Era chegada a hora.

A campina era banhada pela luz alaranjada e quente da lua. Árvores de todos os tamanhos faziam sombras sinistras no gramado, como pontas afiadas esperando pacientemente por sua próxima vítima.

No centro, duas mulheres estavam frente a frente, como um reflexo, apesar de serem essencialmente diferentes e de olharem para lugares diferentes. A mais alta, mais imponente, tinha volumosos cabelos ruivos, que caíam em cascata sobre seus ombros e costas. Seus olhos eram redondos e pareciam se derreter como chocolate, mornos, ternos. Sardas polvilhavam seu semblante calmo, e seu corpo bronzeado era uma miríade de curvas e músculos bem treinados. Ela fitava o céu, esperançosa. Sorria.

A outra não.

Seus cabelos escorriam por suas costas, lisos, os fios prateados tingidos em tons de fogo pelos raios do sol. Seus olhos eram tão claros quanto as estrelas, carregados de emoções. Mordia o lábio em uma tentativa vã de não deixar aqueles malditos sentimentos transbordarem por sua face, fazendo-o sangrar. Não queria demonstrar fraqueza. Ela não era fraca. Seu corpo era mais esguio, mas não menos forte. Mesmo assim, nao era tão imponente quando a outra. Olhava para seus próprios pés, sentindo vergonha de si mesma.

As duas estavam em pé, com os braços a frente do corpo e as mãos unidas palma com palma. Era um gesto estranho para quem fosse de fora, como duas pessoas brincando de imitação, mas os residentes do Monte Targon sabiam que aquela era uma cerimônia de suma importância.

A menor e mais jovem das duas sentiu as palmas de suas mãos formigarem sob o calor das mãos da outra, que parecia diminuir lentamente. Aquela era a Escolhida do Sol, a Aurora Radiante… Ela era muitas coisas, mas nunca seria sua.

Ela tinha deveres, vontades, sonhos, e não havia nada que Diana pudesse fazer para impedi-la de ir. E ela tinha que ir.

As mãos se separaram, mas ainda era possível sentir o formigamento. Diana observou os movimentos da sombra da outra na relva, sem levantar os olhos. Seu rosto foi gentilmente guiado para cima pelo toque quente de dedos calejados, resultado da prática com a espada e escudo.

Respirou fundo antes de perder a respiração naqueles olhos castanhos, cheios de determinação e afeto.

Era o fim. E era o começo.

Permaneceu imóvel enquanto via a silhueta de Leona se distanciar cada vez mais no horizonte, tornando-se um com o sol. Apesar de não estar mais lá fisicamente, era a maior presença em seus pensamentos, dando forças à Diana para cumprir sua parte da promessa mais uma vez.

Era a lembrança de encontrá-la ao amanhecer que a mantinha brilhante durante a noite solitária.

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