Dynamo - Abrigo na Floresta

6 Capítulo 6 - "Mãos suaves"


Capella estava tendo seus primeiros esforços para ajudar Basilisco.

Sua ideia , por agora, era limpa-lo e também limpar a casa, a ferida não tinha sido limpa desde que foi feita, já que a bacia de banhos abandonada fica longe do alcance do Basilisco, ele não podia se limpar .

Ela estava carregando um balde cheio de água, tentando encher a bacia de lata para o banho, a água vinha de um poço próximo à casa, mas também havia um grande corrego que passava à poucos minutos dali.

Ela encheu a bacia com o balde, que estava no porão em frente à Basilisco, Capella se apoiou na bacia para respirar , estava cansada, por ser da nobreza ela nunca tinha feito aquele esforço, mas estava determinada.

–Tente lavar-se aqui... -Ela falou enquanto respirava pesadamente. — Estarei lá em cima.

Ela foi para o andar superior, depois de pouco tempo , Basilisco começou a ouvir barulhos de vassoura, ela estava tentando arrumar a casa, e ele se sentiu um inútil por não poder ajudar.

Ele tocou a água, morna, ele olhou pela janela, nuvens se formavam lá fora.

–"Eu queria voltar a me banhar na chuva... " — Ele pensou sozinho, mas não iria recusar o favor de Capella.

Ele por inteiro não cabia dentro da bacia, ele levou horas para lavar-se, desde do cabelo à ferida, que ele precisou usar as mãos para jogar água e esfregar o sangue coagulado até que saísse.

Suas escamas brilhavam , ele se sentia bem, se sentia novo, parecia que a água era mágica, ele levantou a bacia sem dificuldades, e jogou a água no chão, para tentar limpa-lo também.

Ele não estava conseguindo somente com as mãos, pegou uma camisa dentro do armário que estava à esquerda dele, tinham roupas abandonadas de um casal, antigos moradores do local, e a usou para limpar.

Capella tardou à voltar, seu cabelo estava preso por uma faixa de pano rasgado e ela parecia cansada, mas de certa forma, orgulhosa

Basilisco parou o que estava fazendo, ele já tinha limpo uma boa parte do que ele alcançava, e ele sorriu para ela.

Ela não sorriu de volta, apenas se aproximou.

– Tem algumas maçãs ainda? — Ela murmurou.

Basilisco rapidamente encheu os braços com as maçãs do caixote atrás dele que estava repleto daquelas frutas vermelhas e doces.

E estendeu para ela.

Ela finalmente sorriu, ela pegou algumas maçãs e se sentou em um lugar próximo.

– Eu estou tentando ajudar... — Basilisco disse enquanto mostrava o pano. -... Você já parece cansada...- Ele se aproximou , esticando o corpo para perto dela, e apoiando os cotovelos no chão.

Ela suava, e suspirava fundo, seu vestido branco e azul estava sujo de lama, grama e poeira.

– Eu terminei... Lá em cima...- Ela olhou em volta — Mas falta aqui em baixo...- Ela suspirou.

–Descanse um pouco...Por favor... — Ela olhou para ele com olhar de reprovação, ela estava determinada.

– Você deveria ser amadora nisso...É uma nobre de mãos suaves...Não deveria trabalhar... — Ele lamentou , Capella se levantou rapidamente.

– Eu não sou mais uma "nobre de mãos suaves" , não nem voltar a tentar ser... E agora quero ficar por aqui... — Basilisco a interrompeu.

–Mesmo comigo aqui?... — Ele pensava que talvez ... Só talvez, ela pudesse mata-lo e acabar com tudo aquilo ali.

– Vou cuidar de você — Ela falou de maneira doce ...

– Eu sou inútil preso aq- — Ela o cortou antes que ele terminasse.

– É bem melhor do que ficar sozinha no meio do nada... Além disso... É bom pensar que se eu morresse alguém sentiria falta...

Essa última frase dela o deixou desconfortável, talvez ele pensasse o mesmo que ela, mas odiava admitir...

Ele segurou uma das mãos dela, eram realmente suaves, mas estavam cheias de machucados...

Ela puxou a mão de volta lentamente, mas não brigou nem o encarou.

Eles terminaram a árdua tarefa de limpar o porão em algumas horas.