Saímos do helicóptero. Ele me disse para olhar em volta. Era um deserto. O sol refletia nas areias, dunas se formavam no horizonte, alinhadas com aquilo que pareciam ser ruínas. O céu possuía um tom esverdeado, que me chamou a atenção por ser tão incomum. Esta é Nova Iorque, ele falou. Eu já sabia da história, portanto me mantive quieto, contemplando a paisagem estranha. Se ficarmos aqui por mais de uma hora, a radiação vai nos matar, continuou. Balancei a cabeça afirmativamente. Aqui morreram dez milhões de pessoas, comecei a pensar. O silêncio era absoluto. Nada sobrevivia ali, nenhuma planta, nenhum inseto. Sequer vida marinha havia em um raio de vinte e cinco quilômetros a partir do continente. Tudo estava morto. Eu também iria morrer. Meu prazo era de um mês antes que meu corpo se transformasse em antimatéria e desaparecesse. Uma hora, um mês, tanto faz, falei. Vou morrer e nada pode impedir. Sem Deus, sem ciência. Dez milhões de pessoas morreram aqui, você consegue entender? Seus olhos não me diziam nada. Eram vazios como o deserto no qual estávamos. Não compreendo o medo que os humanos nutrem da morte, me respondeu. Ela é a simples passagem do estado de Ser para o de Não-Ser. Após a invasão, percebi que a sua raça foi perdendo a fé que possuía em seres imaginários. Nossa presença tornou a existência humana e o fim dela menos relevante. Eu sei, falei. Tanto faz. Estou cansado, podemos voltar?

O helicóptero levantou voo espalhando areia, fazendo-a girar em círculos, pequenos redemoinhos. Pelo caminho, quase todas as cidades, mesmo as pequenas, estavam destruídas ou desertificadas – as que não estavam assim, pareciam abandonadas. Nossa base, o maior e mais bem armado foco de resistência até San José, na Costa Rica, ficava onde era Toronto. Era um ponto fundamental, pois ali havia uma fábrica de combustível e uma de armas. Enquanto sobrevoávamos campos inférteis, comecei a lembrar tudo que havia me levado até ali.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.