Oh, you gotta hold on

Hold on to what you're feeling

That feeling is the best thing

The best thing, alright

− Olly Murs in Up Featuring Demi Lovato

Thursday, 09:12 a.m. Adam’s House, California

Kimberly acordou devido a alguns raiozinhos de luz que passavam entre as cortinas. Ela mal podia crer naquilo que tinha acontecido no dia anterior.

Os seus olhos foram-se habituando à pouca presença de luz, enquanto uma mão passava suavemente sobre os seus cabelos fora de lugar. A sua cabeça estava deitada sobre um peito forte e bastante cheiroso, Adam.

− Bom dia! – Sussurrou.

− Sim, é claramente um bom dia. – Ela respondeu. – Eu não posso acreditar que mal nos podíamos ver e agora estamos aqui depois de uma noite…

− Inesquecível. Eu sei que parece de loucos, e bem, faz sentido tudo isto, afinal, nós somos um pouco loucos. – Ele acariciou o seu rosto.

− Isto não é errado? – Kimberly continuou com a cabeça pousada sobre o peito nu de Adam.

− Não é errado quando tu amas demasiado alguém a ponto de não a deixares sair da tua vida. – O seu tom era agora sério e apaixonado.

− Talvez estejas certo, mas e a Millena ou a Kelly? – Ela quebrou um silêncio estabelecido no quarto e olhou-o.

− Elas terão de aceitar, afinal elas não nos podem obrigar a não nos amarmos. – Ele beijou-a levemente com um gosto de mistério e um suave toque de carinho, livre de malícia.

Thursday, 11:42 a.m. Adam’s House, California

− Estou? – Kimberly atendeu a chamada identificada com o contacto de “Mia”. Era raro Mia ligar.

− Ah, Kim? – Millena falava do outro lado. – Onde te enfiaste? – Millena falou com preocupação e com um barulho de agitação como som de fundo.

− O que tens a ver com isso? – Kimberly olhou para Adam com uma expressão simbólica de “Digo que estou onde?”. – Estou com a Michelle. – Michelle era talvez a pessoa mais inusitada, a bibliotecária da Biblioteca Municipal.

− Michelle? Michelle Delucci? Isto é uma brincadeira?! Porque estarias com ela?

− Fui requisitar um livro ontem e ela acabou por me convidar para jantar com ela. – Kimberly tentava a todo o custo terminar a chamada para que Adam pudesse rir tranquilamente.

− Ah! Faz mais sentido! – Millena tinha engolido, desta vez, uma bola de mentiras. – Mas vais ficar a dever-me uma! Eu menti para a tia Kelly e disse que tu tinhas ficado cá em casa.

− Sim, sim. Adeus, minha querida! – Kimberly desligou na cara de Millena que disparatava sem parar do outro lado.

Após Kimberly ter pousado o telemóvel na mesa, Adam começou a rir. Kimberly olhou-o séria.

− Queria saber se fosses tu! O que farias? – Kimberly levantou-se e colocou alguns pratos e copos na pia da cozinha.

− Simplesmente não atenderia. Porque estaria demasiado ocupado a beijar a minha Kim. – Adam colocou as mãos na anca de Kimberly e cheirou o seu pescoço, provocando levemente Kimberly que levou as mãos molhadas à cara de Adam.

Adam não se importou com umas simples mãos molhadas, ele queria provocá-la de modo a que ela o desejasse.

Ele sentou-a de novo na bancada fria da cozinha e passou as suas mãos pelas suas pernas. Ele podia sentir o seu coração quase a saltar para fora. Enquanto as suas mãos, menos nervosas que no dia anterior, passaram na barra da sua camisa cinza-escura.

− Chega por hoje, garota. – Adam parou suavemente o beijo e retirou as suas delicadas mãos da camisa. Ela gemeu reprovando a ideia dele.

Thursday, 12:17 a.m. California

− Chegamos. Pronta para assumir tudo perante aquelas que nos poderão insultar ou amassar-nos com abraços? − Adam apertou a sua mão.

− Há outra ideia melhor? – Kimberly olhou para a casa onde crescera. Adam balançou a cabeça de modo negativo. – Okay, seja o que Deus quiser. – Kimberly abriu a porta e saiu.

Thursday, 12:17 a.m. Kimberly’s House, California

Kelly estava na sala de estar com Richard e Millena. Talvez, estivesse a contar uma mentira muito maior que a de Kimberly.

− Fico mais descansada assim. – Kelly engoliu também a mentira mal contada por Millena, enquanto ela forçava um sorriso.

− Millena? O que fazes aqui? – Kimberly surpreendeu-se. A sua mão estava cruzada com a de Adam. Todos os que estavam ali presentes redirecionaram a atenção e o olhar às mãos dados do casal.

− Vocês ficaram colados por alguma substância? – Richard perguntou pousando imediatamente o copo.

− Foi alguma aposta? – Kelly acompanhou Richard. Millena tentava engolir o riso.

− Não e… não. – Responderam em coro. Millena estava vermelha e tentava esconder o rosto com a sua bolsa.

− Então? – Richard perguntou com uma certa impaciência.

− Não é óbvio? – Adam ripostou.

− Nós estamos a… namorar. – Kimberly falou receosa, notava-se pela pausa demorada entre “a” e “namorar”.

− Dá-me os meus cem dólares, Richard! – Kelly abriu a mão e fez sinal para que depositasse a quantia na sua mão esquerda. Richard baixou a cabeça e abriu a carteira castanha, já desbotada pelo tempo.