E Ainda Assim, Amor
16 Capítulo 16 Consequências e Confissões
Lucy acordou lentamente na manhã seguinte, aconchegada nos braços de Harry. A luz suave do sol atravessava as cortinas da Sala Precisa, refletindo-se nas páginas do livro que ainda repousava ao lado. Sentiu-se feliz e, pela primeira vez desde que chegara a Hogwarts após a guerra, finalmente em paz. O calor do corpo de Harry junto ao seu transmitia segurança e uma sensação de lar que ela nunca tinha experimentado antes.
Ele abriu os olhos e sorriu ao vê-la acordar.
— Bom dia… dormiste bem? — sussurrou, a voz rouca de sono.
— Melhor do que podia imaginar — respondeu Lucy, com um sorriso tímido. — Obrigada por… tudo.
Harry apertou-a levemente contra si, sentindo a respiração dela acalmar a sua própria ansiedade.
— Eu só queria que soubesses… que estou aqui. Sempre. — Afirmou, com convicção.
Lucy fechou os olhos por um instante, absorvendo cada palavra. O silêncio confortável que se seguiu dizia mais do que palavras poderiam transmitir. Havia ali cumplicidade, ternura e uma promessa silenciosa de cuidado e proteção. Ambos sabiam que aquela noite tinha mudado algo, mas ainda não podiam colocar nome a todos os sentimentos que os percorriam.
No dia seguinte, pequenas mudanças começaram a surgir. Nos corredores de Hogwarts, os olhares que trocavam falavam por si só. Quando Lucy se cruzava com Harry entre aulas, uma breve pausa, um sorriso contido, ou o simples toque acidental de mãos eram suficientes para que ambos sentissem o calor da ligação que se formara. Cada interação carregava uma tensão doce, uma cumplicidade silenciosa que nenhum dos dois queria quebrar.
— Harry, concentra-te! — exclamou um professor de Feitiços Avançados durante uma aula, ao ver os dois sorrisos trocados por sobre os livros. — Se continuarem a brincar, vão para a detenção! — O olhar era sério, mas quase divertido pela distração óbvia do casal.
— Desculpe, professor — murmurou Harry, corando levemente.
Lucy apenas baixou a cabeça e sorriu, sentindo o calor subir-lhe às faces.
Durante uma aula de Poções, Hermione reparou no jeito distraído de Lucy.
— Lucy, tudo bem? — perguntou, baixinho, inclinando-se para perto dela.
— Sim, só… estou a pensar em algumas coisas — respondeu Lucy, a voz quase inaudível. — Mas nada que te diga…
Hermione sorriu, entendendo mais do que Lucy queria admitir, e voltou a concentrar-se na sua poção.
Noutro dia, Ginny passou pelo corredor e ouviu uma conversa que não devia. Harry conversava com Ron perto da lareira da Grifinória.
— Estás estranho, Harry… tão alheio a tudo — disse Ron, franzindo o sobrolho.
Harry suspirou, desviando o olhar para a chama do fogo.
— É complicado, Ron… algo aconteceu ontem à noite. — E, com confiança no amigo, desabafou. — Lucy e eu… aconteceu algo entre nós. A primeira vez.
Ron abriu os olhos, surpreso, mas sorriu, sincero.
— Fico feliz por ti, Harry — disse. — Sempre pensei que ficasse com a Ginny, mas se és feliz… então é o que importa.
Ginny, que passava pelo corredor e ouviu as últimas palavras, sentiu uma mistura de raiva e ciúmes explodir-lhe por dentro. O rosto corou, e ela recuou rapidamente, dirigindo-se à casa de banho das meninas. Lá, junto à Murta que Geme, deixou-se cair no chão, chorando e gritando baixinho.
— Como pôde…? — sussurrou entre lágrimas, batendo levemente com os punhos na parede. — Ele devia ser meu!
A Murta, como sempre, gemia e resmungava, oferecendo uma companhia estranha e um pouco reconfortante para a raiva e a frustração de Ginny. Mas nada podia acalmar totalmente o turbilhão que sentia.
Enquanto isso, em Hogwarts, Lucy e Harry continuavam a sentir os efeitos daquela noite. Cada gesto de carinho, cada olhar, cada pequena troca de palavras carregava o peso da intimidade recém-descoberta. Durante as aulas, ambos lutavam para manter a concentração, mas frequentemente trocavam sorrisos cúmplices, e às vezes Harry segurava discretamente a mão dela por debaixo da mesa, arrancando-lhe pequenos arrepios.
— Potter, se continuarem assim… — o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas ralhou numa manhã, percebendo a distração dos dois. — Esta aula não é para conversas e sorrisos, é para aprender feitiços!
Harry corou e voltou-se para o livro, enquanto Lucy baixava a cabeça, escondendo um sorriso tímido.
Dias depois, a tensão entre felicidade e culpa tomou forma quando uma carta chegou para Ginny. Era a resposta de Marcus Hawthorne, tio de Lucy. Ela abriu o envelope com mãos trêmulas e leu cada palavra cuidadosamente escolhida. As instruções eram claras: ela deveria interferir para separar Lucy e Harry, justificando a hostilidade da família de Lucy e plantando dúvidas sobre a relação.
Ginny fechou os olhos, respirando fundo.
— Isto é ainda pior do que eu imaginava… — murmurou, a raiva a ferver dentro dela. — Mas se ele não pode ser meu… então ninguém mais o terá assim…
E assim, entre cartas, olhares, e memórias da última noite, uma nova tensão começou a pairar sobre Hogwarts. Uma tensão silenciosa que prometia alterar o equilíbrio entre amizade, amor e ciúmes, enquanto Harry e Lucy se mantinham presos num mundo de descobertas, emoções e sentimentos que nenhum deles esperava enfrentar tão intensamente.
Num treino seguinte, Harry segurou a mão de Lucy durante a execução de um feitiço mais complexo.
— Não te preocupes, eu estou aqui — murmurou ele, com o olhar firme. — Apenas concentra-te e deixa a magia fluir.
Lucy assentiu, sentindo o coração bater acelerado, não só pelo feitiço, mas pela proximidade dele, pela segurança que transmitia.
Entre aulas de poções e desafios de defesa, o vínculo entre os dois crescia a cada instante. Pequenos detalhes não passavam despercebidos: como Harry se inclinava discretamente para ajudá-la, ou como Lucy procurava qualquer oportunidade para sorrir para ele nos corredores.
Ginny, entretanto, tornava-se mais calculista. Recebida a carta do tio de Lucy, ela agora tinha informação que podia usar, mas ainda precisava de planear cada passo com cuidado. Observava, tomava notas mentais, e aguardava o momento certo para agir.
Uma tarde, ao fim da aula de Poções, Ginny deixou escapar um suspiro de frustração.
— Como é que tudo pode ser tão injusto? — perguntou, quase sussurrando para si própria, enquanto os dedos tremiam de raiva.
Enquanto isso, Harry e Lucy caminhavam de volta para a Sala Precisa, rindo baixinho sobre um feitiço que tinha falhado, completamente alheios ao olhar penetrante de Ginny entre as janelas do corredor.
A tensão no ar não era apenas de ciúmes, mas de antecipação. Ginny sabia que uma oportunidade surgiria, e o que Harry e Lucy tinham vivido na primeira noite de intimidade continuava a transformar a forma como ambos se relacionavam com o mundo à sua volta.
No silêncio dos corredores, cada gesto, cada sorriso e cada toque carregava mais significado do que qualquer palavra poderia expressar. Hogwarts continuava a ser palco de segredos, paixões e pequenas intrigas, e o mês de Março apenas começava a mostrar que a história entre Lucy, Harry e Ginny ainda estava longe de encontrar um equilíbrio.
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