Dylan Taylor: No Meio das Trevas

5 A humilde residência de Mr. Green


A biblioteca era enorme. Dylan até suspeitou que tivesse uma área maior do que o resto da casa. Labirintos e labirintos de estantes altas, onde os livros se encontravam meticulosamente organizados. No fundo da grande sala, encontrava-se outro pequeno portão, que bloqueava uma entrada em arco. O jovem Taylor perguntou-se o que estaria ali. E como se Mr. Green lhe tivesse lido os pensamentos, disse:

— Um dia eu mostrar-te-ei o que tem aquela sala, mas por enquanto ficaremos pela biblioteca.

No centro havia uma mesa de madeira de abeto, cuidadosamente envernizada e polida.

— Eu vou sentar-me aqui a ler o jornal — avisou Mr. Green — podes ver os livros à vontade e podes trazer um para leres aqui ao pé de mim.

Dylan partiu então à descoberta. Mas, surpreendeu-se ao observar as fotografias no jornal a mexerem-se. Pelo menos assim o pensou.

— Passa-se alguma coisa, rapaz? — perguntou Mr. Green, calmamente.

O jovem Taylor negou e concluiu que devia ter sido uma ilusão de ótica.

A biblioteca tinha uma grande secção dedicada à mitologia, o que fez os seus olhos brilharem de novo. De repente, um título chamou-o a atenção: "Animais Fantásticos e Onde Habitam", de Newt Scamander. Pegou gentilmente no livro e levou-o para a mesa, onde Alexander se encontrava a ler o jornal. Com reflexos extraordinários, guardou-o em cima das suas pernas, debaixo da grande mesa.

— Vejo que trazes aí um livro muito interessante.

— Nunca ouvi falar dele. Muito menos do autor... — lamentou-se Dylan.

— Mr. Scamander é um excelente magizoologista — disse Mr. Green, entusiasmado — tenho a certeza que vais adorar esse livro.

Então, o jovem rapaz sentou-se e adentrou na história escondida por entre as letras do pequeno livro. Monstros de locais longínquos, pequenos animais peculiares... era realmente interessante. "Newt Scamander devia ser um homem extremamente inteligente", pensou Dylan.

E como se Mr. Green lhe tivesse lido os pensamentos outra vez, disse, com um tom calmo e sereno:

— Newt estudou durante toda a vida.

O jovem Taylor ficou confuso com aquele comentário, mas nada disse, continuando a ler o livro.

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— Jovem Dylan, gostaria imenso que ficasses para almoçar — disse Alexander Green, num tom amável e paterno.

O jovem dirigiu-se a casa para perguntar à mãe se podia almoçar em casa de Mr. Green. Emily, como mãe protetora que sempre fora, aceitou relutantemente.

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Quando Dylan voltou para a casa de Mr. Alexander, a porta da entrada estava aberta. Na parede do fundo conseguiu observar o reflexo de uma luz azul, vinda do corredor à esquerda, que levava à biblioteca. Então, o rapaz entrou e chamou-o.

— Mr. Green, está aí? — perguntou, curioso.

De repente a luz findou, e o homem apareceu, vindo do corredor.

— Voltaste, jovem. Vieste rápido. Afinal, o que desejas comer? — inquiriu, cordialmente.

— Eu gosto muito de guisado — disse o rapaz, entusiasmado com a ideia de um guisado delicioso.

— Bem, eu tenho os vegetais necessários na minha horta, mas vamos ter que ir comprar a carne, ao talho do centro.

Os dois dirigiram-se, portanto, ao talho e compraram um naco suculento de novilho, cortado em bocados pequenos. Quanto voltaram, foram à horta colher algumas batatas, cenouras e feijão verde.

Enquanto cozinhava, Mr. Green encontrava-se visivelmente atrapalhado, apesar do esforço. Então, Dylan decidiu ajudá-lo e juntos preparam uma excelente refeição.

Sentaram-se à mesa e deliciaram-se com o guisado arduamente preparado.

Depois, foram dar uma volta pelos jardins que se localizavam nas traseiras da casa. Campos e campos de flores e pomares.

Nos limites do terreno pertencente a Alexander encontrava-se um carvalho enorme, que, segundo o próprio, tinha mais de quinhentos anos. Os dois encostaram-se à grande árvore dormiram uma sesta, à sombra da grande copa, e ao som de uma pequena cascata onde passava um pequeno curso de água.

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Uma coruja sobrevoava os céus longínquos de Manchester. Tinha penas castanhas que formavam padrões exóticos. Trazia qualquer coisa consigo, um papel talvez. Ela desceu a pique e voava agora a baixa altitude.

Então, Dylan acordou do seu sonho e levantou-se. "Que sonho estranho", pensou. Dormira uma bela sesta, e longa, pois Mr. Green já não estava ali. Percorreu o caminho até a casa e encontrou-o a regar a sua horta, com um chapéu na cabeça, para se proteger do sol da tarde.

— Vou andando para casa, Mr. Green — avisou — tenho que ir ver como está a minha mãe. Adorei o almoço.

— Fazes bem, rapaz. Volta sempre que quiseres — respondeu o homem, com um sorriso sereno.

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— Como foi o almoço? — perguntou Emily, assim que o filho chegou a casa.

— Foi muito bom — afirmou — Mr. Green tem uma casa muito acolhedora.

Dirigiu-se ao seu quarto, como costuma fazer, e deparou-se com mais uma surpresa. À sua janela encontrava-se uma bonita coruja-dos-banhados, que trazia no bico algo semelhante a uma carta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.