E Se Cedrico Tivesse Sobrevivido?
4 O Embarque
Notas iniciais
Harry acordou no dia seguinte sem se lembrar de como voltou para a cama, apenas da sua melhor noite do mês.
Na manhã seguinte, contou a Rony e Hermione tudo o que havia acontecido na noite passada com Cedrico, enquanto arrumavam as últimas coisas para o embarque.
— ... Foi incrível, foi muito boa — disse aos amigos, indo para o Salão Principal tomar café.
— Que bom, porque a do Dumbledore não foi nada boa. Ele e o Cornélio Fudge tiveram uma discussão feia por causa da sua história com Você-Sabe-Quem. Dizem que até duelaram — contou Rony.
Ao entrarem no Salão Principal, Harry olhou para a mesa da Lufa-Lufa e avistou Cedrico, que também o procurava. Um sorriu para o outro quando seus olhares se encontraram.
Durante o café, Harry falou sobre o momento em que quase se beijaram, já que estavam sozinhos na mesa (os outros colegas da Grifinória provavelmente ainda arrumavam suas coisas para o embarque).
— Nossa, Harry, isso foi tão romântico! Eu gostaria de estar no seu lugar — disse Hermione, emocionada. — O que você acha, Rony?
Rony ficou calado o tempo todo em que Harry contava sua história. Parecia estar com raiva do amigo.
— O que foi, Rony? — perguntou Harry.
— O que foi? Você acabou de dizer que é gay e que gosta de um garoto! — respondeu Rony, levantando-se e saindo da mesa.
— Rony nunca agiu dessa maneira... por que isso? — perguntou Hermione, assustada.
Harry ainda tentava absorver as palavras do amigo.
— Eu pensei que ele não reagiria assim. Além do mais, ele e a família sofrem discriminação por serem pobres...
— Não se preocupe com o Rony, e sim com seu novo namorado — disse Hermione, levantando-se e indo atrás do amigo.
— Ele não é meu namorado! — gritou Harry, para que Hermione o ouvisse de longe. — Ainda... — sussurrou.
Todos os estudantes foram para a estação em Hogsmeade para o embarque, acompanhados pelos professores.
Harry foi se sentar com Rony e Hermione, como de costume, mas o ruivo saiu no segundo seguinte em que ele entrou. Ele e Hermione continuaram conversando, até serem interrompidos por alguém que abriu a porta da cabine.
Cedrico.
— Com licença, Harry... nós podemos conversar? — perguntou Cedrico, um pouco tímido por causa da presença de Hermione.
— Claro — respondeu Harry, saindo da cabine e acompanhando o mais velho.
Cedrico andou pelo corredor, com Harry logo atrás. Entrou em um banheiro. Harry se assustou.
“O que ele quer fazer comigo num banheiro?”, pensou, mas entrou mesmo assim e fechou a porta. Cedrico estava em pé ao lado de um vaso sanitário.
— Harry... eu queria te dizer uma coisa — começou ele, com um grande suspiro. — Eu gosto de você. Desde a primeira vez que te vi... eu me apaixonei por esse rosto lindo, mas nunca tive coragem de te contar. É isso. — Cedrico corou.
Harry ficou em choque. Um menino havia acabado de dizer que gostava dele. Respirou fundo e respondeu:
— Eu também gosto de você. Desde o dia em que me deu a pista do ovo, eu... me apaixonei por você. — Harry ficou ainda mais vermelho.
Silêncio. Os dois se encaravam.
— Então... que tal terminarmos o que começamos? — disse Cedrico, aproximando-se e tirando os óculos de Harry.
Eles se aproximaram mais alguns milímetros, e seus lábios se tocaram de forma delicada, num beijo de amor verdadeiro, sem segundas intenções.
Beijaram-se até chegarem à estação de King’s Cross. Saíram do vagão quando já não havia mais ninguém e deram seu último beijo.
— Te amo, Harry. Me escreva.
— Te amo também.
Harry avistou Hermione e Rony e foi se despedir.
— Tchau, Hermione. Você vai me escrever nas férias, né? — perguntou, abraçando a amiga.
— Claro. Tchau, Harry.
Rony nem olhou para ele.
Harry atravessou a parede de pedra e avistou o tio Válter esperando no carro. Ficou triste com a cena, mas, ao lembrar do seu novo namorado, percebeu que não havia motivos para chorar — afinal, visitaria seu amor nas férias.
Fale com o autor