E Se...?

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Tava inspirada hoje *-*
Passei um tempo refletindo antes desse capítulo... Eu tava, hãm, deitada encarando o teto, pensando em... coisas... E bom, me deu vontade de escrever. Acho que as madrugadas foram feitas pra refletir, e não dormir, afinal.
Nuss... Leiam o capítulo! Ignorem-me.

Meu celular apita com a mensagem de Tomás dizendo que as passagens para Portugal foram compradas e logo em seguida outra mensagem, de Pedro, chega dizendo que tá tudo pronto para a fuga do Elite Way. Termino de fazer a mala dos meninos e, com a ajuda de Pedro, levo nossas malas até o jardim.

Observo o céu. Hoje é apenas mais um dia quente no Rio de Janeiro. As árvores da área externa do Elite Way estão quietas devido a ausência de ventos, a grama está, como sempre, extremamente verde e o grande sol quente está se pondo.

“Encontrão sua maior inimiga e partirão ao anoitecer” dissera mamãe.

Em menos de duas horas estaremos em um avião partindo para a Europa, procurando sei lá o que e ainda não sei quem é essa minha “maior inimiga”. Tomás comprou quatro passagens, por garantia, mas nessa altura do campeonato não tenho esperanças de que mais alguém irá me acompanhar nisso.

Só espero estar fazendo a coisa certa. Estou com medo, assustada, apavorada, me sentindo sozinha e com muitas saudades do Tomás. Quero dizer, do meu Tomás. Durante a última meia hora fiquei me perguntando se isso tudo não seria loucura. E se eu estiver mesmo louca? Esse enigma poderia ter sido apenas um sonho, não poderia? Meu medo está me consumindo. Porém, é a única pista que eu tenho. O único meio de chegar ao meu Tomás. Eu tenho sim, esperança. Afinal, ela, a esperança, é a única coisa mais forte que o medo.

Mas... E se chegarmos lá e não encontrarmos nada? E se...? Argh! São tantos e se na minha vida. Eu deveria tomar decisões sem pensar nas consequências, sem pensar no futuro. Mas simplesmente não consigo. Sempre que vou fazer alguma coisa, meu cérebro começa a trabalhar possibilidades.

Inteligentes escutam a mente. Estúpidos escutam o coração. Às vezes... Eu queria ser mais estúpida.

Isso me faz lembrar o quanto sou o oposto de Roberta. Ah, Roberta... Às vezes tenho inveja dela. Ela é linda, poderosa... Determinada, sabe? Fala o que pensa, age como quer. Ela não pensa, e talvez seja por isso que é tão feliz.

Espere, você também é feliz, uma voz diz em minha cabeça.

Suspiro cansada quando finalmente alcanço a escada de alumínio encostada no muro. Argh! Ela está tão suja... Empoeirada e enferrujada. Não acredito que vou ter que colocar a mão nisso! Que nojo...

- Primeiro as damas – fala Pedro.

- Para eu subir e o Tomás, nada tarado, ficar olhando minha bunda? – pergunto. – Não, obrigada.

- Eu não ia... – a voz dele vai morrendo. – Me conhece direitinho, hein Alice?

- Cala a boca, Tomás – fala Pedro fuzilando o moreno com o olhar.

- Calma aí, Pedro – ele levanta as mãos em rendição. – Olhar não arranca pedaço. Além do mais, tô só brincando. Eu só tenho olhos para a Carla.

- Meninos – chamo. – Desculpe interromper, mas acho melhor sairmos logo daqui, antes que o Dr. Jonas apareça.

- Eu vou logo – se adianta Pedro revirando os olhos.

Então ele sobe até o muro e observo Tomás entregar as malas pra ele. Logo depois, Pedro e todas as malas estão do outro lado. Tomás também fica do outro lado e agora terei que por minhas belas mãos e minhas unhas perfeitamente feitas nessa escada imunda. Ok, né?

— Aonde você vai? – pergunta uma voz e meu sangue gela.

Sabe quando você sente a temperatura cair e todos os pelos do seu corpo se arrepiar? Mais ou menos como quando alguém passa o dedo roçando em sua nuca? Ao mesmo tempo sua voz morre, a garganta fecha e sua mão começa a suar? Foi mais ou menos assim que me senti ao escutar a voz dela atrás de mim.

Nem Pilar nem Lucy. Maria. Ela calçava lindas botas de couro marrom por cima de uma calça jeans e uma blusa vermelha de manga comprida. Os cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e batom, também vermelho, marcando sua boca. Seus rosto laranja devido à saída do Sol, de modo que é quase impossível ler suas expressões.

É claro. Como não pensei antes? Ela é minha maior inimiga. Por causa dela, me meti nessa confusão toda. Porém, deveria estar agradecida. Se não fosse por ela, jamais teria conhecido meu Tomás.

Se não fosse por ela, você não passaria meses chorando, não estaria com o coração murcho de saudade agora, não estaria cruzando o atlântico, não teria se afastado dos amigos... Acorda, Alice, ela não lhe fez nenhum favor.

Uma onda de ódio subiu pelo meu corpo. Ela me acompanhará até Portugal? Eu precisarei da ajuda dela? Bom, talvez seja a chance de ela se desculpar. Ela estragou minha vida, agora concerte.

- Ficou surda, garota? – ela pergunta de sobrancelhas erguidas. – Eu perguntei aonde você tá indo.

- Alice! – grita Tomás do outro lado do muro. – Vem logo...

- Ah! – exclama Maria com puro sarcasmo. – Traindo a própria amiga, Alice?

- O que eu preciso fazer para você ir pra Europa comigo? – falo tão rápido que acho difícil ela ter escutado.

Maria me analisa por alguns minutos, com os olhos cerrados, talvez procurando alguma piada em minha expressão. Depois de alguns minutos ela levanta as sobrancelhas na defensiva.

- Que país?

- Portugal.

- Eu topo – ela se dirige até a escada.

- Você não quer nem saber o motivo?

- Querida Alice – ela se vira com ironia na voz. – Use o cérebro uma vez na vida. Se ficarmos aqui, podemos ser pegas. Se a causa não for boa, é só eu pular o muro novamente e entregar vocês.

Então observo a minha maior inimiga subir o muro e depois pular do outro lado. Faço uma cara de nojo antes de encostar na escada suja e subo o mais rápido possível. Ao pular o muro, vejo que já escureceu. A Lua brilha no céu e não há estrelas lá em cima. A rua está quieta e vazia, exceto por um carro vermelho estacionado na esquina e o táxi que Tomás havia chamado.

- Ela é minha maior inimiga – digo para os meninos.

E caminhamos em silêncio até o táxi. Depois fomos até o aeroporto em silêncio. Embarcamos em silêncio. Entramos no avião em silêncio. Maria não perguntou uma vez sequer qual o motivo do convite. E não tivemos nenhuma complicação ao embarcar. Todos somos maiores de idade e tínhamos visto. Bom, todos exceto Pedro, mas isso não foi um problema.

Quando Tomás e Pedro dormiram, já era quase três horas da manhã. Eu estava na metade de A Culpa é das Estrelas quando Maria resolveu tirar seus fones de ouvido e puxar um papo comigo.

- Eu devo estar ficando doida... – ela começa e eu fecho o livro, marcando-o na página 394. – Tudo bem... – ela suspira. – Conte-me sua história.

Não sei porque, mas não hesito em contar. Conto com todos os detalhes. A minha briga com o Pedro por causa dela, o meu insano desejo, o outro mundo... Contei sobre todos do outro mundo, inclusive que ela estava morta lá.

- Ele também é do nosso mundo! – ela exclama quando menciono Daniel. – Fiquei com ele verão passado...

Termino de contar as visitas estranhas da minha mãe, falo sobre minha volta e sobre meu último encontro com o Tomás. Conto do enigma e finalmente suspiro, aliviada ao ter terminado. Observo a janelinha do avião, o dia está amanhecendo.

- Você deveria dormir um pouco – fala Maria. – Passou duas horas falando. E até chorou! Descanse.

Penso em protestas, mas estou realmente cansada. Me lembrar de todos esses fatos me esgotaram. De repente, uma vontade de morrer me surgiu. Não, claro que não faria isso, mas... Passei por tantas coisas, porque simplesmente não desistir?

Poderia ficar horas refletindo, mas minhas pálpebras pesaram e fui forçada a mergulhar na inconsciência.

Notas finais
Gostaram? Não, né? suahsuahsuahsuh' a inspiração não serviu de nada ¬¬
Comentem, pfvr! Beijo ^^