E Se Fosse Verdade? 3 - A Batalha do Labirinto
10 Me transformo em um Matador de Gigantes
— Uou! — Minho gritou quando viu... o que quer que estivesse me segurando naquelas mãos horríveis. — Santo Deus! O que é isso?
Ouvi os gritos de surpresa se espalhar pela a Clareira à medida que os garotos notavam a presença daquele ser monstruoso. Eu mesmo comecei a gritar quando caí na real, de que eu estava nas mãos de algum ser gigante. Agitava minhas pernas, que estavam em pleno ar, e me debatia enquanto sentia uma onda de horror me tomar, comprimindo meu peito.
— Socorro! Socorro!
A voz estrondosa que ouvira antes voltou a falar:
— Não adiantou se esconder neste lugar, semideus. Ainda posso sentir seu cheiro.
— Eu não fiz nada! — berrava, tomado pelo o pânico. — Eu sou inocente! Não estou me escondendo!
A mão virou-se para a esquerda, o que me fez ter uma bela visão do rosto de meu raptor. A cabeça era enorme, do tamanho do meu corpo. Os cabelos eram avermelhados e caiam em tranças pelos os ombros. Os olhos negros, nariz gordo e a boca aberta em um sorriso cruel.
— Hehe! — riu o ser bizarro. — Vou lhe levar como um troféu para meus amigos, depois devoro você.
— O que é esse bicho? — gritou alguém. Pela voz, reconheci que era Royce.
— Como entrou aqui? — perguntou Alby, abaixo de mim. — Você é um dos malditos Criadores?
Uma pausa. As conversas e murmúrios desesperados aumentavam a cada segundo. Eu começava a me sentir tonto e enjoado por ficar suspenso no ar. O medo intenso fazia meu estômago se contrair e revirar. Tinha uma bela vista dos Clareanos de cima.
— Solte ele, pedaço de plong! — era Newt. — Não sei como apareceu aqui, mas está na cara que você não é um de nós.
O gigante horrível riu.
— Não tenham medo, tolos mortais. Apenas levarei esse meio-sangue comigo. Não se preocupem, vocês não são... — ele se interrompeu. O olhar ficou surpreso. Ele fungou vezes seguidas, como se fosse um cachorro farejando um osso, depois olhou para baixo e ficou procurando algo com o olhar. — Onde está você?
Ninguém disse nada.
O gigante deu três passos pesados à frente, o que fez com que todos saíssem correndo. Eu tentava me soltar de suas mãos. Ficava vendo o céu acima de mim aparecer e desaparecer enquanto o monstruoso gigante andava.
— Filho de Poseidon! — rugiu. — Não adianta se esconder.
— Minho — Alby parecia estar furioso. —, o que esse mértila está fazendo aqui? Você viu esse homem em algum lugar do lado de fora?
Homem? Me perguntei.
— Homem? — perguntou Minho. A voz dele soou trêmula. — Que porcaria de homem? Esse bicho horrendo e gigante invadiu a Clareira e você vem perguntar a mim?
— Como vamos livrar o Raphael? — perguntou alguém.
— Achei você! — bradou o gigante.
— Eu? — gritou um garoto. Era Percy. — Não, espera! O que eu fiz?
— Socorro! — gritei. Vi que os dedos do monstro estavam a poucos centímetros da minha boca. Tive uma ideia louca, mas com uma situação desse tipo, ou eu fazia isso ou ficava preso nas mãos dele. Então, abri a boca e dei uma mordida com toda a minha força em um de seus dedos.
— Aarrghh! — rugiu ele. Como previsto, a mão abriu-se, e eu saltei. Livre.
Caí no chão, e no mesmo instante a dor subiu por meus braços e pernas. Dei um gemido agudo, no entanto não fiquei lá. Levantei-me, cambaleando para os lados e pus-me de pé, olhando agora o gigante de baixo. Ele devia ter uns quatro metros de altura. A pele era escura e cheia de tatuagens. As únicas roupas eram um imenso short jeans esfarrapado e uma blusa azul claro, com os dizeres: QUANDO VOCÊ LER ISSO, JÁ ESTARÁ MORTO.
Por instinto, tirei meu mini celular do bolso e puxei a antena. A espada reluzente apareceu. Os garotos ofegaram, surpresos. Percy, que estava a minha frente, olhou para a minha espada parecendo abismado.
— Onde... onde conseguiu isso?
Eu estava tão trêmulo que não soube responder.
— Filhos de Poseidon! — rugiu o monstro. Ele avançou contra Percy, abrindo as suas mãos para agarrá-lo. No entanto, Percy, com um grito agudo, saltou para trás, tirando de dentro de seu bolso uma caneta esferográfica.
— O que vai fazer? — gritei, recuando, com os olhos no gigante. — Vai escrever o número do seu telefone na mão dele?
— Hã... eu não sei como explicar. — Percy recuou, tropeçando em si mesmo. — Mas quando eu tiro a tampa dessa caneta... — ele tirou a tampa, e de repente... uma espada surgiu do nada. Foi isso mesmo. Uma espada parecida com a minha. — Acontece isso.
— Vocês vão espancar o homem com um taco e uma bengala? — indagou Winston, nos olhando atônito.
Eu ignorei o que ele disse, por que nesse exato momento o monstro avançou contra nós, dando murros no chão e tentando nos esmagar com os pés. Incrivelmente, meus sentidos se aguçaram. Os instintos tomaram conta de mim.
— Vou levar a gordura de vocês para casa. — bradava ele. — Vou moê-los até ao sobrar mais nada desses corpos nojentos.
Aquilo estava mesmo acontecendo? Só podia ser um pesadelo. Um pesadelo bastante real.
Eu e Percy simplesmente nos desviávamos, aterrorizados demais para tentar atacar. Minhas pernas pareciam geleias. O medo de ser morto fazia minhas mãos tremer como se estivesse com frio. Mas... havia algo de familiar naquilo. Não sabia o que era. Sentia-me como se estivesse praticando um exercício para permanecer em forma.
— Ah, deuses! — gritou Percy, recuando. — O que fizemos?
— Nasceram! — riu o monstro.
Ele nos empurrou para longe com as costas das mãos como se fossemos insetos incômodos. Voei de costas e rolei pelo o chão sentindo meus braços pulsarem de dor, assim como o restante do meu corpo. Respirava curta e pesadamente.
Em meio àquela luta, pensamentos vieram à minha mente. O fato de ele ter me chamado de meio-sangue. Aquela palavra de novo. O que significaria? E ele também nos chamara de... filhos de Poseidon? Como assim? Aquilo estava tão confuso que balancei a cabeça, desistindo de pensar.
— Ei! — gritou alguém. Olhei, e vi Chuck se aproximar do gigante como se ele fosse uma pessoa comum. — Não bata no meu amigo, seu plong idiota!
E com isso ele deu um chute na perna do monstro. Aquela cena foi tão absurda que o gigante apenas riu, depois olhou para o garoto quase com desdém.
— Pequeno tolo patético. Não se meta nas questões dos outros. — ele levantou o seu pé enorme e o chutou fracamente para longe. Mesmo assim Chuck pareceu um boneco rolando pelo o chão, com um ganido. Os Clareanos simplesmente observaram. Depois olharam para o gigante com ódio.
Aquilo por fim mexeu comigo. Odiei o fato dele ter chutado meu amigo. Uma sensação de força percorreu meus membros. Levantei-me, empunhando a espada e tentei lutar contra o medo que parecia corroer meu estomago.
— Sou eu quem você quer. Não mexa com meus amigos. — fiquei impressionado com as minhas palavras. Chamar aqueles garotos de amigos sendo que mal os conhecia, nem sabia quem era a maioria.
— Pois venha comigo então. — disse o gigante. Ele arremessou sua mão para frente, pronto para me agarrar, mas imediatamente os instintos me tomaram, e fiz uma coisa que, pelos os deuses (essa palavra de novo?), até eu achei que não aconteceu de verdade.
Quando sua mão ficou a pouco metros de mim, avancei para frente, correndo, e no último segundo saltei sobre ela e pousei em seu braço. Uma descarga de Adrenalina encheu minhas veias nesse momento. Corri a toda velocidade por seu braço, antes mesmo de ele recolhe-lo de volta. Quando cheguei perto de seu ombro, ergui a espada com as duas mãos e saltei sobre o seu peito com um grito.
— O que...?
Ele não teve tempo de formular uma frase, pois no segundo seguinte a lâmina enterrou-se em seu peito. O rugido que o monstro deu provavelmente foi ouvido a quilômetros. Pensei que ele iria cair morto no chão, mas... não foi isso que aconteceu. O corpo dele começou a se esfarelar em areia amarela, até sumir. Caí no chão, sentindo-me exausto.
Um silencio absoluto. Ninguém disse nada por um bom tempo. Até que Alby finalmente quebrou o silencio.
— Mas que porcaria é essa que aconteceu aqui?
***
À noite, quando as portas do Labirinto se fecharam e todos resolveram dormir (por causa das ameaças de Alby), eu ficava relembrando cada momento daquela luta terrível contra o monstro gigante. Deitado em meu saco de dormir no mesmo lugar de antes, sentia-me como se fosse um tipo de alienígena visitando pela primeira vez a Terra.
Após a batalha, nenhum dos garotos se atreveu a chegar perto de mim, nem mesmo Royce. Minho por outro lado, ficou me olhando com uma expressão de confusão no rosto e depois não parou de fazer perguntas a mim, á medida que balançava meus ombros. Percy havia desaparecido após me olhar com receio e depois correr não sei para onde. Newt e Alby disseram que iam convocar outro Conclave sobre isso.
Me encolhi em meu saco de dormir, sentindo uma forte solidão me acometer. Por que isso acontecera comigo? Por que mais nenhum dos garotos era como eu? O que tinha de errado comigo? Era um maluco na vida passada? Por isso mandaram-me para cá, por ser muito perigoso para a sociedade?
— O que eu sou? — sussurrava, totalmente infeliz.
Chuck, o único que continuou a ficar junto comigo e que estava ao meu lado deitado, murmurou:
— Você é um trolho esquisito. — isso me ajudou bastante. — O que estava pensando quando pegou aquele taco? E o outro fedelho também, com aquela bengala?
Não respondi. Até por que se respondesse iria perder a paciência. As palavras que o gigante havia falado não saiam de minha cabeça. Meio-sangue. Filho de Poseidon. Também havia dito que podia sentir o meu cheiro, e me acusara de estar se escondendo.
Isso tudo deve estar ligado a esse tal Acampamento. Pensava, com toda a certeza. Aquela camisa laranja deve ser uma pista.
Tudo o que queria era poder dormir, dormir e dormir. Nunca mais acordar naquele lugar novamente.
O sono veio de uma forma aconchegante, e em minutos já estava mergulhado na escuridão.
***
Newt me acordou no dia seguinte.
— Levante-se, paspalho.
Eu resmunguei e virei para o outro lado. Ele chutou minhas pernas, dando uma risadinha.
— Levante logo!
— Me deixa! — disse eu. — Não quero mais viver nesse lugar.
Ouvi ele se sentar perto de mim.
— Escute, fedelho. Se bancar o fracote agora, vai ser um fracote pelo o resto da vida. Acredite, já me senti assim, mas ceder é a pior coisa que você possa fazer. Vamos logo. Quero por você para trabalhar. Quem sabe assim deixe de choramingar.
Eu sentei, coçando os olhos e sentindo a movimentação diária.
— Eu queria trabalhar em outra coisa. — murmurei baixinho. Mas Newt ouviu.
— Trabalhar em quê?
— Hã... — será que eu devia contar que queria ser um Corredor? Pensei em como a minha vida estava uma droga, então dei de ombros. — Queria ser um Corredor.
Newt me olhou com irritação, depois deu um sorriso de deboche.
— Certo, fedelho. Levante-se logo. Vou fingir que não escutei isso.
— Estou falando sério.
Mas antes que Newt pudesse falar algo, um som alto encheu todo o ambiente.
Era um alarme. Eu já tinha ouvido aquele som antes, mas me esquecera do que se tratava.
Newt se pôs de pé com um salto, o rosto tomado pela a confusão e surpresa.
— Mas que droga é essa? O que está acontecendo? — dito isso saiu correndo.
— O que houve? — gritei.
— Outro maldito Calouro está chegando pela a Caixa.
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