E Se Eu Fosse Semideus?
11 Cap. 11 - Meu Pai me dá uma Arma
Notas iniciais
Antes de começar a relatar essa parte da luta eu queria dar um aviso: Nunca, nunquinha mesmo, subestime uma pessoa, ela sempre vai dar um jeito de te mostrar o quão forte ela pode ser, e também, nunca ache que só por que você derrotou duas Górgonas facilmente, você vai derrotar a terceira com a mesma facilidade, principalmente se a terceira se chamar Medusa.
Enfim, continuando, Medusa era extremamente rápida e forte, sua força física era realmente monstruosa, com um golpe ela me arremessou até o outro lado do salão e antes mesmo que eu conseguisse ficar de pé, ela já estava muito perto, eu simplesmente não tinha tempo de me organizar e contra-atacar, e ainda havia o agravante de que eu não podia encara-la, esse era o grande problema.
Quando finalmente consegui algum tempo para me reorganizar, eu estava em um estado lastimável, meu pijama estava rasgado, eu suava muito, eu não sabia onde estava ferido, apenas via sangue pelo meu corpo, eu me acharia ridículo se não estivesse tão concentrado em achar algum ponto fraco naquela coisa.
Foi ai que pensei, "bom, ela é rápida e forte, mas tem aquele fraco contra espelhos, ela não pode ver o próprio reflexo, então vou usar isso como vantagem", corri os olhos pelo salão e vi o espelho, ele era redondo e parecia muito um escudo, mas para pega-lo eu teria que abrir mão de uma das minhas armas, joguei a lança de lado e corri em direção ao espelho.
Peguei o espelho no exato momento em que a Medusa desferia um ataque, e se eu não tivesse pego o espelho, bom, eu não estaria narrando isso, pois com certeza aquele golpe teria me matado. Assim que peguei o espelho a Górgona recuou, e pela primeira vez vi o medo crescer naquela coisa, tentei me guiar baseado na sombra dela e isso foi super efetivo, pois comecei a me adequar a velocidade dela e também seus movimentos pareciam mais lentos, ela estava distraída demais com o espelho.
A partir daí a batalha ficou bem mais equilibrada, o medo do espelho fazia Medusa recuar e eu me aproveitava disso, desferia golpes com toda a a atenção que eu tinha, abusando da distancia e da espada, mas aquela coisa também era esperta, ela simplesmente esperou por uma brecha, e quando conseguiu me deixou a beira do fim.
Por um breve momento meu corpo fraquejou, eu senti como se fosse cair e a Medusa se aproveitou muito bem disso, ela me pegou com um dos braços e me ergueu na altura do rosto, ela esperava que eu a olhasse nos olhos, mas eu me forcei a ficar de olhos fechados, sabia que do jeito que as coisas estavam eu morreria de qualquer jeito.
- Renda-se jovem semideus, mesmo sendo tão abençoado, sua vida termina aqui, mas não sou eu que vou matal-lo, meu mestre vai tortura-lo e destruí-lo, você e todos os seus amigos! Sabemos quem são e onde estão, mesmo a jovem filha de Zeus não pode com nossas forças, vocês foram derrotados. — Medusa falou isso e meu coração pareceu fechar no meu peito, minha prima estava em perigo, ela era a minha única família nessa nova vida, eu não podia perder ela.
Foi ai que ele veio, eu não sei como ele conseguiu força pra isso, ele estava acabado, ferido demais e cansado demais para se pôr em pé, mas conseguiu uma força inacreditável sabe-se la de onde, ele estava diferente, usava três katanas agora, uma em cada mão e uma na boca, a terceira lâmina era azul e seu movimento parecia fazer o ar ficar mais frio, ela espalhava a morte e esse era seu nome: Morte, a terceira katana do Lucas.
Ele mudou, estava muito mais rápido e seus olhos eram de um preto profundo, ele parecia ser capaz de acabar comigo com um único golpe, da mesma forma que fez com a Medusa, um único golpe, e a Górgona estava acabada, fatiada ao chão em três grandes pedaços de cobra, eu não consegui dizer nada, apenas fiquei quieto enquanto o Lucas embainhava as katanas.
Ele também não disse nada, apenas se virou e viu a Górgona desaparecer, ela ainda não esta morta de verdade, estava fatiada apenas, não tinha força para se reerguer naquele momento, mas ainda tinha força para falar, e aquilo que ela falou, só fez a minha ira e a ira do Lucas aumentar.
- Vocês podem ter me derrotado garotos, mas não podem com o meu mestre, ele vai mandar legiões de monstros para aniquilar vocês, vocês não podem mais ser salvos! Perguntem a filha da Morte! Ela sabe de tudo, perguntem a Karolayne!
Mal ela terminou de falar aquele nome, e o Lucas chutou a cabeça da Górgona, ele parecia triste e irritado ao ouvir aquilo, ele disse apenas uma coisa, mas aquela coisa ficou na minha mente por um bom tempo.
- Nunca mais volte a me encontrar, nunca mais venha contra os meus amigos e nunca mais, nunca mais mesmo, fale o nome dessa garota na minha frente, seu pedaço lixo!
Quando a Górgona finalmente se desfez em poeira, notamos que tínhamos um problema ainda maior, Letícia, a inimiga, ela ainda estava no prédio, ainda estava ali, cansada demais para nos atacar enquanto lutávamos contra a Medusa, ainda veríamos o que aconteceria com ela, de acordo com o Lucas não poderíamos deixa-la viva, mas eu não queria mata-la.
Resolvemos então interroga-la, algo bem simples mas que serviria tanto, eu saberia de tudo, saberia de onde eu realmente viria, ela podia ser uma espiã ou inimiga ou qualquer coisa do tipo, mas eu a agradeço, agradeço por me explicar o que eu sempre quis saber desde que minha jornada começou, e isso me lembrou que o Portal já havia fechado, tínhamos de achar outra forma de chegar ao Acampamento Meio-Sangue.
Eu não queria me envolver naquilo, então apenas observei enquanto o Lucas a interrogava, ele parecia um profissional naquilo, ele transparecia calma e aquele jeito dava muito medo, na verdade, dava inquietação, ainda mais por que ele estava com aquelas três katanas, não sei a Letícia, mas eu não queria levar um golpe daquelas coisas.
- Então, você foi minha companheira por muito tempo, o que te levou a nos trair agora? Ou melhor, quem te mandou aqui? — Lucas disse isso enquanto limpava cuidadosamente a lâmina de Morte, o que deu uma cena um pouco engraçada, mas ao mesmo tempo assustadora, a lâmina fazia o pano congelar, e fiquei me perguntando de que era feita aquela coisa.
- Eu não tenho que te dizer nada, até onde sei, você só me derrotou por causa do filho do Mar, se não fosse por ele você não teria conseguido usar a Morte, eu sempre soube que era um erro trazer esse garoto pra cá, sem ele eu teria conseguido satisfazer o desejo do mestre...- Quando Letícia disse isso ela parecia tão diferente, nem parecia mais a garota doce que conheci a alguns dias, eu não sabia se ela tinha mudado ou se aquela era realmente ela desde o início.
Mas algo que ela disse me deixou inquieto, ela disse "Filho do Mar", ela sabia...ela sabia quem era o meu pai e isso eu não poderia deixar passar, eu teria que confronta-la, eu simplesmente necessitava saber disso, necessitava como necessitava do ar que respiro.
- O que você disse? Você sabe quem é o meu pai?! — Eu disse aquilo com lágrimas nos olhos, mas eram lágrimas de nervosismo, aquilo era o mais perto que eu já tinha chegado da verdade.
- Eu não posso contar pirralho, infelizmente meu mestre quer que você desperte sozinho, ele quer que você sinta essa falta, essa frustração e quer que ela lhe consuma, até você vir até nós, até você rastejar e implorar por respostas! — Ela disse isso de um jeito tão frio, como se tivesse certeza que eu faria isso, me senti um pouco mau por isso.
- Eu nunca vou fazer isso, nunca vou atrás de você ou do seu mestre, seja la quem for ele, eu vou ficar aqui com o Lucas e com os meus outros amigos, eles precisam de mim e eu muito mais deles, nós vamos chegar ao Acampamento em segurança, e quando a hora chegar, bem, eu vou chutar a bunda desse seu mestre!
- Boa sorte pirralho, você não esta enfrentando uma coisa qualquer, seu inimigo é o próprio Tártaro, aguardo ansiosamente o momento que você vai tentar "chutar a bunda" de todo o abismo do submundo!
Tártaro...Assim que ela acabou de falar foi consumida por uma luz verde e desapareceu, eu sabia que ela não tinha morrido, ela apenas fugiu ou foi resgatada de algum jeito, mas agora eu já sabia o meu inimigo, não sabia como derrota-lo, não sabia como investir contra ele, não sabia como sobreviver, mas sabia quem ele era.
Fui tirado dos meus pensamentos com o grito do Lucas, ele já desembainhava as katanas, eu também sentia aquela presença, era algo grande, muito grande, maior que as Górgonas com certeza, eu sentia aquele cheiro de fogo, ouvia o som das escamas daquilo, ouvia a respiração pesada da coisa, ela era enorme, maior do que o Dragão que eu e as meninas havíamos enfrentado. Era um Drakon.
Ele era enorme, talvez uns doze metros, não sei como os mortais não o notaram, mas ele estava ali na entrada de nosso esconderijo, seus olhos amarelos estava parados em mim, isso significava que eu era o alvo, naquele momento eu só queria que o Lucas fugisse, eu não queria um amigo morto.
Ao invés de fugir ele simplesmente avançou contra a coisa gritando algo como "É hoje que teremos carne de calango para a janta mah!", aquilo me animou e parti para a luta também, se eramos uma dupla agora, teríamos de agir como uma, mas para o nosso azar, o Drakon podia cuidar de uma dupla facilmente.
Depois de algum tempo tentando atingir o monstro eu já estava cansado e o Lucas mais ainda, eu não lembrava mas ele ainda estava ferido, pedi para ele descansar mas ele disse que não queria perder a diversão com o "calangão", aquilo foi bom, realmente bom, mas o pior tinha que acontecer como sempre.
Com um golpe desferido com a calda, o Drakon destruiu minha espada e me jogou longe, o Lucas tentou me ajudar mas foi pego com uma patada e foi parar no segundo andar do prédio, ele bateu a cabeça no chão e desmaiou, ou seja, de agora em diante era eu contra o Drakon, e eu já estava desarmado e cansado, precisava de um milagre para vencer aquela coisa.
Foi então que eu pedi pela primeira vez, pedi ao meu pai, seja la quem seja, para me ajudar, roguei aos deuses uma maneira de continuar vivo, uma maneira de encontrar meus amigos de novo, uma maneira de salvar todos e de fazer tudo ficar bem, uma maneira de viver em paz. Mas o céu não me mandou uma maneira....me mandou duas.
Caindo do céu e brotando da água, foi assim que as minhas duas novas armas abençoadas pelos Deuses surgiram, a que caiu do céu veio carregada de eletricidade, o que fez o Drakon recuar e sibilar, a que brotou da água me encheu de força e trouxe com ela um aviso...um tridente verde na minha cabeça, e foi ai que eu entendi.
- Filho de Poseidon....huuuuun, legal, sempre achei que estava mais pra filho de Iemanjá, mas Poseidon é muito melhor.
E foi empunhando a lança do céu e a espada do mar que eu parti para cima do Drakon, eu me sentia completo, me sentia forte como nunca, eu iria destruir tudo o que entrasse no meu caminho e iria começar com aquele lagarto gigante.
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