E Falando de Mudanças Repentinas da Vida
19 Extra: Como foi para o nosso ruivo.
Notas iniciais
Cai deitado de costas na minha cama e fiquei encarando o teto ainda meio entorpecido. Que diabo de dia foi esse? Primeiro de tudo o que a Diana estava fazendo no Japão? No Japão! Aquela traidora de... Refreei-me quando notei que estava dizendo todos os xingamentos que conhecia em voz alta. Que inferno eu deveria ter escutado Matsuri quando tive a chance. E agora por culpa daquela ordinária Ino devia estar pensando sabe-se lá o que a meu respeito. Devia estar achando que eu só a usei, que eu sou um idiota mulherengo ou coisas piores. Remexi na cama atormentado com o cheiro da loira que estava impregnado nos lençóis. Olhei em volta notando as coisas de Ino espalhadas pelo apartamento. Eu precisava conversar com ela, ter ela de volta andando pelo apartamento bagunçando as coisas ou só matando um tempo em frente a TV. Eu... Precisava vê-la usando só uma camiseta minha de novo e desviar do meu caminho para levá-la a algum lugar que ela inesperadamente desejasse ir. Eu precisava dela. E só dela.
Eu não tinha certeza antes, mas essa sensação desconfortável ao ponto de fazer meu coração doer não poderia ser outra coisa que não amor. Era impossível que eu não tivesse notado isso antes. Era tão obvio que não fazia sentindo, eu ter só desconfiado.
Sai da cama a procura do meu celular e se ela não me atendesse eu ligaria para Sakura, mas eu iria falar com ela nem se precisasse pegar o carro e bater na casa de todos os amigos dela. Eu estava discando o numero dela quando alguém bateu a porta, fiquei tentado a não atender, mas abri a porta já que não era qualquer um que poderia subir ali sem que eu fosse avisado pelo interfone.
Não reconheci o homem parado a minha porta e já ia fechar a porta com uma desculpa qualquer.
– eu vim buscar as coisas da Ino. – ele disse assim sem nem se apresentar. Senti o sangue ferver, como assim ele tinha vindo buscar as coisas da minha garota.
– e posso saber quem é você? – perguntei.
– é mesmo você não me conhece. – ele bateu na própria testa. – que idiotice a minha. Shikamaru. – ele estendeu a mão e o cumprimentei sem muito entusiasmo.
– o namorado da minha irmã. – não consegui segurar a expressão de irmão ciumento, foi algo automático. – Ino não vai subir?
Eu andei rapidamente até a janela e ela estava lá embaixo encostada a um carro. Não conseguia vê-la direito, mas uma vontade urgente de ir até lá falar com ela se apossou de mim. E era isso mesmo que eu ia fazer se o namorado da minha irmã não me detivesse pelo braço no caminho à porta.
– aonde você acha que vai? – ele me olhou com raiva. – seja lá o que aconteceu deixou a loira muito abalada se você acha que vai lá terminar o serviço está muito enganado, você sendo irmão da Temari ou não. – ele tinha uma expressão ameaçadora.
– eu vou falar com ela queira você ou não. – balancei meu braço fazendo ele solta-lo.
– espera ai. – ele entrou no meio de novo me encarando. – talvez Ino tenha entendido tudo errado. – ele me olhava como se estivesse se certificando de alguma coisa e depois suspirou cansado. – eu acho que vocês dois precisam conversar, mas se descer lá agora não vai adiantar nada, ela está muito chateada. Mas posso conseguir uma forma de você conversar com ela ainda hoje.
– do que você está falando?
. . .
Olhei para o relógio, mas ainda era cedo para começar a me arrumar decidi ligar para Matsuri já que não iria encontrá-la hoje. Peguei o celular e o encarei tentando não ceder a vontade de ligar para Ino. Disquei o numero de Matsuri antes que estragasse todo o plano do namorado maluco da minha irmã.
– Oi, oi! – ela disse alegremente ao atender. – já ia te ligar perguntando quando você pretendia passar aqui.
– não vou poder sair com você hoje. – eu disse e escutei ela bufar. – deixe de ser mimada.
– não estou sendo mimada, mas nós ficamos três anos sem nos ver e sempre que te chamo para alguma coisa você diz não vai dar. – ela ainda ficou murmurando alguma coisa que eu não fiz esforço para entender.
– eu vi Diana hoje. – disse interrompendo ela.
– droga! Eu disse para você me ouvir, mas não... – ela parecia irritada ou preocupada era difícil diferenciar, talvez fossem as duas coisas.
– vamos diga logo o que você sabe.
– agora você quer saber. – ela bufou. – bom, aquela vadia filha de uma prostituta. – revirei os olhos escutando ela xingar, não que Diana não merecesse, mas ouvir uma garota dizendo essas coisas era um pouco estranho. – ela disse que estava arrependida pelo que fez com você e que viria procurar você. Eu só não imaginava que ela viesse tão rápido e, por favor, não caia no teatrinho dessa criatura desprezível você ainda se lembra do que ela te fez, é claro?
– você está me chamando de idiota? – reclamei indignado.
– só um pouquinho. – ela riu. – mas estou falando sério Gaara não caia na dela, mesmo se ela chorar. Ela é uma vadia fingidora de primeira.
– não vou. – disse.
– então onde você a viu? O que aconteceu? – ouvi o som dela roendo uma unha.
– aquela... aquela... bom, ela me pegou de surpresa e me beijou. Na frente da Ino. – escutei ela engasgar. — Matsuri? Tudo bem ai? – me preocupei quando ela não parou de tossir.
– tudo bem, só engasguei com um pedaço de unha depois de escutar essa barbaridade! – ela quase gritou. – por favor, me diga que a Ino ao menos deu uns tapas naquela cara horrorosa dela. – ela pediu.
– não, na verdade... Ela foi embora antes que eu pudesse dizer alguma coisa.
– você é um idiota ruivo? Ou um ruivo idiota? – ela gritou dessa vez. – como que você não corre atrás dela seu palerma. Você gosta dela certo? Não finja que não só porque eu já me declarei para você uma vez que eu lhe quebro os dentes.
– sim eu gosto dela. – disse meio incomodado. – eu amo ela.
– então... – Matsuri disse depois de uma pausa que parecia ter muitos significados. – seu idiota o que você está fazendo no telefone comigo ao invés de ir atrás dela? Eu preciso mesmo te dizer tudo que você tem que fazer?
– tenha calma ai! Eu já sei o que eu tenho que fazer.
– sabe? Bom... Então boa sorte. – ela disse, mas a voz dela me fez pensar se ela não tinha levado um soco na boca do estômago ou coisa assim.
– tudo bem? – perguntei me sentindo culpado por falar sobre isso logo com ela.
– tudo seu idiota, só vá logo fazer a coisa certa.
Ela desligou o telefone antes que eu perguntasse sobre a voz chorosa dela. Era ruim saber que eu era capaz de machucar minha melhor amiga dessa forma, mas eu não poderia ficar parado depois de descobrir que amo Ino. Além do mais Matsuri me mataria se eu não agisse de forma certa, ela tinha essa mania de pensar primeiro nos amigos e só depois nela mesma.
Olhei para o relógio, quase na hora. Fui tomar um banho rápido para então ir atrás da única loira que conseguia bagunçar a minha cabeça. Não existia nem comparação entre as duas loiras. Mesmo quando eu estava com Diana ela nunca tinha tido o poder de bagunçar as minhas ideias como Ino fazia. Se hoje eu não conseguia ouvir mais o nome dela era por orgulho ferido, eu sabia disso: eu nunca tinha amado Diana de verdade. E Diana nunca tinha me amado também, suas palavras sempre tinham sido promessas vazias, seus sentimentos nunca sinceros a diferença era que ela sabia desde o começo enquanto eu estava iludindo a mim mesmo. Eu não sei o que levou Diana a querer namorar comigo já que ela manteve um amante desde o principio do nosso relacionamento. Quando eu descobri isso nossa relação já estava no fim, mas meu orgulho não podia perdoar isso, a raiva que eu tinha dela era imensa.
Sai do banheiro e me arrumei saindo do apartamento com pressa precisava arrumar as coisas com a loira que realmente importava. Eu dirigi feito um louco até a Akatsuki, mas não me importei estava muito concentrado no que precisava fazer. Quando estacionei em frente à Akatsuki mandei uma mensagem para Sakura, como tudo tinha sido combinado. Fiquei esperando dentro do meu carro, levou algum tempo para Ino sair lá de dentro ou talvez eu é que estivesse muito angustiado. Sai do carro e fui até ela que estava para abrir a porta do carro de Sasuke e a chamei.
– Ino. – ela se virou na minha direção parecendo muito surpresa. — nós temos que conversar! Eu tenho que te explicar tudo.
– é... – foi o que ela disse parecendo meio pasmada.
– Ino. – dei alguns passos na direção dela – eu sei que você deve estar chateada comigo. Achando que eu te usei ou quantas outras coisas que você deve estar pensando de mim agora.
Ela ficou ali parada só me olhando. Passei as mãos no cabelo meio frustrado e angustiado. Queria explicar as coisas para ela, queria que ela dissesse coisas para mim. Parecia que ela não ia me ajudar eu ia ter que encarar essa, sozinho.
– eu quero explicar sobre Diana, sobre o que aconteceu e sobre os meus sentimentos.
Ela fez uma expressão de dor que fez meu coração doer por ter causado dor a ela. Ela encarou o chão evitando meu olhar, ela parecia estar pensando se fugiria dali ou se ficaria. Mas eu não poderia a deixar dar nenhum passo ela precisava me escutar. Eu não deixaria que ela saísse dali enquanto não estivesse tudo em pratos limpos e se depois de me ouvir ela ainda quisesse ir embora então eu teria perdido. E eu não podia perder de forma alguma, perde-la seria minha ruína.
– Ino! Você pode olhar para mim? – pedi.
Ela olhou para mim, mas tinha lágrima nos olhos e isso me deixou louco. Eu já tinha a visto chorar umas quantas vezes, mas saber que eu estava causando isso era assustador. Tentei abraçá-la, consolá-la, mas fui rechaçado. Ela se esquivou de mim como se eu fosse uma praga.
– Gaara, só me diga logo que vocês se amam e que você sente muito por não ter me dito que vocês estavam juntos. Eu não estou com raiva de você e sim de mim, por ter me apaixonado mesmo não sendo um casamento de verdade.
Ouvir aquilo fez algo dentro de mim dar um pulo. Foi uma sensação tão boa que me fez sorrir, mas Ino estava se afastando e eu precisei puxá-la pelo braço antes que ela escapasse e eu precisasse persegui-la. Quando a puxei sem medir a força que estava usando fez com que ela voltasse diretamente contra mim e eu não pude resistir colar aqueles lábios rosados, que estavam tão próximos, aos meus próprios. Eu não consegui me controlar a angustia das ultimas horas misturada a euforia de ouvi-la dizer que tinha se apaixonado por mim tiraram completamente meu controle. O beijo foi tão intenso que se alguém estivesse vendo aquilo acharia que eu estava tentando violá-la bem ali naquele estacionamento. Eu não conseguia tirar minhas mãos da cintura dela, em algum momento elas tinham ido parar ali, e o fato de ela corresponder ao meu beijo com tanto ardor quanto eu quase me deixou louco de vez. Tentei me controlar, mas estava difícil e quando finalmente consegui soltar meus lábios dos dela, só os lábios minhas mãos ainda estavam em sua cintura.
– do que você estava falando? Não existe nada entre mim e Diana. Não vou dizer que não existiu porque seria mentira, mas todo amor que existiu acabou. – eu disse sério, apesar de sentir que a palavra amor estava meio deslocada naquela frase.
– acabou? – ela parecia confusa, e me senti um pouco envaidecido por perceber que meu beijo a deixara de pernas bambas e mente confusa.
– foi o que eu vim explicar. – eu dei um sorriso enquanto apertava meus braços em volta da cintura dela. – eu e Diana éramos namorados enquanto eu estudava na Inglaterra.
– há três anos? Então porque ela estava aqui? – percebi a desconfiança na voz dela e tinha que concordar que da forma como ela havia visto as coisas ela tinha toda a razão.
– você tem o direito de desconfiar depois do que viu. Para ser sincero eu fiquei tão surpreso quanto você com o que aconteceu hoje. Matsuri tentou me avisar, mas eu não queria ouvir falar na Diana.
– por quê?
– nós namoramos durante quase três anos, e terminamos porque eu descobri que ela me traia desde o inicio com outro cara.
– que cruel. – ela murmurou.
– agora eu preciso dizer outra coisa. – disse sorrindo para ela.
– o que? – ela perguntou.
– eu não tinha certeza sobre meus sentimentos por você, mas hoje quando eu achei que tinha perdido você... Eu... – Eu olhei para ela sentindo minhas bochechas esquentarem, mas também se declarar não era bem uma coisa fácil de fazer. – eu percebi...
– percebeu? – ela perguntou me olhando com expectativa.
– que eu amo você.
Eu mal pude saborear a sensação de dizer aquilo em voz alta, pois em segundos Ino me abraçou muito forte e me beijou. E foi um beijo tão, oh! Tão... Eu não tinha palavra certa para descrever aquilo. Era um beijo tão intenso, mas não de desejo e sim de uma alegria tão forte que eu não sabia se estava delirando.
Pensar que ela correspondia meus sentimentos recém descobertos era muito incrível. Deixava-me tão eufórico que eu não tinha idéia de como dizer para ela o quanto ela me deixava feliz.
– eu também te amo! – ela disse e seu sorriso era tão lindo e suas bochechas coradas me deram vontade de mordê-la.
– vamos? – perguntei querendo levá-la para casa e não sair de lá por semanas.
– sim! – ela disse animada quem sabe pensando o mesmo que eu. Começamos a andar em direção ao meu carro, mas ela parou de repente. – espera só um minuto.
Ela voltou até o carro de Sasuke abriu a porta do passageiro e achou um embrulho lá. Ela o pegou com um sorriso no rosto e primeiro leu o cartão, coloquei meu queixo sobre o ombro dela e li.
“ Ino,
Eu, Naruto e Sasuke escolhemos.
Espero que você goste!
Aproveite a lua de mel.
Sakura.”
A ideia de Naruto e Sasuke ajudarem a escolher algo parecia propenso ao fracasso, mas eu fiquei realmente surpreso quando Ino abriu o embrulho e nós descobrimos se tratar de uma lingerie minúscula. Oh! É claro que era uma surpresa agradável.
– aquela idiota. – ouvi Ino murmurar e não pude deixar de sorrir.
– até que não é má idéia.
A peguei no colo enquanto andava em direção ao carro.
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