Notas iniciais
Olá. É a minha primeira vez aqui. Já escrevi antes, mas nunca nada de Naruto.

Gosto muito da ideia para essa fanfic, porque simplesmente amo Yona of the Dawn e Hakuouki. Então, escrever algo do tipo me deixa muito "AAAAAAAAAAAA". De verdade, espero que alguém leia e acabe se interessando. ♥

Perdão pelos eventuais erros.

A tiara prateada com pedrarias está torta, então eu a ajeito sem desfazer a linda trança que prende meus fios rosados e rebeldes. Sou toda vermelha e dourado, as cores da minha família, exceto por meus lábios pintados em vinho escuro.

O reflexo no espelho mostra a típica versão de uma princesa. Bela. Segura. Calma. Preparada. Pena que isso é uma mentira, penso. Eu realmente estou bonita, mas não me sinto segura, nem calma e muito menos preparada para uma aparição em frente a parte do reino.

Eu não deveria deixar o nervosismo praticamente corroer meu estômago, porque bons líderes não ficam nervosos em frente ao seu povo. E eu preciso ser uma boa líder, assim como o Rei. Assim como meu pai.

Encaro por mais alguns minutos; o reflexo é garoa, enquanto eu sou tempestade.

Tento acalmar-me ao pensar que, pelo menos, não será eu quem irá herdar o trono. Sasori é quem terá de lidar com isso. Só preciso continuar meu papel como familiar real, auxiliando em alguns assuntos, sem ter de interferir na vida de todas as pessoas de Konoha.

Sorrio. Eu consigo imaginá-lo fazendo isso, sendo um rei tão bom quanto nosso pai. Meu irmão nasceu com a liderança em seu sangue, ao contrário de mim.

Duas batidas na porta de madeira chamam a minha atenção e lá está a figura alta e imponente do futuro rei, também vestido de vermelho e dourado. Sasori está sorrindo para mim quando informa:

— Papai pediu para te buscar. Ele não esqueceu dos teus dois últimos atrasos.

Minha boca se transforma em um bico birrento ao ouvir suas palavras.

— Sabe que não fiz de propósito, eu só...

— Ficou nervosa, eu sei. E o pai sabe também, mas tu conhece a figura.

Assinto com a cabeça. Kizashi Haruno, meu pai e rei de Konoha, segue suas responsabilidades à risca. Creio que seja esse o motivo dele ser um bom rei.

— Vamos, então.

Engancho nossos braços e partimos pelos corredores do castelo. A movimentação de criados é grande, já que após o pronunciamento terá um banquete para os amigos mais próximos da família.

Uma vez ao mês, meu pai abre as portas para as pessoas do reino, desde os moradores mais próximos até viajantes dos outros cantos, para ouvir relatos de problemas, pedidos de ajuda e até reclamações — mesmo que essas fossem mínimas.

A conversa é a base de tudo.

Foi o que meu pai ensinou para mim e para Sasori quando perguntamos o porquê desses pronunciamentos.

Sasori e eu encontramos nosso pai dando a ajeitada final em suas roupas. Ele, assim como nós, está vestido de vermelho e dourado. E, apesar de estar chique, suas vestes não são exuberantes e chamativas; ele não é o tipo de pessoa que gasta o dinheiro que tem com coisas supérfluas. Quando nos nota caminhando em direção a si, sorri e abre os braços, chamando nós dois para um abraço em família.

Reviro meus olhos, mas não nego o pedido. Pelo contrário: caminho rápido até ele e abraço forte. Sasori também passa seus braços por nós, apertando-nos. Fecho meus olhos e descanso a cabeça por um momento no ombro de meu pai. Amo esses momentos em família. Sinto-me em paz perto deles, dos homens da minha vida, que posso confiar de olhos vendados.

— Minha filha, ainda não havia te visto hoje. Estás linda como de costume.

Franzo minhas sobrancelhas para ele.

— É seu dever como pai e Rei dizer isso para mim! — Brinco, fazendo-o rir.

— É dever do seu pai, mas não meu. — Sou surpreendida pela voz de Deidara, meu primo, que se aproxima de nós com um sorriso estampado no rosto. — Você está linda, Sakura.

Ignoro a pontada de vergonha e faço uma leve mesura em agradecimento ao elogio.

— Obrigada, Deidara.

De braços dados com meu pai e irmão, subo até a grande plataforma de madeira, onde três tronos estavam postos um ao lado do outro, sendo o do meio o maior. Nós cumprimentamos o povo com uma mesura e sorrisos e sentamos nos nossos lugares: eu a esquerda do meu pai e Sasori a direita. Tento controlar a bola que sobe e desce na minha garganta e as tremedeiras em minhas mãos e pernas. Elas estão tremendo tanto que penso se é possível alguém enxergar o quão nervosa eu estou.

Olho brevemente para o meu irmão. Ele devolve o olhar com um sorriso de encorajamento, e instantaneamente eu me sinto mais calma.

Eles estão ali por mim, então nada pode dar errado.

**

O salão de jantar não está cheio, mas me sinto um pouco sufocada. O motivo disso é a minha idade, o que torna as coisas um pouco mais ridículas, mas não menos preocupante. Farei 19 anos daqui a dois meses e ainda não estou casada ou prometida a ninguém. Não que eu queira me casar, porque eu definitivamente não quero. Mas isso coloca um alvo nas minhas costas e eu estou sentindo as flechas batendo contra mim.

Levo o copo de vinho mais uma vez até a boca, tentando ignorar a onda de afeto que meu primo lança para mim. Deidara, pelas últimas três semanas, tem tentado se aproximar cada vez mais, e eu odeio isso. Odeio porque não quero destroçar seu coração ou fazer pouco dos sentimentos que tem por mim. Odeio porque nem em mil anos poderia sentir paixão por ele. Não quando...

Suspiro. É melhor deixar para lá.

Acho Sasori pela risada escandalosa e resolvo que é melhor ficar ao seu lado, sinto-me mais protegida dessa maneira. Levanto do meu lugar e em poucos passos já estou praticamente grudada em seu braço. Sorrio para seus amigos e os cumprimento.

— O que aconteceu? — Ele me pergunta.

Aproximo-me mais do seu ouvido para que ninguém seja capaz de escutar.

— Os olhares estão me deixando maluca, principalmente o de Deidara.

Meu irmão assente, procurando nosso primo discretamente pelo salão e faz uma careta descontente quando acha Deidara nos encarando.

— Se quiser subir para o seu quarto, dou uma desculpa para o pai.

Abraço-o forte e deposito um beijo casto em sua bochecha.

— Obrigada, irmão!

Dou passadas rápidas pelo salão para que ninguém tente parar para conversar comigo, mas antes que eu possa subir as escadas laterais e ir direto para meu quarto, uma mão segura meu pulso.

— Não está meio cedo para se retirar?

Tio Kabuto. Franzo a boca, reprimindo uma palavra indecente.

— Estou me sentindo muito cansada, tio.

— Seu pai sabe?

Assinto.

— Pedi para que Sasori o avisasse da minha indisposição. Se importa de me soltar para que eu possa descansar?

Ignoro a acidez em seu sorriso e a lentidão para soltar meu pulso. Tenho plena noção de que faz isso para provocar.

— Boa noite, sobrinha.

— Boa noite, tio.

Meus pés agem rápido, subindo a escada de dois em dois degraus. Sou capaz de agradecer aos céus assim que me vejo no segundo andar, longe da perversão de meu tio.

Kabuto é meio irmão de meu pai. Desde pequena, enxerguei nele uma pessoa vazia, sedenta por poder – o poder do meu pai. Ele está sempre em volta, marcando sua presença e dizendo coisas estranhas como quem sabe de um segredo valioso e não quer contar. A questão é que meu pai tem estima por ele, e Sasori também, já que Kabuto salvou meu pai em uma batalha certa vez. Sei que eu deveria ser grata por isso, mas não consigo pensar nesse homem fazendo qualquer coisa sem ter um propósito que o beneficie por trás. Sasori diz que isso é implicância minha, e pode até ser, mas prefiro ficar longe dele.

Fecho a porta do meu quarto e me jogo na cama macia, deixando todos esses pensamentos pesados irem embora e me entregando ao sono.

**

Meus olhos se abrem antes que eu perceba o que estou fazendo. Giro na cama, tentando captar qualquer som novamente, mas está tudo em silêncio. Quero voltar a dormir, descansar mais antes de ter que acordar cedo no dia seguinte, porém meu coração está acelerado e meus sentidos estão gritando.

Já estou com a mão na maçaneta da porta quando volto a mim. A semiescuridão do corredor faz eu me arrepiar e não entendo o motivo – eu cresci nesses corredores. Solto um suspiro. Estou prestes a guiar meus pés para dentro do quarto novamente quando um baque faz eu parar. O barulho está perto, e eu já sei a origem dele.

Caminho pelo corredor como uma tigresa, a língua pronta e afiada para dar um sermão daqueles no meu pai. Ele passa as noites acordado, revendo problemas do reino, e isso acaba com a saúde dele. A porta do quarto dele está entreaberta, e eu estranho. Não é do feitio dele deixar a porta dessa maneira.

Encosto a minha mão na madeira, empurrando-a aos poucos. O quarto está escuro, com pouca iluminação, e eu tento adequar meus olhos.

— Pai?

O ar falta nos meus pulmões. Ou melhor: é como se eles não existissem mais, como se tivessem sido retirados do meu corpo a força.

A minha boca está aberta, mas nada sai dela. Nem um único som. E mil coisas passam pela minha cabeça. Não consigo compreender a cena que vejo... meu coração não consegue, mas meu cérebro sim, porque as lágrimas chegam aos meus olhos e escorrem pelo meu rosto, deixando uma trilha molhada de dor.

Sasori está atravessando uma espada no peito do meu pai. Do nosso pai.

Dou um passo mais perto, tentando me convencer de que é um pesadelo. O sangue escorre pelo piso, manchando o antigo tapete favorito da minha mãe.

— Enxerida como sempre, não é, Sakura?

Não reconheço a voz do meu irmão. Sasori sempre teve uma voz calorosa, e essa era tão fria quanto o inverno.

— Sas... o quê...?

— Não é óbvio, irmã? — Seus olhos me encaram com uma raiva que eu desconhecia. — Matei nosso pai. E agora vou matar você.

Minha cabeça dói.

— Sasori, por quê?

A voz que sai de mim não passa de um miado.

— Achei que fosse mais esperta. — Ele ri pelo nariz. — Por quê? Pelo poder, Sakura. Nosso pai podia pensar que era um rei incrível, mas era um rei fraco. Um idiota. Sabia que ele queria passar a coroa para você? Logo você!

Arregalo meus olhos. Como isso pode ser verdade?

— Vê, irmã? Ele estava ficando insensato. Eu fui criado para governar, eu! Então, eu tive de matá-lo. O trono... ele é meu lugar de direito, não seu. És uma garotinha mimada e medrosa, uma idiota assim como nosso pai.

Sasori puxa a espada e o corpo do meu pai cai no chão em um baque, como se fosse um saco de areia. Os olhos dele permanecem abertos em choque. Sinto meu coração despedaçar dentro do peito.

— Desculpe por isso, Sakura.

Sasori aponta a espada para mim. Meu corpo se mexe sozinho, sabendo que eu seria morta se ficasse no quarto, e no próximo segundo estou correndo pelo corredor. Passo reto pelo meu quarto, seguindo direto para as escadas. Desço os degraus sem nem pensar se vou tropeçar ou não pela velocidade. No salão de entrada, percebo dois guardas correndo e me sinto aliviada.

Não dura muito, entretanto.

Sou jogada contra o chão, o piso gelado machucando a minha bochecha. Mais uma lágrima escorre quando dou por conta do tamanho da traição. Nessa manhã, meu irmão estava sorrindo para mim e dando um abraço de urso em mim e no nosso pai. E agora... Fecho os olhos, a cena voltando vívida a minha mente.

— Perdão, princesa. Mas a vida na realeza é assim.

Meu braço é pressionado com mais força. A dor que sobe nele não é nada comparado ao que estou sentindo por dentro. Minha vida tomou um rumo horrível em questão de horas e eu simplesmente não consigo entender como foi acontecer.

— Já estava mesmo na hora de mudar quem comanda a nação. Um rei que tem medo de guerrear não é um rei.

Não posso acreditar nas palavras do guarda. Meu pai não tinha medo das guerras, ele achava tal coisa inútil. Ele não era um rei ruim, era um bom rei, que se preocupava com os súditos, que levava todo o povo como uma família.

Em um súbito de raiva, inclino meu corpo para trás com toda a minha força, assustando o guarda que me prendia ao chão, e aproveito a chance para levar meu braço direito em uma cotovelada em suas costelas. Ele urra de dor, caído no chão. Não espero o outro guardar avançar em mim; pulo nele, mordendo sua mão e acertando um chute em suas partes íntimas.

E então estou correndo. O mais rápido possível.

Notas finais
Se alguém leu e gostou, por favor, deixe um comentário e faça uma autora novata nesse mundo feliz. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.