E A Culpa É Minha
1 Capítulo Único
Notas iniciais
E isso é culpa dele, ou deveria ser.
Ele que apareceu com aquele sorriso, com a doçura, com o jeito inocente e meio lento, e completamente encantador. Ele disse o que eu queria ouvir, na hora que eu queria ouvir. E mais do que isso, ele se mostrou quando eu precisava. E foi ali que começou o que poderia se chamar de relacionamento confuso e escondido.
Então quando eu digo que a culpa é dele na verdade eu estou reafirmando a coisa obvia da situação inteira.
A culpa é minha.
Eu dizia que não precisava de um homem, de alguém, que sempre estava bem, eu sobrevivia. E entre os silêncios e olhares trocados por todos aqueles casais que se formaram em volta de mim, eu simplesmente sofria sem dizer absolutamente nada.
O amor deveria ser para todos, mas quando não se encontra ele. Você tem que ser forte, tem que sorrir, tem que cantar melhor que todos, e tem que olhar no espelho e confirmar: Eu não preciso de ninguém.
Mesmo que precise.
E eu precisava.
E foi ai que veio o baile, uma invenção de garotas populares que sonham em chegar ao topo ao menos uma vez nada, e sabem que depois do colégio as coroas que vão ver serão apenas as coroas dentárias.
Mas qual garota nunca sonhou com o baile perfeito? Seguindo a linha de “Nunca fui Beijada”, “Ela é Demais”, e outros filmes de comédias românticas que estão totalmente presentes na formação de qualquer garota normal seja ela americana, ou seja, qual for a nacionalidade. Então eis que eu queria ser uma daquelas garotas que ao final do Baile, ou melhor, no final do filme encontra o garoto perfeito e tudo começa a dar certo.
Naquele momento eu queria só deixar de ser invisível.
E ele me enxergou exatamente como eu queria. E foi incrível, mágico, e definitivamente nunca senti meu coração batendo tanto quanto naquele momento. Sentada sozinha, vendo casais aos beijos e imaginando o quanto isso era injusto, ouvindo a voz de Rachel e mexendo distraidamente no bracelete de flor querendo sair correndo e fugir da música lenta e dos casais apaixonados.
E a voz dele...
E o sorriso...
E as palavras certas, aquelas que eu tinha dito para Rachel no corredor. Quase desconfiei que aquilo era uma imaginação quando aceitei a proposta.
— Aceita dançar comigo?
— Adoraria.
Garoto bonito. Baile de colégio. Vejo pessoas gritando “Clichê Total”, mas não me importo. Naquele momento eu estava vivendo a minha comédia romântica e nada poderia abalar isso. Nada naquele momento.
Mas o futuro.
Os dias seguintes.
Vê-lo...
Ouvir sua voz...
Sentir o calor do sorriso...
E me lembrar da dança...
Das palavras...
Do momento...
Definitivamente Mercedes Jones estava caindo na mais antiga e perigosa armadilha do mundo.
Se apaixonar.
Então eu definitivamente estava não precisando de um homem, mas das coisas que ele me trazia. Eu precisava sentir o coração batendo rápido e lento. Eu precisava do sorriso sem sentido e da distração. Eu precisava da voz e de tudo que o envolvia.
Eu precisava de Sam Evans como nunca precisei de ninguém e de nada.
Como dizer que não estava apaixonada? Eu estava... Eu estou... E eu não deveria ter caído nessa coisa de se envolver, se entregar, não deveria ter caído nessa coisa de “comédia romântica baseada em drama mexicano”, mas eu caí.
Os dias de verão foram os melhores.
Sempre que paro me lembro. E isso faz com que eu volte a sentir os olhos dele sobre mim, o sorriso entre os beijos. E quando eu me lembro sinto falta, sinto medo, e sinto raiva.
Raiva de mim.
Medo por mim.
Falta dele e do jeito único dele ser.
Mas foi tão doloroso quanto bom. Dizer adeus e saber que nunca mais voltaríamos a nos ver simplesmente me deixou arrasada. E eis o que uma garota arrasada faz: Ela se envolve com outro.
E ela se...
Eu sei a escolha foi minha. E entre tantos garotos escolhi aquele que jogou raspadinha em todos do Glee, escolhi aquele que se recusou a dançar fazendo as meninas entrarem para o time de futebol. E eu como toda garota arrasada escolhi aquele que me dizia o quanto eu era melhor que todas as outras.
Eu escolhi o Shane por uma única razão.
Ele me enxergava.
O problema era o que eu não conseguia ver.
Entre raiva, inveja e obviamente egoísmo eu me vi confusa e irritada. Não era mais a mesma do verão, não tinha mais o garoto perfeito, sai do Clube Glee, e perdi o papel do musical. Vida perfeita né? Perfeitamente arruinada.
E de repente ele voltou.
E meio que tudo voltou ao normal.
Ou quase tudo.
Eu voltei para o Glee, e meus pensamentos não eram mais em como ele estaria, e sim em como eu poderia sobreviver a volta dele, como eu poderia seguir realmente em frente.
Tivemos um romance, ficamos no lago, e tudo foi sério, foi lindo e foi inesquecível. E agora o que eu faria? Deixaria o namorado que muitos achariam perfeito para mim e escolheria o garoto que fazia meu mundo girar? Ou ficaria com o namorado e deixaria mais uma vez o sorriso sincero escapar de mim?
Eu não sabia o que fazer... Mas...
Sam Evans estava de volta e mais lindo que nunca com o cabelo novo, com o jeito de sempre, com os sorrisos e as loucuras. Então ele pegou minha mão, disse que não ia desistir de me ter de volta, ajudou o natal de uma pessoa, entrou para o nado sincronizado por causa de uma jaqueta (eu diria por mim), disse que era louco por mim e me fez cantar uma das músicas mais lindas. E nos beijamos.
E ainda sim não decidi... E qualquer um desistiria...
Mas ele está sempre ali, sempre por perto me lembrando... Que a culpa é totalmente minha. As dores, os medos, os erros. Tudo culpa minha. Eu não preciso de alguém, eu preciso de sentimentos e sei qual é o sentimento obvio, mas onde está aquela coragem de ir atrás desse sentimentos e pegá-lo para mim?
A culpa é minha.
E se eu perdê-lo novamente sei quem será novamente minha trilha sonora, sei quem vai chorar e sofrer, sei que a culpa será minha quando suas lágrimas dizerem para mim que uma hora todos cansam.
Eu o amo.
Eu não me decido.
Eu sou a culpada. E queria apenas conseguir me livrar disso. E viver novamente aqueles dias de verão e aquelas noites também.
Continua...
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