E Se Eu Fosse Semideus?
1 Cap. 1 - Uma noite na praça totalmente estragada
Se você estiver pensando que suas aulas sobre Grécia antiga são chatas ou que não usaria nada que ali aprendeu, pense de novo cowboy, se você pensa que não precisa aprender outros idiomas ou que não precisa aprender um estilo de luta, seja ele com espada ou lança, e até mesmo com arco, eu tenho uma triste novidade pra você: se for um de nos, não sobreviverá, por isso deixe de ser preguiçoso e vá treinar, não faça como eu, tive que aprender na marra e tudo veio de uma vez, tudo bem que meu sangue e meu pai me ajudaram bastante mas mesmo assim foi muito difícil. Antes de começar a narrar a minha aventura deixo algumas dicas e me apresento, meu nome é Emmanuel e tenho 17 anos, e o restante de informações sobre mim vocês saberão no decorrer desta narrativa, bom, essas pequenas dicas podem salvar sua vida, então preste bastante atenção: se você vê coisas estranhas ou por algum motivo que você não sabe, você sabe algo em grego antigo, vá treinar, eu não gostaria de saber que um irmão ou primo meu morreu por ser uma pessoa idiota despreparada. Agora, por mais difícil que seja, vou relatar a vocês a aventura mais louca da minha vida, não leiam como ficção, por que ela é tão real quanto a pessoa que a escreveu, usem minha narração para se preparar, desde já, cuidado com o mundo crianças.
Tudo começou em uma maldita noite de Sábado, eu acordei depois de dormir a tarde inteira, era por volta das 18:00 horas, meus pais não estavam em casa e creio eu que também não estavam por perto, ainda cambaleando de sono peguei meus óculos e fui em direção ao banheiro, tomei um banho e escovei os dentes, quando lembrei o que faria naquela noite de Sábado meu coração disparou de animação, eu simplesmente ia estar com meus amigos na praça daqui da cidade. Bom uma pausa pra explicar onde moro: moro no Ceará, um estado Brasileiro se você não sabe, mais precisamente falando, moro na cidade de Itaitinga, cidadezinha pequena que fica localizada na região metropolitana de Fortaleza, que logicamente é a capital, aqui na cidade não temos muitas opções de diversão, então, estar com seus amigos é a melhor coisa do mundo. Voltando, corri pro quarto ainda molhado e me vesti rapidamente, já era quase a hora marcada pela Samya e ela odeia atrasos, acredite em mim você não vai querer uma garota como ela zangada com você, ela pode ser muito assustadora assim como minha prima Alice, só que a Alice tem aqueles truques com os choques que eu nunca consegui entender. Pois bem, sai de casa apressado quase esbarrando em tudo o que via pela frente, quando já estava quase saindo, recebo uma ligação estranha.
- Garoto, se eu fosse você tomaria cuidado ao andar pela praça hoje... — dizia uma voz rouca, forte e com aparência animalesca, como uma cobra.
- Quem...quem esta falando? Como conseguiu meu numero? E o que pensa que esta fazendo?! — meu tom de voz já estava alto, eu realmente estava me assustando com aquilo.
- Tenha calma jovem olimpiano quando a hora certa chegar você saberá no que acabou de se meter! Por hora apenas leve sua vida de maneira normal...por hora! — e a voz de cobra desligou.
Não sei como me senti com essa ligação, foi um misto de medo com empolgação, era como se eu esperasse aquilo a algum tempo e quisesse que algo assim acontecesse o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo o medo me dominou e me fez pensar se aquilo que eu sentia era certo, procurei não pensar muito nisso, peguei as chaves da minha casa e tranquei tudo, mal sabia eu que não voltaria pra casa tão cedo.
Quando cheguei a praça da cidade o clima estava estranho, parecia pesado, como se alguma atmosfera estranha estivesse ali, uma presença maligna ou algo assim, e fora que a praça estava vazia, coisa que não era normal para uma noite de Sábado pois em geral a praça fica lotada aos Sábados, não vi ninguém, nenhum amigo, muito menos a Samya e a Alice, por um momento senti uma certa dose de raiva, elas marcaram comigo as 18:45 e já era 19:20 e nada de nenhuma delas aparecer, o que não era normal pois elas são tão certinhas com essa coisa de horário que pode te deixar paranoico também, e falo isso por experiencia própria. Fui em direção a praça de baixo e me sentei, sempre gostei de ficar ali, me faz ficar calmo ou sei la ver melhor as coisas, passei alguns minutos pensando na voz ao telefone, aquela aparência animalesca, o timbre pesado e quase reptiliano, cara, é como se a voz estivesse por perto, me observando, e esse pensamento não me fez ficar confortável em uma praça deserta. Quando estava prestes a me levantar do banco e voltar para casa, ouvi um som vindo do lado escuro da praça (vocês podem estar pensando " ele não foi olhar não é? Ele não seria idiota a esse ponto não é?", mas sim fui idiota a esse ponto.) e isso chamou minha atenção, dei uma pequena corrida até lá e em primeiro momento só vi aquela nuvem de fumaça e fogo, sim, aquilo me assustou, mas o pior ainda estava por vir, da nuvem de fumaça surgiram braços mecânicos e do fogo surgiu uma cabeça de máquina: era um robô.
Não quis acreditar no que estava vendo por um bom tempo, foi o exato tempo em que o robô se recuperou da queda e me desferiu o primeiro golpe, fiquei ainda mais impressionado com a agilidade daquela coisa, ele era enorme e ainda assim bem rápido, não sei como consegui desviar do soco mas ele passou raspando minha cabeça, acho que tive sorte pois um daqueles socos poderiam me matar com certeza, mas a velocidade daquilo continuava aumentando até chegar ao ponto de eu mal conseguir desviar de seus golpes, um deles pegou em minhas costelas e me fez ser atirado a vários metros de distância e cair em cima de umas mesas de plástico que sempre ficam ali mesmo pela praça, a dor era aguda, foi uma das dores mais fortes que já senti e aquilo queimava cara, e como queimava, consegui me levantar cambaleando e atordoado, quando notei duas figuras se aproximando com extrema velocidade por trás do robô, elas eram tão ágeis que mal pude ver quando lançaram ataque aquela máquina assassina, um deles foi nos ombros do robô, o que o fez balançar e ficar com ainda mais raiva, se é que era possível, o segundo passou cortando sua barriga e deixou um rastro de eletricidade no corpo do robô, ele cambaleou, mas tinha um problema, a presa dele era eu, ele estava focado em mim. Mal tive tempo de me erguer, a coisa já estava perto demais para ter alguma reação, eu tinha certeza que o soco que viria seria o golpe final, então, apenas fechei os olhos e esperei minha morte chegar, mas cara eu estava errado, a visão que eu tive foi magnifica, aparando o soco do robô com força igual se não superior estava uma menina de cabelos curtos e uma menina branquinha de cabelos longos e negros, eram a Samya e a Alice, só que demorei para notar que ambas estavam armadas, Samya usava uma armadura leve, uma cota grega clássica e empunhava uma pequena faca de algo que, acredito eu, seja bronze, alem de parecer determinada com aqueles olhos de caçadora e com aquele pequeno elmo que a tornava...transparente...invisível, já a Alice parecia mais violenta, ela vestia uma armadura prateada que reluzia a luz da lua e me deixava atordoado, empunhava um escudo amplo com as cabeças de um cão estampadas, aquilo me causou medo, tive que desviar o olhar do escudo para não ficar apavorado, ela empunhava também uma espada média com lâmina em forma de raio e parecia ser feita de uma junção estranha de prata e bronze. Não tive tempo de admirar as armas e vestes delas, pois com a mesma agilidade que apararam o golpe do robô elas o o derrotaram, mas eu não vi como o fizeram, estava fraco demais depois daquele soco, foi como se alem da dor, ele tivesse drenado minhas forças, então apenas cai e dormi por um tempo que pareceu eterno. Quando acordei, não estava mais na praça, eu não sabia onde estava, mas estava com elas. Quando me viram, abriram algo que julguei ser um sorriso, Alice se aproximou de mim e me deu um soco no braço dizendo:
- Ainda bem que esta vivo priminho, pensei que seria fraco e morreria só com aquilo, mas estava enganada.
Não consegui responder, meu corpo ainda doía bastante e minha voz falhou, acho que do jeito da Alice aquilo queria dizer "Ei cara bom saber que você esta vivo, fico aliviada". Foi então que a Samya me olhou fundo e disse:
- Trate de se recuperar logo Emmanuel, temos uma longa jornada pela frente e você faz parte disso agora, a prova é que eles mandaram aquilo atras de você. Você é um Semideus então faça a sua escolha agora: viva indo com a gente ou morra permanecendo aqui.
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