Dust In The Wind

1 Capítulo 1 - Revelação


Notas iniciais
Olá! Como vão? :) Espero que todos bem! Resolvi escrever uma história sobre o amor fraternal dos nossos irmãos favoritos, os Salvatore. Infelizmente, são poucas ou quase nenhuma história que encontramos sobre a linda amizade & irmandade entre esses irmãos, esse sim, o amor mais lindo, genuíno e importante da série. Espero de coração que gostem tanto quanto eu estou apreciando escrever essa fanfic. Sugestões e críticas construtivas são sempre bem-vindas! Obs.1: A história ainda não contém uma sinopse definida porque ainda não decidi o rumo que a mesma irá tomar. Por enquanto estou escrevendo despretensiosamente. Sugestões são sempre bem-vindas! Obs.2: O início da história irá se passar em 1963, pouco antes do Damon partir para a Confederação e antes da chegada da Katherine.

[15 de abril de 1863]

— Damon! – Stefan Salvatore cumprimentou educadamente o seu irmão com um sorriso doce preenchendo o seu rosto inocente e jovial. – Pai. – Continuou, agora, aparentando seriedade e insegurança.

— Você está atrasado, meu jovem. – Saudou Giuseppe, enquanto bebericava um gole do seu Whisky, em um tom agressivo e severo. – Você conhece o que eu penso de atrasos e intercorrências. Me surpreende que dessa vez seja você e não o seu irmão, como usual. Eu sabia que toda essa proximidade que vocês compartilham não poderia lhe fazer bem. É lastimável saber que não só carrego uma mas duas decepções que tenho o desprazer de chamar de filhos.

— Damon é um irmão formidável, pai! – Redarguiu com confiança e firmeza, defendendo a honra de seu amado irmão mais velho.

— Você está ultrapassando os limites aceitáveis, jovem! Eu não lhe dei a palavra ou o direito de objetificar.

— Me perdoe, pai. – Pronunciou timidamente o mais jovem Salvatore.

— Não se aflija, irmão. Não é sua culpa que o nosso pai não detém a benigna capacidade de amar. Ele nunca poderia compreender o que compartilhamos. – O sorriso e o tom de Damon eram desafiadores. – E eu acho que um atraso de dois minutos não torna meu querido irmão o filho execrável que você insiste em ostentar, pai.

— Meça suas palavras, rapaz! – O homem vociferou. O irmão Salvatore mais velho, no entanto, sequer vacilou ou pestanejou.

— Por favor, eu estou apenas admitindo o comportamento que aprendi com o senhor, pai. Resoluto e destemido, o modelo de homem que os Salvatores cresceram para ser. O senhor deveria se orgulhar! – A expressão irônica cresceu na fisionomia dele.

— Seu jovem insolente! Tudo o que você move em mim é vergonha e desgosto!

— Não poupe os elogios, pai. Eu já estou acostumado a ideia de que nunca honrarei ou trarei orgulho ao seu nome.

— Com um filho menosprezível como você e ainda espera que me orgulhe? O senhor é muito presunçoso, rapaz!

— Não se engane, pai. Eu poderia ser tão admirável e honrado quanto o nobre e cortês Fell e ainda assim, aos seus olhos, eu permaneceria a ser o mesmo patife comedor de putas que ultraja o nome dessa cidade e dessa família.

Damon! — Não só Stefan como alguns dos servos presentes na sala de jantar ofegaram em conjunto. – Pai, por favor, perdoe o meu irmão, eu tenho absoluta convicção de que ele não quis dizer essas palavras.

— Seu jovem desdenhoso, eu vou arrebentar você e cortar o seu atrevimento pela raiz. Você irá aprender a me respeitar, por bem ou por mal.

— Você sabe pai... Depois de tantos anos sentindo o peso do couro do seu cinto nas minhas costas e em toda e qualquer porção de carne que você pudesse encontrar, a dor se tornou quase anestésica. Eu tão pouco posso sentir a fivela de prata rasgando assiduamente a minha pele. – O sorriso de Damon era mordaz enquanto observava Giuseppe fumegar.

Contudo, para a surpresa dos irmãos Salvatore, o patriarca da família logo perdeu sua feição agressiva e substituiu-a por um olhar de sagacidade, perversão e triunfo, voltando-se para a adega, servindo três copos de whisky e entregando-os aos rapazes.

Stefan e Damon se encararam com um olhar confuso.

— Para Damon! – Pronunciou ele, com um sorriso brilhante, enquanto erguia o copo elegante de cristal. Stefan, quem nunca havia colocado um gole de bebida alcoólica nos lábios antes, cheirou furtivamente a bebida destilada e franziu o nariz em desgosto para o cheiro forte e amargo. Damon poderia ter sorrido senão fosse pelo seu estado genuíno de confusão, aos olhos da sociedade da época, seu irmão era quase um homem, porém, ele sabia melhor, o jovem não era nada além de uma criança de dezesseis anos. Embora sua postura demonstrasse maturidade e prudência, Stefan era o garoto mais apaixonado, sensível e gentil que já conhecera e, indubitavelmente, a pessoa mais branda, íntegra e altruísta também. Tanto o orgulhava como o preocupava, visto que o seu irmão não tinha qualquer malícia e era incapaz de perceber maldade. Stefan era o tipo de homem que não pensaria duas vezes antes de se sacrificar e dar a sua vida para salvar outras.

Damon havia crescido para ser um incômodo constante para os habitantes de vossa pitoresca cidade. Havia algo sobre ele, talvez fosse o modo pelo qual manipulava suas palavras, ou quem sabe o sorriso maroto de galanteador que poderia facilmente encantar qualquer um, sobretudo as moçoilas da cidade, de qualquer forma, costumava-se ouvir entre as bocas curiosas da localidade que ninguém que andava com ele se afastava sentindo-se decente ou puro. Verdade seja dita, o rapaz de vinte e quatro anos era conhecido não somente como a ovelha negra da recatada e nobre família Salvatore, como também a mancha negra para o bom nome da urbe aristocrata de Mystic Falls.

Stefan, por outro lado, embora fosse um fidedigno cavalheiro, era tão timidamente silencioso para com o público em geral que era frequentemente considerado um inválido se comparado aos rapazes demasiadamente extrovertidos e extravagantes das demais famílias fundadoras. De modo geral, o ultimogênito Salvatore era extremamente reservado e conservador, passando a maior parte de seu tempo trancando na sala de leitura de sua casa ou em alguma biblioteca local, devorando livros de variados gêneros, desde pensadores e filósofos do século 19 até romances de Charles Dickens e Fiódor Dostoiévski, ao invés de perseguindo garotas, como faziam a maioria dos garotos de sua idade. Apesar da pouca idade, ele era copiosamente inteligente e, em adição, mesmo em seus anos pré-púberes, evidentemente muito bonito, bem como Damon. Com a sua reputação de moço bem-educado e sendo o filho de um dos homens mais ricos, ele foi declarado um dos solteiros mais cobiçados da cidade até ter a idade mínima aceitável para encontrar uma esposa. Seria simples se Stefan, no entanto, acreditasse em casamentos arranjados. O púbere era emocionalmente muito sensível e vulnerável e sonhava em viver uma grande estória de amor, tal como aquelas que tanto lia em contos. Outrossim, ele quase estaria próximo de ser o filho almejado de Giuseppe Salvatore senão fosse tão abstraído dos negócios da família, sendo que pouco ou nada se importava com nobreza. Mesmo Damon tinha de admitir que o seu irmão não tinha ambição alguma quando se tratava de fama, dinheiro e poder. Stefan era um poeta que sonhava com romances de cavalaria e com um amor tão sublime e intenso quanto as ficções de William Shakespeare.

Outra notável diferença entre os irmãos era que, enquanto Damon estava sempre cercado de colegas, amigos e garotas devido a sua personalidade carismática, comunicativa e extrovertida, Stefan tinha poucos ou quase nenhum amigo a pretexto de ser tímido e inibido. Sendo o bom irmão que era, o mais velho Salvatore costumava incluir o outro em seu ciclo de amigos e tentava ao máximo fazer com que o jovem conseguisse, ou ao menos tentasse, socializar. Não era sem razão que ele seguia o seu irmão mais velho para quer onde fosse. Stefan idolatrava o chão onde Damon pisava. Giuseppe, como era esperado, via aquilo como um sinal de fraqueza, foram incontáveis as vezes em que ele repreendeu Stefan por sua postura. Não importava o quanto o garoto tentasse ser um bom filho, nada parecia agradar ao pai.

— ... Que a Confederação faça de você um homem! – Damon, quem acabara de trazer a bebida aos lábios, engasgou violentamente com as palavras do pai. – E que isso lhe ensine a tragar uma bebida como um homem também! – Murmurou Giuseppe com um sorriso doentiamente brilhante cortando o seu rosto vitorioso.

O homem de vinte e quatro anos estava mais preocupado com a atual declaração de seu progenitor do que em presenteá-lo com sua habitual resposta irônica. O que havia dito minutos mais cedo era verdade, ser açoitado pelo cinto do seu pai já não doía mais como antigamente. Como se lesse a sua mente previamente, antes que Damon tivesse a chance de questioná-lo, Giuseppe girou o copo de whisky em um movimento curto e circular, apreciou o aroma da bebida e respondeu com um ar de serenidade, incomum a ele:

— Ontem, quando eu fui a cidade, o jovem e brilhante Lockwood teve a decência de me informar que você graciosamente se inscreveu para a Confederação quando o Oficial entrou no bar procurando por voluntários... Isso, é claro, antes de você rudemente vomitar em suas botas.

Imediatamente, Damon empalideceu e sentiu o seu estômago revirar. Não havia sido um sonho afinal. Ele havia se alistado, pego em um momento fútil de vulnerabilidade e ressentimento. O cenário se sucedeu em um bar, na taverna de alto escalão onde estava acostumado a ir, composta principalmente por jovens das famílias fundadoras. Ele estava bêbado e, horas atrás, tinha brigado com o seu pai. Obviamente, não era diferente do que já há muito tempo estava acostumado. Não se passava um dia na mansão Salvatore sem que fossem ouvidas as injúrias e os gritos de Giuseppe destinadas ao seu filho e, consequentemente, as respostas mordazes e atravessadas de Damon. Embora com toda a verdade em seu coração odiasse o seu pai, a criança dentro dele, a parte que buscava tão desesperadamente pelo amor, valorização e aceitação do homem que deveria amá-lo acima de tudo e todas as coisas, ainda desejava, de algum modo, trazer-lhe orgulho. Foi dessa forma que a equivoco se intercorreu. Ouvindo alguns seus colegas professarem o quão orgulhosos os seus pais estavam deles por se recrutarem, após algumas porções de bebidas, quando tudo começou a parecer mais ensolarado e florido, Damon não pensou duas vezes antes de se alistar ao ver o Oficial com a vestimenta da Confederação adentrar na bodega.

— Ele me disse que vocês partirão em duas semanas. – Giuseppe continuou. – Eu teria esperado que você nos contasse, mas conhecendo-o, Damon, imagino que você provavelmente não teria nos contado ou, pior, desertado. Mesmo tendo ciência das penas aplicadas para aqueles que fogem da obrigação com o seu país.

Normalmente, ele teria protestado, visto que ele praticamente lutou contra toda e cada palavra que saiu da boca do homem, mas, novamente, talvez, pela primeira vez, seu pai tivesse razão. Isso era exatamente o que ele teria feito, na verdade, era exatamente isso que ele planejaria fazer se e quando descobrisse que havia se inscrito para o exército.

— Mas estou feliz por ter descoberto. – Disse o pai, sorrindo, quase sádico, com o olhar de exasperação que Damon o direcionou, feliz por finalmente atingi-lo. – Eu confesso que fui pego de surpresa. Eu acho que você se juntar ao exército é o erro mais inteligente que você já tenha feito, filho. Quero dizer, erro porque é muito claro a mim que isso não fazia parte dos seus planos. Provavelmente foi mais uma de suas ações impensadas e imprudentes que, inimaginavelmente, acabou sendo muito inteligente. Eu estou quase orgulhoso. – O homem fez uma pausa em suas palavras por um momento para pegar o seu copo e tomar um gole da bebida amarga. – Talvez eles possam incutir a disciplina que você tanto precisa, dado que o meu cinto parece já não estar mais fazendo esse trabalho. Sua preparação terá início na segunda-feira, ao amanhecer. Esteja pronto!

— Isso explica o sorriso doentio em seu rosto, certo pai? A comemoração da minha partida? – Damon enfim se manifestou, o sorriso irônico e desdenhoso preenchiam os seus lábios. – Você está aspirando pelo dia em que finalmente se verá livre de mim, seu filho degenerado e incorrigível! A vergonha da sociedade!

— Como eu não poderia, Damon? Desde o primeiro dia, desde quando você nasceu, você não vem sendo nada além de um fardo para mim. Você é solteiro aos vinte e quatro anos porque nenhum pai na cidade quer dar a mão de sua filha a você! Você me tornou motivo de chacota da cidade graças as suas travessuras com bebida e seus... encontros pagãos. – O Salvatore praticamente cuspiu as últimas palavras, envergonhado demais para até mesmo dizê-las. – Você zombou desta família, desonrou o meu nome e o nome de sua falecida mãe e, agora, finalmente, está na hora de entrar na linha!

Enquanto isso, Stefan estava atônito, observando em silêncio o desenrolar da briga, invisível, como sempre se tornava em meio as lutas diárias de seu irmão e seu pai. Muito profundamente submerso em sua própria dor, o jovem dezesseis anos começou a se esgueirar para fora da sala, quase cambaleando, enquanto Damon e Giuseppe permaneciam a brigar um com o outro, como cão e gato. Eles não notaram sua presença ou a falta dela, seu ódio um pelo outro frequentemente oprimindo todos os seus sentidos, cegando-os de qualquer outra coisa que decorresse ao redor.

Uma vez livre dos limites da sala de jantar, Stefan soltou um suspiro trêmulo, feliz por estar longe do tumulto de vozes raivosas, mas sobrecarregado com o pensamento e a noção de que em duas semanas seu amado irmão iria partir. Damon claramente havia bebido, o que significava que ele não estava em seu estado mais perfeito de juízo ou pensando e, naquele instante, ele fez a única coisa que Stefan mais temia: ele decidiu deixá-lo para trás.

O peito dele começou a se apertar e respirar se tornou cada vez mais difícil quando o pânico e a revelação o atingiram. Stefan tropeçou os pés até o seu quarto sem nem ao menos conseguir propriamente andar enquanto usava das paredes do corredor como suporte para não desabar e ir de encontro ao chão. Não havia um dia de sua vida que ele havia passado sem o seu irmão. Damon conhecia todos os seus segredos, seus desejos e seus medos, não havia nada que seu irmão não soubesse sobre si. Stefan compartilhava piamente tudo com ele. Entretanto, agora, precisaria enfrentar a realidade de que em duas semanas estaria sozinho.

O que ele era incapaz de compreender porém era a razão que levou Damon a tomar uma decisão tão precipitada e inadvertida quanto aquela, sem ao menos informá-lo ou considerar conversar consigo. Stefan sabia que, diferente dele próprio, seu irmão odiava sua cidade natal. Ao passo que ele amava a localidade pouco urbanizada e a atmosfera pacata e ordeira, o jovem mais velho continuamente sonhou e discorreu sobre viver em alguma capital como Paris onde não teria que se importar com os costumes demasiadamente tradicionalistas e com os bisbilhoteiros locais preocupados em cuidar de vidas alheias. Quem sabe Damon finalmente estivesse decidido a se livrar de inibições, convicto de que o exército seria a melhor chance e solução para romper de uma vez por todas os laços com o seu carrasco, seu pai, Giuseppe Salvatore. Stefan, por sua vez, não poderia impedi-lo, nunca teria coração para tal, não se fosse essa a razão subconsciente que levou o Salvatore mais velho a fazer uma escolha como aquela.

Damon cuidou dele pelos subsequentes dezesseis anos de sua vida, desde o seu nascimento e até então. Seu pai sempre se fez negligente e sua amada e memorável mãe, apesar de tê-los amado, era submissa ao seu marido e o temia o suficiente para manter a cabeça baixa e ignorar os abusos físicos e morais do mesmo para com os seus filhos. Após a morte dela, quando o mais novo estava há poucos meses de completar dez anos de vida e o mais velho gozava dos seus tão sonhados e libertadores dezoito anos, Damon, mais do que nunca, se encarregou de ser responsável pela criação e cuidados de seu irmão. Ainda que já estivesse acostumado a tutelar o seu irmão, com a morte de Lilian e a crescente negligência de Giuseppe, o irmão mais velho aceitou sua obrigação de proteger, cuidar e zelar por ele, custasse o que fosse.

Ao chegar em seu aposento, Stefan fechou a porta atrás de si e, sem se preocupar em acender uma vela, permitindo que as luzes do crepúsculo fossem a única iluminação do seu quarto, ele rastejou até a cama e desabou, deixando que toda a dor e angústia se libertassem em forma de lágrimas imparáveis e soluços violentos.

A ideia de perder Damon era ainda mais extenuante e excruciante do que havia sido a perda de sua mãe para a morte.

Quando, alguns minutos mais tarde, o ranger da porta indicou que alguém se fazia presente, Stefan não precisou se virar para saber quem era.

— Stefan... – Ele ouviu um suspiro e, logo após, sentiu a cama afundar com a adição do peso extra e a mão calorosa e quente nas suas costas descansando contra o tecido de linho da sua camisa branca.

Um soluço doloroso e impiedoso surrou o peito do mais jovem.

— Stefan... – A voz de Damon assumiu um tom de vulnerabilidade raramente expressa por ele. – Eu não vou embora... Não para sempre.

Ele sentiu o seu coração se partir quando Stefan se afastou do seu toque, conduta que o seu irmão jamais havia exibido antes.

— N-não. – A voz do adolescente tremia. – Não faça promessas que não podes cumprir, Damon. Vocês está partindo... para uma guerra. Uma guerra que já perdura por quase três anos. Você não sabe quanto tempo mais ainda irá durar ou quando receberá sua licença para voltar... Se você voltar.

O peito de Damon se apertou, não havia nada que ele mais odiasse no mundo do que ter de observar o sofrimento de seu irmão.

— Talvez você possa se apaixonar e decidir não retornar... – Continuou o garoto, inconsolável. – Você pode se machucar, sofrer um ferimento grave... – Um sussurro, quase inaudível. – V-você pode...

Stefan nunca foi capaz de terminar a frase, mas não era preciso ser um gênio para ser conhecedor e entendedor da óbvia alegação encoberta pelas pesadas palavras desprendidas no ar. Você pode morrer. Damon não conseguiu mais assistir sem fazer nada quando o desespero do seu irmão desengasgou-se em soluços e gritos aflitos e, imediatamente, saiu de sua posição e recostou-se na cama, puxando o garoto mais jovem em seus braços. Ele não o via chorar de tal forma desde o óbito de sua mãe, quando não era nada além de uma criança perturbada pela morte de sua progenitora e que ansiava desesperadamente o conforto de seu maior e único protetor, o seu irmão, uma vez que o seu próprio pai teve a coragem de dizê-lo que não deveria chorar.

— Ei. – Damon sussurrou, embalando Stefan em seus braços como se fosse uma criança. Ele era afinal, Stefan ainda era somente uma criança. Um jovem doce e inocente de dezesseis anos. O queixo dele descansava sob a cabeça de cabelos castanhos loiros dourados do irmão e, enquanto uma mão o segurava com força pela coluna, a outra percorria em ritmo por toda a extensão de seu couro cabeludo. – Eu estou bem aqui, Stefan. – Murmurou, a voz soando aguada. – Eu estou aqui, garoto.

Os soluços não pararam até um longo tempo depois.

Damon e Stefan não ousaram dizer nada, havendo uma concordância silenciosa entre os irmãos que a companhia física um do outro era o suficiente, por enquanto, para acalmá-los da futura e inevitável tormenta que iria sobrevir.

— Você se recorda do dia que a mãe faleceu? – Perguntou o irmão mais velho, quando tudo o que podia ouvir era a respiração cansada de Stefan.

— Sim. – Respondeu, muito taciturnamente, o irmão mais novo. – Por quê?

— Eu falhei com você por não fazer o discurso do funeral da mãe. Decepcioná-lo daquela forma... Machucou-me mais do que eu poderia tê-lo machucado. Eu o feri ao desonrar minha promessa, evidentemente, mas estou seguro de que me feri ainda mais no processo por saber que transgredi o meu dever de sempre zelar por você, não importa o que.

— Por que você está dizendo isso? – Questionou Stefan, deitado ao lado de Damon, enquanto ambos observavam com desinteresse o teto do quarto suntuoso, iluminado pelo candelabro trazido por Damon.

— Porque naquele dia, eu lhe fiz uma promessa: Eu prometi nunca decepcioná-lo novamente e apoiá-lo enquanto eu viver. – Exprimiu, com muita voracidade. – E eu pretendo cumprir essa promessa o que significa que, por quaisquer meios necessários, eu juro voltar para você.

— Eu estou com medo, irmão. – Stefan admitiu em meio a um sussurro, após alguns breves minutos de silêncio. As lágrimas ainda nadavam em sua voz, que era quase um sussurro. Internamente, Damon sentiu a sensação de aquecimento habitual, como todas as vezes sentia, quando o seu irmão o invocava como se ele fosse capaz de resolver todos os problemas do mundo. – Você é o meu irmão mais velho, mas é mais... Você é meu melhor amigo, o homem em quem me espelho, Damon. Nos meus dezesseis anos de vida, foi você quem sempre cuidou de mim. Quem sempre esteve lá para mim... Você é tudo o que eu tenho e desde sempre vem sendo muito além do que somente o meu irmão. O meu protetor, o meu companheiro, minha figura paterna... Eu não posso imaginar a possibilidade de viver em um mundo sem você, Damon...

Damon franziu as sobrancelhas, da maneira que geralmente fazia quando se sentia triste, pronto para chorar, e tentava controlar e camuflar suas emoções. Ele sabia, entendia o sentimento sublimemente bem. Stefan era o seu mundo. Seu irmão era tudo o que tinha, seu melhor amigo, seu companheiro, a melhor parte de si, e ele o amava com todas as fibras do seu ser, tanto que somente o pensamento inimaginável de viver em um mundo sem ele praticamente causava-o dor física. Damon não havia conhecido o significado de verdadeiro amor e devoção até o nascimento de seu irmão mais novo. Enquanto o seu pai era um homem frio e cruel que mais se preocupava com a sua relevância pública e o seu prestígio na sociedade, sua mãe, ainda que houvesse os amado, era passiva e submissa às ordens do marido, intimidada demais para defender os filhos do abuso moral e físico diariamente sofridos.

O primogênito, até onde era capaz de se lembrar, sempre foi o filho bastardo, o rebelde incorrigível, que era motivo de sussurros entre os moradores da localidade e de toda a aversão que Giuseppe gozava. Stefan, no entanto, nasceu para ser o filho perfeito, o garoto de ouro da família. Apesar de, indubitavelmente, poder ser levianamente considerado o filho favorito do patriarca Salvatore, o homem não era o pai ideal, retificando, nunca fora o pai ideal para nenhum deles, incluindo o jovem integro e primoroso Salvatore. Jamais houve sequer, mínima que fosse, demonstração de carinho ou palavras de orgulho. Damon odiava admitir que alguma parte de si, por menor e mais reprimida que fosse, tinha ciúmes de Stefan, afinal, o seu irmão, o filho que veio depois, era o escolhido de seu pai, o garoto por quem tinha pretensão para um grande e brilhante futuro e, ele, que muito havia lutado para conseguir qualquer tipo de atenção ou retorno do mesmo, foi deixado à migalhas.

Houve um tempo em que tentar agradar Giuseppe era quase uma atividade diária para ele, isso até se conformar com a realidade incontestável de que, não importa o que fizesse ou o quanto do seu melhor desse, o homem jamais iria se orgulhar dele. Já Stefan, preocupantemente bom demais para o seu próprio bem, insistia em ainda ver o pai com bons olhos, esperançoso de que, em seu íntimo, o homem os amava. Talvez, quiçá, fosse porque pouco ou nunca houvesse experienciado os horrores que Damon viveu nas mãos dele em virtude de sempre ter sido vorazmente protegido por ele.

Aliás, Damon era o irmão mais velho e faria o que julgasse necessário para proteger Stefan, o garoto meigo e inocente em demasia, seu irmão mais novo.

— E você não precisa. – Damon declarou, com as emoções pouco contidas, apertando os braços ao redor de Stefan. – Eu sempre estarei aqui para você. Você e eu... Somos tudo o que temos, um ao outro. E sempre teremos. Eu juro pelo nome de nossa falecida mãe que eu voltarei. Eu voltarei por você Stefan. Você será a motivação que eu necessito para sobreviver a essa guerra.

Foi quando Stefan abraçou-o com força e soluçou em seu peito que Damon sentiu suas orbes azuis se encherem com pesadas e grossas lágrimas.

— Eu te amo, Damon. Por favor, não morra em mim, irmão. Não me deixe. Eu não poderia viver em um mundo sem você.

— Ei, não se preocupe tanto, irmão... O seu irmão mais velho sempre estará aqui para protegê-lo. É a minha responsabilidade, não é? Cuidar do meu irmão mais novo travesso. – Pronunciou, com nada além de pura fraternidade, em um tom suave e levemente divertido, plantando um beijo amoroso no cabelo loiro queimado do irmão. – Eu também te amo, Stefan.

E eu farei o que estiver em meu alcance para voltar para você.

Notas finais
E ai? Me contem nos comentários o que acharam!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.