Dust N Bones

5 Pedaço de carne


Notas iniciais
OMG recebi recomendações T-T naaaah que dia mais lindo *0*
Gente, obrigada a todos que estão acompanhando a historia, obrigada pelas recomendações (sei que não mereço, mas agradeço *-*)
Enfim, chega de blá blá blá
Tá ai mais um capitulo, espero que gostem

“O negocio é o seguinte, Bill quando a vida te deixar um molho de chaves e apenas cinco minutos pra abrir a porta, não pense, arrombe essa porra e descubra o que tem por trás!”
Nunca entendi muito bem o que Michelle tentava me dizer com isso, acho que tem algo a ver com pensar menos e agir mais, exatamente o que Slash acabara fazendo a algumas horas atrás...
As vezes sozinho com meus pensamentos, eu chegava a alimentar a idéia de uma banda, uma grande banda, famosa, sendo aplaudida, reconhecida no mundo todo, mas isso foi antes, antes de dar um pé no puto do Bailey, deixar Stuart e Sharon naquela casa odiosa onde me criei, antes de ter que cuidar de Amy.
Hunf... Cuidar dela, é até vergonhoso assumir isso, mas ela que acabou cuidando de mim.
Se essa coisa de banda desse certo, se ela realmente estourasse, eu teria dinheiro, mudaria o que está errado na minha vida, tentaria cuidar de verdade da minha irmã, e o melhor de tudo, passaria o resto da vida fazendo algo que gosto muito, que é musica, rock, levar meu grito pras pessoas interessadas — ou não — em ouvi-lo!

Era mantendo esses pensamentos que eu,pregado no sofá que ficava no “hall de entrada” do prostibulo, tentava escrever algo que pudesse virar uma musica ou qualquer coisa assim. E, julgando pelo volume que o pequeno cesto de lixo ganhara, eu matara uma arvore!

-Que merda você esta fazendo ai moleque? Estou esperando uma visita importante e disse que não queria ninguém aqui em baixo!
Virei o rosto e me deparei com a figura asquerosa de Peter, o velho gordo que era dono do “estabelecimento”.
-Desculpe pelo incômodo, já vou me retirar.

Não se assustem a educação é parte de uma promessa que fiz a Amy. Hey... Com quem diabos eu to falando?!
O feioso só ficou me encarando enquanto eu me levantava. Um clique seco vindo da maçaneta da porta de entrada ecoou pela sala completamente vazia e, no mesmo instante o velho praticamente me chutou escada acima sussurrando algo como “eles chegaram, suma da minha vista seu merda”.
Subi alguns degraus, o suficiente pra sair da vista das pessoas que estivessem lá em baixo e fiquei quieto. O que diabos eu poderia fazer depois que aquele cretino acendeu a minha curiosidade?!
-Amanda! Que alegria em revê-la – cumprimentou o velhote beijando a mão (eca) de uma senhora com um corpo truculento de baixa estatura e com uma pequena verruga no canto da boca.
-Poupe-me de bajulações Peter, você sabe que estou aqui a negócios. – grunhiu a tal de Amanda.
-Naturalmente. – falou Peter se endireitando e assumindo uma postura mais seria- E onde está a garota?
De súbito compreendi tudo, aparentemente a velha viera vender mais uma escrava pra esse escroto!
Amanda eu uns passos para o lado e uma garota passou timidamente pela porta, seus finos braços vinham cruzados acima do peito, o cabelo comprido e negro cobria praticamente todo o rosto dela.
— Qual seu nome, princesa? – perguntou Peter com uma voz que transbordava falsa gentileza.
— Christine... Christine King – falou quase com um sussurro, aparentemente fitando o chão.
— Acho que ela vai servir – disse por fim, puxando a garota pra perto de si e, levando a mão ao bolso, tirou um grosso rolo de notas que entregou a mulher – Trezentos dólares pode conferir, se quiser.
-Não preciso, está bem assim.
Dizendo isso, Amanda saiu batendo a porta sem nem olhar pra trás.
— Bem vinda ao seu novo lar! – falou o velhote abrindo os braços de forma calorosa –agora... Antes de ir pra cima e pegar um quarto pra você, vamos conversar um pouco.
Peter agarrou Christine pelo braço e a puxou para o sofá, onde a pouco eu estivera sentado. Com certa relutância, a garota acabou sentando ao lado dele, o velho pretendia fazer exatamente o que eu temia, ele iria conferir a nova mercadoria de perto.
— Por favor... Na-não me machuque – Choramingou Christine quando aquele porco imundo começou a acariciá-la por baixo da blusa.
-Fique calma querida, tudo vai acabar bem... Você está fazendo muito drama por causa de... Christine, você por acaso ainda é virgem?
Quando ele não obteve resposta, um nojento e assustador sorriso despontou em seus lábios velhos e rachados.
— Mas que grande dia! Sim senhor, o velho Peter tirou a sorte grande com você minha querida, pode apostar nisso! Você vale muito mais do que pensa enquanto ainda for virgem! – grunhiu em meio a risos – Agora minha pequena, suba as escadas e pegue um quarto que ainda não tenha uma fita na porta, deite e descanse; hoje você me fará lucrar um bom dinheiro docinho, agora vá, suba!
Christine desatou a chorar, e se arrastou pesadamente até a escada.
Sem pensar, me levantei dali e andei apressado em direção ao “meu quarto”. Um turbilhão de pensamentos começou a fazer minha cabeça doer, de uma hora pra outra comecei a me sentir enjoado, precisava me sentar em algum lugar rápido se não quisesse desabar. Parei em frente à porta do numero 15 e olhei tristemente para a fita vermelha na maçaneta. Todos os quartos ocupados tinham uma fita azul presa a ela. Amy havia me dito que na porta do nosso quarto teria uma fita vermelha quando ela estivesse acompanhada, uma maneira simples de “evitar meu sofrimento”.
A porta do quarto ao lado não tinha fita alguma, de modo que acabei entrando nele. O quarto era completamente branco, e não tinha nada alem de uma pequena cômoda, um criado mudo e uma cama de casal simples forrada com um lençol também branco.
Nem bem me sentei na cama e a porta abriu revelando a tímida e triste figura de Christine. Olhando de perto ela era realmente bonita, mas é claro que, naquele momento isso não vinha ao caso.
Ela arregalou os olhos, como se de repente tivesse dado conta de que eu estava ali, me encarou, mas rapidamente desviou o olhar para o chão.
-Me des-desculpe, eu pensei que o quarto estava vazio. – disse novamente naquela voz de sussurro e deu alguns passos para trás.
-Hey, espere! Acho que eu que tenho que pedir desculpas – falei saindo da cama e indo em direção a ela – o quarto estava vazio, e eu procurava um lugar pra curtir a depressão sabe? – arrisquei um sorriso nervoso, e em seguida completei – O quarto é todo seu, me desculpe pela invasão.
Eu estava quase saindo quando ela segurou meu braço
-Espere, eu... Eu estou com medo – disse ela com as lagrimas brotando com mais intensidade de seus olhos.
Um instante depois ela já estava me abraçando e molhando meu ombro com lagrimas.
Não disse nada. O que haveria para dizer?! Só fiquei lá parado, deixando que ela continuasse molhando minha camisa e soluçando algumas palavras incompreensíveis, só depois de alguns minutos ela se afastou um tanto quanto corada, secando as lagrimas com as costas da mão.
-Me desculpe – disse ela com um repentino sorriso – você tem seus próprios problemas e eu com toda certeza não deveria te aborrecer assim... Apropósito, sou Christine.
-Willian, ou Axl, como preferir – sorri de volta e estendi a mão pra ela.
-Axl? Não se parece com o diminutivo de Willian – comentou com uma sobrancelha arqueada enquanto balançávamos as mãos.
-E não é – disse andando em direção a cama e me jogando na mesma, sabe, me senti no direito de fazer isso.
Ela se sentou na ponta oposta ao lugar onde eu estava, e não disse nada, só ficou fitando o quarto com olhos vazios e o pensamento longe. Peguei o caderno onde eu tinha rabiscado algumas palavras, ele agora tinha um volume bem menor do que antes, e eu não tinha conseguido escrever quase nada, ta eu admito ainda não escrevi porra nenhuma!
-Will, o que vai ser de mim agora? É isso que resta pra mim agora? Ser uma, uma... Prostituta? Ser vendida pelo maior lance e deixar que qualquer um me invada hoje e... E sempre?
Olhei pra ela, e novas lagrimas apareceram em seu rosto, respirei fundo, joguei o caderno no chão e a encarei, acabei descobrindo um poço profundo dentro de seus olhos negros e brilhantes pelo excesso de lagrimas. Me lembrava o brilho que minha irmã costumava ter nos olhos...
-Sabe, poderia ser pior... –comentei me arrastando pra perto dela – Você poderia ser a porra de um fodido de merda que não consegue dinheiro pra ajudar a irmã, que é forçado a ver sem reclamar a irmã vender o corpo pra sustentar ele.
-É isso que acontece com você? –perguntou com uma ponta de dó brotando no olhar
-É isso ai, somos os bodes expiatórios de uma força maior que quer tirar um sarro.
— Um em um milhão...
Um em um milhão, é isso que representamos, um em um milhão... Certo, nota mental: Arquivar isso pra uso futuro.
Depois disso, nada mais foi dito, só ficamos ali, nos fitando em silencio, até Christine quebra lo com um bocejo.
-Will? Você fica aqui comigo, quero dizer, até que eu consiga dormir. –perguntou com um leve rubor em sua face.
Sorri e assenti em silencio para que ela se aproximasse. Christine se aninhou, apoiando a cabeça em meu colo e tornou a olhar incansavelmente para o vazio.
-Sabe... Antes de ir parar nas mãos daquela desgraçada que me trouxe aqui, quando eu ainda era uma garotinha e meu pai vivia, ele costumava me por pra dormir desse jeito, sabe, apoiava minha cabeça em seu colo e mexia no meu cabelo até meus olhos pesarem.
-Assim? –perguntei começando a afagar o cabelo dela, meus dedos sumiam e reapareciam naquele periódico movimento de vai e vem ao meio dos longos e macios fios.
-É, exatamente assim...
E foi desse jeito que o silencio voltou a reinar, Christine dormiu e um tempo depois, eu também.

Notas finais
E ai, o que acharam de Christine?
ela é mesmo uma pobre e indefesa garota que recebeu toda a furia de um destino cruel? =0