Os dias seguiam passando. Já tinha parado de cotar a quantidade de livros arrumados e passava a tentar me concentrar no meu trabalho. Mas era difícil. Fosse pelos assobios cantarolantes que o desgranido fazia enquanto organizava as estantes ou pelos pensamentos intrusivos que me lembraram que, mesmo dando emprego e deixando ele tocar no piano, não tinha oferecido um chuveiro e uma escova de dentes para dar alguma dignidade.

E foi numa terça que isso mudou.

No fim do expediente, fomos para minha casa. Mas ao invés de começar com o piano, ordenei que conhecesse o caminho do meu banheiro.