Dust in the Wind
13 A decisão de Hotch
Notas iniciais

— Spencer... — Wendy iria dizer algo, quando, por alguns segundos, ficou confusa e pensativa e pareceu mudar de ideia — eu acho que fiz isso tudo que está no jornal.
— Acha? — perguntou o rapaz ainda irritado.
— Quer dizer, eu fiz exatamente tudo que está no jornal — dizia a garota confusa, quando percebeu que o rapaz olhava fixamente para trás. Wendy olhou para trás de si e viu seu pai, segurando o jornal e decepcionado com que acabara de ouvir.
— Eu tinha esperanças que isso tudo fosse apenas uma matéria sensacionalista dessa jornalista.
— Pai — Wendy começou a chorar, pois vira nos olhos do pai o olhar de decepção.
— Como você chegou a tanto? — perguntou Hotch com os olhos lacrimejantes.
— Desculpe, pai... me perdoe.
— Não é a mim que tem que pedir desculpas — retrucou Hotch alterando o tom de voz — então foi por isso que sua mãe passou mal outro dia e foi parar no hospital?
Wendy baixou a cabeça, ficou pensativa, enquanto Reid e Hotch a olhavam esperando uma resposta. A garota respirou fundo, engoliu o choro e levantou a cabeça.
— Sim, foi por isso que a mãe passou mal e foi parar no hospital — respondeu a garota tentando manter o domínio próprio, mas com muitas dificuldades — eu nunca quis que a Rachael tivesse morrido, eu nunca quis, quando a levei lá em casa naquele dia, eu não queria tê-la matado.
— Levou na sua casa? — indagou Hotch confuso — a matéria diz que tudo aconteceu na casa da própria Rachael.
— Não foi isso que eu disse? — perguntou Wendy levando as mãos à cabeça muito confusa — estávamos na casa da Rachael... foi isso que quis dizer.
— Estávamos? Quem mais estava? — perguntou Reid.
— Somente Rachael e eu. — respondeu Wendy.
— Filha, eu quero a verdade — disse Hotch — somente a verdade.
— Eu estou falando a verdade.
— Você está suando frio, gagueja, fala sem muita convicção... você está mentindo — concluiu Hotch firme.
— Está fazendo meu perfil? — perguntou Wendy.
— Não dar para evitar — retrucou Hotch.
— O que vocês precisam saber é que não importa onde aconteceu ou quantas pessoas estão envolvidas nisso tudo. Eu sou a única culpada do que aconteceu com a Rachael.
— Me responde somente uma coisa — disse Reid tentando segurar a raiva que sentia — por que humilhar uma pessoa que nunca te fez nada?
— Eu não sei...
— Evidentemente você não tem empatia nenhuma por ninguém— falou o rapaz alterando o tom de voz e interrompendo a fala da garota — nem por um segundo você pensou no sofrimento e na dor que causou a essa garota?
— Phillip não me dava paz...
— O Phillip? — retrucou Reid rindo ao mesmo tempo em que chorava — não tem nada a ver com Phillip, tem a ver com seu egoísmo. Só por que seu padrasto a maltratava não justifica você fazer o que fez com a garota.
— Calma, Reid — pedia Hotch percebendo o rapaz se alterar ainda mais, ficando mais agitado.
— Por que fazia isso com ela? — insistiu Reid ficando mais nervoso — necessidade de autoafirmação? Rancor por questões mal resolvidas? Ou por puro exibicionismo?
— No começo era por puro exibicionismo e necessidade de autoafirmação. Só que depois eu perdi a razão quando descobri do envolvimento dela com Daniel — respondeu a garota — Daniel era a única pessoa que me escutava que fazia aquele vazio sumir nem que fosse por alguns instantes. Só queria meu namorado de volta.
— Ele significa muito para você? — retrucou o rapaz — para quem dizia que ele não passava de um namoradinho sem importância...
— Chega, Reid! — falou Hotch elevando o tom de voz.
— Não, pai — disse Wendy — ele está certo... eu fico tentando justificar o injustificável. O certo é que fui uma pessoa má com a Rachael e ela não merecia. Eu só queria voltar o tempo e tentar corrigir esse erro. Eu destrui a vida de uma pessoa por puro egoísmo, necessidade de autoafirmação e por puro exibicionismo.
— Wendy, a culpa também é minha — disse Hotch — eu deixei o monstro do Philllip...
— Para tentar ser legal comigo, pai. Eu não mereço tanto consideração — respondeu Wendy — eu sou má. O senhor deveria está me dando uma surra, me expulsando da sua casa... eu mereço isso tudo.
— Você é minha filha — respondeu Hotch — uma filha que tomou um rumo errado na vida por negligência minha.
— Nem o senhor e nem a mamãe devem ficar se culpando pelos erros que eu cometi — falou Wendy chorando — amanhã mesmo eu vou para Londres com Daniel e vou me entregar à polícia.
— Filha — disse Hotch se sentindo impotente diante daquela situação.
Wendy saiu correndo chorando para dentro de casa, deixando Hotch e Reid sozinhos.
— Wendy não matou a Rachael — disse Hotch convicto — ela não faria isso. Ela parece não ter certeza do que realmente aconteceu.
— Ela está protegendo alguém — completou Reid — mas a verdade é que ela infernizou a vida de uma garota que nada tinha a ver com as maldades que Froster fazia a ela.
Hotch respirou fundo.
— Reid, a Wendy vai precisar de você mais do que nunca. Ela errou, está arrependida e merece uma segunda chance.
— Uma segunda chance que Rachael Baxter não teve.
Reid terminou de falar e saiu, deixando Hotch sozinho.
***
Reid seguiu seu caminho e chegou no sua casa. Tirou os sapatos, desabotoou a camisa e deitou-se na cama chorando muito.
Uma dor imensurável tomava conta do rapaz. Ele nunca imaginaria que Wendy seria do mesmo tipo pessoa que o fez sofrer. Reid lembrava bem do caso da Rachael. Ele sempre acreditou que ela havia cometido suicídio e imaginava o que havia acontecido para ela chegar aquele ponto. Os ataques dos colegas de escola que faziam isso por essa uma garota excêntrica e de gostos diferentes dos outros.
E ele se via ali, apaixonado pela agressora. Não, não podia perdoá-la. Ele via no rosto de Wendy, o rosto de cada um de seus agressores. O rapaz durante a vida toda se sentiu sozinho, já que só teve a mãe e a mesma era esquizofrênica e poucas vezes lembrava que tinha um filho.
Reid sempre se sentiu culpado pela violência que sofria e por isso se isolava de todos, se ao menos ele conseguisse ser menos desajeitado, menos esquisito, talvez conseguisse não sofrer tanto. Demorou muito para perceber de que não havia nada de errado com ele e sim com seus agressores.
Seu coração estava despedaçado, era como se um canivete tivesse rasgando aos poucos o seu coração. E a cada apunhalada ele ia morrendo. Era uma dor desesperadora e tudo que ele queria era que essa dor passasse.
***
Após Reid sair, Hotch voltou para dentro de casa. Foi no quarto e viu a Emily dormindo tranquilamente sem saber do que estava acontecendo. Foi quando resolveu esconder o jornal. Ele não sabia por quanto tempo conseguiria esconder da esposa, já que a notícia estava repercutindo em todos os meios de comunicação e era só uma questão de tempo para a porta de sua casa está repleta de jornalista, porém sabia que para o bem da esposa e do bebê, ele teria que adiar essa notícia.
Na verdade, os jornalistas só não haviam chegado ainda, porque certamente estariam tentando descobrir onde era sua residência, já que, por uma questão de segurança, era uma informação sigilosa. Mas logo encontrariam e o inferno se instauraria na sua vida e na vida de sua família. E tanto Emily quanto Wendy estavam vulneráveis, ele não podia deixar isso acontecer com elas.
Logo foi no quarto de Wendy. Ele abriu lentamente a porta, ela estava debruçada na cama chorando muito com o rosto enfiado no travesseiro. Ele entrou e sentou-se na cama. A garota percebeu a presença do pai, porém continuou na mesma posição. Ele então acariciou os cabelos dela. Foi então que a garota resolveu virar-se para ele, porém continuou deitada.
Seu rosto estava inchado de tanto chorar. Os olhos do pai, que até pouco tempo, esboçava decepção, naquele momento demonstrava compaixão e um sentimento de culpa.
— Me perdoa — pedia a garota.
— Você que tem que me perdoar pelos anos de negligência. Eu deveria ter cuidado de você e não ter te deixado ser criada por aquele narcisista doentio do Phillip.
A garota levantou-se limpando as lágrimas.
— Eu vou sair — disse Wendy.
— Para onde? — perguntou Hotch se levantando e ficando de frente para a filha.
— Vou onde Daniel. Vamos comprar nossa passagem hoje mesmo para Londres. Vou contar toda a verdade para o polícia e ser julgada pelo que fiz...
— Não se precipite, filha.
— Pai, eu não consigo mais conviver com essa culpa... eu não posso mais.
— Você não matou aquela garota, eu sei Wendy, eu te conheço. Você só sente que o aconteceu com ela foi por culpa sua, não é verdade?
— Isso faz diferença?
— Tem muita... é o que te separa de prestação de serviços comunitários e da prisão perpetua.
— Já está decidido.
— Wendy não faça isso — retrucou Hotch no momento que seu celular começou a tocar. Era uma mensagem da Penélope Garcia. Hotch ler e ver que se trata de mais um caso.
— O dever te chama, pai — disse Wendy como se estivesse decepcionada, pois sabia que o pai a deixaria ali, naquele estado e iria viajar.
— Por favor, não tome uma decisão até eu voltar.
— Até o senhor voltar? — indagou Wendy como se estivesse ironizando — até o senhor voltar minha vida vai está infernizada por repórteres, a polícia de Londres vai reabrir o caso, eu vou ser deportada... por isso não se preocupe, eu me viro sozinha.
— Como não me preocupar?
Hotch ficou nervoso, ao mesmo tempo em que sabia que tinha que ir, não queria deixar a filha sozinha naquela situação.
Wendy queria muito que o pai ficasse ao seu lado, mas pedi para ele ficar, seria pedir muito. A vida toda quando Hotch esteve diante da situação de escolher entre a família e o trabalho, o trabalho vencia.
Porém Hotch sabia que não podia ficar assim, foi quando ele pegou o celular e fez uma ligação.
— Strauss, eu sinto muito, mas não vou para esse caso — disse Hotch, quando Wendy o olhou surpreso.
— Mas o que? — gritou Strauss — você não pode deixar sua equipe assim, já te demos uma folga enquanto sua esposa estava hospitalizada, não podemos dar mais.
— Eu tenho outras prioridades — responde Hotch.
— O que pode ser mais importante do que seu trabalho?
— Minha família...
— Eu não autorizo sua ausência, se o fizer, sabe que isso pode custar seu pescoço no FBI.
— Dane-se, minha filha e minha esposa precisam de mim.
— Agente Hotchner pense bem na decisão que está tomando — disse Strauss em tom de ameaça.
— Eu já pensei. Acho que está na hora de eu ser pai e marido de verdade. Me demita logo ou eu mesmo vou pedir demissão.
— Bem — falou Strauss respirando fundo e se acalmando — eu vou tentar ver aqui como faço para te dar outra licença. Eu quero que você resolva o que tiver que resolver, mas que volte. A equipe é sua e se depender de mim, vai continuar sendo.
— Obrigada, Strauss — disse Hotch desligando o telefone.
Wendy se emocionou com a atitude do pai e o abraçou.
— Ainda a tempo de corrigir todos esses anos de abandono? — perguntou Hotch enquanto abraçava a filha forte.
— E o Spencer? Será se ele vai me perdoar?
— Claro que vai, só dê um tempo a ele.
***
Na penitenciária do Estado da Califórnia, Phillip caminhava lentamente pelos corredores e ia em direção aos telefones públicos. Pegou uma moeda no bolso daquele macacão laranja, colocou no telefone e fez uma ligação.
— Você leu o jornal Washington Examine hoje? — perguntou Phillip.
— Claro — disse uma voz feminina ironizando — eu estou em Londres, com certeza li um jornal dos Estados Unidos.
— Para com isso, Jessyca — disse Phillip irritado — esse jornal fala sobre o que aconteceu no dia da morte de Rachael, na verdade, a versão de que Wendy é culpada de tudo que aconteceu naquele dia. E você sabe que se Wendy for presa meus planos de fuga vão por água abaixo.
— O que quer que eu faça?
— Quero que vá a polícia e conte outra versão da história que coloque a culpa em Lilly Parker.
— Mas Wendy não deixará a Lilly pegar a culpa sozinha.
— Nem Wendy e nem Lilly Parker tem certeza do que aconteceu naquele dia. E com a ajuda do detetive do caso, podemos criar uma versão irrefutável que culpe Lilly Parker e inocente Wendy.
— Mesmo assim, Wendy só assumiu tudo sozinha por causa da Lilly.
— Faça o que eu disse — retrucou Phillip mais irritado — eu quero sair logo daqui e me vingar de toda a família Hotchner, mas para isso, Wendy não pode ficar presa.
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