E Ainda Assim, Amor
1 Capítulo 1 - O Regresso
Notas iniciais
Hogwarts nunca estivera tão silenciosa.
Harry Potter observava o castelo pela janela do comboio, sentindo o peito apertado, como se o peso dos últimos anos tivesse descido sobre ele de repente.
A guerra tinha terminado, Voldemort fora derrotado, mas a paz não trouxera o alívio que ele imaginara.
Regressar para o último ano parecia mais uma obrigação do que um recomeço.
Mais do que nunca, sentia o peso de tudo: a ausência dos pais, a morte de tantos inocentes, o vazio que a guerra deixara em cada canto da sua vida.
Ginny segurava-lhe a mão, sorridente, mas o sorriso não conseguia aquecer o seu coração como antes.
Não tinham uma relação definida. Harry pensara em pedi-la em namoro, mas decidira esperar um pouco; ambos perderam demasiado na guerra para tomar decisões precipitadas.
A viagem de regresso parecia longa e estranhamente silenciosa.
Entrar no Expresso de Hogwarts, sentir o ranger das rodas e o cheiro característico do carvão queimado, deveria fazê-lo sentir-se feliz. Mas era como se nada conseguisse tocar o seu coração.
Ron e Hermione ocupavam-se das suas próprias conversas. Harry olhou de soslaio e sorriu ao ver os dois cochicharem, trocando olhares apaixonados. Finalmente tinham decidido dar uma chance ao amor.
O alívio dele por vê-los felizes misturava-se a uma pontada de inveja silenciosa, que ele não queria admitir nem a si próprio.
Ron e Ginny falaram do tempo que passaram na Romênia, tentando amenizar a dor da perda de Fred.
Hermione comentou sobre o alívio que sentira ao conseguir reverter o feitiço Obliviate que lançara aos pais durante a guerra, para os proteger. Harry contou sobre os dias estranhamente tranquilos que passara na casa dos tios. Para sua surpresa, fora bem recebido; a tia até lhe dera um abraço, agradecendo-lhe por ter derrotado o homem que tirara a vida da irmã.
O comboio começou a reduzir a velocidade enquanto se aproximavam da estação de Hogwarts. O vento frio da noite batia contra as janelas, misturando-se ao cheiro do carvão que ainda queimava no comboio. As luzes do castelo brilhavam ao longe, refletindo-se nas torres reconstruídas e nos vitrais que pareciam mais frágeis depois da guerra.
Harry sentiu um aperto no peito ao perceber que tudo estava igual, mas ao mesmo tempo diferente. Cada pedra parecia carregar memórias, ecos de batalhas, gritos, perdas… E ele sabia que, apesar de estarem todos vivos, nada seria como antes.
Enquanto se preparavam para desembarcar, Harry olhou mais uma vez para Ginny. Havia ternura no gesto dela, mas também uma distância que ele não conseguia atravessar. No meio da excitação dos novos alunos e da alegria de reencontrar os amigos, ele sentiu-se só.
E, como sempre, uma sensação estranha passou-lhe pela mente, quase como um pressentimento. Algo mudaria naquele último ano, algo que nem ele nem ninguém conseguiriam prever.
Mas por agora, só podia dar mais um passo pelo corredor do Expresso e enfrentar o que viesse — Hogwarts, silenciosa e imponente, esperava por eles.
Ao sair do expresso avistara Draco Malfoy que tal como os outros estava de regresso para um último ano no castelo.
Harry viu Draco aproximar-se e travou ao perceber que ele se dirigia a si.
— Precisamos falar Potter — diz o loiro ao olhá-lo receoso.
— O que queres Malfoy? -Harry pergunta ao ver Draco cabisbaixo.
-Queria pedir-te perdão por tudo o que te fiz ao longo destes anos, fui um parvo mas quero que saibas que só o fiz por medo e preconceito -diz ao olhar o outrora inimigo.
— Sim foste um parvo todos estes anos, é verdade mas depois de tudo o que passamos compreendo porque o fizeste -Diz Harry — Sei agora o medo que tu e a tua família tinham do regresso de Voldemort mas isso finalmente acabou, e podem finalmente "relaxar" e viver sem medos.
Obrigado, não sabes o alivio que me trás ao ouvir as tuas palavras -diz Draco relaxando os ombros como se todo o peso do mundo tivesse saído de cima dele.
— Perdoou tudo o que fizeste mas não esqueço. E quero que saibas que nunca seremos amigos e além disso tens muita gente a quem pedir desculpa, nomeadamente os Weasleys e a Hermione mas sei que com o tempo farás o que é correto -Diz Harry seguindo em direção ao castelo, sentindo uma estranha mistura de alívio e desconfiança. O mundo mudara, mas ainda havia feridas a cicatrizar.
Fale com o autor