E Se...?

27 Capítulo 27


A primeira coisa que acontece quando eu caio é apagar. Tudo fica preto por um tempo, até que vejo uma luz que vai ficando cada vez mais nítida. Chega a um ponto que consigo captar uma imagem e reconheço o rosto de Tomás. Não sei se é um sonho, ou se estou no outro mundo, mas é bom ver seu rosto.

Demora um tempo até que ele perceba minha presença. Seus cabelos estão molhados, sua camisa está amarrada no braço esquerdo, de modo que seu peito fique nu, e ele encara o violão. Porque toda vez que o encontro nos sonhos ele está com um violão por perto?

- Alice – ele sorri e vem ao meu encontro.

- Eu estou chegando, Tomás. Estou chegando!

- Chegando...? Mas você já não está aqui?

- Temporariamente. Logo poderemos passar horas e horas juntos, como antigamente!

- Estou com saudade – ele confessa corando.

- Eu te amo, Tomás. Amo como nunca amei ninguém antes.

- Nem o Pedro? – ele pergunta.

Sinto tudo parar. Encaro os olhos castanhos de Tomás, sem enxergar. Devo estar sem expressão. Nem o Pedro? Essa coisa de amor é complicada. Uns dizem que amar é perdoar, outros dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Pra mim, amar é quando uma vida só não basta. Quando mesmo nos dias mais sombrios, você sorri ao ver alguém especial sorrindo. Ou quando você acha lindo mesmo os defeitos do alguém.

Então eu me volto pra Pedro. Ele tinha defeitos. E não, eles não eram lindos. Na verdade, vivíamos brigando por conta disso. E mesmo fazendo as pazes depois, esses defeitos não eram apagados. Eu não compreendia o motivo do seu ciúme excessivo – quer dizer, era como se eu fosse um objeto que pertencesse a ele -, da sua agressividade, sempre quebrando as coisas ou arrumando briga no colégio. Não compreendia seu jeito de se vestir, tão fora de moda!

Tomás eu compreendo. Ele é tão ciumento quanto Pedro, mas o pior é que eu compreendo os ciúmes — é carinho, somente carinho -. Compreendo seu ego alto e compreendo algumas atitudes infantis dele. O pior é que sei de cada defeito do Tomás, e mesmo assim quero conviver com eles.

Amar é também perceber que com o outro, tudo é possível. Olha onde estou agora! Em Portugal, procurando algo que não sei o que é, somente para poder vê-lo novamente. E eu vou ver.

Continuo encarando os olhos de Tomás, mas dessa vez, eu os enxergo. Vejo a profundidade deles e sinto que ele também está vendo a profundidade dos meus. Pisco. Quando abro a boca pra responder, a resposta não poderia ser mais verdadeira:

- Nem o Pedro. Eu te amo mais do que um dia amei o Pedro.

Ele me puxa para um beijo. Nossos lábios se encaixam perfeitamente e nossas línguas se movem em sincronia. Na mesma frequência. Parece que faz eras que não nos beijamos. Necessito dele aqui!

A cena dissolve e então percebo que é um sonho. Tenho aquela coisa de sonho lúcido. Lembro-me deles, controlo eles. Se meu subconsciente mudou a cena, quer dizer que é um sonho. Agora eu e Tomás – que não paramos de nos beijar – estamos em um quarto de motel. Sorrio sapeca ao perceber o que meu subconsciente quer e mesmo que seja apenas um sonho, irei me satisfazer.

Tomás suga minha boca enquanto eu arranho seu abdômen nem tão definido assim. Tomás é gostoso, mas ele não é sarado. Nem um pouco. Ele distribui beijos pelo meu pescoço e orelha para só depois tirar minha blusa. E então distribui beijos pelo meu colo e ombro.

Mordo seu pescoço e ele solta um gemido fraco. E então as coisas vão ficando mais quentes e com menos roupas. A minha visão vai ficando embaçada e logo Tomás some. Abro os olhos e então percebo que ainda estou presa no subterrâneo. Foi apenas um sonho.

Notas finais
MANDEM REVIEWS, sim?
Leiam aqui, é I-M-P-O-R-T-A-N-T-E. Eu vou passar um tempinho sem postar, por favor, não me abandonem. A fic não entrará em hiatus, postarei antes disso. É só que quero finalizar minha fic de Jogos Vorazes antes, entenderam? E não sei se deu pra perceber, mas os capítulos estão menores e menos detalhados. Estão um lixo! Tenho idéias boas para a fic, mas para poder explorá-las, preciso de tempo e calma. Então é isso... Por favor, não me abandonem!