Dust N Bones
4 Some fuckin' attitude!
Notas iniciais
tenho conciencia de que sumi por seculos e que provavelmente fui abandonada, mas não custa tentar né?! Se ainda existe alguem ai disposto a ler, olha ai mais um depois de séculos.
–Relógio filho da puta do caralho...
Essas eram as únicas coisas que eu conseguia dizer enquanto tateava freneticamente o criado mudo em busca daquele aparelho satânico que acabara de me acordar com um barulho irritante pra caralho. Quando finalmente o encontrei, o arremessei contra... Sei lá onde eu joguei essa merda, ainda to com os olhos fechados porra.
–Vai, levanta!
Uma voz entrou no quarto, fazendo minha cabeça doer com o barulho excessivo ao abrir as janelas e empurrar uns moveis, algo me dizia que eu não conseguiria me livrar da pessoa como fiz com o relógio. Desgrudei os olhos e olhei pra figura parada na frente da cama.
–Amy? ...
–O que você ta fazendo no quarto da Mary? Você tinha que ter enchido a cara desse jeito?! A que horas você chegou ontem? Por que você ta cheio de manchas roxas? Andou brigando de novo? Você ...
Ela continuou despejando um monte de perguntas sobre mim, mas eu sinceramente não consegui escutar, agora que acordei, meu pensamento foi até a noite passada, no exato momento em que eu puxei a aquela garota e a beijei...
O gosto doce, o perfume embriagante daquela garota ainda estavam marcados em mim. Geralmente se espera que um cara pergunte o nome de uma garota antes de enfiar a língua na boca dela, mas é claro que eu sou exceção, simplesmente a deixei ir e nem pensei em perguntar pelo nome...
–Heeey! –gritou Amy balançando as mãos na minha frente – Você não tem naada pra me dizer?!
–Desculpe... – disse me sentando na cama.
–Você é um... Espera.... Você pediu desculpas? –perguntou ela com as sobrancelhas arqueadas me olhando como se eu estivesse doente.
–É... Mas não é por beber, brigar, ou qualquer outra coisa que você ta falando ai... É pela nossa ultima conversa, sabe, por eu ter levantado a mão pra você, fiz aquilo num momento de raiva, não pensei direito e... Me desculpe. –respondi.
Amy me olhou meio espantada, mas depois sentou na cama perto de mim e me abraçou.
–Tudo bem... Você é meu irmão, e não importa o que você faça eu nunca conseguirei ficar brava, ou magoada com você.
– Obrigado, er... Amy, quem é a garota nova que está trabalhando aqui? – leve mudança de assunto, eu sei...
–Garota nova? –disse ela se levantando e começando a encarar as paredes– de quem você está falando?
–Não sei... Ontem ela estava nesse quarto aqui, só queria saber quem era.
–Hm... Não sei não... Bom, tenho coisas a fazer, sai desse quarto que a Mary não vai gostar muito de um bêbado babão no travesseiro dela –falou Amy indo até a porta, acenando um “até logo” e saindo.
Bêbado babão, ótimo isso.
Um tempo depois eu já estava fora daquele lugar, vagando pela rua com cinco dólares no bolso e o estomago passando aquela sensação de que seria capaz de devorar um gado inteiro por causa da fome.
Continuei andando, ainda meio alienado por causa do sono, apesar de que acho que já passava do meio dia, observando algumas pessoas do tipo “saudáveis” fazendo caminhada com seus poodles(cenazinha bizarra). Segui em frente, com esses pensamentos super produtivos, até avistar uma figura odiosamente familiar encostada no muro de uma casa levantando uma grande nuvem de fumaça a cada tragada no cigarro.
Era o magrelo branco que me atirara na cova dos armários com esteróides.
Andei calmamente onde ele estava e me coloquei de frente com aquele filho da puta.
–Tá com algum problema cara? –perguntou o branquelo me encarando sem alterar a expressão de desinteresse no rosto.
Nem respondi, simplesmente deixei meu punho acertá-lo bem no meio dos olhos.
O Sujeito pendeu um pouco, mas não caiu, massageou o rosto e me encarou rangendo os dentes.
– Porra, por que você fez isso?! Quem é você e o que você quer?!
–Esse soco foi um dos muitos que eu vou te dar, e isso por que você me meteu numa briga ontem, ta lembrado? – gritei estalando os dedos, mais do que pronto para meter outro soco na cara dele.
Pra minha surpresa, o maluco mudou a expressão, olhou nervosamente para os lados até finalmente abrir a boca.
–Tá, não foi muito legal, mas eu não tinha escolha, eles iam me arrebentar se eu não tivesse dito aquilo, eu precisava de alguém pra levar a culpa no meu lugar, você apareceu no lugar errado e na hora errada.
–Eles iam te arrebentar?! O que acha que eles fizeram comigo?! –falei apontando pro meu olho ainda roxo e pros hematomas que praticamente brilhavam por todo meu braço.
–Cara foi mau eu...
– Foi mau o caralho, você tem contas a acertar comigo, se não fosse pelo Slash eu estaria levando um papo sério com o demo numa hora dessas!(ta, exagerei, mas foda-se) E ai? Vai fazer o que?!
–Slash? Esse veado te ajudou e me largou lá?
–Pra minha sorte sim, mas não muda de assunto.
– Se você quer dinheiro perdeu tempo, a única coisa que tenho dentro do bolso é um pouco de ecstasy. –respondeu o branquelo dando de ombros, e me dando um potinho com alguns comprimidos dentro.
–Já é alguma coisa, eu acho – falei tentando enfiar aquilo dentro do bolso – qual seu nome branquelo?
–Branquelo? Fala ai então negão – disse ele rindo e me dando um soquinho no ombro como se fossemos amigos de maternidade!
Mas ao ver que eu não me dei ao trabalho de contorcer minha boca pra sorrir, ele desmanchou a cara e respondeu:
–Meu nome é Jeffrey, você é?
–Axl – respondi dando de ombros – Não tente fazer nenhuma piada do tipo “que droga de nome é esse” – completei após praticamente ler os pensamentos do cara.
Ficamos um tempo em silencio até meu estomago me lembrar que eu tinha um encontro inadiável com qualquer lugar que tivesse comida.
–Certo, to indo agora, preciso comer alguma coisa – disse me virando pra ir embora.
– Espera, eu vou junto com você, to com fome também.
Não entendi porra nenhuma, quero dizer, o cara ferrou com a minha vida ontem, eu acabei de dar um soco nele, e agora o fulano age como se me conhecesse a séculos.
Meus pensamentos foram interrompidos por um objeto voador não identificado que me acertou em cheio na cabeça. Depois de berrar alguns palavrões para ajudar a dor a diminuir, olhei pro chão para ver o que era, e adivinha?! Fui acertado por um all star fedido sujo e surrado!
–Faaala povo de baixo!
Olhei pra cima e me deparo com o rosto feio do Slash, o maluco dormiu em cima da arvore?!
–Slash? –perguntou o branquelo espantado.
–Com toodo charme beleza e elegância que a mãe me deu – cantarolou o chumaço de cabelo com pernas enquanto descia da arvore.
– Seu filho da puta, você sumiu com o dinheiro! Eu quase fui usado de saco de pancada!– bufou o branquelo fazendo (tentando) uma cara ameaçadora.
– Felizmente tinha um perdido lá pra você por a culpa – retrucou Slash dando de ombros e se apoiando em mim para colocar o tênis novamente.
–Vale lembrar que você ta difamando a minha pessoa pra mim mesmo?! – perguntei pensando seriamente em tirar o apoio e ver se a cabeça dele esguicharia sangue se batesse na calçada.
–Errado, to falando mau de você pro Jeffrey, e de qualquer modo, ele livrou a bunda branquela de levar um chute e eu livrei o seu traseiro magro de ficar esfarrapado, então quem me paga o almoço? –falou a perucona sorrindo (eu acho que ele estava sorrindo).
De modo que lá estávamos nós em um barzinho qualquer analisando a tabela de preços.
–O que a gente tem? – perguntou Jeffrey fazendo aquela cara de “hey estou tentando te seduzir” pra garçonete de longas pernas e seios de parar um desfile militar.
–Contando os meus cinco dólares, nós temos cinco dólares! –respondi
– Pobre é uma merda mesmo – resmungou o filho da puta branquelo parando de empoçar a mesa com baba – Não da nem pra um café!
– Ela não precisa saber disso – disse Slash acenando freneticamente para que a garçonete viesse até nós.
E foi quando a garota chegou perto que eu conheci a face da morte, e adivinha só: ela vinha dentro de um sutiã!
–O que vão querer rapazes? – perguntou ela sorrindo profissionalmente com um bloquinho na mão.
–Er... Queremos três Kennedy (que nome ridículo), carrega o meu com molho ta? E pra beber três latas de coca cola. — falou Slash retribuindo o profissional sorriso da fulana.
–Estarei de volta em alguns minutos – dizendo isso ela se virou e saiu andando em direção ao balcão.
–Ótimo! –exclamei com o meu melhor tom de sarcasmo- você por um acaso tem alguns dólares escondidos dentro do cabelo Hudson?!
–Relaxa! Tenho tudo sob controle – respondeu ele ainda com a droga de sorriso no rosto.
Esperei um tempo, sabe pra ver se Slash abriria a boca pra dizer o que diabos ele tinha feito, mas como ele se ocupou em fazer um “cigarro” com os guardanapos de papel e o sal,decidi que isso não ia acontecer,então abri a boca novamente, mas um certo figurão entrou no barzinho escancarando as portas e falando extremamente alto .
–Hey Joe! Chegou mais cedo pra pegar a sua dose diária? – perguntou a garçonete pro velhote que acabara de entrar.
–Não, estou atrás de informações – continuou o velhote apoiando os cotovelos no balcão– Sabe o movimento do meu estabelecimento caiu um pouco, os guris que eu arrumei pra tocar lá são,são...
–Inexperientes? – completou a fulana,saindo de trás do balcão e carregando uma bandeja com o que acredito que seja a comida que com toda certeza não poderemos pagar.
–Uma porcaria! Preciso de uma banda madura, que já tenha alguma experiência e que ao menos toque algo que traga gente pra dentro da casa e não que as espante! Será possível que não existe nenhuma banda disposta a ganhar duzentos dólares pra uma noite?!
–Não precisa mais procurar meu velho – berrou Slash com a boca cheia de... Kennedy! – A solução se encontra bem aqui na sua frente, nós tocaremos pra você!
Engasguei com o Kennedy e Jeffrey cuspiu a coca que estava bebendo. Senhor, por que decidistes cobrar todos os meus pecados em um só dia?!
–Vocês três? – perguntou o velho com uma sobrancelha arqueada, analisando a figura magra e desgranhenta que era Slash- Quer realmente me fazer acreditar que vocês são uma “banda experiente”?
– E por que não?! Alem do mais, você nunca nos ouviu tocar, e ainda faltam... dois componentes da banda, você esta diante das guitarras e do ... Vocal! – falou dando uns tapinhas no meu ombro.
Colocaram umas substancias a mais dentro do Kennedy desse filho da puta só pode.
– Certo... vou dar um voto de confiança, mas só por precaução, apareça no Sheb’s aman... Não, depois de amanhã, quero fazer um teste antes colocar um bando de malucos pra tocar na minha casa,as três da tarde?
Os dois apertaram as mãos selando o acordo e o velhote saiu. Slash sorriu, apertou um pouco o cinto da calça,como se quisesse garantir que a mesma estivesse muito bem presa, voltou pra mesa,segurou o Kennedy e... bem, começou a berrar.
–VAMO LOGO, CHEGA DE MOLESA, LEVANTA DESSA PORRA AGORA QUE A GENTE TEM MUITO TRABALHO A FAZER SEUS INUTEIS DE MERDA!
O branquelo e eu nos levantamos aos tropeços e saímos de pressa do bar,deixando a fulana com uma cara de assustada, e sem ao menos entender direito o que caralhos Slash estava fazendo. Quando ele nos alcançou na saída que finalmente entendemos.
–Certo, andem de pressa, e se ela...
– HEEY SEUS LADRÕES DE MEIA TIGELA VOLTEM JÁ AQUI!
–É isso ai, corre!
–Por que ainda estamos correndo, ela nem saiu do bar pra vir atrás da gente... – reclamou Jeffrey um tempo depois, esse bran... porra ele ta certo.
–Eu disse que toda a situação estava sob meu controle. –cantarolou Slash se curvando e apoiando-se nos joelhos.
–Sério, que diabos você tem na cabeça?! – disse dando um soco no ombro dele – “Nossa banda” pode tocar você disse, “diante das guitarras e do VOCAL” desde quando “nós” temos uma banda?!
Desde quando viramos “nós”?!
–Desde há uns cinco minutos atrás, eu vinha com uma idéia de banda na cabeça há séculos, porem nunca consegui tirar do papel, e quando o velho disse duzentos por show, não pude me conter. – respondeu ele dando de ombros.
–Ceerto, e a gente sabe tocar?! – e aqui estou eu novamente usando meu melhor tom de sarcasmo, a segunda vez num só dia!
–Sim, quer dizer mais ou menos, o Jeffrey e eu temos guitarras, e conseguimos fazer alguma coisa com elas.
– Uma banda de duas guitarras? – falou Jeffrey dando sinal de vida.
– Eu pensei nos “Michaels” – disse Slash com os olhos parecendo brilhar.
–O que temos a perder não é mesmo? – respondeu Jeffrey com um sorriso débil nos lábios – Colocamos a ruivinha aqui pra berrar e rebolar na frente e da pra enganar o velhote e embolsar alguma coisa!
–Primeiro, ruivinha é o caralho! Segundo, eu vou cantar por que mesmo?
– Por que você é um pobre diabo jogado nessa terra esquecida por Deus e governada por feras, sem dinheiro, sem futuro ou alternativa, se você não cantar prepare se para prostituir seu corpo nas esquinas com...
Dei outro soco no filho da puta do Slash pra que ele calasse a boca antes que o momento profeta dele ficasse pior.
–O caralho meu ombro já ta doendo porra! – resmungou a peruca massageando o ombro– Enfim, eu vou procurar os malucos e a gente se vê de novo ainda esta noite, apareçam em casa, vamos aproveitar o fato de que minha mãe está fora pra visitar sei lá quem que está com o pé na cova.
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