E Ainda Assim, Amor

2 Capítulo 2 – O novo começo (POV Lucy)


Lucy Lane apertava a alça da sua mochila enquanto o Expresso de Hogwarts avançava pelas colinas cobertas de neve.

O coração batia rápido, misturando excitação e medo, como se cada quilómetro que os separava do castelo fosse também uma distância entre ela e a segurança que nunca tivera. Ser de Grifinória sempre fora um orgulho silencioso, mas agora o peso da responsabilidade e do passado parecia mais intenso do que qualquer desafio escolar.

Era estranho pensar que, apesar de ter perdido tudo muito cedo, Hogwarts ainda era a sua promessa de recomeço. Seus avós maternos tinham morrido quando ela era muito pequena, e quase não tinha memórias deles. Os avós paternos sucumbiram ao próprio Voldemort e os pais de Lucy foram forçados a juntar-se aos Comensais para protegê-la depois do lord os ter ameaçado, uma escolha que custou as suas vidas na guerra. Agora, livre desse medo e desse passado, ela respirava, mas ainda carregava a solidão como uma sombra invisível.

O Expresso rangia sob ela, e o cheiro do carvão queimado misturava-se ao perfume adocicado do chocolate quente do carrinho de doces.

As janelas estavam embaciadas pelo frio, e Lucy observava as árvores cobertas de neve e o rio que serpenteava pela paisagem. Hogwarts aparecia finalmente à distância, silenciosa e majestosa, as suas torres refletindo a luz da lua sobre a neve fresca.

Lucy sentiu uma pontada de ansiedade. Cada pedra do castelo parecia carregar memórias — batalhas, gritos, perdas — mas também promessas de proteção e aprendizagem.

Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração acelerado. Pela primeira vez desde a guerra, sentiu-se parte de algo maior, como se o mundo estivesse prestes a dar-lhe uma segunda chance.

Enquanto se aproximava da estação, percebeu o burburinho dos outros alunos que desembarcavam. Havia risos nervosos, abraços e lágrimas discretas. Ela mesma sentiu vontade de sorrir, mas a solidão insistia em se fazer presente. Grifinória sempre fora a sua casa de escolha no coração, e agora, ao ver o castelo ao longe, uma pequena chama de esperança acendeu-se dentro dela.

Ainda no vagão, o seu olhar cruzou, por um instante, o de um jovem com cicatriz na testa — Harry Potter. Ele estava sentado próximo aos amigos, silencioso, observando o castelo com um misto de melancolia e cansaço. Lucy sentiu uma pontada de curiosidade, mas desviou o olhar. Durante todos aqueles anos trocaram poucas palavras, afinal ele estava sempre com os dois amigos mas havia algo na postura dele, na maneira como segurava a mão de Ginny, que a fez sentir que ambos carregavam perdas semelhantes.

Ela tomou um gole do chocolate quente e deixou o vapor aquecer o rosto, tentando afastar o aperto no peito. Hogwarts estava silenciosa, imponente, mas ainda carregava ecos de batalhas passadas. Lucy sabia que aquele último ano seria diferente, cheio de oportunidades, mas também de desafios que talvez não conseguisse prever.

Quando o comboio finalmente parou, ela respirou fundo e pegou sua mochila. A neve brilhava sob os pés enquanto seguia os alunos até ao castelo. Cada passo parecia mais leve, mas também mais firme — Lucy estava determinada a enfrentar o ano com coragem, como uma verdadeira Grifinória.

Lucy queria guardar na memória cada detalhe: a escadaria coberta de neve que levava ao castelo, o brilho das janelas iluminadas, os murmúrios dos alunos veteranos, ansiosos por ver amigos e professores após a guerra.

Tudo parecia ao mesmo tempo familiar e estranho, como se Hogwarts tivesse mudado discretamente, enquanto ela própria mudara muito.

Enquanto subia os degraus que levavam ao castelo, uma sensação estranha percorreu-lhe a espinha. E, sem saber ainda, Hogwarts guardava mais do que lições de magia: guardava encontros que mudariam o seu destino para sempre.

Tinha a certeza que seria um bom ano, um ano de reconstrução interior para todos, um ano em que tudo mudaria, apesar de ainda não o saber.

Agora restava caminhar para o salão principal, assistir à seleção dos novos alunos guiada pela nova diretora e professora de transfiguração, Minerva McGonagall.

Enquanto se deleitava com o banquete a que Hogwarts sempre os habituou, Lucy olhou ao redor e viu o peso nos ombros da maioria dos alunos, afinal quase todos ali tinham perdido algo naquela maldita guerra, agora era tempo de seguir em frente e ser feliz sem nunca esquecer o passado.


Notas finais
Espero que estejam a gostar! 💛 A história ainda vai ser longa, cheia de surpresas, emoções e momentos mágicos. Mal posso esperar para partilhar tudo convosco.