E Se...
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Não existe dor pior do que a dor de perder alguém amado.
Maria Marta
Perder o meu marido de forma tão abrupta me destruiu. Não poder vê-lo, nem senti-lo junto ao meu corpo tem sido uma dor imensurável, uma dor que não pode ser dita com palavras.
Meus filhos sabem que eu não estou bem. Maria Isis a ex-amante de meu marido, que dizia que o amava assim que soube que ele havia morrido sumiu no mundo nunca mais deu as caras. Nem mesmo no dia do enterro do meu Zé a franguinha apareceu. Eu deveria parar de pensar nisso. Eu deveria pensar numa maneira de tirar a Império da lama.
Os dias se passaram, logo em seguida semanas, meses. Eu me sentia mal todos os dias mal me alimentava, e quando me lembrava não comia o suficiente para me manter saudável meus filhos já começavam a notar. E eu pensava que estava em depressão. O zé era uma das minhas razões de viver e quando ele se foi um pedaço de mim e a minha sanidade mental com ele.
Maria Clara
Esses ultimos três meses tem sido horriveis. Não poder ver meu pai diariamente tem me matado aos poucos assim como a meus irmãos e principalmente minha mãe. Todos sabemos o quanto ela amava o meu pai, o quanto ela o venerava. Não importava o quanto ele lhe xingava, lá estava ela pronta pra outra o amando incondicionalmente, sem restrições.
Pouco me recordo de meu tempo de criança, e que lembro são discussões longas e intermináveis entre meus pais, gritos e mais gritos. Mas mesmo assim minha mãe o amava e vê-la se matando aos poucos está nos matando também. E ainda tem o problema da empresa estamos nos empenhando para resolve-lo não sei se vai ser possível, minha irmã Cristina tem dado tudo de si para tirar a empresa do buraco, injetando um grande capital na empresa. Não sei o que seria de nós sem ela para começar e nos dar uma direção.
Maria Marta
Acho que devo fazer um viajem. Me afastar disso tudo poder pensar sem tantas lembranças ao meu redor. O destino foi cruel comigo me dando aquilo que eu mais queria e logo em seguida tirando-o de mim daquela forma tão miserável.
Penso que durante essa viagem devo me focar mais em mim mesma tentar sair deste estagio de letargia de que me encontro. Talvez voltar a viver feliz ao lado de meus filhos e netos. tentar aceitar que o meu Zé se foi... Me deixando aqui sem o meu porto seguro que era ele.
–- Mãe? -- chamou-me clara.
–- Sim. -- respondi sem olha-la.
–- A senhora não vai querer jantar não? -- perguntou.
–- Não minha filha, não estou me sentindo bem para jantar. -- comentei.
–- Faz alguns dias que a senhora não vem se sentindo bem. Deveria procurar um medico pra saber o que está acontecendo. -- aconselhou.
–- Estou pensando em viajar, passar uns tempos distante, ver se consigo me reerguer aceitar que seu pai se foi, talvez ser feliz. -- falei.
–- Acho que a senhora tá certa, deveria mesmo espairecer um pouco se cuidar mais, a senhora tem andado abatida ultimamente, sempre se sentindo mal. O que a senhora fizer é o melhor só não entre num mundinho só seu como tem feito ultimamente. só relembrando do passado, se martirizando pela morte do pai. A senhora ainda está nova viva a vida mãe, seja feliz. -- aconselhou-me sorrindo empolgada.
–- Vou pensar. -- respondi pensando no que minha filha me disse.
–- Agora vá descansar, porquê amanhã é um novo dia. -- falou antes de me beijar na cabeça e sair do quarto.
–- Amanhã é um novo dia...
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