E Ainda Assim, Amor

18 Capítulo 18 – Queda, Segredos e Preocupações


O céu estava limpo, o sol brilhava intensamente sobre o campo de quadribol de Hogwarts e a neve que cobria o castelo começava a derreter, pingando das árvores e telhados. O ar fresco da primavera antecipada misturava-se com a excitação dos alunos reunidos nas arquibancadas, que gritavam e agitavam bandeiras.

No campo, Grifinoria e Sonserina estavam preparados para um jogo tenso. Harry, como sempre, assumia a posição de apanhador, Ginny estava como batedora e Ron como goleiro. Draco Malfoy, rival de longa data, estava determinado a tornar a vida de Harry impossível, voando velozmente pela equipe da Sonserina.

Lucy e Hermione sentavam-se juntas na plateia, acompanhadas por Neville e Luna.

Lucy mal podia conter a ansiedade. Olhava para Harry e Ginny em ação, o coração acelerado a cada movimento. Ela torcia silenciosamente para que nenhum acidente acontecesse, mas não conseguia tirar os olhos do campo.

— Harry está muito concentrado na snitch — comentou Hermione, empolgada. — Se ele conseguir apanhá-la primeiro, Gryffindor ganha.

Lucy assentiu, mordendo o lábio. — Ele tem que conseguir… não pode acontecer nada com ele – disse com um mau pressentimento.

O jogo começou com um estrondo de vassouras. Ginny desviava bludgers com agilidade, protegendo os companheiros, enquanto Ron defendia o gol com reflexos rápidos. Harry perseguia a snitch, que voava em zigue-zagues imprevisíveis, com Draco sempre a tentar distraí-lo. O público vibrava a cada manobra ousada.

— Atenção! — gritou Ginny, desviando uma bludger em direção a Harry. — Potter, cuidado!

Mas, no calor do momento, uma bludger desviada pela própria Ginny acertou acidentalmente na vassoura de Harry. Ele perdeu o equilíbrio, gritou, e a gravidade não perdoou. Harry caiu do céu, desmaiando antes de tocar o chão.

— HARRY! — gritou Lucy, levantando-se da arquibancada, o coração quase parando. Neville agarrou-lhe o braço para impedi-la de correr para o campo. Hermione segurava-a firmemente.

— Não podemos ir lá! — disse Hermione, tentando acalmar Lucy. — Madame Pomfrey vai cuidar dele.

Lucy sentiu o desespero apertar o peito. Observou enquanto Ginny também descia rapidamente do campo, rosto pálido e mãos trêmulas. Madame Pomfrey interveio, protegendo Harry, que era levado para a enfermaria. Nenhuma das duas podia acompanhá-lo. Lucy sentou-se na arquibancada, lágrimas escorrendo pelo rosto. O grito sufocado de frustração escapou dela:

— Por favor… não… Harry!

O resto do jogo continuou como num borrão para Lucy. Ron tentou se concentrar no gol, Ginny desviava bludgers com determinação, mas nenhum delas conseguia ignorar o medo pelo amigo caído. Harry, inconsciente, parecia vulnerável de uma forma que ninguém queria aceitar.

Quando o jogo terminou, Grifinoria havia vencido, mas o triunfo parecia amargo. Lucy desceu do estádio e seguiu para a enfermaria assim que Madame Pomfrey permitiu a entrada, mas apenas para observá-lo de longe. Ginny estava à porta, com o coração apertado. Ninguém pode entrar para junto dele, tiveram que esperar do lado de fora, impotentes.

Mais tarde, à noite, Ginny encontrou uma oportunidade de entrar furtivamente na enfermaria. Harry estava deitado, respirando lentamente, ainda inconsciente. Ela aproximou-se com cuidado, olhou para ele e, tomada por uma mistura de impulso e ternura, inclinou-se e depositou um beijo breve nos seus lábios.

— Desculpa… — sussurrou para si mesma, afastando-se rapidamente ao ouvir passos. Madame Pomfrey entrou, quase a apanhando. Ginny conseguiu sair sem ser notada, deixando Harry inconsciente, alheio ao que acabara de acontecer.

Na manhã seguinte, Harry abriu lentamente os olhos. Lucy estava sentada torta numa cadeira ao lado da sua cama, a cabeça apoiada levemente nela, e a mão dela segurando a dele.

— Lucy…? — murmurou Harry, a voz rouca. — O que aconteceu?

Ela sorriu, corando, mas apenas apertou a mão dele, os olhos inchados de quem tinha chorado muito. — Dormiste bastante depois da queda. Está tudo bem agora.

Harry piscou os olhos, ainda confuso. Havia algo estranho, uma sensação indefinida de que algo acontecera, mas não sabia o que era-

— Estou bem, Lucy — disse, tentando se recompor. — Só… não me lembro de muito.

Lucy assentiu, confortando-o com a presença silenciosa. O toque da mão dele na dela trouxe segurança e alívio. Ele ainda não sabia explicar a sensação estranha, mas o vínculo entre eles parecia fortalecido, mesmo que Harry não tivesse consciência do beijo.

Enquanto isso, o castelo começava a falar sobre o jogo: Grifinoria venceu, Harry caiu, Ginny demonstrou coragem como batedora, Ron defendeu o gol heroicamente. Mas os detalhes da enfermaria permaneceram um segredo, conhecidos apenas por Ginny.

Lucy observava Harry, sentindo-se aliviada por ele estar seguro e bem, mas também ciente do quanto a vida podia ser frágil, mesmo entre vitórias e jogos emocionantes. A primavera aproximava-se, trazendo luz, calor e novas esperanças, mas também lembrando a todos que Hogwarts continuava a ser um lugar de desafios, coragem e descobertas inesperadas.