Dê Adeus.

2 Sinta a dor.


Notas iniciais
Aqueles que gostam de algo depressivo , continuem a espreitada.

Aos 15 anos, depois de 4 anos da morte de Laura, eu estava sentada no chão frio de uma manhã de inverno,ao meu lado havia uma pequena lamina e um livro aberto em qualquer pagina virado para baixo, havia sangue no chão misturado com água que vazava de uma garrafa no canto do quarto, no chão havia alguns porta-retratos com o vidro quebrado, onde haviam fotos da Laura, e vários vidros e pedaços de madeira pequenos espalhados pelo quarto, mais cedo havia tacado eles na parede, em um extremo momento de frustração .

Meus braços estavam cheios de cortes, pelo menos quatro em cada. Eu estava vestindo um moletom qualquer e meu cabelo estava preso em um coque mal feito, em algum canto havia um colar , o colar preferido da Laura, que ela havia deixado para ninguém mais e ninguém menos do que eu, na noite em que havia morrido, ela tinha me dado com as palavras:

"Quero que fique com ele." e tirou o colar do pescoço.

"Mas é especial pra você" eu disse.

"Mas eu quero que seja pra você também , uma marca do que um dia eu fui, o que um dia fomos". Ela disse, com lagrimas nos olhos , depois nós dormimos e eu simplesmente acordei com ela morta.

Um sentimento de culpa caiu sobre mim, enquanto eu dormia, ela morria da forma menos dolorosa o possível, enquanto eu dormia ela deu seu ultimo suspiro , enquanto eu não pude ajuda-la . Tudo era culpa minha e eu devia me punir por aquilo. Foi quando começou os cortes...

Eu me sentia fraca, tentei levantar do chão determinada arrumar a bagunça que eu havia feito enquanto meus pais viajavam mas não consegui , minhas pernas grossas não sustentavam mais eu como antes , e meus braços estavam cada vez mais finos e doloridos, os cortes, a bulimia,a dor, a culpa tudo contribuía para acabar comigo.

Meus amigos me aguentavam como um fardo, eu sorria todos os dias, passava base sobre as olheiras bem visíveis no meu rosto e um blush fraco , para tirar o ar de palidez do meu rosto , penteava os cabelos de forma a deixar eles em ordem com cada mecha em seu devido lugar.Eu tentava até desabafar com eles , mas era algo complicado, não queria me abrir e não queria que vessem a pessoa que eu era, fraca e sem rumo na vida, queria que me tivessem como o exemplo que não tinham, como a forte que aguenta muito.

Será que eu era uma covarde por achar essa "solução" para os meus problemas? ... ou era corajosa por conseguir fazer algo que muitos tem nojo ou medo ? Eu não sabia mas também não queria pensar, minha cabeça doía , aos poucos reuni forças para pegar um remédio para dormir em cima da mesa e deitei na minha cama, me cobrindo com um lençol branco já todo sujo de sangue e deitei minha cabeça molhada no travesseiro , com uma ilusão de esquecer por algum momento meus problemas, meu ex louco me procurando, meus pais com medo da própria filha, minha irmã certinha demais para ser verdade, os cortes, a bulimia, o bullying , a culpa... a rejeição ... tudo isso, bom demais para ser verdade, não é mesmo? Sempre foi...

Notas finais
Se puder deixar sua opinião , obrigada !
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.