Dust in the Wind
37 Perdendo a sanidade
Notas iniciais

Washington — DC
— Como entrou aqui? — perguntou Reid tentando absorver o fato daquele homem está ali, dentro do apartamento.
— Pensei que ficaria feliz em ver teu parceiro?
— Eu fiquei, mas quero saber como entrou no meu apartamento?
— Há dois dias aluguei o apartamento daqui debaixo. Então entrar no seu apartamento foi o de menos.
— Está solto há dois dias?
— Sim. Sei que você deve estar chateado por eu não ter lhe procurado antes, só que eu queria fazer uma surpresa.
— Como conseguiu alugar um apartamento neste prédio? Usou seu nome?
— Quando se paga seis meses adiantados muitos empecilhos são vencidos e poucas perguntas são feitas.
Reid fincava os olhos em Phillip. Estava bem escuro e não conseguia vê-lo bem. No entanto não o perdia de vista.
— Phillip, você tem que ir. O FBI está me vigiando desde que você foi preso.
— Meu parceiro, eu já imaginei isso. Mas eu tenho um plano para a gente despistar eles e fugir para continuarmos nossa missão. Só preciso de um tempo para achar Ramona Bello.
Reid novamente olhava fixamente para a porta do quarto preocupado com a possibilidade de Wendy sair. Ele conseguira controlar Phillip, mas caso Wendy saísse, ele podia perder esse controle que tinha sobre ele.
— Jason, eu sei que você está com uma garota. Pude ouvir o barulho que vocês fizeram. Senti até vontade de entrar na brincadeira em nome dos velhos tempos... mas preferi deixar para outra oportunidade.
Reid arregalou os olhos assustados com a declaração que Phillip havia acabado de dar.
— Ela ainda está ai? — perguntou Phillip olhando para a porta do quarto.
— Sim. Mas você tem que ir — sugeriu Reid — se o FBI ver a gente juntos pode atrapalhar nossa fuga.
— Certo, você como sempre tem razão. Não é à toa que eu o mais inteligente — Phillip virou-se em direção a porta para sair — manterei contato.
— Okay.
Phillip saiu para alívio de Reid. Ele respirou se encostando no balcão ainda raciocinando. Mas logo voltou ao quarto. O rapaz viu que a garota dormia e por isso tentou não fazer barulho. Ele foi até o criado-mudo e pegou o celular. A garota se mexeu. E logo abriu os olhos levantando a cabeça de leve.
— Pensei que ia pegar comida para a gente? — ela disse com a voz sonolenta.
— Eu estou com a geladeira praticamente vazia. Então vim pegar o celular para pedir delivery — ele disse pensando rápido.
— Não precisa pedir nada. Está muito tarde.
— Então vou ver o que dar para fazer com que o tem na geladeira.
— Eu te ajudo.
— Não precisa, fica descansando.
— Tem certeza?
— Tenho.
Ela virou a cabeça para o outro lado e voltou a dormir. O rapaz saiu com o celular e imediatamente ligou para Hotch.
***
Hotch estava deitado no sofá da sala e Emily estava em cima dele, cobertos por um edredom.
— A gente podia te mais tempo assim... só nós dois — disse Hotch beijando a esposa.
— Eu concordo. Há anos não ficávamos assim — ela voltou a beijar o marido calorosamente.
O celular de Hotch começou a vibrar em cima da mesa de centro.
— Eu não vou atender — Hotch disse agarrando a esposa.
— Atende — pediu Emily num tom de preocupação — pode ser o Sean lá do hospital.
— Tem razão — Hotch concordou e somente estendeu o braço e conseguiu pegar o celular.
— É o Reid — ele disse estranhando assim que olhou no visor do celular, todavia lembrou-se que a filha estava com ele.
Emily levantou-se e enrolou-se no edredom. E Hotch sentou-se no sofá atendendo o celular.
— Fala, Reid — disse Hotch.
— Hotch... ele estava aqui.
— Quem? — Hotch perguntou preocupado.
— Phillip...
— Phillip? Não pode ser. Ele deveria está preso.
Emily bastante preocupada com o que ouvira, porém mantendo a calma, pegou o celular para ligar para a mãe.
— Eu sei, eu também não estou entendendo o que está acontecendo — completou o rapaz.
— Cadê a minha filha?
— Ela está no quarto dormindo. Não chegou a vê-lo.
— Não deixe ela saber. Ela tem pavor dele, saber que ele está livre a faria ter uma depressão nervosa... — Hotch fez uma pausa — eu queria que vocês dois viessem para minha casa agora.
— Agora? No meio da noite? O que vou dizer para a Wendy?
— Diga que eu pedi.
— Ela vai desconfiar — disse Reid — acho melhor esperar o amanhecer e dizer que vamos tomar café da manhã com vocês.
— Eu não vou sentir que vocês estão seguros aí e esse homem livre.
— Ele não vai fazer nada agora nem que queira. Phillip está procurando uma nova Ramona Bello. Tenho certeza que ele não vai agir até ter a equipe completa novamente. Confie em mim. E também vou passar a noite acordado olhando ela.
Hotch ficou em silêncio.
— Obrigado, Reid.
— Pelo que?
— Por cuidar da minha filha tão bem.
— É minha obrigação cuidar dela.
Dito isso, ambos desligaram o telefone.
Emily também acabou de conversa com a mãe e sentou-se do lado do marido.
— Eu falei com minha mãe. Ela ficou de fazer algumas ligações para saber o que está acontecendo — disse Emily — não tem como ele está solto. Heidi nunca conseguiria isso tão rápido. O promotor era contra e nenhum juiz acataria um pedido desse sabendo o que está em risco.
— Eu vou ligar para Sean para ver como está Jack.
Emily e Hotch, assim como Reid passaram a noite acordado.
***
Reid levou alguns biscoitos e um copo de leite para Wendy comer. Eles ficaram conversando. Wendy ainda tentou transar com ele, mas este recusou dizendo que estava cansado, mas na verdade lembrou-se do que Phillip dissera mais cedo e temeu.
Então ela adormeceu e o rapaz passou a noite a olhando dormir.
***
Na manhã seguinte, quando Wendy acordou. Percebeu que Reid estava sentado na cama, lendo um livro com a luz do abajur ligada.
— Spencer, já acordado? — ela perguntou ficando sentada na cama.
— Sim — ele respondeu a olhando e colocando o livro no criado-mudo.
— Você não dormiu, não é? Está com insônia?
— Acho que sim — ele respondeu.
— Hoje é domingo, tente dormir um pouco. Eu preparo nosso café e o almoço também.
— É — Reid gaguejou — seu pai me ligou e pediu que fossemos tomar café na sua casa.
— Meu pai ligou... então ele já sabe que estou aqui com você — ela respondeu um pouco preocupada — certamente ele quer dar uma bronca na gente. Ainda mais que eu pedi para minha mãe mentir para ele.
— Por isso é bom a gente ir logo.
— Spencer, eu que tenho que ouvir sermão do Senhor Hotchner, você não precisa ir.
— Ele me pediu... eu vou com você — ele foi enfático.
— Okay. Eu vou tomar um banho...
— Não, Wendy... vamos logo!
Wendy virou-se para Reid e percebeu que havia algo errado.
— O seu problema é somente insônia mesmo?
— É sim, mas vamos logo.
Wendy e Reid se levantaram e vestiram-se para ir à casa do Hotch. Wendy dirigia o carro e ele ia do lado ainda bastante tenso. No caminho foi o mais completo silêncio. O rapaz estava bastante preocupado com o fato de Phillip está solto, pois tanto a vida dele quanto a de Wendy corriam perigo e tudo isso aliado ao fato de não ter dormido fazia com que ele se sentisse incapaz de mais uma vez lutar contra Phillip.
Os traumas que aquele psicopata já havia trazido a amada o fazia se sentir dessa maneira. A garota não agia bem quando o assunto era o ex-padrasto. Ela tinha uma aversão e um medo dele que Reid entendia perfeitamente.
Wendy tentou puxar assunto, mas a conversa não fluía. Ela então julgou que talvez ele estivesse nervoso pela ligação que o pai fizera. A garota já imaginava que teria que dar uma bronca no pai caso ele deixasse Reid constrangido.
***
Mas logo chegaram para desafogo do rapaz. Hotch e Emily já os esperavam na sala. Wendy abraçou os pais contente assim que os viu.
— Eu vou tomar um banho — disse a garota e em seguida chegou perto do ouvido do pai cochichando — mas comporte-se, papai. Não deixe o Spencer constrangido.
Hotch somente olhou para a filha e lhe deu um beijo na testa. Wendy subiu as escadas indo para o quarto tomar um banho que Spencer não deixou ela tomar no apartamento dele.
— Reid — disse Hotch sério — pode vir no meu escritório para conversarmos mais à vontade.
— Claro — ele respondeu prontamente.
Hotch foi em direção ao escritório sendo seguido por Reid e Emily. Logo que entraram, sentaram-se os três à mesa. Hotch de um lado e Reid e Emily em frente.
— Reid, o que aconteceu exatamente? — perguntou Hotch sério.
— O que eu lhe disse por telefone — respondeu prontamente o rapaz — Phillip apareceu no meu apartamento à noite dizendo que estava livre e que queria retomar nossa parceria.
Hotch e Emily se entreolharam preocupados.
— Reid, assim que você ligou, eu falei com minha mãe — falou Emily pacientemente — imediatamente ela ligou para seus contatos e verificou junta a CIA e ao FBI a situação de Phillip e...
Emily fez uma pausa ficando tensa.
— E o que? — quis saber Reid.
— Não há nenhum acordo formalizado sobre a liberdade de Phillip — completou Hotch.
— Está querendo me dizer que Phillip continua preso? — indagou Reid ficando bastante alterado.
— É isso mesmo — respondeu Emily.
— Ele pode ter fugido — argumentou Reid — pode, não pode?
— Eles verificaram isso também — disse Hotch — não tem como ele ter viajado da Califórnia para DC e depois voltado...
— Mas eu o vi — insistia o rapaz — ele conversou comigo. Estava escuro, porém tenho certeza de que era ele.
— Chegou a tocar nele? — perguntou Emily.
— Não... — Reid estava totalmente atordoado e perdido — por favor, acreditem em mim.
— Nós acreditamos — disse Emily — mas você estava bem cansado essa semana. Acabou de sair de um caso que durou...
— Vocês acham que foi uma alucinação? — indagou o rapaz se sentindo acuado e confuso. Ele lembrou-se do medo que tinha de ter a mesma doença da mãe e por isso não se conformava com hipótese levantada por Emily e Hotch — eu tenho certeza do que vi.
— Reid, ninguém está duvidando de você — falou Hotch tentando amenizar — mas me diz, como Phillip entraria no seu prédio? E como ele entraria no seu apartamento?
— Ele me disse que alugou o apartamento de baixo... — Reid levantou-se ainda bastante agitado e confuso — ele pode ter conseguido a cópia da minha chave... eu não sei, mas ele estava lá. Deve ter alguma explicação lógica para isso. Eu não estou louco, sei o que vi.
— Acalme-se, Reid — pedia Emily carinhosamente percebendo a agitação do rapaz.
— Não tem como ficar calmo. Vocês acham que eu enlouqueci.
— Ninguém está dizendo isso — falou Hotch — só que você está sob um estresse muito grande. É normal ter alucinações...
— Hotch, eu sei o que vi. Phillip está livre e foi até meu apartamento ontem. Eu não imaginei aquilo, foi muito real.
— Não tem como ele está em dois lugares ao mesmo tempo.
Spencer estava conturbado e custava acreditar. Apesar da negativa em dizer que não estava louco, a única coisa em que ele pensava era que estava enlouquecendo. E temia muito que isso fosse verdade.
— Reid — falou Emily segurando a mão do rapaz — sente-se, por favor.
— Eu não estou louco — ele repetia tentando convencer a si mesmo.
Hotch e Emily simplesmente não conseguiam dialogar com Reid. Ele falava com bastante convicção de que havia visto Phillip.
— Nós vamos investigar isso a fundo — disse Hotch — mas agora acalme-se e vamos tomar café. Wendy já deve estar descendo. Mais tarde Emily sai com ela e nós vamos verificar isso com mais calma.
O rapaz concordou com a cabeça, mesmo estando ainda confuso.
***
Na hora do café. Wendy contava empolgada as novidades da faculdade e do time. Mas Reid fechou-se. Ele tentava criar teorias do que havia acontecido no seu apartamento à noite, mas nada que fosse plausível e que o convencesse de que ele não estava enlouquecendo. Sua cabeça começou a latejar de dor e sentiu o mundo a sua volta girar. Aos poucos sentia que perdia a noção da realidade.
— Spencer... Spencer! — chamava Wendy percebendo que o rapaz suava frio — mãe, ele está passando mal.
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