E Ainda Assim, Amor
11 CAPÍTULO 11 – 25 de Dezembro
Lucy revirava-se na cama sem conseguir encontrar posição. O silêncio do dormitório parecia pesado, quase tangível, e a noite longa. Tentou fechar os olhos, mas a mente teimava em girar — lembranças, expectativas, e uma estranha mistura de alegria e nostalgia. Por fim, levantou-se, calçando as meias quentes, e decidiu ir tomar banho no banheiro dos monitores. Hermione enquanto monitora chefe, tinha-lhe dito que podia usar o espaço sempre que quisesse, e naquele momento parecia a única saída para acalmar os pensamentos.
O banheiro estava silencioso, iluminado por velas flutuantes que lançavam reflexos na água. Lucy encheu a enorme banheira, mergulhando na espuma quente. Ao relaxar, os pensamentos desviaram-se para os pais. Recordou a mãe a pentear-lhe o cabelo num dia de Natal, os laços coloridos sempre tortos, mas sempre perfeitos na memória dela. Lembrou-se do pai a ensiná-la a fazer pequenos feitiços, da risada que escapava quando ela se enganava e o feitiço não saía direito, mas a mão dele sempre segurando a dela com paciência. Sentiu um aperto no peito e uma ternura profunda. A água quente parecia acariciar-lhe a pele e a alma, e por uns minutos pôde simplesmente ser criança outra vez, abraçada às lembranças que ninguém lhe podia tirar.
Mais tarde, Lucy secou-se e voltou para o salão comunal. Sentou-se no sofá, abraçando as pernas, perdida em pensamentos. Era Natal, mas também o seu aniversário — dezoito anos. O castelo estava calmo, decorado com luzes cintilantes, e o cheiro a pinho e doces chegava de todos os cantos. Sentiu uma mistura de felicidade e melancolia, sabendo que aquele dia teria de ser especial, mas diferente de todos os anteriores. Adormeceu a pensar que pela primeira vez não receberia uma coruja dos pais a felicita-la pelo seu dia.
De repente, uma presença familiar aproximou-se. Harry entrou, sorrateiro, e ao vê-la adormecida no sofá, não resistiu. Aproximou-se e, com cuidado, fez-lhe festinhas no rosto até ela abrir os olhos. Lucy piscou-se, ainda sonolenta, e sorriu.
— Feliz Natal — disse Harry, com aquele sorriso que só ele sabia dar, iluminando-lhe o coração.
Trocaram prendas. Lucy ofereceu-lhe um lenço vermelho de lã, bordado com pequenos feitiços que mudavam de cor conforme a temperatura ou o humor dele, feito com paciência e carinho. Harry sorriu, tocado, e guardou-o cuidadosamente. Por sua vez, deu-lhe um medalhão encantado com uma fotografia dos dois abraçados à beira do lago, que brilhava suavemente sempre que ela sorria.
Harry levantou-se apressado, olhou para o relógio e pediu:
— Encontra-me na Sala Precisa em meia hora.
Lucy ficou no salão, sentindo o calor do Natal misturado com uma expectativa doce e ansiosa, observando a luz refletida nos vitrais enquanto esperava.
Quando chegou à Sala Precisa, encontrou o espaço transformado por magia. Janelas amplas deixavam entrar a luz do amanhecer, uma lareira crepitava suavemente e, à sua frente, um tapete com mantas e pequenas delícias dispunha-se como um piquenique improvisado. Harry estava lá, a olhar para ela com aquele misto de nervosismo e ternura que a fazia sorrir.
— Feliz aniversário — disse, e Lucy piscou os olhos, surpresa.
— Como sabes? — perguntou, um sorriso tímido a curvar os lábios.
— Hermione contou — respondeu ele, com um brilho divertido nos olhos.
Sentaram-se juntos em frente à lareira, partilharam o pequeno-almoço improvisado e conversaram, rindo das pequenas coisas, flertando com toques de mãos discretos e olhares que demoravam demasiado a separar-se. O calor da lareira e a tranquilidade do espaço criaram uma bolha só deles.
Mais tarde, Harry aproximou-se e, sem pressa, inclinou-se para ela. Os lábios tocaram-se pela primeira vez, intenso, doce e seguro. Lucy sentiu o mundo desaparecer ao redor. O beijo durou e durou, até que os corações começaram a acalmar, e os corpos se acomodaram naturalmente. Lucy deitou a cabeça nas pernas dele, e permaneceram assim a conversar, alternando risos, carícias e silêncios confortáveis.
O tempo passou sem que se apercebessem entre conversa e beijos. Eventualmente, o cansaço venceu e ambos adormeceram ali, abraçados em frente à lareira, com a luz suave filtrando-se pelas janelas e o cheiro de pinho e chá quente a envolver tudo.
Quando acordaram no dia seguinte, ainda entrelaçados, Harry quebrou o silêncio com um sussurro:
— Acho que estou a apaixonar-me por ti…
Lucy sorriu, encostando-se mais a ele.
— Eu...eu sinto o mesmo. Na verdade, acho que sempre te amei. Só agora, depois de regressarmos a Hogwarts, é que começámos a falar mais… e a perceber tudo.
O calor daquele momento, o brilho do sol de inverno entrando pelas janelas e o silêncio acolhedor da Sala Precisa selaram aquele Natal e aquele aniversário como o dia em que tudo mudou entre eles.
Fale com o autor