E aí, cê topa?
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Stella caminhava apressadamente pelos corredores do laboratório, mal sabendo como iria contar sua pequena loucura à Mac. Quando ela aproximou-se de sua porta, o observou recostado em sua mesa enquanto lia um relatório. Após um longo suspiro, ela entrou.
— Mac, bom dia, precisamos conversar. — disse em um só fôlego. Mac a fitou com o olhar por um momento, arqueando uma sobrancelha.
— Eu conheço essa cara. É a que você faz quando apronta alguma coisa. O que foi dessa vez? — perguntou com um sorriso presunçoso de canto.
— Eu.. Preciso que finja ser meu namorado por uma semana! — Mac começou a rir, mas quando viu a seriedade no rosto de Stella, parou.
— Espera, está falando sério? — perguntou com indignação.
— Sim! Olha, eu prometo te explicar tudo, mas Amélia está voltando do vestiário e eu preciso muito que confirme minha história. — disse, tentando não soar tão desesperada.
— Então você disse a Amélia que estamos namorando? Por que? — perguntou confuso.
— Mac! — Stella o repreendeu com um olhar de súplica.
Duas leves batidas na porta atraíram seus olhares. Amélia tinha uma expressão serena no rosto e um singelo sorriso nos lábios.
Mac acenou para que Amélia entrasse, sem saber ao certo no que Stella o havia metido.
— Detetive Taylor, é um prazer conhecê-lo. — disse cumprimentando-o.
— O prazer é meu. Estamos felizes em tê-la aqui. — sorriu. — Sente-se, por favor. Prometo ser breve. — Amélia sentou-se na cadeira enquanto Mac dava a volta e também sentava. Stella permaneceu em pé ao seu lado, escondendo o nervosismo com um leve sorriso. — Creio que Stella tenha te contado sobre a equipe.
— Sim, ela contou. Estou ansiosa para conhecê-los. — afirmou com um sorriso.
— Saiba que o que você precisar, pode contar com todos nós. Don é o nosso detetive da homicídios, mas apesar de não trabalhar aqui no laboratório, ele faz parte da nossa equipe. Vai ser comum vê-lo por aqui. — explicou. — Vou pedir a alguém da equipe para te mostrar o laboratório e te apresentar ao resto do pessoal. Eu faria isso pessoalmente mas Stella e eu temos alguns assuntos para resolvermos. — Stella olhou de relance para Mac e suspirou, torcendo para não ter se metido em encrenca.
— Agradeço muito pela chance, detetive Taylor. E tenho certeza que vocês formaram uma equipe incrível. A começar pela Stella que já me ajudou muito desde que cheguei. — sorriu sem graça. Mac olhou para Stella por um momento, limitando-se a sorrir.
— Danny te passará tudo que precisa saber, mas deixaremos isso para amanhã. Hoje é o seu primeiro dia, então aproveite para conhecer o laboratório e se situar. Depois sinta-se a vontade para ir resolver suas pendências. Sei como é estar em uma cidade pela primeira vez sem conhecer ninguém. — esboçou um sorriso reconfortante.
— Realmente tenho muitas coisas para resolver. — sorriu timidamente. — Mas como meu irmão está vindo, me ajudará bastante. Sem contar que Brad já está familiarizado com Nova York, então será mais fácil de me situar. — da mesma forma que Stella, Mac sentiu seus pensamentos divagarem um pouco, até se dar conta do que ela havia falado.
— Brad? Brad Cooper é seu irmão? — indagou com surpresa.
— Sim. Ele trabalhou aqui a alguns anos como técnico. — respondeu com um largo sorriso.
— Oh, agora entendi. — disse de forma espontânea. Disfarçadamente, Stella esbarrou em seu braço lançando-lhe um olhar de repreensão. — Certo! Vou pedir ao Adam para te acompanhar no tour. — desconversou enquanto mandava uma mensagem para Adam.
— Muito obrigada, detetive Taylor. — agradeceu Amélia com um leve sorriso.
— Por favor, me chame de Mac.
— Oh, Amélia, nós conversamos e eu nem me apresentei formalmente a você. — disse Stella sem graça. — Sou a parceira do Mac, e segunda no comando aqui.
— É ela quem consegue manter meu bom humor e ao mesmo tempo me tirar do sério. Além de ser minha namorada. — disse levantando-se com um sorriso charmoso no rosto e um olhar convincente de um homem apaixonado. Stella riu, sendo acompanhada por Amélia que amou ver a cena de seus mais novos chefes.
— Se me permitem, vocês formam um lindo casal. — Amélia lançou-lhes um sorriso confiante. Aquele já estava sendo o melhor primeiro dia de todos, comparado ao seus outros um tanto desastrosos.
— Acredite, a parte linda do casal foi ela quem trouxe. — afirmou com uma risada. Stella o olhou surpresa pela repentina cantada, mas feliz por ele ter entrado em seu jogo, como sempre.
Ao ouvir o som familiar vindo da porta, Mac acenou para que Adam entrasse.
— Adam, essa é Amélia, nossa nova estagiária. — Adam estendeu sua mão para cumprimenta-la, sua expressão mostrando o quando havia ficado encantado pela beleza de Amélia. — Mostre a ela o laboratório e apresente-a ao resto da equipe, por favor. — pediu.
— É.. Eu.. — coçou a garganta timidamente. — Claro, vamos. — Amélia desenhou em seus lábios um sorriso encantador.
— Obrigada, Adam. Vamos! — Mac e Stella observavam a cena com pequenos sorrisos.
— Você é assustadoramente convincente, detetive. — provocou Stella enquanto os via sumir pelo corredor.
— Um bom detetive precisa ter algumas cartas na manga. — sorriu com chame. — Qual é o seu plano exatamente? — perguntou recostando novamente em sua mesa. Stella suspirou, recostando-se ao seu lado.
— Na verdade eu não tenho um. Entrei em desespero quando ela me disse que é irmã do Brad.
— Você tem uma maneira muito peculiar de lidar com certas situações. — a provocou com um sorriso travesso, levando um esbarrão de Stella e um olhar fulminante.
— Olha, você sabe que eu não te pediria se não fosse de extrema importância. Além do mais é só por uma semana. Depois inventamos uma briga e terminamos, daí voltamos ao normal.
— Esse seu romantismo me encanta. — debochou. — Você sabe que não é o meu estilo fazer esse tipo de coisa. — Stella desencostou da mesa, lançando-lhe novamente um olhar de súplica. Mac respirou fundo e sorriu. — Tudo bem, Bonasera. Eu topo.
Stella desenhou um enorme e brilhante sorriso nos lábios.
— Mas eu já vou dizendo que sou um ótimo namorado, então há sérios riscos de você se apaixonar. — provocou-a com um tom brincalhão.
— Vai ser difícil não ficar encantada com o seu lado completamente irresistível. — debochou. — Mas prometo me esforçar.
Mac sorriu.
— Então, temos um acordo? — indagou Stella estendendo sua mão, com um sorrisinho no canto dos lábios. Mac desencostou da mesa e aproximou-se ainda mais de Stella, apertando sua mão gentilmente.
— O que eu não faço por você? — perguntou com um breve suspiro. Stella sorriu em resposta.
— Não me digam que estão apostando quando Adam vai chamar a nova estagiária pra sair, e não me chamaram?! — indagou Don com entusiasmo ao entrar na sala.
— Não é cedo? Eles acabaram de se conhecer. — disse Stella com uma sobrancelha arqueada.
— Nunca é cedo demais para apostar no amor. — respondeu sorrindo.
Stella e Mac riram.
— Você está falando igual ao Sid. — enfatizou Stella com uma expressão de espanto no rosto.
— Não é pra menos. — afirmou Mac. — Eles assistiram juntos a maratona inteira de jogos na semana passada.
Flack deu de ombros, enquanto sentava no sofá.
— O que posso dizer? Sid e eu temos bom gosto quando o assunto é torcer pro melhor da cidade. — disse com convicção, fazendo ambos rirem.
— Aproveite enquanto é tempo, porque essa temporada já é nossa. — afirmou Stella com um sorriso vitorioso.
— Isso é ter bom gosto, Don. — disse Mac acenando para Stella.
— Ainda não acredito que vocês são os únicos da equipe que não torcem para os Mets. — reclamou Don indignado.
— Somos parceiros no crime.. — começou Mac.
—... E no jogo. — completou Stella levando seu punho fechado ao encontro do de Mac.
— É isso mesmo. — Don revirou os olhos, rindo desacreditado.
— Certo, meninos, vou deixar vocês conversarem. — disse Stella em meio a risada. — Te vejo depois. — Mac acenou e esboçou um leve sorriso, vendo-a sair pelo corredor.
Um suspiro cansado vindo de Don atraiu a atenção de Mac.
— O que está havendo, Don? — indagou sentando-se ao lado dele.
— É a Lovato.. — suspirou. — Ontem a noite antes dela ir embora eu quase a chamei para sair. Eu queria, mas.. Eu não sei se..
— Está preparado? — Don sorriu de canto.
— Como posso saber se estou ou não? — Mac olhou em direção a grande janela de vidro, lembrando da única pessoa que o fez esquecer de tudo, e se sentir preparado para seguir em frente.
— As coisas vão acontecer naturalmente. Você vai olhar nos olhos dela e sua única preocupação será em qual restaurante irá levá-la pela primeira vez. — sorriu.
— Foi assim quando você e Peyton namoraram? — Mac redirecionou seu olhar para Don, refletindo sobre a época em questão.
— Com a Peyton eu sentia que não estava preparado. Eu achava que era por isso que não conseguia me entregar, e me sentia culpado. No final das contas eu descobri que estava no tempo certo, mas com a pessoa errada. — explicou. — É normal se sentir assim, Don. Você passou por muita coisa, não se cobre tanto.
— E se eu não conseguir?
— Você vai, como sempre. — Don sorriu, sentindo parte daquele peso sair de suas costas. — Por que não vamos até o bar hoje? Assim vocês conversam melhor e você pode convidá-la para sair.
— Parece bom. — sorriu levemente. — É uma boa oportunidade pra Amélia se enturmar também. — Mac sorriu.
— Falando nela.. Tem algo que preciso te contar.
— O que foi? — indagou Don com uma expressão curiosa.
— Stella me pediu pra fingir ser o namorado dela essa semana. — Don riu.
— Tá brincando? Perdeu outra aposta? — Mac sorriu.
— Antes fosse. — reclamou. — Lembra do Brad Cooper? Um técnico que trabalhou aqui a alguns anos atrás.
— O carinha do DNA? Aquele que era apaixonado por Stella?
— O próprio. — afirmou Mac com um suspiro. — Ele é irmão da Amélia e vai passar a semana aqui.
— Então essa história de namorado é para afastá-lo? — Mac acenou em resposta. — Isso daria um filme.
— Nem me fale. — disse levantando-se.
— Você está numa boa com isso? Quer dizer, você e a Stella são amigos a muito tempo. Fingir ser namorado dela não vai mexer com você? — Mac parou em frente a sua mesa, olhando através da janela com as mãos nos bolsos.
Aquele não era um ponto que ele havia pensado, talvez porque não parecesse ser algo tão importante para se preocupar. Mac então respirou fundo, pensando numa resposta que além de convencer Don, também o convecesse.
— Não, não vai. — afirmou, quase em um sussurro. — Isso não é nada demais. Só estou ajudando uma amiga.
— Não é como se você fosse fazer isso por outra amiga. — Mac desviou seu olhar momentaneamente. Ele sabia que nesse ponto Don estava certo.
Don se levantou e caminhou até ele, parando ao seu lado.
— Não, realmente não faria. — afirmou Mac com um sorriso de canto. — Stella é minha parceira, Don. É diferente.
— Ah cara, qual é! Diz logo que ela é especial. — pediu Don inconformado. Mac simplesmente riu em resposta.
— Don, não me diga que está tentando convencer o chefe de novo que os Mets são os melhores? Cara, desista! — brincou Danny aparecendo na porta.
— Espera! Desde quando torce pros Yankees? — indagou Don com uma sobrancelha arqueada.
— Não torço. Só estava tirando uma com a tua cara. — respondeu com um sorriso vitorioso.
Mac riu enquanto Don revirava os olhos.
— Temos algum caso, Danny?
— Stella já foi pra lá e me pediu pra te avisar.
— Vou ajudá-la. Se surgir outro, assuma com o Hawkes.
— Pode deixar, chefe.
— Você vem comigo? — perguntou à Don.
— Vou voltar pra delegacia.
— Certo. Danny, me envie o endereço. — pediu antes de sair da sala.
— Já conheceu a nova estagiária? — perguntou Don.
— Sim. Adam me apresentou ela. — respondeu dando de ombros.
— Viu como ele olhava pra ela?
— E tem como não ver? — sorriu. — E então, cinquentinha?
— Fechado. — seus punhos se tocaram em um soco rapidamente antes de saírem da sala, cada um seguindo seu rumo.
***
435, Park Avenue — Casa dos Grimes, 11h30
Stella caminhava lentamente pelo quarto principal, fotografando cada detalhe que lhe chamava atenção. O corpo da senhora Grime estava no chão da sala, completando sua segunda hora post mortem.
No quarto um porta-retrato chamou sua atenção. Nele estavam a senhora e o senhor Grime, juntamente aos seus dois filhos pequenos, Josh e Zaya.
Stella segurava a fotografia em suas mãos, suspirando profundamente. Os passos atrás de si a despertaram, mas não a tiraram de sua posição.
— Já sabem o paradeiro do pai? — indagou Mac com a voz baixa.
— Não. — respondeu. — Os gêmeos estão com o conselho tutelar. Eles têm apenas 3 anos.. — sussurrou tristemente. Mac pôs a mão em seu ombro, apertando gentilmente.
— Vamos encontrá-lo. — Stella se virou, olhando-o com um pequeno sorriso. Antes que pudesse responder, algo chama a atenção de ambos.
— Ouviu isso? — perguntou com a mão no coldre.
— Ouvi. — respondeu Mac, pegando sua arma. — Está vindo do corredor.
Ambos caminharam lentamente até a porta com suas armas em posição. Com um último aceno, os dois saíram, de costas um para o outro.
Um movimento na escada de incêndio chamou a atenção de Stella, que na mesma hora viu uma homem encapuzado fugindo.
— A escada de incêndio. Ele vai fugir! — sem esperar resposta, Stella começou a correr atrás do homem.
— Stella! — chamou Mac. — Droga!
***
Stella estava à uma curta distância do homem. A corrida ficava cada vez mais difícil conforme obstáculos colocados por ele iam surgindo.
Mac conseguiu alcança-los na altura de um beco. Ele pôs sua arma novamente em posição e entrou lentamente no beco, dando de cara com a cena que mais o amedrontava.
Continue...
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