E se... - Ernesto e Ema
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Ficaram ali numa paz que ninguém nunca poderia descrever. Apenas abraçados na porta do galpão vendo a chuva cair. Com braços envoltos ao ventre dela, protegendo aquele serzinho que era o símbolo perfeito do amor dos dois, e de quanto ele era implacável.
Ernesto suspirou em sua nuca e sentiu Ema arrepiar-se. Ele sorriu discretamente, aquelas sensações que causava nela era um bálsamo, era uma prova tão singela de como a afetava que não podia ficar está bravo com ela, por nada. Era doloroso para seu orgulho se entregar mais uma vez e tão facilmente, mas ele a entendia. Droga! Ele a entendia! E ela finalmente tinha aprendido e mais que isso estava agindo.
Ema pigarreou, e se mexeu um tanto inquieta.
— O que? — ele perguntou, sentindo que algo a incomodava.
— O que o que? — ela não o olhou e isso confirmou sua teoria.
Ele a virou delicadamente para ele.
— O que a está deixando inquieta? — Ernesto acarinhou com os dedos os fios de cabelos desalinhados dela.Viu ela tentar resistir, e por fim o semblante ceder e corar, foi magnífico ver ela corar.
— Sandra Conti.
Ernesto estreitou as sobrancelhas.
— O que?
Ema suspirou.
— O que tem com ela? — a voz era tão baixinha que podia ser um sussurro.
— A conheceu?
Ema não gostou da falta de resposta dele.
— Pode-se dizer que sim. — os olhos dela eram suplicantes. — O que existe entre vocês, Ernesto? — ela respirou fundo. — Eu não posso fingir que seis anos não se passaram, mas...
— Ema...
— Eu estou com medo — ela estava se inquietando com os sentimentos empurrando seu peito. — Não quero perder você. Não de novo, não posso!
— Ema! — ela segurou firme para chamá-la a razão, e ela o mirou. — Não existe nada entre mim e Sandra!
— E já existiu? — Ernesto desviou os olhos dos dela e Ema teve a sensação que despencara. — Ernesto...? — De onde viera sua voz, ela não sabia; o medo era grande, muito grande, mas a verdade era mais que fundamental agora, tudo tinha de ser esclarecido. Nada. Nenhum mal entendido, nenhum sentimento mal dito poderia ficar entre eles. E apesar do medo algo a impelia em coragem para confrontá-lo.
— Eu cometi um erro... — ele começou e ela engoliu em seco. — Eu não poderia ter envolvido ninguém nas minhas dores, mas... no desespero de tentar esquecê-la... Sandra me ofereceu um ombro amigo e colo para que eu pudesse chorar... — enquanto ele falava o coração de Ema acelerava bravamente, a respiração pesada denunciava isso, e ela se segurava muito para não gritar, a coragem de repente sumindo, arrependendo-se, imediatamente, de ter puxado o assunto. — E ela me oferecia algo tão desprendido, era como algo que eu sempre ofereci a você, e eu achei que merecia, pois...
— Pare! Por favor, pare! — ela num desespero interno mal contido, segurou a face dele com as mãos e o beijou. O ímpeto que ela colocou naquele beijo era descabido. Existia um pavor, uma dor forte e amarga no peito. Aqueles lábios pertenciam a ela e só a ela, não podia ter sido de mais ninguém, o afeto dele jamais poderia ter sonhado em pertencer à outra, a dor de pensar naquilo era inexplicável. Durante aquele beijo ela chorava, e as lágrimas dela molhavam a face de ambos.
Ernesto a segurou pelos braços e delicadamente parou o beijo. Ema o odiou e tentou alcançá-lo novamente, mas estava bem segura pelas mãos dele que sorriu a intensidade dela.
— Precisa me ouvir.
— Não quero ouvir. Não quero ouvir mais nada. Não me interessa! — ela disse entre categórica e suplicante. — Não me interessa o que você sente por ela, muito menos o que ela sente por você! As favas com isso! Não me importa! Você é meu! — Ernesto vacilou ante a declaração e ela conseguiu escapar das mãos dele e enlaçou seu pescoço. — Não me importa se estou sendo injusta ou egoísta, ou que eu não mereça você, não ligo! Não vou me fazer de rogada! Você é meu. Seu afeto é meu. Sua paixão é minha, seu amor é meu. E eu não duvido disso nem por um segundo. Não depois da maneira que me amou naquela noite no Vale mesmo com toda mágoa... Então não me importa — ela lhe arriscou um beijo. — Não me importa nada! — outro beijo. — Eu garanto, Ernesto... Nada, nada vai me afastar de você novamente. — Tornou a beijá-lo, agarrando-se a ele como se disso dependesse a sua vida.
Ernesto não sabia a qual emoção da vazão, ele sorria e lágrimas estavam em seus olhos, o coração arrebentava no peito e sua virilha latejava, um frio gostoso percorrendo o estomago. Ema estava usando com maestria o dom que tinha para surpreendê-lo. Ficaram sem ar, e ela insistiu em buscá-lo no intervalo enquanto arriscava um beijo e outro no pescoço dele.
— Você precisa parar... — a voz rouca dele teve o efeito contrário nela. Ema não sabia dizer o que estava mais aflorado os sentimentos, os nervos ou os hormônios. Mas, o cheiro dele a entorpecia ainda mais que o normal e os beijos no pescoço não eram mais arriscados, eram sedentos. — Ema... — ela tornou para boca dele a fim de calá-lo. — Não pode fazer isso por ciúmes!
— Não é por ciúmes, Ernesto! É por amor... por amor! — ela murmurava enquanto lutava para aprofundar o beijo novamente.
— Então, por amor, me ouça! — ela parou e o olhou, existia uma flecha no olhar dela que ele teve a certeza que se fosse real teria acerta o meio de sua testa. Ela parecia furiosa, e ele deu um meio sorriso malicioso. — Voltaremos a isso logo, eu prometo! — Ema tentou esconder o riso, mas o canto de sua boca a denunciou. — Mas, se é de sinceridade que estamos falando...
— Ernesto eu não quero saber! O passado não me importa mais!
— Você me dizendo isso é a prova que está fora de si. O passado importa para construirmos um futuro. E especificamente no seu passado existem pessoas que com quem você se importa e muito!
— Não é disso que estou falando! — ela estava exasperada, o desejo suprimido estava a matando. — Você está fora de contexto. Eu quero você, ponto. Não existe passado, ponto. Existe você, eu, o presente e nosso futuro, e é só nisso que vou pensar.
Não esperou uma resposta, adiantou-se para ele novamente. E Ernesto sorriu derrotado, se o ciúme lhe despertava tal ímpeto e ela não queria aplacá-lo, quem era ele para exigir-lhe tal coisa? Agarrou-a e finalmente correspondeu seu beijo com todo ímpeto que a paixão e a saudade lhe impunha.
A chuva ainda caía lá fora, mas frio não existia ali. As sensações de Ernesto e Ema vinham apenas de seus corpos e de seus sentimentos. Beijavam-se com paixão. Tocavam-se com saudades e a saudade era grande, era saudade de cada cantinho de pele e cada cantinho de alma. Tinham muito a explorar um do outro e não se fizeram de rogados. Mais uma vez tempo e espaço era algo inexistente.
E em determinado momento, enquanto desnudos e abraçados no chão do galpão se amando, os delírios de Ema lhe trouxe uma lembrança prazerosa.
O corpo de Ernesto sobre o dela era acolhedor, mas o fogo em seu ventre tinha sobrepujado os sentimentos calmos. Ela enlaçou a pernas na cintura dele e num momento de guarda baixa de Ernesto inverteu as posições. O olhou de cima e sorriu diante da face espantada dele.
— Eu te amo — arfou, rente aos lábios dele, agora ela tinha liberdade para acompanhar os movimentos ainda lentos e ritmados de Ernesto de maneira mais firme e coordenada. — E quero amá-lo pelos restos de meus dias. — O corpo dele estremeceu forte, e ela nunca se sentiu tão livre. Nem quando fugira, nem quando o vento batia em seu rosto enquanto ela olhava o mar ao horizonte do atlântico, nem quando jogara sua aliança em meio ao oceano. Ema nunca se sentiu mais livre e mais mulher que naquele momento onde sabia que podia fazer feliz, e de maneira tão depreendida o homem de sua vida. Arrastou os lábios até o ponto abaixo de sua orelha — Quero amá-lo em cada cantinho de você! – passeou pelo pescoço, e os grunhidos dele era incentivos, ela não sabia bem de quê, mas a compelia. — Cada pedacinho seu, meu amor — desceu o rastro quente de seus lábios pelo ombro — E nunca... — depois para o tórax – Nunca haverá espaço para outra.
Ernesto inquietou-se. Ele não acreditava que Ema estava o torturando daquela maneira... tão prazerosa. Era o céu... ou o inferno, ele não soube dizer, mas soube que aquilo tinha que parar ou ele explodiria. Agarrou-a pelos cabelos com força, a sentiu arfar, mas não teve controle, sentou-se de súbito com ela em seu colo e a mirou, respirações entrecortadas.
— Nunca houve e jamais haverá outra. – ele viu os olhos dela brilharem intensamente e um sorriso malicioso formar-se em seus lábios vermelhos e inchados. E não resistindo aquela bendita tentação, afundou-se nela. Boca, corpo, alma, sempre sincronizados sempre coordenados um no outro, naquela dança sensual onde eles eram o par perfeito. Eram um só. — Sempre foi você, baronesinha! – Foi o que disse por fim depois de minutos, ao tombar exausto sob o corpo trêmulo dela.
~
Quando finalmente tudo havia se acalmado, quando o turbilhão de sentimento tinha amansado e novamente a paz reinou, Ema que repousava no peito de Ernesto e decidiu que agora queria saber.
— Nunca houve outra? — ela sussurrou, enquanto brincava com os dedos no tórax dele.
Ouviu Ernesto sorrir, e lhe beijar o topo da cabeça.
— Se tivesse me deixado falar, saberia que... — ele fez uma pausa. — Não. Pensando bem, foi ótimo não ter me deixado falar.
Ema corou, mas forçou-se a olhá-lo. Alçou uma das sobrancelhas tentando disfarçar o embaraço e fazê-lo se concentrar na sua curiosidade feminina.
— Mas, pode me contar agora, então. Prometo que não irei interromper.
Ernesto sorriu, ela era maravilhosa sem suas armaduras.
Ema apoiou o cotovelo no peito dele enquanto ele acarinhava suas costas nua, e ela sentiu um prazer acolhedoramente intimo e completamente novo com aquilo, era o amor tomando seu lugar depois da explosão da paixão.
— Eu me dei conta antes de qualquer coisa, que não poderia ceder a minha carência, não se isso me levasse a machucar os sentimentos de alguém. — disse ele. — Acredite, Sandra nunca teve de mim uma gota para alimentar sua esperança.
— Não acho que ela precisasse. Ter você por perto já era o suficiente.
— Eu só posso lamentar. — ele suspirou. — Como a conheceu?
— Quando cheguei ao armazém. Se não fosse Enrico, acho que ela teria me espanado de lá!
— Você se apresentou?
— Ela reagiu assim que falei seu nome, e confesso que me alterei um pouco quando disse o meu.
— Se alterou? — ele alçou as sobrancelhas tentando não sorrir.
— Um pouco! — ela o imitou e ele sorriu. — O fato é ela não gosta de mim! Disse que eu te faço mal. — Ernesto viu os olhos dela entristecer enquanto ela os baixava.
— Isso definitivamente não é verdade — ele a olhou malicioso, querendo tirá-la da tristeza que ela pareceu mergulhar. — Você acabou de provar.
Ema deu um meio sorriso.
— Disse que eu não o mereço.
— Bem, já isso talvez seja verdade. — Ema o olhou, assustada, e no instante seguinte, Ernesto a abraçou e inverteu as posições. — Eu realmente posso ser um tanto bom demais para você. — Ema cerrou os dentes e se debatia revoltada embaixo dele, mas ele a segurou firme pelos braços a prendendo com o peso do seu corpo. — Porém, eu não ligo. Sou completamente apaixonado por você, não tem mais jeito! — e então a beijou, acalmando instantaneamente o corpo dela.
(...)
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