E Se...?

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Oláa (:
Bom.. Eu tô com sono, então... Pudim!
Enjoy it ^^

POV Alice


Acordei no chão, na frente da sala do diretor. Olhei pros lados e não vi Pedro. Inconscientemente, levei minhas mãos até meus lábios me perguntando se o beijo não se passara de uma ilusão.

– Srta. Albuquerque? – uma voz masculina me chamou.

– Sim, diretor?

– O que faz aqui? – ele perguntou e antes que pudesse responder continuou: — Vá para a cantina, tomar seu café.

Nada respondi. Se eu tinha a oportunidade de me livrar da delegada, eu não poderia deixar passar, não é? Caminhei pelos corredores do Elite Way em direção à cantina e fiquei feliz ao constatar que Carla, Roberta, Diego e Pedro estavam sentados na mesa juntos. Como em meu mundo.

– Bom dia – disse sorrindo ao me sentar na mesa.

– Alice? – Pedro levantou o olhar, ligeiramente feliz. Ou... Apaixonado?

– Você voltou! – falou Roberta.

– Como assim eu...? – minha voz foi morrendo a medida que percebia quem estava entrando na cantina.

Maria, com saia azul, blusa branca e sapatilha, acaba de entrar sorridente agarrada no braço de Murilo. Sinto todos os pelos do meu corpo se arrepiando de medo, até que minha mente processa algo.

– Alice? – chama Roberta. – Parece que viu um fantasma!

– É... É quase isso – respondo sem desviar o olhar, até que...

– Bom dia – uma voz falou.

Levantei meu olhar e encontrei olhos castanhos brilhantes olhando para a torta em cima da mesa. Já tinha preparado meu melhor sorriso para cumprimentar meu namorado quando ele voltou a falar. Sua voz é tão calma... E meu sorriso murchou assim que meu cérebro processou o que aquelas palavras queriam dizer. Ele disse “Bom dia, minha linda”. Qual o problema disso? Nenhum.

Tirando o fato de que ele se dirigia à Carla.

É como se o mundo estivesse desabando. Ou como se eu estivesse em um quarto sem portas com as paredes se movendo em direção ao centro, se fechando, e em menos de uma hora eu morresse esmagada.

Voltei ao meu mundo. O mundo em que eu sou a namorada do Pedro, tenho uma banda, minha mãe está morta e a Maria está viva. Eu não podia voltar! Quando as coisas estavam se encaixando... E o Tomás? Eu o amo! Tudo vai se repetir. Eu vou sofrer novamente porque meu amor ficou em outro mundo. E a Maria? Quem matou ela? E se eu voltei... Como Tomás vai ficar lá? Afinal a Alice que ama ele está aqui. E como a Carlinha vai ficar?

– Porque você tá chorando? – Carla pergunta olhando em minha direção.

Inconscientemente levo minhas mãos até minha bochecha e percebo que estas estão molhadas. Mas é claro que eu estou chorando. O que queriam que eu fizesse? Parece que nada dá certo pra mim. Quando tudo começa a fazer sentido novamente, algo ruim acontece.

Primeiro, eu brigo com meu namorado. Segundo, vou pra um mundo maluco. Terceiro, sofro, pois meu namorado não me ama. Quarto, esqueço meu namorado e arranjo um novo amor. Quinto, volto ao meu mundo. Sexto, meu novo amor ficou no outro mundo.

– Não... Não foi nada – forço um sorriso. – Roberta, o que você falava sobre eu voltar?

– Ah... – ela troca olhares com os outros quatro. – Bom, é que você tava estranha esses dias...

– Depois da briga que teve com a gente – continuou Carla. – Você insistiu que Diego era seu namorado e que Roberta e Pedro te odiavam. Depois de um tempo, a Roberta ouviu você falando sozinha, repetindo que estava louca. Em um mês, você se desligou do mundo. Não falava, ouvia, nada... Estava dentro de uma verdadeira bolha. Apenas andava, comia e dormia, como se fosse um robô programado pra isso. Não se lembra?

Nego com a cabeça ao mesmo tempo em que as lágrimas rolam com mais frequência. A Alice do mundo do meu Tomás estava louca, como ele ficaria lá? Meu coração aperta só em pensar no Tomás sofrendo. Ao mesmo tempo, penso como meus amigos ficaram aqui...

– Que bom que está de volta. Vou ligar pro Oscar e dizer que já pode agendar os shows para a próxima semana! – falou Roberta. – E depois pro Franco... Ele realmente ficou preocupado com você, Alice. Você vem, Diego?

Ela olhou significantemente para o namorado e depois pra Pedro. O que significa que quer uma desculpa pra nos deixar a sós. E agora? O que eu falo para o Pedro? Diego levanta, acompanhado de Carla, acompanhada de Roberta, acompanhada de Tomás. E logo, eu estou sozinha na mesa com o Pedro, constrangida demais para falar alguma coisa.

– Tava com saudade da sua voz... – Pedro diz depois de um bom tempo.

– Eu... Hum... – o que dizer? – Pedro, eu... É... Nesses dias... Que estive numa... Bolha, hã... Eu pensei muito e acho que... Bom, talvez a gente... Assim, poderíamos terminar...?

– Mas porque, Alice? Tudo bem que a Maria me beijou naquele dia, mas...

– Não, Pedro! – me apresso para falar. – Não tem nada haver com a Maria. É que eu... Bom...

– Tem certeza?

– Tenho.

– Não tem volta?

– Não.

– Tudo bem, então... – ele disse depois de um suspiro. – Acho que não tenho mais nada pra falar aqui.

– Pedro! Eu não quero brigar com você. É só que... – pensa, Alice, pensa. – Bom... Eu passei meses inconsciente, pensando muito e... Tudo está confuso pra mim, sabe?

Mas ele não me respondeu. Ele levantou e me deixou sozinha ali, com o sentimento de culpa ocupando meu peito. Sei que não sou culpada. Ou sou? Não menti quando disse que estava confusa, porque realmente estou. Eu não sei mais o que pensar sobre minha vida ou os meus amigos. Talvez eu acabe igual a outra Alice: louca. Me feche, tentando processar tudo isso que está acontecendo. É muito para mim.

Sinto uma mão em meu ombro seguida de um cheiro. Um cheiro que nos últimos meses era meu refúgio. Nas últimas semanas, meu conforto. O cheiro de alguém que conseguiu me fazer feliz, mesmo quando eu não tinha mais esperanças. O cheiro de alguém que acreditou em mim, mesmo quando ninguém acreditava. O cheiro de alguém que roubou meu coração. O cheiro dele. Do meu Tomás.

Mas ao levantar o olhar, fazendo os azuis se encontrarem com os castanhos, logo minha visão embaça, devido às lágrimas que se acumulam em meus olhos. Aquele não é meu Tomás. É o Tomás da Carla. E olhando agora ao redor, este não é meu mundo, não é meu lugar. Meu lugar é onde meu Tomás está. Eu preciso voltar, pelo menos por algumas horas.

– Alice... – Tomás me chama hesitante. – O que houve? Para de chorar. Levanta a cabeça, princesa, senão o arquinho cai.

Ouvir sua voz só fez com que as lágrimas caíssem mais rápido, assim como ouvi-lo me chamar de princesa foi como uma faca no meu peito. Levanto e corro até meu quarto, me trancando no banheiro logo em seguida. Ligo o chuveiro e a medida que a água vai escorrendo pelo meu corpo, começo a chorar sem ter medo se alguém vai ouvir. Grito, soluço... Coloco tudo pra fora.

Depois do que me pareceram uma hora, saio do chuveiro e coloco meu pijama. Decido que não vou para as aulas da tarde, não tenho condições. Escuto alguém na porta e logo em seguida Miguel aparece, com os mesmos cabelos cacheados e beleza de outro mundo. Era só o que me faltava...

– Eu queria ficar sozinha, Miguel – falo antes que ele entre no quarto.

– Tem certeza? – ele pergunta e balanço a cabeça em afirmativa.

Ligo o ar-condicionado e me enrolo nos lençóis logo após a saída de Miguel. Tenho consciência de que Roberta entrou diversas vezes no quarto e me observou por longos minutos, assim como tenho consciência que Pedro apareceu diversas vezes na janela e fez a mesma coisa que a loira.

A questão é que fingi estar dormindo durante toda a tarde, quando na verdade estava perdida nos meus pensamentos, chorando feito uma louca e me castigando mentalmente por sempre meter os pés pelas mãos.

E então, depois de tanto chorar, finalmente algo bom aconteceu: eu dormi. Dormi me esquecendo dos problemas. Entrei na fantástica dimensão dos sonhos. Pois quando sonhamos, entramos em mundos inteiramente nossos e era isso que precisava de verdade. Esquecer de tudo.

Mas, mesmo querendo esquecer, ainda tinha a esperança de que quando acordasse, estaria de volta ao outro mundo e Tomás seria o meu Tomás novamente.

Notas finais
Então...?
MANDEM REVIEWS, POR FAVOR *-----*
Cara, cês tão muito legais, comentando e tals, mas mesmo assim... Nem metade dos leitores tão comentando. Por favor, gente?
AHHH, alguém aqui sabe de onde é o número "5555-0125"?