e baixos e às vezes ela é bem chata, mas vale a pena. Acostume-se."

"Eu queria poder te matar agora mesmo, mas você não vale a pena. Eu não vou ser preso por culpa sua. Mas eu desejo que algum dia você sinta o mesmo que eu estou sentindo agora. Eu desejo que um dia você sinta que tudo o que havia de mais importante na sua vida foi arrancado de você sem que você pudesse fazer nada contra isso. Isso é o que eu mais desejo para que eu consiga ter paz de novo."

"Paz, Pierre? Enquanto você tiver algo que eu quero, a sua vida não vai ter paz e eu ainda quero a Alex."

"Você também tirou a Alex de mim, lembra? O sutiã que você e a sua amante colocaram na minha casa? Você e a Amanda realmente se merecem." Ele respondeu "Amanda, desde quando você sabe disso?"

"Desde sempre." Ela respondeu "O Chuck era o meu namorado e ele me engravidou. Eu descobri isso duas semanas antes da formatura e, quando contei para ele, ele terminou comigo. Eu precisava de um pai para o meu filho e, quando eu te vi na festa, completamente bêbado e ainda bebendo mais, eu achei a chance perfeita. Eu só tinha que dar um jeito de te levar para a minha cama, mas isso não foi nem um pouco difícil. Você não ofereceu resistência nenhuma. Parecia que no começo você ainda tinha algum senso e queria fazer ciúmes para a Alex, mas depois que eu te fiz beber mais, você até esqueceu que existia Alex. Depois disso, eu te levei para a minha casa, mas não fizemos nada. Você acabou dormindo antes. Depois, eu tirei a sua roupa e te deixei dormindo ao meu lado. Quando você acordou, pensou que tínhamos feito alguma coisa e foi assim que continuou pensando até hoje."

"Amanda, eu desisti de fazer faculdade e não foi fácil passar naquele vestibular e ainda por cima na primeira tentativa, eu tive que trabalhar em dois empregos diferentes e ainda ensaiar com o Simple Plan todas as noites, passei meses dormindo uma média de quatro horas por noite e ficou ainda menos depois que o Matthew nasceu e isso durou anos, eu tive que desistir de uma vez da Alex e se o Simple Plan não tivesse feito sucesso eu provavelmente teria morrido de fome. Enquanto isso, o verdadeiro pai do seu filho fez um mês de faculdade de jornalismo e desistiu porque não gostou e ficou sendo sustentado pelos pais sem trabalhar e nem nada até que o Simple Plan finalmente fez sucesso, reclamando que os ensaios eram muito tarde. Você não sente nenhum tipo de peso na consciência por ter me feito passar por tudo isso por uma coisa que eu não havia feito?"

"É claro que eu sinto, mas você nunca vai acreditar nisso. Apesar de não parecer, eu sinto muito, Pierre. Não é da boca pra fora, eu sinto muito mesmo."

Ele não acreditou em sua resposta e nem respondeu ao que ela disse. Palavras não curariam a dor que ele sentia. Ele percebia que haviam lágrimas se formando nos cantos de seus olhos, mas se manteve forte mesmo assim. Saiu da corte em silêncio e de cabeça baixa e foi então que seus olhos encontraram a melhor coisa de sua vida que acabou por descobrir que nem ao menos fazia parte dela.

"Eu vou para casa com você, papai?" Matt perguntou sorrindo, e foi então que viu os olhos dele "O que aconteceu, pai? Você não conseguiu?"

"Matt... Matt, eu não sou..."

"Não é o quê?"

Ele não conseguia dizer. As lágrimas que ele segurava passaram a escorrer por seu rosto sem controle algum e ele soube naquele momento que não era capaz de dizer aquilo. Como ele não havia percebido aquilo antes? O Matt tinha os cabelos, os olhos, as mãos... tudo igual ao Chuck. Porém, não tinha nem ao menos um traço dele. Como ele pôde ter sido tão cego quanto a isso?

"O que foi, papai?"

"Fala para ele, Pierre." Desafiou Chuck

"Eu não consigo..."

"Consegue sim. Fala." Ele insistiu sorrindo

"Matt, eu não sou... eu não sou seu pai."

"O quê?! Por que você está fazendo isso? Por que você está falando isso para mim?"

"Eu estou te dizendo a verdade. A Amanda mentiu todo esse tempo para a gente. Eu sinto muito. Eu realmente queria ser..."

"Você é." Interrompeu-o Matt, abraçando-o e chorando muito "Você é meu pai! Você é meu pai!"

"Matt..."

Ele se ajoelhou ao chão, chorando ainda mais, e abraçou o garoto. O que Matt dizia não era mentira. O DNA era outro, toda a genética de um e de outro também, mas o que eles sentiam um pelo outro era o mesmo. Como uma coisa tão insignificante como um pedaço de papel poderia mudar tanta coisa? Como pôde uma coisa tão pequena que não se pode enxergar sem microscópio mudar dez anos de sua vida em dez segundos? Como pôde uma mentira parecer assim tão real? Ele foi o pai de Matt por dez anos e havia o tratado como qualquer outro pai trataria o filho sem perceber diferença entre DNA ou deixar que essa diferença interferisse, por que ela se intrometia agora? Ele não sentia que não era pai de Matt, pois sabia que o era. Sabia que era muito mais pai do que Chuck jamais fora e jamais seria, mas agora tudo tinha mudado. Para a justiça, ele não era mais seu filho e sabia que já não mais poderia chamá-lo de seu. Tudo havia mudado naquele momento e seu mundo parecia cair aos pedaços.

Foi naquele instante, enquanto abraçava Matt pela última vez, que sentiu alguém o abraçando ao redor dos ombros e os acariciando enquanto beijava seu rosto, como se estivesse o tentando acalmar. Sentiu que havia lágrimas de outra pessoa misturadas com as suas em seu rosto e ele sentia vontade de descobrir quem era o dono daquelas lágrimas.

Soltou Matt por um instante e foi então que pôde olhar para trás. Foi então que viu o rosto que não esperava rever tão cedo e, sem conseguir acreditar em seus olhos, acariciou seu rosto, tentando crer que aquilo não era somente sua imaginação.

"Alex..."

"Vai ficar tudo bem, você vai ver. Deve ser terrível o que você está sentindo agora e eu não consigo me imaginar em seu lugar, mas eu prometo que ainda não acabou. Vamos continuar tentando e vamos acabar recuperando o Matt. Vamos provar ao juiz que eles são péssimos pais mesmo que isso leve uma eternidade. Nós vamos ficar com a guarda do Matt."

"Nós?"

"O Matt me contou tudo. Ele disse que ouviu Chuck e Amanda conversando sobre nos fazer terminar... Eu não acredito que eu fui tão idiota. Desculpa, eu deveria ter acreditado em você." Ela pediu, abraçando-o

"Tudo bem, eu entendo. Eu senti tanto a sua falta..."

"Eu também senti a sua."

"Pai... se você não é mesmo o meu pai, então quem é?"

"Eu." Respondeu Chuck

"Você?!" perguntaram todos, surpresos

"Chuck, como você pôde fazer uma cosia tão cruel?" perguntou David "Como você pôde fazer algo desse tipo com a vida do seu melhor amigo?"

"Isso não é da sua conta, David. Nem da sua, nem da de mais ninguém."

"Passamos anos ao seu lado sendo todos feitos de idiota por você e você tem coragem de dizer que isso não é da nossa conta?" perguntou Seb "Eu nunca pensei que você fosse assim."

A discussão prosseguiu, mas Amanda não se envolveu nela. Ficou sozinha em um canto. Chorando. Ninguém sabia dizer por que, nem ao menos ela, mas ela chorava. Ela não sabia por que, mas aquele dia a havia ferido mais do que qualquer coisa que ela possa ter feito antes. Ela não sabia dizer se se sentia culpada ou arrependida ou cansada de tudo o que havia feito até aquele dia... cansada da vida que vinha levando... só sabia que estava chorando. Chorando pela primeira vez em público e, pela primeira vez em tantos anos, chorando sem a intenção de manipular ninguém. Sentiu pela primeira vez que toda a sua vida até aquele instante não havia valido a pena. Ela não conseguia imaginar como seria possível causar ainda mais dor para aquele homem ajoelhado ao chão que uma vez havia tentado ser feliz ao lado dela, mas a única coisa que ela havia lhe dado em retribuição foi lhe causar todo o tipo de dor possível, mesmo após terem terminado. A dor dele a machucava pela primeira vez e suas lágrimas eram tão reais quanto às dele, apesar de saber que ninguém jamais iria acreditar nisso. Ela era a única que conhecia seus sentimentos, mas sabia que era mais seguro assim. Ela não desejava que ninguém a compreende-se. Ela não desejava que ninguém mais conseguisse entender seu mundo a fundo.

Naquele mesmo momento, Alex começava a se sentir mal novamente depois de tanta preocupação. Sua febre passou a subir, ela sentia um enjôo muito forte e estava tão tonta quanto no dia em que Pierre a levou ao hospital. Ela sentia que estava para desmaiar, mas não poderia permitir que aquilo ocorresse. Ela havia acabado de reatar com Pierre e sabia o quanto ele ficaria nervoso se soubesse que ela havia mentido para ele para conseguir sair do hospital, então concluiu que deveria dar um jeito, e rápido, para fazer com que tudo aquilo passasse. Tentando se acalmar, abraçou-o com força e deitou a cabeça sobre seu peito, fechando os olhos. Porém, fosse pela temperatura quente tocando seu corpo ou pela preocupação que estava acostumando-se a sentir, ele percebeu que ela não se sentia bem.

"O que foi, Alex?"

"Nada, eu estou bem."

"Não está não. Alex, qual é o problema? O que você está sentindo?"

"Nada, eu estou bem, já disse." Ela respondeu, levantando-se "Eu... eu vou ao banheiro lavar meu rosto."

"E assim que voltar, eu vou te levar ao hospital."

"Eu não vou, eu estou bem." ela respondeu, teimosa como uma criança, e saiu de lá

"Chuck, eu acho que está na hora de irmos." Chamou Amanda "Eu realmente não quero mais ficar aqui."

"Vou ao banheiro primeiro."

"Mas, Chuck..."

"Sem ‘mas\\\', Amanda. Já vamos chegar em casa. Não vai levar um minuto."

"Não a machuque, por favor." Ela sussurrou em seu ouvido, mas ele saiu sorrindo