E aí, cê topa?
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Stella continuou correndo quando entrou no beco, sem perder o homem encapuzado de vista. Ao ver que o beco não tinha saída, o homem tentou se esconder, mas Stella foi mais rápida ao se aproximar e apontar sua arma.
— Você não tem saída. — gritou.
— Eu prefiro morrer à ter que ir pra cadeia. — ele levou sua mão a barra da calça e afastou o casaco, deixando o capuz que até então escondia sua identidade, cair.
Logo uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Stella ao ver que quem estava por trás do capuz era Walter, mordomo a mais de dez anos da família Grimme.
— Nem pense nisso, Walter.
— Se atirar, jamais saberá o paradeiro de Phillipe. — provocou-a com a mão ainda na barra da calça.
— Nós o encontraremos, mais cedo ou mais tarde. Mas algo me diz que não foi ele quem a matou. — retrucou com um olhar desafiador.
— Ele me obrigou. — gritou Walter. — disse que se eu não a matasse, ele levaria meu menino. Eu não tive escolha.
— Agora você tem. Diga-me onde Phillipe está e podemos ajudar na sua sentença.
— Sentença? — riu com deboche. — Quem disse que eu vou para a cadeia? — Walter removeu rapidamente a arma da calça, disparando contra Stella que, por sua vez, também atirou.
Nenhum dos dois disparos foram fatais, entretanto, o impacto das balas os derrubou no chão. Stella havia recebido um tiro de raspão no rosto deixando um corte superficial, para a sua sorte. Contudo, o impacto a fez bater com a cabeça, deixando-a desnorteada.
Seus olhos meio embaçados focaram na figura de Walter levantando-se à sua frente com a arma em mãos, e então um disparo foi dado.
Walter novamente caiu no chão, dessa vez morto.
— Stella! — gritou Mac aproximando-se.
— Mac.. — sussurrou Stella com a mão na cabeça, lutando para permanecer com os olhos abertos.
Mac se agachou ao seu lado, segurando seu rosto com as duas mãos.
— Que tal me deixar ver aqueles olhos verdes pra eu saber que está bem? — pediu, tentando disfarçar a preocupação com um leve sorriso.
Stella permaneceu inexpressiva.
— Stell, olha pra mim, por favor. — de relance, Mac percebeu alguns policiais entrando no beco, mas em nenhum momento tirou seus olhos de Stella. Sua mão passou a acariciar seus cabelos, tentando disperta-la. — Vamos, parceira. Eu sei que está me ouvindo.
Stella abriu os olhos lentamente.
Mac sentiu seus músculos relaxarem, finalmente permitindo-se respirar normalmente.
— Você precisa parar de me dar esses sustos! — repreendeu-a, arrancando um sorriso dela.
— Desculpe, é mais forte que eu. — sussurrou. Mac riu em resposta, ajudando-na a se sentar.
— Como você está?
— Só o corte que está ardendo um pouco, mas estou bem. — Mac lançou-lhe um olhar preocupado.
— Quais as chances de me deixar te levar para o hospital? — perguntou.
— São nulas. — negou com um sorriso. Mac suspirou.
Aos poucos o beco que antes estava vazio foi enchendo de policiais. Mac ajudou Stella a se levantar, seguindo para fora do beco.
— Walter confessou que a matou, mas disse que Phillipe o obrigou.
— Bom, isso explica o desaparecimento dele. Precisamos encontrá-lo. — afirmou Mac. — O que quer fazer agora? — perguntou parando em frente ao beco.
— Vou voltar à casa e ver se encontro algo que nos leve até ele. Enquanto isso precisamos nos certificar de que as crianças estarão seguras. Não sabemos o que o motivou, então tudo é possível.
— Eu cuido disso. Onde mais precisa de mim?
— Precisamos de um motivo.
— Eu encontro. — disse com charme. — Tem certeza que não quer ir ao hospital? Ou que eu pelo menos faça um curativo no seu rosto?!
— Não foi nada demais, Mac. Está tudo bem, eu prometo! — afirmou com um leve sorriso. Mac suspirou ainda desconfiado, mas por fim deu-se por convencido.
— Tudo bem, Bonasera. Nos vemos mais tarde. — com um último olhar cuidadoso sobre ela, Mac se retirou.
— Detetive Bonasera! — chamou um policial aproximando-se. — Os peritos chegaram para recolher o corpo. — Stella olhou para dentro do beco e viu a repentina movimentação.
— Certo. Peça para que eles vasculhem os bolsos da vítima antes de o levarem. Pode conter algo que nos dê uma dica de onde o segundo suspeito está. — com um aceno, o policial se retirou.
Stella suspirou, passando seus dedos levemente sobre o corte em seu rosto. Seus olhos percorreram todo o beco, trazendo à sua memória o acontecimento da última hora.
— É, Stella.. Dessa vez passou perto. — sussurrou para si mesma ao ver o corpo sendo removido.
— Detetive, encontramos isso dentro da carteira da vítima. Os outros bolsos estão vazios. — Stella estendeu a mão para o perito, pegando o pequeno papel e abrindo-o.
— É um endereço. — sussurrou. — Obrigada! Podem levá-lo. — o perito se juntou aos outros para levar o corpo. Enquanto isso, Stella pegou seu celular, ligando rapidamente para Don. — Don, me espere na entrada da delegacia. Passo aí em vinte minutos.
***
Mac caminhava pelos longos corredores do laboratório com os olhos fixados no arquivo que continha as informações da família Grimme. Nele citava Walter como sendo, além de mordomo, um amigo íntimo da família por aproximadamente onze anos. Mac observou atentamente a foto de toda a família reunida no aniversário do primeiro ano dos gêmeos, incluindo, é claro, Walter.
— Chefe! — Mac deu uma última olhada na foto antes de se virar para ver quem o chamava.
— Oi Danny.
— Tem um cara na recepção dizendo que tem informações sobre o caso em que Stella está trabalhando. — Mac arqueou uma sobrancelha, voltando seu foco brevemente para o arquivo em suas mãos.
— Estranho.. Não há registro de mais familiares, nem mesmo distantes. Ele se identificou?
— Não, só disse que é possível que estejamos atrás do cara errado.
— Tudo bem, vou lá falar com ele. Enquanto isso.. — Mac entregou o documento para Danny, que passou a lê-lo. — Pode encontrar mais informações sobre esse cara no canto da foto? O nome dele é Walter, era o mordomo da família.
— Era? — indagou sem tirar os olhos da foto. Mac suspirou, relembrando do que havia acontecido.
— Stella e eu o pegamos fugindo da casa. Ele tentou matá-la e eu fiz o que tinha que fazer.
— Por que ele voltaria na casa?
— Talvez tenha esquecido algo incriminador, ou então ele nunca saiu. — Danny concordou com a cabeça, olhando novamente para a foto do arquivo em mãos.
— Certo! Vou ver o que encontro. — Mac observou Danny saindo e seguiu o caminho contrário, rumo a recepção onde o tal homem misterioso o esperava.
Alguns minutos depois...
O homem aparentemente tímido olhava tudo à sua volta discretamente. Era notório que os quadros pela parede retratando o passado de Mac nos fuzileiros havia chamado sua atenção.
— Sente-se, por favor. — pediu Mac ao entrar na sala. O homem caminhou até a mesa e sentou-se na cadeira, recolhendo as mãos sobre o colo para não correr risco de encostar em algo que não devia. — E então, senhor...
— Carter. David Carter. — Mac observou seu modo cauteloso em falar e agir. Carter parecia ser o tipo de pessoa que era mal interpretado constantemente, e provavelmente aquilo já havia lhe causado problemas. Por isso todo o cuidado.
— Senhor Carter, se tem informações sobre o caso, por que não foi à delegacia? — David suspirou.
— Não queria gerar suspeitas, até porquê não sou um dos familiares mais queridos da família. — insinuou.
— Familiar? — retrucou com uma expressão confusa.
— Infelizmente. — sussurrou em resposta. — Eu sou o irmão da Elisabeth, a que fora assassinada. Ela sempre foi uma boa pessoa, assim como Phillipe. No começo, bem antes de Walter praticamente entrar para a família, nós nos dávamos bem. Quase toda a semana estávamos juntos em uma dessas reuniões familiares. — sorriu sem graça. — Mas depois que Walter foi contratado, aos poucos tudo começou a mudar. Ele destruiu a nossa família.
Mac permanecia inexpressivo, observando cada movimento de David, por menor que fosse, afim de saber se ele estava falando a verdade.
— O que ele fez?
— Quando tudo estava bem, ele vinha plantando suas pequenas sementes da discórdia. — debochou com raiva. — Ele fazia a cabeça da Beth, fazendo-a ver problemas aonde não tinha. Ele até insinuou que Phillipe a traía, e que eu sabia e o acobertava.
— E Elisabeth acreditava?
— Walter sempre teve uma boa lábia. Ele sabia como entrar na mente das pessoas e influencia-las. Foi assim até uns três anos atrás, quando Beth engravidou. Com medo de que ele pudesse fazer alguma coisa, decidi confrontá-lo. No meio da discussão ele admitiu que ele e Beth se amavam, e que nem Phillipe nem eu iríamos interferir. Mas eu sabia que não era verdade. Beth sempre foi apaixonada por Phillipe. Ela só queria que sua família fosse feliz.. — disse com tristeza.
— O que aconteceu depois?
— Ameacei contar tudo para Phillipe no jantar de comemoração à gravidez. Mas aí Walter foi mais rápido. Ele sabia a senha do cofre e roubou metade do dinheiro, me incriminando. Beth confiava cegamente em Walter. Para ela, ele era seu amigo. Então ela acreditou.
— A partir daí, você se afastou. Certo? — perguntou Mac.
— Eu não tive escolha. Aquela situação me deixou magoado e irritado. Eu não acreditava que minha própria irmã pudesse desconfiar de mim daquela forma. Então eu disse que daquele momento em diante eu não queria ter nenhum laço com eles, e que ela poderia esquecer que eu era seu irmão. — havia raiva e ao mesmo tempo arrependimento na voz de Carter. Se afastar de sua irmã daquela forma o havia machucado, assim como a machucou também.
— Eu sinto muito.. — disse Mac em um tom baixo. Carter suspirou, desviando seu olhar para imensidão ao lado de fora da janela.
— Durante praticamente três anos eu não soube de nenhuma notícia deles, até semana passada quando Phillipe me procurou.
— O que ele queria com você depois de todo esse tempo?
— Informações que somente eu tinha. — Carter voltou a olhar para Mac, cruzando os braços sobre a mesa. — Ele veio conversar comigo sobre Walter. Disse que ultimamente ele estava estranho, não parecia ser o mesmo.
Mac o encarou com os olhos semicerrados pensando que se aquela história continuasse naquela direção, ele sabia exatamente aonde daria.
—... Phillipe estava incomodado com a forma que Walter tratava Elisabeth. Os olhares, as conversas.. Havia algo de diferente. Mas o que realmente o impulsionou a vir falar comigo foi ter chegado um dia do trabalho e ter pego Walter observando Beth dormir. Daí ele se lembrou que no dia em que eu fui incriminado, ele ouviu uma discussão minha com Walter vinda do quarto. Ele imaginou que eu soubesse de algo que ele não sabia, então veio falar comigo. Foi aí que eu contei tudo pra ele. Phillipe ficou louco de raiva e disse que o confrontaria. Mas então a semana passou e, bom..
— A conversa não terminou bem. — completou Mac com um suspiro.
— Sabem onde Walter está agora?
— Morto. — afirmou Mac. Carter tentou disfarçar, mas seu suspiro de alívio não passou despercebido por Mac. — David, Walter nos disse que Phillipe o obrigou a matar Elisabeth, caso contrário ele mataria seu filho. Sei que tudo não passou de uma invenção da cabeça dele para tentar incriminá-lo, mas sabe se esse filho é verdadeiro?
— O filho do Walter morreu pouco antes de Phillipe o contratar. Ele foi assassinado. — Mac respirou fundo. — Vocês ainda não encontraram Phillipe, não é? — Mac negou. — Acho que sei onde ele pode estar.
— Onde? — antes que Carter respondesse, Mac sentiu seu celular vibrar. — Me desculpe, preciso atender.
Ele se levantou e virou-se para janela.
— Oi, Stella.
— Mac, uma das evidências nos levou até um endereço no Queens. Flack e eu fomos checar mas não havia ninguém em casa. Pode ser de um cúmplice, ou..
— De alguém que Walter quisesse morto. — disse Mac voltando a olhar para Carter, como se tudo agora fizesse sentido. — Stell, me dê um minuto. — Mac afastou seu celular e se aproximou de Carter.
— Por que acha que sabe onde ele está?
— Walter comentou a alguns anos numa conversa com a Beth que tinha uma casa no campo, onde ele ia raramente. Se ele realmente sequestrou Phillipe, só pode estar lá.
— Sabe exatamente onde fica? — Carter afirmou. — Certo, me leve até lá.
Mac reaproximou o celular da orelha, indo até o cabideiro para pegar seu casaco.
— Stella, onde vocês estão?
— Já estamos chegando no laboratório.
— Me esperem aí. Temos um lugar para ir.
Com isso, Mac desligou o celular e checou rapidamente se sua arma estava carregada. Carter se levantou, observando-o com cautela.
— O que vamos fazer? — indagou.
— Vamos resgatá-lo.
***
A casa de campo ficava a uns 20 minutos do Centro de Nova York. Era um lugar calmo, distante e sem qualquer movimento. Perfeito para pôr um sequestro em prática.
Mac estava no carro com Carter, e Stella com Flack logo atrás.
— Estamos chegando? — perguntou Mac sem tirar o foco da larga estrada de terra.
— S-sim, fica logo ali. — David apontou para trás das árvores, logo avistando uma enorme casa.
Quando Mac estava prestes a parar, algo chamou tanto sua atenção quanto a de Don.
— O que é aquilo lá na frente? — indagou Don com os olhos semicerrados. Stella abriu a janela e se esticou para fora, afim de ver melhor.
— Acho que é o Phillipe. Ele deve ter conseguido escapar.
Ambos os carros pararam e os quatro saíram.
— É o Phillipe! — exclamou Carter. — Vamos lá.
— Espere! — disse Mac segurando-o pelo braço. — Estão vendo a corrente presa aos braços dele?
Stella aproximou-se um pouco mais, observando uma longa corrente impedindo Phillipe de se afastar muito da casa. Ela ligava seus braços à dentro da casa.
— Ele não conseguiu escapar. Walter o deixou preso ali. — disse Don.
— Por que ele faria isso? — perguntou David confuso.
— Pode ser uma armadilha. — respondeu Mac.
— O que faremos? — perguntou Stella.
— A corrente pode estar presa a alguma bomba.. — ressaltou Don.
— Assim quem se aproximar para ajudá-lo, morrerá. — sussurrou Carter sem tirar os olhos de Phillipe.
— Não precisamos nos aproximar. — afirmou Stella. Mac a olhou, esboçando um leve sorriso. Ele sabia exatamente no que ela estava pensando.
— Flack, preciso que se comunique com Phillipe através do rádio. Diga para ele correr pra cá o mais rápido possível. Não sabemos se é uma bomba ou algo a mais, então estejam preparados. — todos consentiram.
Don foi até o carro e através do rádio avisou Phillipe, que na mesma hora parou de tentar se soltar da corrente com medo do que poderia acontecer.
— Stell, é com você. — disse Mac. Stella caminhou para frente do carro e pegou sua arma, apontando-a para a longa corrente.
— Não é muito longe para acertar? — indagou David com uma sobrancelha arqueada.
— Você não viu nada. — respondeu Mac.
Stella respirou fundo e disparou, quebrando a corrente próxima ao braço de Phillipe.
— Minha nossa... — sussurrou David boquiaberto.
Phillipe começou a correr desesperadamente em direção à eles. Quando afastou-se da casa o suficiente, a bomba explodiu.
Don e Carter esconderam-se atrás do carro. Mac abraçou Stella e se agachou, afim de protegê-la. Para sua sorte, a explosão não chegou até eles, e Phillipe conseguiu escapar.
***
Em menos de meia hora o local já estava cheio de policiais, peritos e uma ambulância para socorrer Phillipe. Todos o cansaço junto aos machucados que Walter havia feito, fizeram-no desmaiar.
Carter estava prestando um pequeno depoimento a um dos policiais de como descobrira a localização de Phillipe. Enquanto isso, Don checava a casa junto a outros policiais.
— Como encontrou esse tal de Carter? — perguntou Stella recostada em seu carro. Mac suspirou, recostando ao seu lado.
— Na verdade foi ele quem me encontrou. Foi ao laboratório dizendo que havia informações sobre o caso.
— Aquele endereço é dele?
— Sim. Walter sabia que Phillipe tinha conversado com David antes de ir confrontá-lo.
— David sabia demais. Não podia continuar vivo. — completou Stella com um suspiro. — Se não fosse pela ajuda dele, Phillipe poderia estar morto agora.
— Se não fosse por ele e pela sua pontaria. — afirmou Mac olhando-a com um sorriso. Stella riu sem graça.
— O que faremos agora?
— Já são quase 14h. — disse Mac checando seu relógio. — Que tal um almoço por minha conta?
— Eu topo. — respondeu com um sorriso, desencostando do carro.
Mac abriu a porta para que Stella entrasse, debruçando sobre a janela em seguida.
— Don e eu combinamos de ir àquele barzinho próximo ao centro hoje. Ele ficou de avisar o pessoal, assim comemoramos a chegada da Amélia. O que acha de ir comigo? — pediu com um sorriso de canto.
— Está me chamando pra sair, detetive? — provocou Stella com um olhar desafiador sobre Mac.
— Não é como um primeiro encontro, mas.. Já é o suficiente para apresentar minha nova namorada. — disse com charme, olhando-a nos olhos. Stella mordeu o lábio inferior, reprimindo um sorriso.
— Tudo bem. Você me pega?
— Com certeza. — lançando-lhe um último sorriso, Mac se afastou indo para o seu próprio carro.
***
Algumas horas depois...
A noite havia chegado, e com ela o lindo céu estrelado e o clima agradável. Mac havia acabado de chegar com Stella no The NoMad Bar, um bar completamente aconchegante e sofisticado, perfeito para uma comemoração no meio da semana.
— Será que Brad já está lá dentro? — perguntou Stella tirando o cinto.
— Sim. Don me mandou mensagem quando eu estava indo te buscar. Ele disse que Amélia e Brad foram os primeiros a chegar. Advinha por quem ele perguntou?! — provocou-a com um sorriso de canto.
Stella o encarou por alguns segundos.
— Por que o Don te diria isso? — Mac reparou em seu olhar sobre ele e simplesmente ignorou, retirando seu cinto.
— Não faço idéia. — mentiu.
A risada de Stella ecoou pela avalanche, atraindo novamente o olhar de Mac.
— O que foi? — perguntou se fazendo de desentendido.
— Você contou pra ele. — afirmou.
— Eu não... Ok, eu contei. — disse com um olhar culpado. — É bom termos um aliado nessas situações, você sabe.. — tentou se defender.
— Sim, claro. — debochou Stella com uma risada. Ao ouvir novamente o som de sua risada, Mac sorriu.
— Stell, antes de irmos.. Tem certeza que quer fazer isso? — Indagou com receio.
— Arrependido, detetive? — brincou.
— Não é isso, eu estou com você nessa, é só que.. — suspirou. — Não é nada. Acho que é bobeira minha. — riu sem graça, desviando seu olhar. Stella o analisou por um momento, imaginando o que o estava incomodando.
— Você está com medo que eu me sinta desconfortável. — afirmou. Mac a olhou, esboçando um leve sorriso. — É aquele seu lado protetor que eu amo.
— Ama? Achei que odiasse isso em mim..
— Odiar Mac Taylor sendo protetor? Impossível. — Mac riu sem graça. — Você é a minha família, Mac. Nós sempre protegeremos um ao outro.
Mac pôs sua mão sobre a de Stella, apertando gentilmente.
— Vamos entrar e ser o melhor casal que essa cidade já viu. — disse com confiança, limitando-se a sorrir.
— É assim que se fala. — riu. — Obrigada por fazer isso, Mac.
— Somos parceiros, lembra? No crime e..
— No amor. — completou com um sorriso presunçoso. Mac levou a mão dela até seus lábios, depositando um beijo carinhoso.
— Vamos nessa, parceira!
Ambos saíram do carro, caminhando lado a lado até o bar.
— Já sabe como quer contar à eles? — perguntou.
— Ainda não. Tem alguma idéia? — Mac respirou fundo refletindo por alguns segundos até uma idéia surgir em sua cabeça.
— Na verdade, sim.. Confia em mim? — perguntou com charme.
Antes de entrarem, Stella parou e o olhou nos olhos.
— Θα σε εμπιστεύομαι πάντα. — Mac riu.
— Oh, isso eu sei o que significa.
***
Ao entrarem no bar, o casal logo avistou a equipe sentada mais a frente. Todos já estavam lá, como de costume. Amélia parecia estar se divertindo e aquilo arrancou um sorriso de Stella, que logo desapareceu ao ver Brad sentado ao seu lado.
— Maravilha. — sussurrou.
— Isso vai ser divertido. — afirmou Mac com um sorriso travesso.
Ao se aproximarem, toda a equipe os cumprimentou. Danny, Don, Hawkes e Sid faziam seus comentários sobre o último jogo dos Mets. Adam, por sua vez, revirava os olhos a cada comentário, arrancando risadas de Amélia, Lindsay e Lovato. Brad permanecia inexpressivo, encarando Stella sem nenhuma sutileza.
— Olá, Brad. Quanto tempo. — disse Stella se aproximando, tentando soar o mais simpática possível.
— Stella! Continua linda..
— Soube que vai ficar só essa semana em Nova York. — desconversou.
— A princípio sim, mas sinto que algo me fará mudar de idéia. — afirmou com um sorriso de canto, olhando-a nos olhos.
Stella forçou um sorriso.
— Brad, bom te ver. — Mac se aproximou, pondo sua mão mas costas de Stella.
— Mac, é bom te ver também. Tem feito um trabalho incrível com o laboratório. — elogiou.
— Obrigado. Tenho uma boa equipe. — agradeceu Mac olhando de relance para Stella, que permanecia com um pequeno sorriso no rosto não vendo a hora de sair dali.
— Com certeza tem. — respondeu com um sorriso.
— Certo.. Vamos sentar? — pediu Stella.
— Claro! — disseram Brad e Mac juntos, se encarando logo depois. Don assistia toda a cena com um sorriso divertido no rosto, enquanto a equipe continuava a conversar.
Brad voltou ao seu lugar ao lado de Amélia, enquanto Mac e Stella foram se sentar do outro lado da mesa, ao lado de Lindsay.
— O que tá rolando ali? — sussurrou Stella enquanto olhava em direção a Don e Lovato.
— Parte da idéia de virmos ao bar foi para ele poder trazê-la. — respondeu Mac em um tom baixo. Stella sorriu. Ver Don feliz era tudo que ela mais queria.
— Bancando o cupido, Taylor? — brincou.
— Não é muito minha praia. — respondeu dando de ombros. — Mas até que levo jeito. — Sorriu.
***
O clima estranho do início logo se dissipou. A equipe rapidamente inclui Mac, Stella e até mesmo Brad na conversa. Durante a próxima hora algumas trocas de olhares um tanto provocativas rolaram entre Brad e Mac, mas ninguém percebeu, nem mesmo Stella.
No meio de mais um dos assuntos aleatórios, uma música que tanto Mac quanto Stella gostavam começou a tocar.
— Quer dançar comigo? — sussurrou para Stella, que sorriu em resposta.
Mac se levantou e estendeu a mão para Stella, que pegou gentilmente. A equipe os viu partir para a pista de dança com sorrisos nos rostos, exceto Brad.
As mãos de Mac fizeram seu caminho até a cintura de Stella, aproximando-a mais de si. Já as mãos de Stella estavam envoltas no pescoço de Mac, acariciando-o inconscientemente com seu polegar.
— O que está achando da noite? — perguntou Mac a olhando.
— Você sabe que eu amo essas noites com a equipe, mas.. Acho que trocaria facilmente por um filme e uma pizza no sofá. — Mac riu, alheio a idéia de Stella.
— É só me dar um sinal que te levo a qualquer hora.
— Bom saber. — disse com um sorriso.
— E então, esse Brad.. Não fui com a cara dele. — Stella riu, olhando disfarçadamente para a mesa.
— É, eu também não. — disse com um suspiro. — O que faremos a respeito?
— Sei de algo que o afastará por um bom tempo, além da equipe descobrir sobre nós.
— O que é? — perguntou curiosa.
Mac sorriu, levantando o queixo de Stella delicadamente com sua mão e aproximando seu rosto do dela.
— Boa idéia. — sussurrou Stella com os olhos fechados.
Continue...
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