E que minha sorte não me separe de você
2 Capítulo 2
Notas iniciais

A dor de cabeça me acometeu antes mesmo que eu abrisse os olhos. Meu rosto se contorceu involuntariamente e um gemido se formou na minha garganta.
“Aqui” uma voz surgiu, próxima a mim. Era bem baixa, embora retumbasse em meus ouvidos como se eu estivesse em plena Marquês de Sapucaí no domingo de Carnaval.
Abri apenas um olho, podendo visualizar uma garrafa de água e uma pílula branca presa entre dois dedos da mesma mão que segurava a bebida. Grogue, errando por duas vezes a direção da mão, estendi a minha para pegar o comprimido e o líquido, jogando o medicamento na garganta e e sorvendo da água, inclinando apenas levemente a cabeça para não engasgar.
“Você não deveria aceitar algo tão facilmente assim. Principalmente se está na cadeia.”
Levei alguns longos segundos até conseguir processar, mas sentei num salto ao compreender a palavra “cadeia”. Tonteei ao agir tão rápido, me arrependendo meio segundo depois, sendo amparado por alguém sentado ao meu lado.
Não demorou, também, para que todas as dores, por todo o meu corpo, surgissem, obrigando-me a soltar um guincho com a ardência aguda. Me encolhi contra o corpo da pessoa que me segurava, choramingando, mesmo sem saber quem era.
“Sei que vocês são um casal perfeito e coisa e tal, recém-casados” uma voz carregada de sarcasmo, mas desconhecida, anunciou. “Mas é realmente desnecessário ficar demonstrando o lindo amor de vocês dessa forma, principalmente quando eu aqui estou louco pelo meu namorado.”
Franzi as sombrancelhas, sem entender, finalmente abrindo os olhos.
A primeira pessoa que pude distinguir foi YoonGi, ao meu lado, sentado, me abraçando pela cintura naquilo que descobri ser a cama inferior de um beliche. Ele tinha um olhar bem preocupado, e segurava a garrafa de água que eu soltara. Olhando ao redor, vi um outro rapaz, que devia ter mais ou menos a minha altura, com os cabelos vermelho-escuros bagunçados, olhos tão escuros quanto o breu e um rostinho incrivelmente infantil. Vestia uma camiseta branca com manchas coloridas, um moletom de zíper vinho e jeans, com tênis casuais de cano alto na cor do moletom. Atrás dele, vi o que me apavorou.
Grades.
Eu estava preso.
Estava numa cela.
E sequer sabia o motivo.
Voltei-me para YoonGi, confuso, atordoado e à beira de uma crise de pânico. Ele sorriu compreensivo e se aproximou, me dando um selinho que fez com que eu saltasse para o lado oposto, assustado.
“Que diabos está fazendo?!” perguntei, arfando ao final da frase, sentindo a dor piorar com o baque que dei na parede. “Por que estamos aqui? O que caralhos aconteceu?”
Ao final da frase, me senti engasgar e comecei a tossir, desesperado por ar. Conseguia até imaginar o quão ridículo eu parecia.
“Se acalma, cara!” A mão de YoonGi parou nas minhas costas, alisando-as gentilmente, tentando fazer com que o bolo preso na minha garganta descesse. “Não posso ficar viúvo antes mesmo da noite de núpcias!”
Isso só me deixou ainda mais desesperado. Contra a minha vontade – mais ou menos – encostei-me ao seu corpo, deixando que sua mão percorresse toda a extensão das minhas costas até que eu parasse.
“Você se lembra da noite passada?” outra voz surgiu, junto com a cabeça de Hobi na beira do beliche superior.
Balancei a cabeça negativamente, ao passo que o loiro limpava, com o dedão, a baba que escorrera, enquanto eu, ofegante, tentava lembrar de como se voltava a respirar como alguém normal.
“Nada mesmo?” o alfa, que agora não usava mais a touca da noite anterior, perguntou, recebendo a mesma resposta negativa.
O desconhecido começou a gargalhar. Aquelas gargalhadas que fazem o chão vibrar e te dão uma dor de cabeça – se você já não está – e a beira de um desmaio. Principalmente se você já estava com dor antes.
“Se habilita a contar, Suga?” HoSeok perguntou, ainda deixando apenas sua cabeça aparecer na beira da cama. Não parecia tão alegre quanto antes. Agora, posso dizer que soava preocupado. “Ele precisa saber o que houve e o que fez. Eu avisei umas vinte vezes que ele não ia aguentar, mas você me ouviu? Não. Ele, nem se fala!”
“Cala a boca, Hope” o loiro e o ruivo disseram, ao mesmo tempo.
O barman apenas subiu para sua parte da cama, murmurando ainda uns “eu avisei”.
“TaeTae” YoonGi me chamou, encostando-me no seu peito ao se recostar à parede atrás de si. “Até onde você se lembra?”
Ignorei minha posição ali – próxima até demais para alguém sempre tão arredio quanto eu, mas estranhamente confortável – e fiz um esforço, voltando até a noite anterior, quando NamJoon e SeokJin faziam sexo como se não houvesse amanhã. Saí de casa, roubaram meu celular, fui para o bar, conheci Hobi e YoonGi, descobri que NamJoon fodera não só a mim, mas ao loiro também, ambos figurativamente falando, claro.
“O... Bloody Marta de balcão?” tentei, arqueando a sombrancelha, me permitindo aconchegar-me ao seu corpo, no espaço entre os braços do homem, que riu fraco.
“Você fica fofo confuso desse jeito...” sorriu. “E é Bloody Mary com Balkan.”
“Mal casaram e já estão assim?” o homem de moletom revirou os olhos.
Franzi o cenho. Voltei o olhar para o loiro, que agora me observava curioso. Nesse momento, em um lugar mais claro que o bar de Hobi, pude perceber melhor seu rosto. Meio redondo, meio oval, os olhos vermelhos brilhando em um vermelho-escuro, beirando o castanho. Isso fez com que eu me voltasse para o outro rapaz, sentindo o coração apertar um pouco, meu pescoço arder e conseguir doer ainda mais que o resto do corpo. Um sentimento estranho passou por mim, fazendo uma certa tensão crescer no ar.
Provavelmente pela minha careta, YoonGi se ajeitara no local onde estava sentado. Estávamos ambos inguietos, era visível e muito desconfortável.
“Olha, Tae...” ele começou, suspirando e me arrumando melhor, deixando-me entre suas pernas, as mãos segurando uma a outra em cima do meu colo. “Para começar, você tomou duas doses da bebida. Eu tomei quatro, mas não vem ao caso. Você obrigou o Hobi a tomar também, ameaçando-o, dizendo que ia grirar que você tinha traído ele, mas isso não vem ao caso. Levou a gente para uma boate do outro lado da cidade de metrô, isso você carregando uma garrafa de OrLoff por todo o caminho, o que quase fez com que nos expulsassem de lá, e, quando chegamos na tal boate...”
“Vocês dois transaram em cima do balcão das bebidas” o desconhecido interrompeu, narrando por ele mesmo os fatos. “Aí, ele te chamou para uma orgia com uns amigos que ele encontrou lá, e você aceitou. Não cheguei a ver, mas dava para ouvir você muito bem, segundo o Hobi.”
Senti-me empalidecer. Isso explicava a maioria – uns 80% – da dor que eu estava sentindo, e me faia pensar na tal ardência no pescoço. Levei minha mão até ali, podendo sentir o odor do sangue coagulado apenas agora, ao encostar nas bandagens que cobriam o lugar. O membro voltara à minha vista manchado com o líquido nas pontas. Virei o rosto para YoonGi, que, agora, parecia envergonhado.
“Você me marcou?” formulei, depois de um tempo alternando o olhar entre ele e a mão.
O loiro engoliu em seco. Embaraçado e envergonhado, era o que o rosto corado e as desculpas murmuradas diziam. Os olhos pareciam não querer voltar na minha direção. Achei isso fofo, considerando que ele era um alfa aparentemente 110% seguro e confiante de tudo o que fazia.
Infelizmente para mim, ainda estava zonzo e com a cabeça cheia demais para pensar em gritar, berrar e brigar com ele pelo feito, e a mordida já tivera seu efeito de me prender a ele, de um modo irreversível. Por mais teimoso, infantil, prepotente, idiota, retardado, louco e inútil que eu fosse, era inútil, como já dizia minha querida vovózinha, dar soco em ponta de faca.
Suspirei e me aconcheguei mais em seu corpo, para a surpresa e confusão de todos os outros presentes, inclusive HoSeok que voltara a posição de quase ponta-cabeça, provavelmente para observar minha reação. Tateei meio às cegas atrás de mim, buscando a mão direita do loiro, que havia tirado-as dali no momento que o maldito ruivo começara a tagarelar. Fiz com que a mão rodeasse meu corpo, passando por cima da minha cintura. Olhando para o chão, sem a coragem de encará-lo, consegui voltar a falar, agradecendo a qualquer divindade que fosse por não ter gaguejado:
“'Tá de boas...”
O ruivo X9 tornou a gargalhar. Encostou-se à parede e deslizou, sem conseguir parar de rir. Confuso, franzi o cenho, olhando-o de canto. Ele voltou-se para mim, sem parar de rir por um segundo, mostrando um sorriso de coelho que até poderia ser considerado fofo, mas, que se eu dissesse em voz alta, provavelmente seria empurrado contra as grades até que eu parecesse um pão fatiado.
Malditos alfas e seus orgulhos.
“Como diabos alguém fica bem sendo que acabou de descobrir que foi marcado por um desconhecido?!” HoSeok fez uma careta incrédula.
Dei de ombros.
“Omegas são mentalmente preparados desde sempre para isso...” murmurei, sentindo a mão de YoonGi começar a acariciar a minha, que ainda a segurava. “Dificilmente um omega consegue passar de três relacionamentos com envolvimento sexual. Não te culpo por isso. De verdade. Mas eu tinha vontade de, ao menos, já tr tido um relacionamento antes.
O garoto parou de rir, agora engasgando. Hobi caiu da cama e Suga ficou tenso. Senti meu rosto queimar, prevendo a pergunta que se seguiria.
“Espera” o loiro começou, a voz tão tensa quanto a mão, que, ainda agarrada à minha, apertava com força. “Você é virgem?”
Fiquei alguns segundos quieto, antes de acenar positivamente com a cabeça, quase imperceptivelmente, sussurrando um “era” tão baixo que pude até duvidar que tenha escutado. Meu rosto já estava em chamas e a única coisa que se passava na minha cabeça era o quanto minha mãe repetira para que eu não aceitasse nada de estranhos, principalmente de alfas.
“Oh, meu Deus...” ele murmurou, depois de vários minutos calado. “Se eu ao menos soubesse... No mínimo teria sido em um lugar melhor... Teria sido de um jeito melhor... E não teria acontecido a porra da orgia...”
“Nem o que aconteceu depois” o garoto, agora respirando normalmente, voltara a falar.
“Cale a boca, JungKook!” ambos os homens falaram, irritados.
O tal apenas levantou as mãos na frente do corpo, revirando os olhos.
“O que aconteceu de tão ruim depois?” falei, o mais baixo que conseguia, de modo que apenas o alfa loiro pareceu ouvir.
Percebi quando ele engoliu em seco. Ainda estava nervoso, era perceptível, e parecia já sofrer, assim como eu, o efeito da marca. Esse efeito era, principalmente, o laço afetivo automaticamente formado, do nada, entre ambos os envolvidos, além do sentimento de proteção e propriedade da parte do alfa.
“Um dos meus amigos tinha uma namorada...” ele brincou com meus dedos, evitando olhar em meu rosto. “Ela estava brigada com ele, mas não é marcada. Quando chegou lá, estava armada e era extremamente ciumenta. Acertou você de raspão quando saímos.”
YoonGi apertou e leve meu braço direito, e, no local acima, logo outra ardência dolorosa surgiu, apenas para me desesperar ainda mais com a dor e puxar o ar entre os dentes.
Arrependido, deixou que a mão fizesse um carinho gentil no local e um selo foi depositado na minha nuca, relaxando, em partes, meu corpo.
“Fomos a um hospital e você levou sete pontos. Antes que pudessem fazer qualquer pergunta pra gente, você parou um carrinho de uma das enfermeiras, pegou três ampolas de morfina e correu. Fez a gente correr da polícia por quase meia hora, até entrar num beco onde um cara estava traficando. Encontramos o JungKook lá, comprando do cara. Trocou a morfina por umas gramas de erva.”
“Espera” interrompi mais uma vez. “Eu fiz negócio com um traficante?”
“Uhum” assentiu. “Você, o Hobi e o Kookie ali” apontou para o garoto. “Ele é conhecido meu. Vocês três fumaram, mas a droga estava aparentemente batizada, e só ficaram enjoados. Depois, ficaram meio doidos e você me pediu em casamento, e eu, ainda bêbado, aceitei de bom grado. Fomos naquela capela pequena e bonitinha na periferia, você disse que foi batizado ali e queria casar ali, pelo mesmo padre que te batizou. Muito fofo ele, por sinal, para alguém de quase 35 anos. Mas voltando. Casamos lá. Você me fez assinar os papéis, e assinou os seus com coraçõezinhos no final.”
“Era uma igreja com velas azuis e pretas bonitas espalhadas no lugar?” perguntei.
“Essa mesma. Você derrubou elas em cima dos panos e colocou fogo no altar. Saímos dali correndo, com os dois em nosso encalço. Eles foram as testemunhas, aliás. Chegamos em NamSan-Dong, e você começou a chorar e gritar por não termos alianças. JungKook nos levou até a loja de tatuagens do namorado dele. De novo, você chorou porque o Gato de Cheshire parecia comigo, então, o JiMin, como presente de casamento, te fez uma tattoo dele aí, olha.”
Com delicadeza, YoonGi puxou o ombro do meu cardigã, até o cotovelo, do braço saudável, me dando a visão de uma tatuagem extremamente realista do Gato de Cheshire, sorrindo para mim.
Santo Lewis Carroll.
“E o meu” continuou “foi você que escolheu.”
Reparei apenas nesse momento que ele não usava mais a jaqueta jeans do bar, apenas a camiseta branca, usando a jaqueta para se encostar à parede. O loiro puxou a manga até o ombro, revelando o bíceps praticamente todo enrolado por papel filme, o Chapeleiro Maluco me encarando com um sorriso aberto e divertido, quase tão realista quanto o meu. O cabelo alaranjado escuro, cacheado e bagunçado, o chapéu com uma fita e olhos verdes brilhantes, exatamente como o próprio Johnny Depp no remake, tal qual o meu.
“O Kookie fez a minha e o JiMin fez a sua” explicou.
Não consegui evitar fechar a cara para o apelido repetido. Franzi o cenho. Era automático, não conseguia evitar.
Porra de marca!
“Seu namorado está com ciúmes” observou JungKook.
O peito de YoonGi tremeu, indicando um riso preso.
“Marido” murmurei, me encolhendo em posição quase fetal onde estava.
Imediatamente, o alfa loiro ficou quieto e, com a mão que segurava a minha, entrelaçou os dedos aos meus.
“Você achou bonito o cabelo do Chapeleiro” baixo, como que só para mim, ignorando a presença dos outros dois, cujo HoSeok e JungKook agora estavam sentados no chão, lado a lado. “O JiMin tinha água oxigenada lá e tinha tinta vermelha, mas a briga da gangue do NamJoon era lá perto. Uns policiais entraram lá e prenderam todo mundo, menos o dono, já que aquele ruivo doidão saiu pra comprar a hidratação pra passar em ti. Já tinham acabado as tatuagens e tals, mas seu cabelo ainda estava meio tingido. Desculpa... De novo.”
Puxei uma mecha de cabelo, observando o tom alaranjado dela. Apenas suspirei, dando de ombros.
“Só deixaram que você tirasse a tinta. Nos colocaram aqui, e vamos ter que esperar alguém vir pagar a fiança.”
Por vários minutos, fiquei calado, observando o colchão duro do beliche. Senti, então o cheiro horrível de sêmen em excesso e seco, percebendo só agora que aquela era uma cela para alfas. Voltei a reparar no lugar, ignorando a presença dos alfas no chão.
As paredes eram arranhadas e as barras estavam enferrujadas. O chão manchado com cores estranhas e rezei para que aquele odor não fosse apenas dos alfas que já entraram no cio ali. Por mais que já estivesse marcado, lembrei, meio preocupado, de que ainda havia a possibilidade de entrar no meu cio por conta dos ferômonios presos ali.
“Desculpa por terem te colocado na parte dos alfas...” Mais uma vez, senti a respiração de YoonGi na minha nuca, fazendo com que um arrepio descesse pela minha coluna. “Depois que viram que você era meu, ficaram com medo de separar por ainda não estar cicatrizado...”
Ignorei aquele “meu”, e pude perceber que o loiro não achava tão ruim quanto parecia. Eu, porém, ainda não podia reclamar disso, já que ainda não me sentia bem para tal, de certa forma.
A marca, coisa que já expliquei antes, era um laço que ligava o casal, sendo mais forte ainda entre alfas e omegas. Ela não pode, de maneira alguma, ser desfeita. Ligava afetivamente o casal de modo irreversível. Para impedir ameaças ao relacionamento, essa porra nos obriga e impele a se afeiçoar e ligar-se ao par emocionalmente, e, durante os cios, apenas o parceiro consegue acabar com ele.
Era uma bosta.
Mas uma bosta bem planejada.
“Ei, vocês!” outra voz surgiu no recinto, poucos minutos depois.
Todos voltaram-se para além das grades, onde um policial, que reconheci como o mesmo que me informara na noite anterior, noite passada, ao roubarem meu celular, abria a porta com um molho barulhento e irritante de chaves.
“Pagaram a fiança, já podem ir” ele disse.
Hobi trocou um olhar com Suga, que deu de ombros.
Tentei me levantar, mas as pontadas de dor por todo o corpo me impediram até mesmo de me mover, soltando um guincho agoniado. YoonGi, sem falar uma palavra, deu um jeito ninja de sair de debaixo do beliche, sem mexer em mim. Em seguida, para minha surpresa, puxou minhas pernas até que eu as prendesse em sua cintura. Grunhi com a ardência, entrelaçando os braços no seu pescoço.
“Tá tudo bem?” perguntou, bem baixo.
Assenti brevemente, fungando. O homem fez um carinho singelo na minha panturrilha, fazendo com que eu relaxasse novamente, e encostei-me ao seu corpo, o queixo em seu ombro. Rindo soprado, ele levantou.
“Que casal mais lindo vocês, hein?” JungKook riu.
O loiro levantou a mão oposta a minha, e ambos levantamos o dedo do meio ao mesmo tempo. Hobi começou a gargalhar e o outro alfa fingiu não ver, rindo também.
Seguimos o guarda até a sala de espera, sob o olhar estranho de outros policiais e cantadas baratas, mal-educadas e inúteis de alguns detentos ali. Claro, ignoramos isso, mas precisei, com esforço, agarrar o pescoço do alfa loiro, para que ele não saltasse sobre algum preso ali.
Mal saímos da cadeia e ele já quer ser preso de novo?
Na sala de espera, tentei meio que me esconder ali, atrás do alfa, ao ver SeokJin e NamJoon no local. O mais velho estava com olheiras gigantescas e seu cheiro ainda não se dissipara totalmente, o forçando a usar um moletom grande, largo e rosa, jeans grossos e escuros e seus amados Converse vermelhos. NamJoon parecia estar mais à vontade nas suas roupas, uma camiseta preta, jaqueta escura por cima, jeans e sapatênis, mas estava claro que tentava ignorar o lugar onde estava, focando o olhar no chão.
Levaram alguns segundos para que reparassem na nossa presença, o que agradeci, usando o tempo para preparar-me psicologicamete.
“O que caralhos você tentou fazer esta noite, porra?!” Jin bradou, assustando algumas pessoas sentadas e machucando meus ouvidos.
Graças a qualquer divindade que o criou omega, não alfa.
“Desculpa, Jinnie-omma...” murmurei, apertando a camisa de YoonGi entre os dedos. “Não era minha intenção inicial.”
“Ah, claro” revorou os olhos. “Queria que a ligação fosse do hospital ao invés da polícia.”
“Na verdade” o loiro intrometeu-se na conversa. “Ele fugiu antes que pudessem fazer isso lá. Bom saber que você tem medo de agulha, coisa interessante.”
Senti meu rosto corar, as orelhas em chamas. Jin se aproximou um pouco, mas NamJoon o segurou pelo braço, atraindo dele um olhar assassino. Olhar esse que sumiu em poucos segundos, ao que o namorado apontou para certo ponto em mim. Sumiu entre aspas, já que foi substituído por um preocupado, penal, compreensivo e fraternal.
“Oh, meu Zeus” gritou, colocando as mãos na cabeça. “O que caralhos você fez com a minha criança, YoonGi?! Por que isso aconteceu!?”
Os olhos dele agora estavam cheios de lágimas. Apoiei meu nariz na curva do ombro do loiro e estendi minha mão para ele, que não relutou em segurar entre suas duas.
“Olá, Tae” seu alfa se pronunciou, finalmente, segurando a cintura do moreno choroso, e deixando um selo na cabeça do mais velho. “Acho melhor falarmos disso lá em casa. YoonGi vem conosco?”
Antes que eu pudesse sequer responder, o loiro já havia acenado positivamente.
“JiMin vem nos buscar” Hobi anunciou, voltando da recepção, ao que segurava os pertences de todos nas mãos, das quais metade era do meu alfa.
Santo Hermes, já estava o chamando de “meu”!
O loiro apenas concordou com a cabeça e se despediu dos dois, seguindo o casal mais velho, após eu acenar para os alfas com a cabeça, de modo infantil.
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