E ... Novamente estou sendo dramática!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando finalmente chegamos na escola (e terminava minha aula de tortura emocional) eu fico bem mais calma.
Matemática é melhor que educação física e ponto final.
Eu gosto dessa matéria e tenho mais facilidade do que os outros (ou é isso o que eu gosto de pensar).
Eu aqui me achando e depois tiro 9,5 na prova. Como sou babaca.
Pelo menos nunca fiquei de recuperação como outros que não quero mencionar. Eu consigo fazer a lição, mas não tão rápido quanto a Bianca
A professora ... .... A professora ... Caramba, qualera o nome dela mesmo?
Ei! Nos anos anteriores tínhamos poucas professoras, mas agora temos uma para cada matéria! É muita professora e muita pouca memória na minha cabeça de vento.
—Ata — eu murmuro para mim mesma me lembrando do nome.
Era Sophie. A professora Sophie era legal, mas dava medo as vezes, então era bom não irritar ela. Mas nossa sala é legal, somos inteligentes (cofcof tem suas exceções cofcof) e também bem comportados (cofcofocofcofcofcofcof!) .
Certo, não somos lá esses santinhos, mas se compararmos com as outras salas somos a segunda melhor sala da escola. Só não somos os favoritos por culpa do 9º ano.
Essa sim é uma sala legal! Um dia a professora de geografia faltou e metade da nossa sala foi pro 9º ano, e eles são mó gente fina. Povo tranquilo e de boa.
Ah! A professora estava explicando e eu aqui brisando! Calma, Rosmery, é só olhar o que a pessoa do lado está fazendo.
—Rosmery, passa esse papel pro Henry — ouço Harry falar do meu lado esquerdo.
Fico um pouco irritada, e pego a droga do papel disfarçadamente e dou discretamente para o Henry.
Eu não suporto esses dois! O Henry é da cadeira do meu lado direito e esses dois folgados ficam trocando papeizinhos e adivinhem quem é que tem que passar os papéis?
Exatamente! Esses idiotas pensam que eu tenho cara de pombo correio?
Esses trouxas só não estragam mais meu dia do que a educação física.
E ... Novamente estou sendo dramática!
Hoje eu estou mais dramática do que o normal. Eles não ficam a manhã inteira trocando papéis eu que sou meio irritadinha com isso. Mas de boa. A culpa é minha e pronto.
Percebo que a gente tem que fazer o exercício de uma página tal.
Ótimo, vamos fazer isso, eu só tenho que pegar o lápis que está ... que estava e cima da minha mesa ... Danilo ...
Provavelmente o Danilo roubou meu lápis. Okay então, de qualquer forma ele vai devolver depois. Pego outro lápis no meu estojo e começo a fazer o texto.
Só consigo entregar o texto nos últimos segundos, mas ficou legal.
E é hora do lanche ... Que bela porcaria. Pelo menos já é quinta, a semana já está acabando.
Pego meu lanche e saio com os outros assim que a aula acaba. Eu não gosto das sextas nem do fim de semana. Quer dizer, até gosto, mas ... Eu o odeio ... Quando ele bebe.
Não vou pensar nisso agora, vou pensar somente na minha solidão infeliz no intervalo.
E ... Novamente estou sendo dramática!
Eu nem estou tão solitária assim, eu só fico 15 minutos na mesa com meus colega ouvindo a conversa deles sem falar com ninguém. Mano, acho que todo mundo já passou por isso (ou assim espero).
Na realidade eu sou uma pessoa beeeeem carente. Eu sou tímida demais pra tentar puxar assunto com pessoas desconhecidas mas sou carente, era só o que me faltava.
Eu sou bem babaca. Eu tomo meu lanche e quando o intervalo acaba, nós voltamos para a sala.
As aulas seguem durante esse dia chato de quinta-feira. Bem podia ser pior. Hoje nem foi tão chato, o MEU colega (meu coisa nenhuma ¬¬) fez o favor de ser o mesmo palhacinho de sempre. Por mais que ele tenha me machucado, a culpa foi minha, e ele e faz feliz.
Não foi culpa dele se ele me deu um (ou dois, ou três, ou quatro ...) fora quando a gente era menor. Eu que fiz papel de trouxa.
E ... Novamente estou sendo dramática!
Eu realmente tenho que parar de sempre pensar assim. Caso contrário eu posso realmente acabar com a minha alto-estima.
**********
Cheguei em casa naquele meio dia de sexta feita. Dei bom dia para minha mãe e minha irmã menor (Luna) que estavam almoçando.
Coloque minha mochila no sofá, lavei as mãos e me sentei na mesa já lançando a minha típica pergunta.
—Papai não está?
Minha mãe nega com a cabeça, e murmuro um “Lógico” de modo que ninguém ouvisse.
Meus pais trabalham em casa, em máquinas de costura. E como minha mãe me disse uma vez:
“Geralmente é só isso o que boliviano sabe fazer”
Ela tinha bons motivos para me querer em uma escola particular e pequena. Ela sabe que eu fico sem argumentos quando tento dizer que não é fácil tirar sempre notas superiores a 9.
“Você tem a oportunidade de estudar”
“Se quiser eu te coloco em uma escola pública”
“Se quiser você pode começar a trabalhar comigo”
Mamãe sabe perfeitamente que eu não sobreviveria em uma escola pública. São muitas pessoas para meu medo de multidões.
Minha amiga era filha de bolivianos e sofria muito bullying por causa disso.
Meu pai terminou o Ensino Médio, mas minha mãe estudou por apenas 3 anos na vida e tem uma vida que me lembra demais uma novela japonesa.
Então o mínimo que eu posso fazer é ... Alcançar a “perfeição” que eles querem.
Minha letra não fica perfeita quando escrevo rápido.
Meus trabalhos parecem sempre estarem feios.
Minha personalidade fechada e lenta é algo que também não é aprovado.
Ás vezes eu me pergunto se eu nasci para contrariar eles. Eu sou tudo o que eles não gostariam que eu fosse.
E ... Novamente estou sendo dramática!
Eles tem razão. Eu só tenho que tentar me esforçar mais e me manter calada. Se algo acontecer eu ainda posso esconder o boletim como eu sempre faço quando vejo um 8 estampado lá.
E agora ... Papai deve estar bebendo com alguns amigos e talvez alguma mulher.
Talvez ele bata o carro de novo e eu vá chorar novamente, me perguntando se ele está bem.
**********
Acho que eu dei uma impressão errada dos meus pais. Vamos deixar claro algumas coisas:
Papai e nem mamãe nunca bateram em mim e na Luna.
Ele não bebe sempre, geralmente é só uma vez na semana, na sexta ou no sábado (um dos motivos pelos quais eu não gosto muito das sextas)
Minha mãe é muito legal com a gente (eu sempre acabo fazendo bobagem e ela nunca me bateu)
As únicas coisas que me incomodam é essa mania de perfeição. Eles tem que entender que eu sou uma inútil que não é perfeita.
*********
~Flashback on~
Assim que entro no quarto dos meus pais eu vejo um pequeno guarda roupa, e tem algumas peças de roupas no chão. Mamãe parece procurar algo desesperadamente.
Quando já tenho uma ideia do que ela procura, ela abre sua bolsa e começa a contar o dinheiro que tem nela.
Ela conta mais uma vez e começa a chorar e olhando em minha direção.
Minha boca já está começando a tremer, e tento segurar o meu choro. Me machuca muito vê-la assim.
—Falta quanto? – digo com um nó na garganta.
Assim que ela me responde, eu me jogo na cama, e sentada eu fico em silêncio, sem saber o que dizer.
Novamente minha mãe é roubada pelo meu próprio pai. Esse dinheiro era dela, ele não tem o direito de pegar e gastar com os amigos com cerveja e com sei-lá-mais-o-que.
Eu vejo ela começar a procurar no guarda roupa alguma outra coisa, e pouco tempo depois eu vejo ela com a minha bolsinha rosa com um gatinho. Ela abre o bolso e me olhar.
Eu me levanto contendo as lágrimas. Nem ouço direito o que minha mãe grita, eu só percebo que o dinheiro que eu tinha juntado faz muito tempo não estavam aí.
Então começo a chorar. Ela está sofrendo com isso. Acho que ela não aguenta mais isso, e sinceramente, eu também não. A abraço de lado vendo a bagunça no chão e minha bolsinha com o zíper quebrado.
“Então temos uma ladrão em casa?”
~flashback off~
Engulo seco, respiro fundo e encaro novamente meu livro de geografia. Tenho prova amanhã.
“Uma prova que eu tenho que tirar 10”
**********
As férias de meio de ano acabaram, e novamente eu vou para a escola. Eu vou ter que voltar com as aulas de educação física e me desesperando com um 8 no boletim.
Mas eu posso ver ele novamente. O mesmo garoto de sempre, que me fez sorrir quando estava triste.
Eu tenho muitos pontos de luz, mas alguns se apagaram com o tempo. Se eu não tiver o suficiente eu posso entrar em depressão.
Se todas se apagarem eu me mato.
Não faria sentido uma vida sem felicidade.
Em casa meu ponto de luz é minha mãe, pois admiro sua resistência. Mas ao mesmo tempo que ela é um ponto de luz, eu me sinto mais e mais covarde e uma inútil.
Eu poderia tentar falar com meu pai, mas eu tenho medo.
E tenho certeza que eles me odeiam por isso
EU mesma apaguei a luz que é Luna com a minha raiva.
Minha melhor amiga não tem falado muito comigo.
Minha melhor amiga na escola arranjou outra amiga (não a culpo por isso).
Meus pontos de luz estão se apagando aos poucos, mas eu estou conseguindo arranjar outros.
Eu criei a minha facilidade de rir de qualquer coisa. Vou rir como se fosse a melhor piada que eu ouvi na vida.
Vou dar aquelas risadas escandalosas como se eu fosse ... Uma foca engasgada?
Tenho uma grande facilidade em rir e chorar. Então eu choro muito. Para compensar essa felicidade perdida eu rio.
Então eu comecei a prestar atenção nas pequenas luzes na sala. Eu tenho 2 colegas de classe que são muito divertidos.
Mas um deles era mais espacial para mim.
O filho da professora. O meu primeiro amorzinho de infância. O garoto mais idiota da escola.
Mesmo que as vezes ele me magoe, o que eu sinto nada vai mudar.
Ele ainda é uma das pessoas mais importantes da minha vida
**********
Era sábado de noite. Papai ainda não tinha voltado. Eu e minha mãe estávamos no quarto deles e Luna estava no quarto dela e meu.
Então ouvimos a porta de baixo se abrindo.
“Papai chegou”
Vou rapidamente para meu quarto, com um pouco de medo. Falo pra Luna ir dormir, mas ela se recusa.
Eu grito com ela, e só então ela aceita se acomodar na cama. Fechamos nossos olhos e fingimos dormir, ouvindo do quarto ao lado a voz embriagada.
Uma vez eu vi meus colegas de sala falando que as vezes fingiam dormir para ouvir as conversas dos outros. E agora e pergunto quantos deles forçava a si mesmo para dormir, com medo de ouvir demais e sonhar com isso.
Penso em Luna. Eu tinha a idade dela quando começava a entender isso. Eu não quero que ela sofra. Ela é tão inocente.
E começo um choro silencioso.
**********
—Você se lembra de mim? – pergunta uma garota sorridente, apoiando as mãos em minha mesa escolar.
Respiro fundo, tentando não acreditar quem era ela.
—Não – eu minto.
—Eu sou a Bruna – ela diz sorrindo.
“Eu sei que é você!”
Finjo uma cara de surpresa.
Ela estudou com a gente no 3º ano (eu acho). Nós nos falávamos as vezes, mas depois eu comecei a criar um ódiozinho dela.
Ela fez um crime fatal contra a minha pessoa ...
ELA ROUBOU A MINHA FIGURINHA DE URSINHO! E AINDA COLOU NA MOCHILA!
Escorpianos são rancorosos, e eu não sou uma exceção.
**********
Todo mundo na sala ria com a piada que Cirilo fez, mas eu ria muito mais. Clara falou que eu ia ter um ataque cardíaco.
Olho de relance para Cirilo, já me controlando, abro u sorriso e volto a fazer minha lição.
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