E se...

6 À Première Vue


Notas iniciais
" A Primeira Vista"

Tudo bem, com certeza essa não vai ser uma tarde normal.

—Assuntos pendentes, Greg?

—Claro Petit. Eu prometi que você ficaria com alguém na festa, mas não pude cumprir minha promessa. Não gosto de deixar ninguém na mão.

—Como assim?

—Preciso cumprir minha promessa.

—E como tu pretendes fazer isso, Greg?

—Posso falar com algum amigo... Ou dar o meu jeitinho.

—Não Gregori. Esquece isso. Foi uma ideia boba, impulsiva. Eu só queria esquecer o Peter. Sempre acreditei naquela história de esperar a hora certa. Pelo jeito ainda não chegou.

—Ainda...

—Como?

—Nada não. Então Petit, que música tais ouvindo?

Nisso, ele me abraça por trás, desengatando o fone de ouvido. Na mesma hora, o som marcante da guitarra e bateria de B.Y.O.B começa a tocar, roubando o silencio do terceiro andar deserto da escola.

—Você curte rock?- Ele me pergunta com um sorriso bobo.

—É, gosto bastante... -Respondo corando. Só não sei se foi por ele ter descoberto meus gostos musicais, ou por estar me encarando com aquele sorriso lindo.

E assim seguiu a tarde toda. Conversar com Greg era incrivelmente fácil. Mesmo com aqueles olhos intensos me encarando. Uma das características que de cara simpatizei foi essa. Ele sempre conversa olhando no olho. E claro, o seu sorriso. É impossível não amar aquele sorriso tão sincero e espontâneo. É como se o corpo inteiro sorrisse. E é mais incabível não retribuir.

A conversa fluía de uma maneira que nem com a Marta e a Carol acontecia. Falamos de todos os assuntos imagináveis. Passamos por algumas noticias polemicas do momento, e ficamos um bom tempo em assuntos pessoais. Principalmente sobre a vida dele. Acredito que poderia fazer uma biografia com a conversa de uma tarde. E o tempo voou.

—Nossa, já passa das cinco e meia!- Digo espantada, percebendo que estou prestes a perder o ônibus. -Preciso descer agora!

—Eu vou com você, minha mãe me busca lá em baixo. Vamos rapidinho, ou você vai perder o ônibus.

E assim acabou a melhor tarde do ano. Chegamos ao terminal em cima da hora. Saí correndo, e dei um rápido abraço nele para me despedir. Raramente toco em alguém. Um abraço foi uma ação inesperada, até para mim.

O que me deixava triste, é que eu sabia que uma tarde assim não se repetiria. Eu não o chamaria no Facebook, minha timidez não permite. E dificilmente nos encontraríamos novamente para conversar. Foi só uma coincidência estarmos esperando, sem nada para fazer, no mesmo lugar. De outro modo, ele não teria puxado assunto. Não tinha motivos para isso.

Ao chegar em casa, vou correndo abrir meu Face. Afinal, a esperança é a única que morre. E lá estava o ícone que indicava uma nova mensagem.

Gregori: Ooooooiiiii

No dia seguinte, conter a vontade de contar dessa conversa para uma das minhas amigas era impossível. Recorri à minha confidente:

—Marta, tens certeza de que o Gregori namora?

—Tenho,Petit. Conheço a Mônica. Eles já estão juntos por um bom tempo. Por que a pergunta?

— É que ontem ele veio com um papo estranho. Disse que daria um jeito de resolver aquele meu problema da festa, de não ter ficado com ninguém... E depois, no face, disse que me levaria até o terceiro andar... Não sei o que ele tá pensando.

—Olha, Petit, acho que a Mônica não está sendo suficiente...

— O que você quer dizer com isso?- Respondi ingênua.

—Fala com ele, que está vindo ali!

E a Marta correu saltitando escada acima, me deixando com uma cara pasma, encarando a parede.

— Bom dia, pequena! Posso te chamar assim, né? Não me dou bem com outras línguas. Mas posso tentar com a tua...

—O que?

—Nada, pequena... Quer um brigadeiro?

Greg me mostra a bandeja de brigadeiros que o terceirão está vendendo, para arrecadar dinheiro para a formatura. Por educação, não vou negar.

— Claro, quanto?

— De graça, minha pequena. Te cobro de outro jeito. Vamos lá no terceiro andar...

Notas finais
Espero que tenham gostado! Mudarei o tempo narrativo, para que a história pudesse acompanhar o tempo real dos acontecimentos. Críticas e sugestões são sempre bem vindos. Bem como elogios!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.