E eu te quis
2 Valores
Notas iniciais
Anelise
– Anelise. Não senhor policial, com "s". Henderson. Sim, filha de Tom Henderson. Ok, obrigada. — O policial me fitou antes de discar o número de meu pai e eu me sentei. Já tinha registrado do boletim de ocorrência e iriam mandar uma viatura atrás de John Taylor.
John Taylor. Quando comecei a falar, o policial ouviu e pareceu não se surpreender com a descrição de John. Eu pude ler sua ficha criminal, ser filha de alguém com certa influência é algo divertido as vezes, e ele já era bem intimo da delegacia. Pequenos furtos, brigas e rachas eram os culpados por suas diversas visitas e noites na cela. Larguei os papéis e refleti sobre aqueles olhos, eu nunca vi uma cor tão intensa, um choque percorreu meu corpo quando lembrei de seu aperto e por hábito passei os dedos onde o colar deveria estar. Suspirei, estava tão cansada que toparia ir a pé pra casa se isso significasse um pouco de sono, mas então meu pai e meus irmãos chegaram. Meus irmãos mais velhos tinham sido acordados, eu reconheceria suas caras de sono em qualquer lugar, e quando me viram, pareceram relaxar.
– Ane ? Aquele ladrãozinho te machucou maninha ? — É a voz de Rapha, meu irmão mais velho.
– Se tiver machucado, seus irmãozinhos lindos aqui vão atrás dele até que ele pague — Max é meu doce irmão do meio.
Perdemos nossa mãe muito jovens, ela um dia decidiu que não dava conta de nós quatro e nos deixou. Desde então papai, eu, Max e Rapha somos grudados. Claro, cada um no seu quadrado mas somos mesmo uma família unida. Meus irmãos se sentaram comigo e me abraçaram, mas então dois policiais entraram e logo atrás deles John vinha, algemado e com um sorriso de deboche. Ele me olhou e sorriu amarelo. Eu não retribui, mas era um jovem muito bonito. Eu desejei que ele não fosse criminoso, que fosse alguém bom e digno. Talvez tivesse um motivo por trás de seus atos mas eu não saberia. Levantei e meus irmãos o encararam, cruzaram seus braços e eu me senti com dois guarda-costas. Não gostava de quando faziam isso mas tudo bem, não me importaria.
– É esse o jovem que assaltou a senhorita ? — o policial me perguntou e John mordeu o lábio, perdi o fôlego, ele estava apelando.
– Sim senhor — eu disse, ele piscou pra mim e revirou os olhos.
Calma Ane, está tudo bem, ele quer jogar sujo com você e você não vai ceder
– E meus pertences, hmm, Fred ? — eu sabia o nome dele, só precisava tirar aquele sorriso dele.
– John. Sinto te dizer que não estão mais sob meus cuidados, loirinha — ele piscou e eu quase quebrei no meio, como não ?
– John, vamos, coopere e você não passa a noite aqui — o policial falou como alguém que já se cansou — vou ter que ligar de novo pra sua mãe ? Ela vai precisar pagar fiança novamente.
– Senhor, não se preocupe, ela não vai vir. Minha mãe desistiu de mim logo depois da última corrida. Então acho que vou indo, cela 1105 como de costume ?
Uma mãe que desiste do filho, eu não desistiria. Observei a cena atenta e senti uma pequena pontada de pena. Mas pequena, eu ainda queria meu celular e minhas jóias.
– Lugar de pessoas como você é na cadeia mesmo, rapaz. — a voz de meu pai era muito severa — Espero que sofra futuramente por seus crimes.
– Obrigado senhor, espero que sua filha não me esqueça, não tire meu charme da cabeça — oi ?
John era realmente corajoso, eu sorri um pouco mas logo parei quando vi o olhar de Raphael e Maximus sobre ele, precisavam sair de perto dele logo e eu não sei, mas não queria que meus irmãos ficassem perto dele.
Papai estava acertando alguns detalhes e John estava sentado brincando com as algemas, que deixavam marcas em sua pele. Meus irmãos tinham voltado para o carro e eu fiquei para assinar algumas coisas que faltaram, olhei para o relógio na parede e me dei conta que já passava de uma da manhã. Ah como eu quero minha cama
Mas então meu pai saiu e o policial que estava cuidando da papelada foi pegar algo em outra sala, me deixou a sós com John e eu gelei com seu olhar, mas ele não se levantou, apenas me encarou.
– Quanto é sua fiança ? Você parece já ter estado aqui algumas — muitas — vezes.
– Aquele colar paga.
– Meu colar ? Sua fiança não vale meu colar — falei indelicadamente pois o queria de volta — Nada vale meu colar.
– Nem mesmo a oportunidade de me conhecer e estar sozinha comigo, loirinha ?
Corei novamente, e ele permaneceu sentado, mas se esticou e parecia se divertir muito.
– Nada!
O policial voltou e fui liberada. Pelo que pude ouvir, eles teriam de ligar para a Sra. Taylor e pensei novamente que eu não desistiria de um filho. Suspirei, me odiando. Peguei uma folha de cheque no bolso do moletom, preenchi e entreguei ao policial, ele me olhou e surpreso era muito pouco, mas eu não olhei de volta. Apenas saí, com raiva pelo que fiz, agarrei a barra do moletom e entrei no carro. Nos dirigimos para casa, finalmente.
São os olhos dele que te encantam.
***
John
– John — o policial disse meu nome, mas não passara muito tempo, eu não podia estar sendo liberado — Sua fiança foi paga, vamos.
Me surpreendi. Levantei-me do lugar onde estava acomodado e passei pelo policial que me lançava uma enorme cara de tédio. Quem pagou minha fiança ? Minha mãe não pode ter sido, já tinha dito que não pagava mais nem um copo d'água para mim.
Saí de lá e vi as luzes do carro da loirinha. Ela. Claro.
Você realmente mexeu com a pessoa certa John.
Precisava ir em casa, pegaria as coisas da loirinha e retribuiria o favor, não iria ficar devendo alguém, especialmente a filha linda de Tom Henderson.
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