Dust in the Wind
45 Emily, o que significa isso?
Notas iniciais

Washington — DC
Evilyn estava ofegante segurando a arma enquanto Reid continuava abraçado a Wendy. Reid não se desgrudava da garota que ainda estava muito assustada, mas seu olhar era fixo em Evilyn que os olhava ainda do mesmo lugar sem dizer uma palavra sequer.
Era estranho ela aparecer justamente naquele lugar, naquela hora, sem contar que ele já havia a visto no teatro naquele mesmo dia. Seria tudo coincidência? O que ela estaria fazendo lá? Estaria seguindo eles? Todavia o rapaz resolveu não perguntar nada a ela naquele momento, apenas pegou o celular e ligou para Hotch contando o que havia acontecido. Este se dirigiu imediatamente ao local juntamente com sua equipe.
Alguns minutos depois, chegaram a uma equipe de perícia juntamente com a polícia e a Divisão de Assuntos Internos do FBI. O agente Alex Damon era o responsável pela averiguação dos fatos, um homem branco, 37 anos, cabelos castanhos claros, lisos, corpo atlético, cerca de 1,80 m de altura.
Ele logo se dirigiu a Evilyn que agora olhava fixamente para o corpo de Phillip que era levado pelo médico legista para o necrotério. A expressão da garota ainda era de quem estava confusa e não acreditava no que havia acontecido.
— Agente Evilyn — disse o agente Damon pegando a arma que ela ainda segurava — conte-me o que aconteceu aqui exatamente?
— Eu estava no teatro de Washington quando encontrei o Doutor Reid e a namorada...
— Nem mais uma palavra — falou Hotch que havia chegado naquele instante — o protocolo diz que ela tem 48 horas para prestar o depoimento.
— Por acaso estão escondendo alguma coisa? — perguntou Damon — por que não vejo o porquê usar essa prerrogativa.
— Se há essa prerrogativa é por que ela é necessária — respondeu Hotch firme — ela ainda está assustada, confusa... acabou de atirar em um homem. É bom ela descansar, colocar a cabeça no lugar e as ideias em ordem. E é exatamente para isso que o protocolo estabelece esse prazo.
O agente Damon aspirou forte pelo nariz.
— Tudo bem — ele respondeu não concordando, mas se dando por vencido — nos falamos daqui a 48 horas.
Então Damon saiu para falar com os peritos e com o legista.
— Por que não me deixou falar com ele? — indagou Evilyn — eu não tenho nada a esconder.
— Eu conheço o agente Damon — respondeu Hotch — ele está doido para dar a cabeça de alguém numa bandeja para a diretoria. E se de alguma forma a sua história dizer uma coisa e as provas outra, a cabeça que ele vai entregar será a sua.
— Eu entendi — ela falou baixinho, ainda bastante atordoada — obrigada!
— Tem muita coisa mal contada nessa história — falou Hotch — e eu quero que me conte o que é antes de falar com a Divisão de Assuntos Internos. Então, pense bem nas próximas 40 horas, que é o prazo que te dou para vir me contar exatamente o que aconteceu aqui. Ou caso contrário, não poderei te ajudar.
— Okay, agente Hotchner — ela respondeu.
***
Emily também chegou junto com Hotch, mas seu foco foi em ver como estava a filha que ficou o tempo todo com Reid. Ambos já estavam em uma ambulância sendo avaliados pelos paramédicos.
— Minha filha — falou Emily abraçando a filha que estava sentada na parte traseira da ambulância ao lado de Reid.
— Eu estou bem, mãe — ela respondeu ainda com a voz chorosa — mas quero ir para casa logo tomar um banho. Tem sangue desse homem em mim. Eu não quero o sangue dele em mim.
— Calma, Wendy — pediu Reid — precisamos somente aguardar a perícia te analisar para então sairmos daqui.
— Eu vou falar com eles — falou Emily olhando em volta como se procurasse alguém — vou pedir para te atenderem logo. Me esperem aqui.
Emily saiu para falar com o perito, ficando somente Reid e Wendy, mas logo chegou Evilyn que ainda olhava para eles sem dizer nada.
— Te devo mais uma — falou Wendy quebrando o silêncio.
— Mais uma? — indagou Reid franzindo a testa e olhando para Wendy.
— Sim, mais uma... depois eu te conto — respondeu Wendy para Reid e em seguida voltou a falar com Evilyn — muito obrigada, não sei o que ele teria feito comigo se não fosse você.
— De nada, irmãzinha — retrucou Evilyn.
— Irmãzinha? — perguntou Emily que havia acabado de chegar.
— É que eu tenho uma irmã da mesma idade de Wendy — falou Evilyn nervosa.
— Você tem irmã? — perguntou Emily novamente — pensei que fosse filha única.
— Sou filha única dos meus pais adotivos, não dos meus pais biológicos — ela respondeu firme — mas você não gostou de eu ter chamado sua filha de irmãzinha?
Emily ficou imóvel, sem esboçar qualquer reação encarando Evilyn. Enquanto Wendy e Reid observava a conversa das duas.
— Não — Emily respondeu ainda um pouco atordoada — está tudo bem — em seguida ela virou-se para Reid — você pode levar Wendy onde a perita criminal Hill?
— Claro — ele se prontificou.
Os dois saíram, deixando as duas a sós.
— Você mora com quem em Washington? — perguntou Emily sentando-se ao lado da moça enquanto era atendida pela equipe médica.
— Eu? Moro sozinha — ela respondeu baixando a cabeça.
— Não quer dormir lá em casa hoje? — perguntou Emily.
Evilyn por alguns segundos pensou não ter escutado direito e ficou repetindo a si mesma o convite que acabara de ouvir.
— Eu adoraria — ela respondeu empolgada — mas eu não vou incomodar?
— Você acabou de salvar a vida da minha filha. Eu te devo minha vida agora — ela respondeu carinhosamente — vamos?
A garota não podia acreditar, por isso sua voz demorava sair.
— Claro, eu vou sim — ela respondeu animada — mas tenho que ir em casa pegar umas roupas, afinal, não vou dormir assim.
— Não se preocupe, as roupas da Wendy devem servir em você. Eu arrumo quantas peças você precisar.
— Eu nem sei como agradecer — falou Evilyn abraçando o próprio corpo.
Emily a olhou com ternura tentando dizer algo, mas o silêncio naquele momento foi a melhor alternativa. As duas nada falaram, como se os olhares falassem por si só. Minutos depois Wendy retornou com Spencer Reid.
— Mãe, vamos para casa agora — pediu Wendy — a perícia ainda quer minhas roupas, então a Senhorita Hill quer ir comigo em casa para pegar logo.
— Spencer, você pode levá-la e ficar com ela até eu chegar? — perguntou Emily com a voz embargada.
— Claro que posso — respondeu Reid franzindo a testa.
— Mãe, a senhora está chorando? — indagou Wendy chegando perto dela.
— Não é nada meu amor — retrucou Emily “limpando” a voz — eu vou levar a Evilyn para dormir lá em casa. Então vá com o Spencer na frente que eu vou depois com ela.
— Ah, certo entendi — respondeu Wendy.
Wendy saiu com Reid caminhando. No entanto, a garota ficou preocupada com o estado da mãe.
***
Wendy assim que chegou em casa, foi logo correndo para o chuveiro. Ela tirou as roupas e entregou para que Reid as entregassem para a perita e em seguida tomou um longo banho e lavou o cabelo. Ela ainda sangue de Phillip no corpo e queria tirar de todo modo os resquícios de qualquer coisa que viesse dele.
Reid ficou esperando a garota tomar banho lendo alguns livros, sentado na cama dela. Até que a garota saiu do banho. Já estava vestida, num short curto, rosa claro de algodão e uma camiseta branca também de algodão. Os cabelos ainda molhados, mas que ela já havia tirado o excesso de umidade. Ela sentou-se do lado dele na cama.
— Spencer — ela falou baixinho perto dele.
— Pode falar — ele respondeu fechando o livro e colocando sobre a cama juntamente com os outros dois que ele também estava olhando.
— É errado eu me senti aliviada com a morte do Phillip? — ela perguntou olhando para ele — pois eu me sinto aliviada com a morte dele. Para ser sincera, nunca me senti tão bem na minha vida.
— Não é errado — Reid respondeu prontamente.
Wendy virou-se de lado e segurou a mão de Spencer.
— Agora a gente pode fazer nosso planejamento para o futuro, sem nos preocupar com mais nada — disse Wendy super empolgada.
Spencer somente riu sem vontade.
— Spencer — ela disse respirando fundo percebendo a falta de vontade do rapaz — por que você anda tão estranho comigo?
— Não é nada — Reid respondeu.
— Nada? Tem certeza? Eu estou te sentindo tão estranho esses dias. Se tem algo para me dizer, me diz logo.
— Já disse que não é nada.
Wendy cruzou os braços protestando, como de fizesse birra.
— Spencer, se você não gosta mais de mim...
— Não é isso...
— O que é, então? — Wendy falou alterada ficando em pé — por que alguma coisa está acontecendo que eu não estou sabendo.
— Wendy, você está sempre fazendo planos — falou Spencer também alterado e levantando-se para ficar de frente para ela — morar juntos, filhos...
— Ah, então você não quer nada disso? — ela retrucou ainda muito nervosa.
— Por favor, me deixa terminar de falar.
— Então fala logo, Spencer.
— Eu quero ficar com você, eu quero morar com você, ter filhos... tudo. O problema... bem, o problema...
Reid sentou-se falando um pouco ofegante e confuso. Ele apoiou os cotovelos nas pernas e colocou as cabeça entre as mãos. Wendy ficou em pé de braços de cruzados. Ela lambeu os lábios, respirou fundo e sentou-se do lado dele.
— Qual o problema? — ela perguntou calmamente acariciando os cabelos dele — se abre comigo.
— O problema é quando eu penso no meu futuro — ele respondeu ainda com a cabeça baixa — a minha mãe sofre de esquizofrenia, esquizofrenia é hereditário e se eu...
— Não pense nisso, Spencer.
— Como eu não vou pensar nisso — ele falou levantando a cabeça e a encarando — se eu não tenho certeza se amanhã vou estar aqui com você, consciente do que sou e do que você representa para mim. Que tipo de futuro eu posso te dar dessa forma? Como vou saber se amanhã essa doença vai se manifestar. Eu vou esquecer da gente, de tudo que vivemos...
Wendy o abraçou consolando-o.
— Spencer, eu sei que o seu caso é bem mais complicado — ela disse — mas a vida é cheia de incertezas, eu faço planos, mas eu também fico insegura — a garota fez uma pausa na fala — olha para mim — ela pediu desfazendo o abraço e o encarando — vamos fazer o seguinte: ninguém fala mais de planos futuros, vamos ficar curtindo somente o momento. Sem falar de filhos ou qualquer outro assunto.
Ela falou dando-lhe um beijo e acariciando o rosto dele. Ele concordou dando outro abraço nela. Como ela o acalmava e lhe trazia uma paz que ele jamais havia sentido.
— Mas a gente vai morar juntos ainda — ele confirmou desfazendo o abraço.
— Claro que vamos — ela respondeu — já fiz o contrato de aluguel, inclusive já paguei o primeiro mês, comprei os móveis, só está faltando montá-los. Essa semana, a gente vai para lá — novamente ela o beijou.
Reid passou a mão na testa como se massageasse.
— Ainda são suas dores de cabeça? — Wendy perguntou.
— Sim — ele respondeu — mas eu vou tomar um remédio.
Wendy se afastou e sentou-se encostada na cabeceira da cama com as pernas cruzadas.
— Vem cá — disse Wendy — coloque sua cabeça aqui — ela falou apontando para as próprias pernas.
— O que você pretende? — perguntou Reid deitando-se com a cabeça nas pernas de Wendy.
— Só uma massagem — disse massageando as têmporas de Reid com os dedos do meio — você anda muito tenso, é somente eu ou tem outra coisa que te preocupa?
— Não, é só você mesmo — Reid dessa vez falava em tom de brincadeira.
— Ah sei... eu dou muito trabalho mesmo.
Wendy pediu para que Spencer se sentasse e começou a massageá-lo na nuca.
— Está gostando? — ela perguntou.
— Sim — ele respondeu — acho que tenho o pacote completo.
A garota mais uma vez pediu para ele deitar com a cabeça nas suas pernas e começou massagear o topo da cabeça como se tivesse fazendo cafuné, mas fazendo movimentos circulares. Ela ficou fazendo até que ele acabou dormindo.
***
Emily colocou Evilyn em dos quartos de hóspedes. Emily deixou a garota no quarto e foi pegar umas roupas. A moça ficou no quarto totalmente encantada. Imaginando que sua vida toda poderia ter vivido daquela maneira. Mas logo Emily voltou.
— Essas roupas de Wendy vieram da lavanderia hoje — ela falou entregando algumas peça de roupas para a garota — estão limpas. Como ela está no quarto com o namorado, não quis incomodá-la, então peguei essas.
— Tudo bem — ela respondeu — eu vou tomar um banho agora...
— Claro, tudo bem, eu vou sair aqui, mas precisando de qualquer coisa, pode chamar.
— Obrigada — ela respondeu timidamente.
Emily ficou a olhando por alguns segundos, mais uma vez queria falar algo, porém se calou. Somente deu às costas e saiu. Ela foi no quarto de Jack olhá-lo e Sean dormia na cadeira do lado do berço. Ele ficou com o sobrinho enquanto ela foi pegar Wendy. Emily o acordou e pediu que ele fosse dormir no seu quarto, já que ela estava lá e cuidaria do filho.
Jack dormia profundamente, então ela resolveu ir no seu quarto. Uma dúvida rondava sua cabeça e ela queria tirar a limpo. Emily foi no guarda-roupa, num fundo falso e pegou uma caixa do tamanho da caixa de um sapato. Ele estava fechado com um cadeado. Lentamente ela abriu sua gaveta no criado mudo e pegou uma agenda, dentro da agenda uma chave.
Ela abriu e tirou alguns documentos e fotos e espalhou pela cama. Olhando cada uma das fotos e chorando. Ela ficou por algum tempo vendo todas aquelas lembranças até que ouviu os passos de Hotch vindo no corredor. Rapidamente ela recolheu todas as fotos e documentos e jogou dentro dessa caixinha e colocou o cadeado. Quando guardava a caixa, Hotch entrou no quarto.
— Boa noite, querida — falou Hotch.
— Boa noite, meu amor — ela respondeu ainda de costas fingindo estar ajeitando algo dentro do guarda-roupa.
Hotch colocou sua pasta em cima da cômoda que havia dentro do quarto e como ótimo observador que é, ele viu perto da cama um pedaço de papel. Ele se aproximou e pegou do chão. Ele olhou para o foto e levou um susto.
— Não me lembro dessa foto de quando você estava grávida da Wendy — ele falou.
Emily virou-se assustada. E Hotch olhou bem para a foto.
— Para ser sincero, nessa foto você estava bem mais jovem — Hotch concluiu desalinhado — Emily, o que significa isso?
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