Dusk Till Dawn
9 A seleção...
Notas iniciais
POV JAMES
Acordei bem cedo e quando me sentei na cama vi que Bia ainda roncava na dela, sorri. Ela podia ter seus defeitos mas ainda era minha irmã gêmea favorita, bom, ela era a única que eu tinha também! Me levantei e me arrumei, com essa tal de Seleção para a missão eu tinha que me preparar. Fui para uma das arenas ao ar livre, ela era à prova de semideuses então eu poderia lançar raios a vontade. Como a arena ficava perto da praia, pude ver uma certa ruiva treinando no mar. Notei que não tivemos uma conveeersa de verdade depois do beijo, simplesmente aconteceu, e graças aos deuses ninguém ficou sabendo.
Eu treinava aqui, mas minha cabeça estava na praia. Não resisti, estava mais do que na hora de conversar e esclarecer o que era aquilo. Me esgueirei entre os arbustos e me aproximei devagar. Ela estava concentrada então...
—Búuu... –cheguei por trás dela e passei minhas mãos por sua cintura. Mare deu um pequeno pulo e virou a cabeça me encarando, ah aqueles olhos me deixavam louco!
Nossos rostos estavam bem próximos e a vontade de beijá-la só crescia, quando nossos narizes roçaram um no outro ela pareceu notar e se afastou virando para me encarar por inteiro.
—O que está fazendo aqui? Devia estar treinando... –perguntou e involuntariamente passou os dedos pelos lábios, quando me viu encarando-a seu rosto corou.
—Achei que precisávamos conversar sobre o que aconteceu entre nós... –disse meio incerto de qual seria a reação dela mas também surpreso. Quando eu me tornara tão sentimental a ponto de conversar com uma menina depois de ficar com ela. Ah! Meu cérebro me lembrou, ela não é qualquer uma.
—Ah. Bom, a gente ficou, foi bom e tal...e daí? –ela perguntou me encarando nos olhos e me desarmando totalmente. Nos sentamos na areia e ficamos em silêncio por um tempo até ela quebra-lo.
—Vai participar da seleção? –ela perguntou.
—Sim e você? –ela assentiu. Ficamos lá nos encarando sem saber ao certo como falar um com o outro. Não demorou para uma corneta ser soada avisando a todos para se prepararem pois a seleção não demoraria para começar. Nos separamos e cada um foi para lados opostos.
POV ARTHUR
A seleção começou, todos os candidatos estavam separados por deus e eu estava ao lado do meu pai apenas esperando Mare aparecer.
—Quero que você participe da missão Arthur. –meu pai disse calmamente.
—Pai não posso. Quero dessa vez ficar no acampamento e ajudar aqueles que me acolheram, além do mais, não tenho pique para esse tipo de missão e Mare é bem mais poderosa do que eu. Ela tem um controle perfeito sobre a água, além de ser ágil e esperta.
—Não acho que seja seguro para alguém como ela ir nessa missão...
—Ah pai, com todo o respeito mas estamos no século XXI! Não existe mais isso de mulher não pode e não consegue, muitas são melhores do que muitos homens por aí! Não é justo com ela nem ter a chance. –Poseidon bufou de irritação mas cedeu contando que Mare fosse boa na prova. Não demorou muito ela chegou e se prostrou ao meu lado.
—Bom dia. –ela disse firmemente.
—Bom dia maninha. Saiu cedo para treinar.
—Precisava estar em forma... Ainda não entendo porque não quer ir.
—Isso não é pra mim você sabe. Quero ficar no acampamento dessa vez.
—Algum motivo específico para isso? –ela perguntou com um sorriso travesso e eu já percebi o que ela queria dizer, fiquei um pouco ruborizado mas rebati.
—Mareena esse lugar é a minha casa também, quero protege-lo junto com os outros. –ela revirou os olhos e se silenciou. Isso era verdade, só não era o total motivo para eu ficar.
A seleção começou. Ares escolheu Jake. Deméter escolheu Clary. Hefesto escolheu Mark. Dionísio escolheu Dylan. Apolo escolheu Max. Hades não tinha muita escolha mas de qualquer forma, Raven deu um show de poderes incríveis e macabros e foi a escolhida. Hermes escolheu Tyler. No chalé de Atena foram escolhidos dois semideuses, Sophie e Harry já que eram os melhores estrategistas do acampamento.
No chalé de Zeus houve uma pequena –vulgo grande –discussão sobre quem deveria ir. Zeus não queria deixar Beatriz ir e ela sendo ela, armou a maior confusão e mostrou todo o tipo de poder para convencer o pai, no fim ele acabou cedendo contanto que fossem os dois. Eu já sabia que Estella não ia e, sinceramente, este fora um dos motivos mais fortes por eu ter ficado, acho que Mare notou isso. No lugar dela, uma tal de Elise fora escolhida, ela era bonita admito, mas parecia muito superficial e oferecida o que não me interessou nem um pouco.
—Eu não acredito que ela vai! –murmurou Bia cruzando os braços furiosa com a situação. Com todo aquele problema com Rafe eu não esperava menos.
—Ai ninguém merece isso na bagagem! Tá na cara que ela não vai fazer nada só dar trabalho! Sério que tinha que ficar Ella? –Raven falava com desprezo olhando para Elise e dirigiu o melhor olhar cachorrinho que conseguiu para Estella que estava sentada ao lado. Ela sorriu compreensivamente.
—Ah meninas eu sinto muito mesmo. Mas dessa vez eu preciso ficar porque... –ela corou um pouco e desviou o olhar.
—Por quê.... –Mare incentivou. Elas não estavam muito longe então era fácil ouvir a conversa.
—É por acaso algum boy que apareceu? –Raven perguntou olhando maliciosamente e até mesmo eu apurei os ouvidos por uma resposta que não veio.
—Ahn...eu...bom...eu preciso ir ali rapidinho e já volto –Ella desapareceu de vista e as meninas caíram na gargalhada. Fiquei confuso.
POV MAREENA
A seleção durou o dia todo, eram testes para todos os chalés e muitos ficavam apenas enrolando e isso já estava me dando nos nervos.
Quando chegou a minha vez estava um pouco nervosa. Meu pai me chamou e eu fui até ele, estávamos dessa vez na praia obviamente. Arthur me dirigiu um olhar confiante e me deu forças para continuar. Eu queria muito ir nessa missão, meus amigos iam, eu tinha chance de fazer algo realmente importante para salvar o acampamento, e...bem, James iria também, tinha esperança de poder conversar melhor e esclarecer de uma vez o que eu sinto.
—Faça o melhor que puder. –Poseidon disse secamente o que chega a ser irônico mas apenas assenti e me concentrei. Meus poderes eram bem treinados e evoluídos para a minha idade, estava feliz por poder mostrar pelo menos um pouco do meu limite e provar que a água pode ajudar mas também é letal.
Com pequenos mas precisos movimentos separei as águas do mar, formei um grande furacão que quase chegou a praia mas um pequeno gesto e ele foi destruído. As ondas eram enormes e para isso eu só precisava pensar. A chuva invocada era forte e Bia até trouxe alguns trovões desagradáveis. Por último e mais silencioso, pedi que alguém viesse até mim e servisse de cobaia para o meu truque final, uma forma fácil e dolorosa de se matar alguém. Um garoto, filho de Dionísio metido a corajoso se ofereceu e se prontificou a uma distância de mim.
—Tem claustrofobia garoto? –perguntei baixo
—Bom, eu nunca testei. Mas...espera, você não vai me matar né? –ele perguntou com medo na voz.
—Não, algo próximo a isso mas você ainda vai viver. –sorri maldosamente, esse garoto já tinha passado cantada em mim umas mil vezes e eu nem sei seu nome!
Me concentrei. Meus olhos cintilaram e uma camada de gelo brilhou em meu olhar para ao garoto. Silêncio. Ele começou a tossir e levar as mãos ao pescoço, ele cuspia sangue e caiu de joelhos. Pisquei e então ele caiu de bruços soluçando. Quando olhei ao redor só o que via eram olhares surpresos e amedrontados, até meu pai parecia sem palavras. Rapidamente Apolo foi até o menino e curou sua garganta ainda me encarando espantado.
—Não há dúvidas. Você vai a esta missão filha de Poseidon. –declarou Zeus ainda surpreso. Meu pai o olhou mas acabou assentindo relutante.
—O que você fez? –perguntou uma garotinha que devia ter entre os 8 e 10 anos. Sorri carinhosamente.
—Apenas controlei a umidade do ar somada à água do próprio corpo.
—Você quase o matou. –falou outro garoto.
—Quase. Mas não faria algo assim por pura diversão. –o encarei séria.
Passado toda a seleção nos juntamos na praia em um banquete. Todos estavam espalhados pela costa, rindo e comendo. Me desvencilhei um pouco das minhas amigas e fui para entre as pedras divagar, costumava tirar umas horas do dia apenas para pensar em coisas aleatórias enquanto brincava com as ondas.
—Oi. –senti Jay se sentando ao meu lado. Seu braço roçou no meu provocando uma espécie de desejo inesperado, repreendi a mim mesma por pensar algo assim.
—Oi. –fiquei encarando o horizonte, o mar estava cristalino e o céu, azul sem nuvens. O sol estava se pondo e a lua já surgia para iluminar junto às estrelas.
—Aquilo foi incrível. –disse se referindo ao meu último teste.
—Parece que nem todos acharam isso tão incrível.
—Ficaram apenas surpresos, não esperavam que pudesse fazer algo tão letal quanto aquilo. –ele disse virando meu rosto para encarar aqueles olhos azuis brilhantes. Meu desejo só foi aumentando e pouco a pouco parecia que meu bom-senso ia sendo tomado pela impulsividade.
—O que estamos fazendo? –sussurrei. Nossos narizes se tocavam e eu sentia sua respiração acelerada no meu rosto. Por que ele tinha que ser tão irresistível?
—Não faço a menor ideia. –e com essa deixa e puxou meu rosto para o dele selando nossos lábios. Ele pediu passagem com a língua e eu cedi, não tinha controle de nada, apenas sabia que James Grace possuía em mim um controle desesperador. Suas mãos nas minhas costas me puxando para ele, minhas mãos brincando com seus cabelos curtos e morenos. Eu não sabia o que éramos mas, com certeza, éramos mais que amigos.
POV JAKE
Depois que tudo acabou cada um foi pra um lado eu e os meninos ficamos um pouco longe das meninas, mas James e eu não parávamos de olhar pra onde elas estavam, eu ficava olhando Raven, tentando entender o que ela fez comigo pra eu ficar meio nervoso na hora de falar com ela, ou quando eu fico do lado dela e meu coração começa a acelerar. Raven é uma garota bonita.
Não, linda demais é mais certo. Enquanto os meninos conversavam eu olhava pra ela, as vezes Bia olhava em nossa direção, provavelmente procurando Max, mas quando ela me via olhando pra Raven ela soltava risinho, ou dava um sorriso provocador em minha direção, o que me deixou um pouco vermelho. Vi que James tinha ido em direção a Mare, que tinha saído de perto das meninas a pouco tempo.
— Jake! – Max me gritou me assustando.
— Que foi?! Precisava gritar? Que merda, você me assustou! – falei meio nervoso por conta do susto. Ele riu.
— Eu te chamei três vezes só que você não ouviu!
— Tá bom, que foi? – perguntei cruzando os braços.
— Então, – começou Tyler – a gente vai lá nas meninas, só queríamos te avisar, senão você ia ficar que nem um retardado aqui sozinho olhando pra lá! – ele e os outros riram.
— Pois é meu caro amigo, — Harry colocou a mão no meu ombro – disfarça esse seu olhar. Tá bem na cara que direto você fica olhando a Raven.
– Tá legal! Vamos logo pra lá, não aguento mais essa conversa de vocês pra cima de mim! – eles riram e eu comecei a andar em direção as meninas.
Quanto mais eu me aproximava meu coração acelerava, até tava parecendo que ele ia pular do meu peito.
Comecei a andar mais devagar um pouco, parecendo que eu estava com vergonha de chegar mais perto. As garotas riam e conversavam animadamente, esse grupo era uma mistura de cores, uma ruiva, uma morena, uma de cabelo preto, outra loira, uma com olhos azuis, outra com olhos castanhos, outra com olhos verdes, e outra com olhos meios cinzas. Mas só uma me chamava atenção. Cheguei até elas e parei do lado de Raven.
— Parabéns meninas! Foram muito bem hoje mais cedo! – falei chamando a atenção delas.
— Valeu Jake, você também foi muito bem – Bia falou olhando em direção de Raven dando um pequeno sorriso.
— Olá meninas! – Tyler chegou meio eufórico.
— Oi... – elas falaram junto.
— Ué cadê a Mare? – Raven falou do meu lado.
— É mesmo... cadê ela? – Ella perguntou.
— Bobinhas... – Bia disse rindo.
— Você sabe de alguma coisa Grace? – Raven disse cruzando os braços e dando um meio sorriso, que fez com que meu coração desse um pulo. Se controla! Era o que meu bom-senso dizia.
– Não, eu só falei “bobinhas” não é nada de mais – ela se defendeu, provavelmente as meninas vão falar com ela mais tarde.
Todos estavam conversando, Max se sentou do lado de Bia e passou seu braço pela sua cintura a segurando. Arthur estava do lado de Estella e algumas vezes olhava pra ela. Harry também estava sentado do lado de Sofie, e os dois conversavam sem parar. Tyler ficou sozinho como sempre apesar de também participar da conversa. E bom, eu estava do lado de Raven, nem eu, nem ela conversávamos. Me levantei do lugar em que eu estava sentado e cutuquei Raven. Ela perguntou o que eu queria e eu disse que só queria conversar longe dali, ela se levantou e fomos pra direção da floresta que estava um pouco escura.
— Como você está? – eu quebrei o silêncio.
— Ãhn... estou bem... eu acho – ela estava meio incomodada com o lugar, dava pra ver, ela ficava olhando pros lados. Ou talvez só não queria me encarar.
— Pode ficar tranquila, eu não vou fazer nada com você... – falei chegando mais perto.
— Não é isso... é que...
— Então o que é...? – falei chegando mais perto, ela percebeu e deu um passo pra trás ficando escorada na árvore.
– O que você tá fazendo? – ela perguntou baixo.
— Nada que você não vai gostar... – falei e dei um sorriso tímido. Cheguei mais perto fazendo com que nossos rostos ficassem a poucos centímetros de distância, olhei mais uma vez pros olhos castanhos de Raven e ela olhou pros meus.
Sem querer esperar mais tempo, selei nossos lábios. Segurei sua cintura e a cheguei pra mais perto de mim, ela colocou uma mão no meu pescoço e a outra ficou passeando pelas minhas costas. O beijo foi ficando mais intenso a cada minuto, e em cada minuto eu me atraía mais por Raven. Paramos o beijo por conta da falta de ar, me distanciei um pouquinho dela, pra ver seu rosto, que por sinal estava meio vermelho.
–Você me enfeitiçou garota... – falei e ri. Quando ela assimilou o que eu disse ela riu. E de repente ela me abraçou forte, retribuí o abraço. E assim ficamos abraçados sob a luz da lua.
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